Ipt apostila

Ipt apostila

(Parte 1 de 5)

Título : Apresentação

Conteúdo:

Caro(a) aluno(a)

 Na disciplina de Interpretação e Produção de Textos - IPT -, você terá a oportunidade de ampliar seu universo cultural e expressivo, trabalhando e analisando textos orais e escritos sobre os mais variados assuntos, bem como de produzir textos diversos na linguagem oral e escrita.

Esperamos que com empenho e dedicação você seja capaz de, ao término do curso:

  •  valorizar a leitura como fonte de conhecimento e prazer;

  •  aprimorar as habilidades de percepção das linguagens envolvidas na leitura;

  • ler e analisar diversos estilos e gêneros discursivos com senso crítico;

  • identificar as idéias centrais do texto;

  • ampliar seu vocabulário ativo;

  • expressar-se com coerência, concisão e clareza, visando à eficácia da comunicação.

Nosso conteúdo abordará os seguintes itens:

Primeiro bimestre:

1)     Conscientização da importância da leitura como fonte de conhecimento e participação na sociedade;

2)     As diferentes linguagens: verbal, não verbal; formal e informal;

3)     Noções de texto: unidade de sentido;

4)     Textos orais e escritos;

5)     Estilos e gêneros discursivos: jornalístico, científico, técnico, literário, publicitário entre outros; interpretação de textos diversos e de assuntos da atualidade;

Segundo bimestre

6)     Qualidades do texto:

  • coerência,

  • coesão,

  • clareza,

  • concisão e

  • correção gramatical;

7)     Complemento gramatical.

Para enriquecer seus estudos, sugerimos a seguinte bibliografia básica:

FARACO, Carlos Alberto e TEZZA, Cristovão. Prática de texto para estudantes universitários. 13. ed.  Petrópolis: Vozes, 2008. FIORIN, José Luiz e PLATÃO, Francisco. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 2006.  KOCH, I. V. & ELIAS, V. M. Ler e compreender: os sentidos do texto. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2007.

 

Título : A Importância da Leitura

Conteúdo

IMPORTÂNCIA DA LEITURA COMO FONTE DE CONHECIMENTO E PARTICIPAÇÃO NA SOCIEDADE

Ler significa aproximar-se de algo que acaba de ganhar existência. Ítalo Calvino

O ato de ler é soberano. Implica desvendar e conhecer o mundo. É pela leitura que desenvolvemos o processo de atribuir sentido a tudo o que nos rodeia: lemos um olhar, um gesto, um sorriso, um mapa, uma obra de arte, as pegadas na areia, as nuvens carregadas no céu, o sinal de fumaça avistado ao longe e tantos outros sinais. Lemos até mesmo o silêncio! Nos dias de hoje, a comunicação, mesmo presencial, está mediada por uma infinidade de signos. Na era da comunicação interplanetária, estabelecemos infinitas conexões com pessoas de todos os cantos do mundo, o que nos obriga a decodificar um universo poderoso de mensagens e a nos adaptar a elas: comunidades virtuais do Orkut, conversas pelo MSN, compras e negócios fechados pela rede e, se essa informação foi dominantemente verbal até então, agora se torna também visual com a chegada do YouTube.

Sabemos o quanto a força da imagem exerce fascínio e entendemos, definitivamente, que não há mais como sobreviver neste mundo sem que haja, de nossa parte, uma adaptação constante no que se refere ao acesso às diferentes linguagens disponíveis.

É fundamental reconhecer que o sentido de todas as coisas nos vêm, principalmente, por meio do olhar, da compreensão e interpretação desses múltiplos signos1 que enxergamos, desde os mais corriqueiros – nomes de ruas, por exemplo – até os mais complexos – uma poesia repleta de metáforas. O sentido das coisas nos vêm, então, por meio da leitura, um ato individual de construção de significado num contexto que se configura mediante a interação autor/texto/leitor.

A leitura é uma atividade que solicita intensa participação do leitor e exige muito mais que o simples conhecimento lingüístico compartilhado pelos interlocutores: o leitor é, necessariamente, levado a mobilizar uma série de estratégias, com a finalidade de preencher as lacunas e participar, de forma ativa, da construção do sentido. Dessa forma, autor e leitor devem ser vistos como estrategistas na interação pela linguagem para que se construa o sentido do texto. Segundo Koch & Elias (2006),

[...] numa concepção interacional (dialógica) da língua, os sujeitos são vistos como atores/construtores sociais, sujeitos ativos que – dialogicamente – se constroem e são construídos no texto. [...} Nessa perspectiva, o sentido de um texto é construído na interação texto-sujeitos e não algo que preexista a essa interação. A leitura é, pois, uma atividade interativa altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza evidentemente com base nos elementos lingüísticos presentes na superfície textual e na sua forma de organização, mas requer a mobilização de um vasto conjunto de saberes no interior do evento comunicativo.

Para esclarecer as idéias até aqui apresentadas, leia a tira a seguir:

http://tiras-hagar.blogspot.com/ (acesso em 16/02/2007)

Na tira, Hagar, o viking, revela o papel do leitor que interage com o texto, no caso, da placa, e atribui-lhe o sentido, considerando tanto as informações explícitas, como também o que é sugerido de maneira implícita, subentendida.

Podemos, então, concluir que

a) a leitura de qualquer texto exige do leitor muito mais do que o conhecimento do código lingüístico;  b) o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto, a partir, entre outros aspectos, de seu conhecimento lingüístico, textual e, ainda, de seu conhecimento de mundo.

Leitura é, assim, uma atividade de produção de sentido. É nesse intercâmbio de leituras que se refinam, se reajustam e redimensionam hipóteses de significado, ampliando constantemente a nossa compreensão dos outros, do mundo e de nós mesmos.  O exercício pleno da cidadania passa necessariamente pela garantia de acesso aos conhecimentos construídos e acumulados e às informações disponíveis socialmente. E a leitura é a chave dessa conquista.

1Signos: entidades lingüísticas dotadas de duas faces: o significante (imagem acústica) e o significado (conceito).

Título : As Diferentes Linguagens

A linguagem é o instrumento com que o homem pensa e sente, forma estados de alma, aspirações, volições e ações, o instrumento com que influencia e é influenciado, o fundamento último e mais profundo da sociedade humana.

L. Hjelmslev

Para dar início às suas reflexões a respeito do tema a ser estudado, leia o texto que segue.

Comunicação

É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você quer. Imagine-se entrando numa loja para comprar um... um... como é mesmo o seu nome? “Posso ajudá-lo, cavalheiro?” “Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...” “Um... como é mesmo o nome?” “Sim?” “Pomba! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples, conhecidíssima.” “Sim senhor.” “O senhor vai dar risada quando souber.” “Sim senhor.” “Olha, é pontuda, certo?” “O quê, cavalheiro?” “Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que esta é mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa pontuda que fecha. Entende?” “Infelizmente, cavalheiro...” “Ora, você sabe do que estou falando.” “Estou me esforçando, mas...” “Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?” “Se o senhor diz, cavalheiro...” “Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero.” “Sim senhor. Pontudo numa ponta.” “Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?” “bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente descrevê-la outra vez. Quem sabe o senhor desenha para nós?” “Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Sou uma negação em desenho.” “Sinto muito.” “Não precisa sentir. Sou técnico em contabilidade, estou muito bem de vida. Não sou um débil mental. Não sei desenhar, só isso. E hoje, por acaso, me esqueci do nome desse raio. Mas fora isso, tudo bem. O desenho não me faz falta. Lido com números. Tenho algum problema com os números mais complicados, claro. O oito, por exemplo. Tenho que fazer um rascunho antes. Mas não sou um débil mental, como você está pensando.” “Eu não estou pensando nada, cavalheiro.” “Chame o gerente.” “Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo. Essa coisa que o senhor quer, é feito do quê?” “É de, sei lá. De metal.” “Muito bem. De metal. Ela se move?” “Bem... É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas mãos. É assim, assim, dobra aqui e encaixa na ponta, assim.” “Tem mais de uma peça? Já vem montado?” “É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço.” “Francamente.” “Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem vindo, vem vindo, outra volta e clique, encaixa.” “Ah, tem clique. É elétrico.” “Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar.” “Já sei!” “Ótimo!” “O senhor quer uma antena externa de televisão.” “Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo...” “Tentemos por outro lado. Para o que serve?” “Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia a ponta pontuda por aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa..” “Certo. Esse instrumento que o senhor procura funciona mais ou menos como um gigantesco alfinete de segurança e...” “Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!” “Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!” “É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um... um... Como é mesmo o nome?”

                                             (Luís Fernando Veríssimo. Para gostar de ler. v.7. São Paulo, Ática, 1982.) A linguagem nasce da necessidade humana de comunicação; nela e com ela, o homem interage com o mundo. Para tratarmos das diferentes linguagens de que dispomos, verbais e não verbais, precisamos, inicialmente, pensar que elas existem para que possamos estabelecer comunicação. Mas o que é, em si, comunicar?

Se desdobrarmos a palavra comunicação, teremos:

Comunicação: “comum” + “ação”, ou melhor, “ação em comum”.

De modo geral, todos os significados encontrados para a palavra comunicação revelam a idéia de relação. Observe:

Comunicação: deriva do latim communicare, cujo significado seria “tornar comum”, “partilhar”, “repartir”, “trocar opiniões”, “estar em relação com”. Podemos assim afirmar que, historicamente, comunicação implica em participação, interação entre dois ou mais elementos, um emitindo informações, outro recebendo e reagindo. Para que a comunicação exista, então, é preciso que haja mais de um pólo: sem o “outro” não há partilha de sentimentos e idéias ou de comandos e respostas.

Leia o cartum a seguir e procure reconhecer como o humor se produz na situação apresentada.

Para que a comunicação seja eficiente, é necessário que haja um código comum aos interlocutores.

O que é a linguagem?

Linguagem é a capacidade humana de articular conhecimentos e compartilhá-los socialmente. Assim, todo e qualquer processo humano capaz de expressar e compartilhar significação constitui linguagens: tirar fotos, pintar quadros, produzir textos e músicas, escrever jornal, dançar, etc. As linguagens fazem parte das diversas formas de expressão representadas pelas artes visuais, pela música, pela expressão corporal e pela escrita.

A linguagem, portanto, nomeia, fixa e concebe objetos, utiliza conceitos e tem por função permitir a comunicação.

Nós encontramos a língua pronta quando nascemos e aprendemos a utilizá-la com as pessoas mais velhas. É a partir dessa aprendizagem que passamos a reproduzi-la.

Muitas das expressões artísticas atuais têm origem conhecida: a fotografia surgiu no século XIX; o teatro ocidental surgiu na Grécia e na Idade Média. Já a escrita surgiu há milhares de anos.

Tomemos, agora, o conceito apresentado por Bechara (1999:28) para fundamentar o conceito de linguagem:

Entende-se por linguagem qualquer sistema de signos simbólicos empregados na intercomunicação social para expressar e comunicar idéias e sentimentos, isto é, conteúdos da consciência.

A linguagem é, então, vista como um espaço em que tanto o sujeito quanto o outro que com ele interage são inteiramente ativos. Por meio dela, o homem pode trocar informações e idéias, compartilhar conhecimentos, expressar idéias e emoções. Desse modo, reconhecemos a linguagem como um instrumento múltiplo e dinâmico, isso porque, considerados os sentidos que devem ser expressos e as condições de que dispomos em dada situação, valemo-nos de códigos diferentes, criados a partir de elementos como o som, a imagem, a cor, a forma, o movimento e tantos outros.

Vale salientar a idéia de que o processo de significação só acontece verdadeiramente quando, ao apropriarmo-nos de um código, por meio dele nos fazemos entender.

Título : Linguagem Verbal e Linguagem Não Verbal

Chamamos de linguagem a todo sistema de sinais convencionais que nos permite realizar atos de comunicação. Certamente, você já observou que o ser humano utiliza as mais diferentes linguagens: a da música, a da dança, a da pintura, a dos surdos-mudos, a dos sinais de trânsito, a da língua que você fala, entre outras.

Como vemos, a linguagem é produto de práticas sociais de uma determinada cultura que a representa e a modifica, numa atividade predominantemente social.

Considerando o sistema de sinais utilizados na comunicação humana, costumamos dividir a linguagem em verbal e não verbal. Assim, temos:

a. Linguagem verbal: aquela que utiliza as palavras para estabelecer comunicação. A língua que você utiliza, por exemplo, é linguagem verbal, assim como a literatura.

b. Linguagem não verbal: aquela que utiliza outros sinais que não as palavras para estabelecer comunicação. Os sinais utilizados pelos surdos-mudos, por exemplo, constituem um tipo de linguagem não verbal.

Para viver em sociedade, o ser humano — possuidor de capacidade criativa e cumulativa — cria um arsenal de códigos, que se entrecruzam e atendem às suas necessidades de sobrevivência, de intercâmbio com o outro, de satisfação afetiva, de aprimoramento intelectual.

A comunicação dá-se, assim, por intermédio de algum tipo de linguagem que, como vimos, altera-se de acordo com o uso que as pessoas fazem dela. Verbais ou não verbais, criamos sinais que têm significado especial para o grupo humano do qual fazemos parte.

Veja, por exemplo, a tela de Portinari:

Ao pintar os trabalhadores rurais em atividade, Portinari revela, com precisão, uma importante questão social: a vida sofrida dos lavradores nas lavouras do café que, ao cumprir longas jornadas de trabalho, misturam-se à terra, numa interminável fila de homens e mulheres anônimos, com mãos e pés enormes, sugerindo, talvez, o excesso e a força de tanto trabalho. Não há céu, não há horizonte; o predomínio da cor marrom reforça o drama vivido por esses trabalhadores. Diante do não verbal, como espectadores, experimentamos a emoção que o quadro desperta, não porque seu significado esteja expresso em palavras, mas porque ele exibe a síntese do sentimento do artista.

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