Nutrição Esportiva 03

Nutrição Esportiva 03

(Parte 1 de 3)

Revista Brasileira de Nutrição Esportiva ISSN 1981-9927 versão eletrônica

Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w.ibpefex.com.br / w.rbne.com.br

O USO DE SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS ENTRE ATLETAS QUE PARTICIPARAM DA SEGUNDA TRAVESSIA DA LAGOA DO PERI DE 3.0 m.

Joana Bastos Matos1,2 ,

Rafaela Liberali1

Este trabalho visou pesquisar o uso de suplementos entre os atletas que participaram da segunda Travessia da Lagoa do Peri de três mil metros, que ocorreu no dia 13 de outubro de 2007. Foi aplicado um questionário aberto, com uma amostra de 56 atletas. Percebeu-se que 26 (%) fazem uso destas substâncias. O mais utilizado entre os entrevistados foi a Maltodextrina, com 42,31%. A maioria dos suplementos foi indicada por nutricionistas e o motivo do uso seria para reposição energética. Conclui-se que os atletas fazem maior uso do carboidrato como suplemento e que demonstraram certa consciência em relação ao uso dos mesmos, sendo que a maioria procurou antes um nutricionista para indicação do suplemento a consumir. A finalidade do uso de suplementos seria para reposição energética e a maior parte dos entrevistados não faz uso de suplementos tendo em vista que uma alimentação balanceada pode suprir as demandas energéticas necessárias para a atividade.

Palavras chaves: suplementos, travessia, nutrição.

1- Programa de Pos Graduação Lato Sensu em Bases Nutricionais da Atividade Física – Nutrição Esportiva da Universidade Gama Filho - UGF 2 – Bacharel em Educação Física pela Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC

The use of dietary supplements by the athletes that took part in the second 3000 m crossing of Lagoa do Peri

This article intends to research the use of dietary supplements by the athletes that took part in the second 3000m crossing of Lagoa do Peri, which happened on October 13 th 2007. An open questionnaire was handed over to 56 athletes. It was verified that 26% of them had made use of dietary supplements. Among the interviewers maltodextrina is the substrate most commonly used (42.31%). Most of the supplements taken were suggested by nutritionists and they did because they believed it would help to help in energy replacement. From this fact it is concluded that the athletes mainly use carbohydrates as a dietary supplements as the majority of them looked for a nutritionist in order to know witch supplement they should take. The objective of taking supplements would be for energy replacement. Most interviewers do not make use of supplements knowing that a balanced diet can supply the energy needed for this physical activities.

Key Words: supplements, crossing, nutrition

Endereço para correspondência: Rua Osni Ortiga, 3177 casa 24 djoubm@hotmail.com

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Segundo Bertolucci (2002), a maior preocupação do atleta é em relação ao rendimento, alimentação de treino e de competição. Há muitos anos o uso de manipulações dietéticas, além do consumo de substâncias ergogênicas, com o intuito de melhorar a performance já era acometido por atletas (Bacurau, 2007).

Williams (2004) afirma que há uma teoria de que estes produtos podem intensificar os processos fisiológicos envolvidos na produção de energia para o desempenho esportivo.

De acordo com Camina e Kapazi (2004), por modismos e propagandas não cientificas, as pessoas fazem uso de suplementos sem a recomendação de um profissional e acabam sendo indicados por técnicos e vendedores de lojas específicas. Segundo Morgan e Burke (2004), alguns estudos sugerem que o uso do suplemento é mais comum entre atletas (50%) do que a população em geral (35%).

É muito importante, antes de utilizar um suplemento, consultar-se com um médico ou nutricionista especializado, na dosagem e qual suplemento deverá ser ingerido. Deve-se também prestar atenção nos rótulos, nome e endereço da empresa, recomendações para armazenamento, designação, declaração da estrutura e função (cientificamente comprovada), composição, orientações e data de validade (Reader’s Digest, 2001).

Existem alguns estudos que buscaram analisar o uso de suplementos em certos esportes como voleibol, e em academias, mas entre participantes de travessias o estudo é aparentemente escasso. Com a grande popularidade dos suplementos seria interessante um estudo científico sobre o assunto, principalmente relacionado com travessias, sendo que não foram encontrados assuntos com o mesmo tema.

O ato de nadar remonta as épocas mais primitivas da história do homem. No princípio era praticada em águas abertas como rios, mares, lagos, enseadas e baías (Vaz, 2003).

Tem-se registrado como uma travessia histórica a de Leandro, afastado de sua amada pelo estreito de Dardanelos, que separa a Ásia da Europa, nadava cerca de 1300 metros ao anoitecer e retornava ao amanhecer. Sua amada iluminava com uma tocha no alto de uma colina, para orientar a rota (Neto, SD). Noronha (1985), afirma que em 1810 o poeta inglês e aventureiro Lord Byron, realizou a mesma travessia, cobrindo uma distancia de 1960 metros.

Segundo Neto (SD), uma das travessias mais famosas é a do canal da mancha, sendo realizada pela primeira vez em 1875 pelo capitão Mathew Webb, num tempo de 21horas e 39 minutos.

Vaz (2003) explica que hoje em dia no

Brasil, com a poluição e com a construção de piscinas, a partir de 1950, estas provas foram perdendo sua importância ou desaparecendo. A ênfase era para a natação de distâncias mais curtas. Apenas recentemente a FINA supervisiona esta modalidade nos campeonatos mundiais. No Brasil, já há alguns anos, quem supervisiona é a CBDA.

Antigamente, de acordo com Neto

(SD), nas décadas de 10 e 20 por não existirem piscinas, as travessias eram mais comuns e ocorriam em mares e rios. Destacam-se a travessia da Bahia de Guanabara, em março de 1912 (Boa Viagem – Niterói) até a Praia das Virtudes no Rio de Janeiro, com cerca de 5.000m. Em São Paulo 1924, ocorreu a travessia do rio Tietê com um percurso de 7.200m com saída na Vila Maria e chegada em frente ao clube Tietê. A primeira travessia da Lagoa do Peri ocorreu no dia 21 de outubro de 2006.

Platonov (2005) afirma que competições de natação exigem muito dos sistemas funcionais dos atletas, que podem sofrer um profundo esgotamento destes sistemas.

energia para um exercício deste

Segundo Powers e Howley (2006), a valor é originada do sistema aeróbio e do metabolismo de carboidrato e gorduras (principalmente o carboidrato).

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Para Bompa (2002), o exercício de natação apresenta fatores e parâmetros biológicos solicitados no treinamento como cardiorrespiratório, endócrino, metabólico e neurofisiológico. Platonov (2005) salienta força, velocidade e resistência como capacidades motoras presentes.

A travessia da Lagoa do Peri de 3000 metros foi uma prova que durou cerca de 27 minutos para primeiro colocado e 57 minutos para o último colocado (Travessias, 2008).

Geralmente pode-se manter um estado estável da captação de oxigênio durante o exercício submáximo de duração moderada. Um exercício contínuo em uma taxa de trabalho relativamente elevada, acarreta um aumento lento da captação de oxigênio no decorrer do tempo, aumentando assim, a taxa metabólica (Powers e Howley 2006).

De acordo com Weineck (1991), exercícios com duração acima de 8 min são caracterizados como de resistência de longa duração. A resistência de longa duração é subdividida em três categorias: a resistência de longa duração I para exercícios com duração de até 30 minutos, que usa principalmente como fonte de energia o metabolismo da glicose, a resistência de longa duração I (de 30 a 90 minutos) que usa do metabolismo da glicose e de gorduras e a resistência de longa duração I (acima de 90 minutos) que usa basicamente o metabolismo da oxidação de gorduras para obtenção de energia.

Bompa (2002) salienta que uma dieta rica em carboidratos favorece a restauração completa do glicogênio muscular para exercícios prolongados, independente da natureza da atividade realizada, como dominância de velocidade ou potência, aeróbio ou anaeróbio. Quanto maior a duração do exercício, maior a quantidade de carboidratos metabolizados.

Segundo Champe e Harvey (1997), a energia total requerida por um indivíduo é a soma de três processos que requerem energia e ocorrem no corpo: taxa metabólica basal, efeito térmico do alimento e atividade física.

Na atividade física é onde a atividade muscular fornece maior variação no gasto de energia.

Com a alimentação, o corpo necessita da absorção de nutrientes para prover a energia necessária à manutenção das atividades celulares em repouso, durante e após o exercício. (Powers e Howley, 2006).

Lancha Jr (2002) afirma que os nutrientes são classificados como: micronutrientes (vitaminas e minerais) e macronutrientes (carboidratos, gorduras e proteínas)

Bacurau (2007) salienta a necessidade de energia provenientes da ingestão diária de nutrientes como aminoácidos essenciais, vitaminas, minerais, carboidratos, fibras e lipídios para a manutenção da saúde do organismo humano.

De acordo com Platonov (2005), a alimentação determina o nível da capacidade de trabalho do atleta e a eficácia das reações de recuperação e de adaptação estimuladas pelas cargas de treinamento e das competições.

Bertolucci (2002), afirma que a alimentação do atleta afeta sua saúde, peso e composição corporal, e também a disponibilidade de substratos durante, o exercício e recuperação pós-exercício.

Segundo Champe e Harvey (1997), os carboidratos e as gorduras são as principais fontes de energia para a atividade de um indivíduo que tenha uma dieta balanceada. A dieta, intensidade e duração do exercício contribuem para determinar qual substrato será predominante.

Quando a demanda destes nutrientes não é atingida, pode ocorrer uma queda no desempenho assim como a incidência de lesões (Bacurau 2007).

Bompa (2002), explica que circunstâncias extenuantes, como depleção do glicogênio, desidratação ou doença podem impedir a restauração desses substratos e a liberação de seus subprodutos.

É importante para um melhor desempenho do atleta, saber de suas necessidades, adequar a ingestão calórica obtendo um balanço energético ideal (Bertolucci, 2002). Nas recomendações diárias deve-se analisar a absorção incompleta de nutrientes, a variação individual da necessidade de nutrientes e a variação da

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Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w.ibpefex.com.br / w.rbne.com.br disponibilidade dos nutrientes em diferentes fontes (Bacurau, 2007).

Platonov (2005) salienta que a alimentação além de repor a energia gasta, deve repor a energia gasta também pelo treinamento que depende também do volume das cargas e também das características individuais de cada atleta. Por exemplo, um homem normal (entre 19 e 25 anos) necessita de 2700 kcal a 2900 kcal. Já um nadador necessita de até 6000 kcal a 7000 kcal.

Bertolucci (2002) afirma que as recomendações energéticas diárias devem considerar o tipo de exercício, intensidade freqüência e duração além dos gastos energéticos de um dia com atividades normais. Aumento de volume e intensidade dos treinos requer uma demanda maior de carboidratos.

De acordo com Platonov (2005), a proporção de carboidrato, proteína e gordura, pra um nadador de longa distância seria de 70/10/20. Já Weinek (1991) afirma que a proporção de carboidratos, proteínas e gordura, seria de 60/15/25.

Em modalidades de resistência é necessário um maior índice de glicogênio determinante para o desempenho.

A base fundamental de todo o sistema de utilização de substâncias que estimulam a capacidade de trabalho, a recuperação e as reações adaptativas consiste na elaboração de um plano alimentar racional para o desportista (Platonov, 2005).

Carboidratos são compostos por átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio. Armazenados, os carboidratos provêm ao corpo uma forma de energia rapidamente disponível. Um grama de carboidrato fornece cerca de 4 kcal de energia (Powers e Howley 2006).

Weineck (1991) afirma que quanto mais intensa a carga, maior deve ser a velocidade dos processos que fornecem energia, quanto maior a exigência da capacidade de absorção máxima de oxigênio do corpo, mais acentuadamente ocorre a oxidação do carboidrato.

Pode ser encontrado no formato de: monossacarídeos (açúcares simples como glicose e frutose), dissacarídeos (combinação

de dois monossacarídeos, ex

(lactose), polissacarídeos (combinação de três ou mais monossacarídeos, ex. amido) e fibras (não digeríveis). É armazenado no músculo na forma glicogênio (glicose muscular), que serve como reserva de substrato para a síntese de ATP durante a contração muscular (Champe E Harvey 1997).

De acordo com Weinek (1991), o teor de glicogênio intramuscular influencia de forma decisiva a intensidade e duração da capacidade de resistência local.

A ingestão de carboidratos deve ser enfatizada antes, durante e após os exercícios físicos a fim de auxiliar a performance do individuo, retardar a fadiga muscular e repor glicogênio no músculo (Bertolucci, 2002). Os carboidratos podem ser considerados como poupadores de proteínas, pois permite aos aminoácidos serem usados para o reparo e manutenção da proteína tecidual, ao invés de sintetizarem glicose (Champe e Harvey 1997).

desempenho

De acordo com Bacurau (2007) não existe uma clara relação entre quantidade de carboidrato consumida e efeitos que podem causar no desempenho, (13g por hora) seria uma taxa insuficiente de carboidratos para influenciar a performance, e já uma taxa de ingestão entre (26g por hora e 78g por hora) apresentaria efeitos positivos sobre o

Os organismos vivos apresentam milhares de estruturas protéicas que desempenham variadas funções (transporte, defesa, controle e regulação contrátil) (Lancha Jr 2002). De acordo com Champe e Harvey (1997), em exercícios de curta duração, as proteínas contribuem com menos de 2% do substrato utilizado, assim que o exercício tem duração de três a cinco horas, as proteínas entram com uma contribuição de 5-15% ao final da atividade.

Segundo Power e Howley (2006) as proteínas são compostas por subunidades denominadas aminoácidos Para que as proteínas sejam utilizadas como fonte de energia na formação de compostos de alta energia, elas devem ser clivadas em seus aminoácidos constituintes.

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Wilmore e Costill (2001) afirmam que os aminoácidos são compostos formados por moléculas de carbono, hidrogênio e nitrogênio. Estes podem ser classificados como essenciais e não essenciais. Os essenciais seriam os que não podem ser sintetizados pelo corpo.

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