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1. Mulher, 36 anos de idade, com história de Aids e que faz uso irregular de antirretroviral, há três dias apresenta diarréia de grande intensidade. Há duas horas apresentou parada cárdio-respiratória em AESP, prontamente revertida no PS. Chegou ao hospital em ventilação mecânica com PA de 126 x 78 mmHg, FC de 106 bpm e recebendo noradrenalina 0,8 mcg/kg x min. Apresentava os seguintes exames:

pH = 7,24Na = 130 mEq/LAlbumina = 3,0 g/dL pCO2 = 24 mmHgK = 2,2 mEq/LCálcio Iônico = 1,2 mEq/L HCO3 = 10 mEq/L Cl = 114 mEq/LCreatinina = 1,4 mg/dL

A conduta mais adequada é:

a) repor bicarbonato de sódio após a correção do potássio, pois a causa mais provável da acidose é a diarréia; b) apenas repor potássio por via enteral, pois o paciente está hemodinamicamente estável e com acidose metabólica leve; c) tentar estabilizar clinicamente o paciente e não repor bicarbonato já que o pH está acima de 7,15, pois se trata de acidose láctica; d) alterar os parâmetros da ventilação mecânica, pois a compensação respiratória do distúrbio metabólico não está adequada.

2. Homem, 65 anos de idade, queixa dor precordial de forte intensidade associada a sudorese profusa e dispnéia há uma hora. Sofreu acidente vascular cerebral isquêmico há um mês e é portador de hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia. Exame clínico: murmúrio vesicular simétrico, sem ruídos adventícios. Ritmo cardíaco regular em dois tempos, bulhas normofonéticas sem sopros. PA de 185 x 90 mmHg, FC de 60 bpm, pulsos periféricos amplos e simétricos. O eletrocardiograma encontra-se abaixo.

A conduta mais adequada é:

a) angioplastia coronariana trasluminal percutânea; b) trombólise química com alteplase; c) trombólise química com estreptoquinase devido risco de hemorragia do sistema nervoso central; d) pesquisar dissecção de aorta, pois a alteração no ECG não justifica a dor torácica.

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3. Homem, 4 anos de idade, chega ao PS após ingestão de pesticida há 5 horas, apresentando dispnéia, sialorréia e sonolência. Observa-se crepitações grosseiras à ausculta pulmonar, bilateralmente. Está com FC de 114 bpm, PA de 140 x 80 mmHg e com saturação de 85% em ar ambiente. Pode-se afirmar que:

a) a frequência cardíaca elevada não contra-indica o uso de atropina; b) a dosagem de colinesterase sérica é importante para definir o prognóstico e o tratamento inicial; c) a principal hipótese diagnóstica é intoxicação por organoclorados; d) deve-se realizar intubação orotraqueal, prescrever lavagem gástrica e carvão ativado.

4. Cerca de 30 a 40% dos pacientes infectados pelo vírus HIV irão desenvolver neoplasia maligna ao longo da vida. Dentre os tumores mais comuns destacam-se o sarcoma de Kaposi, o linfoma não Hodgkin e o carcinoma de colo de útero. A patogênese que explica esse alto risco de câncer é:

a) inserção do genoma viral em pontos críticos do genoma celular levando a formação de proteínas quiméricas que são pró-carcinogênicas; b) as células infectadas pelo vírus HIV contêm oncogenes que transcritos levam ao desenvolvimento do câncer; c) a transcriptase reversa do vírus HIV ativa muitos oncogenes durante a replicação viral os quais vão desencadear o processo de carcinogênese; d) a infecção pelo vírus HIV causa imunodeficiência no indivíduo.

5. A fase terminal de doenças de pacientes internados é um período de grande ansiedade e sofrimento para a família, a qual muitas vezes questiona a equipe médica sobre qual é o sintoma mais freqüente nos dias que precedem o óbito. A resposta correta que deve ser dada pela equipe médica é:

a) fadiga e/ou dor b) delírio e/ou inquietação c) dispnéia e/ou constipação d) náusea e/ou vômito

6. No diagnóstico clínico de infecções fúngicas sistêmicas adquiridas na comunidade como histoplasmose, criptococose e paracoccidioidomicose têm importância a exposição prévia a, respectivamente:

a) papagaio, eucalipto, tatu. b) galinha, cultivo de soja, gambá. c) roedores, macaco, cana de açúcar. d) morcego, pombo, cultivo de café.

7. O sinal semiológico conhecido como respiração freno-labial está associado com a seguinte morbidade:

a) doença intersticial pulmonar; b) asma brônquica; c) doença pulmonar obstrutiva crônica; d) insuficiência cardíaca congestiva.

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O texto a seguir refere-se às questões 8 e 9

Mulher, 32 anos de idade, sem qualquer doença prévia, queixa-se de dor em todas as juntas há 1 ano e rigidez após repouso de 60 minutos. Faz uso de benzilpenicilina benzatina 1.200.0 UI há 6 meses, inicialmente a cada 3 semanas, depois a cada 2 semanas, e semanalmente nos últimos 2 meses, para “reumatismo infeccioso no sangue”. Traz exames:

Hemograma: sem anormalidadesVHS: 12 m/1ª hora Mucoproteínas: positivo 1+Anti-estreptolisina O: 400 UI/mL (Valor Normal < 200) Ácido úrico: 3,6 mg/dLFator reumatóide: Látex negativo Fator anti-núcleo: Não reagente

8. Sobre os exames solicitados é correto afirmar.

a) todos foram bem indicados e são importantes para o diagnóstico diferencial da maioria das doenças reumáticas na faixa etária da paciente; b) são apenas exames de triagem para doenças reumáticas e deve-se complementar a investigação solicitando as dosagens de auto-anticorpos; c) o achado de poliartrite simétrica ao exame físico torna o diagnóstico de artrite reumatóide o mais provável, a despeito do fator reumatóide negativo; d) o diagnóstico de fibromialgia deve ser descartado, pois há elevação de mucoproteínas e de anti-estreptolisina O, e nessa doença não há alteração de exame laboratorial.

9. A conduta é:

a) aumentar a dose da benzilpenicilina, já que é o melhor tratamento para febre reumática aguda; b) iniciar prednisona 20 mg/dia e reavaliar em 6 semanas. Havendo boa resposta, reduzir até a dose de 5 mg/dia e mantê-la; c) iniciar prednisona 20 mg/dia e antiinflamatórios e mantê-los por 6 meses, caso o diagnóstico seja de artrite reumatóide. Após 6 meses, se não houver resposta, iniciar metotrexato; d) iniciar antidepressivo tricíclico em baixa dose e indicar atividade física regular, se o diagnóstico for fibromialgia.

10. Em relação aos maus tratos e negligência ao idoso é correto afirmar que:

a) proporcionalmente é mais freqüente a negligência aos idosos que vivem em instituições de longa permanência; b) dependentes físicos ou mentais têm maiores risco de maus tratos; c) o homem sofre mais maus tratos que a mulher; d) só devem ser denunciados os casos comprovados.

1. Homem, 72 anos de idade, portador de HAS e DM 2, ativo, independente para atividades de vida diária, procurou atendimento médico com queixa de disúria, polaciúria e febre. Iniciado ciprofloxacina para tratamento de ITU, com melhora dos sintomas e da febre. Retorna 48 horas após, trazido pela família com quadro de agitação psicomotora, agressividade e desorientação. A conduta é:

a) iniciar com neuroléptico; b) trocar o antibiótico, pois se trata de evolução do quadro infeccioso e provável sepse; c) iniciar diazepam endovenoso; d) encaminhar para avaliação cognitiva ambulatorial, pois se trata de provável demência inicial.

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12. Homem, 42 anos de idade, solteiro e andarilho foi encontrado caído em via pública, com feridas difusas pelo corpo e encaminhado para o PS. Apresentava-se com quadro neuropsiquiátrico de confusão e instabilidade emocional. Ao exame físico encontra-se em mau estado geral, descorado, desidratado e desnutrido, com dentes em mau estado de conservação. Na pele, há lesões difusas em membros superiores e inferiores, em forma de eritemas, úlceras, bolhas e algumas já evoluindo para crostas. Antecedentes pessoais: vida em más condições de higiene, hábito de etilismo há vários anos (1 garrafa de cachaça/dia) e alimentação irregular. Houve melhora do quadro neurológico e psiquiátrico com o inicio do tratamento, porém apresentou dois episódios diarréicos. O diagnóstico clínico-nutricional é:

a) desnutrição protéico calórica b) beri-beri c) pelagra d) doença de Wernicke

13. Homem, 39 anos de idade, é soterrado por uma parede onde permaneceu por 6 horas até ser retirado. A melhor abordagem terapêutica para prevenir a lesão renal aguda é:

a) soro fisiológico EV à 1 L/h; b) bicarbonato de sódio EV diluído com soro glicosado em manitol 10% à 125 ml/h; c) N-acetilcisteína oral e NaCl 0,45% EV à 1 ml/kg/h; d) dopamina EV na dose que não exceda 1,5 µg/kg/min.

14. Homem, 38 anos de idade, militar, durante período de treinamento no Amazonas, notou surgimento de lesão pustulosa, que progressivamente evoluiu para úlcera, visualizada na figura abaixo.

A investigação laboratorial e a hipótese diagnóstica são:

a) o esfregaço dérmico permite a visualização de protozoários por coloração Giemsa; reação de Montenegro; leishmaniose tegumentar. b) o esfregaço dérmico permite a vizualização de bacilos álcool ácido resistentes por Fite-

Faraco; PPD; micobacteriose atípica. c) o exame bacteriológico permite a identificação de bactérias gram-negativas; ASO; ectima. d) o esfregaço dérmico permite a visualização de estruturas fúngicas por coloração pela prata; teste intradérmico para fungos; esporotricose.

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15. Homem, 35 anos de idade, funileiro, relata dispnéia e sibilos noturnos e diurnos quando tem contato com fumaças, poeiras e produtos químicos. Apresenta melhora com salbutamol. O médico adicionou formoterol 12 mcg e budesonida 200 mcg (2 doses de cada ao dia). Depois de 3 meses com esse tratamento, os sintomas cessaram, mesmo em contato com desencadeantes. No último mês, não precisou de salbutamol. Apresenta-se eupneico, acianótico, com sibilo discreto à expiração em área axilar direita. A conduta é:

a) aumentar a dose, pois não obteve controle da asma; b) solicitar espirometria para avaliar se obteve controle da asma; c) manter o tratamento, pois obteve controle clínico da asma; d) reavaliar, pois o período é curto para afirmar que o controle da asma foi obtido.

16. Homem, 52 anos de idade, assintomático, realizou exame anual de rotina, que foi normal, com média da pressão arterial (3 medidas) de 132 x 86 mmHg. Foi solicitado eletrocardiograma que evidenciou sobrecarga de ventrículo esquerdo e alterações difusas da repolarização ventricular. A seguir, foi solicitada Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) que evidenciou média das medidas em vigília de 142 x 90 mmHg e média das medidas durante o sono de 132 x 84 mmHg. Diante do exposto, o diagnóstico é:

a) normotensão; b) hipertensão do avental branco; c) hipertensão mascarada; d) hipertensão primária estádio I.

17. Menino, 12 anos de idade, é levado pela mãe ao PS com história de febre e tosse produtiva há 1 dia. Refere sede exagerada e poliúria com perda de 5 Kg nos últimos 15 dias. Ao exame físico: regular estado geral, desidratado (3+/4), febril (temperatura axilar = 38,8º C), FC = 104 bpm, estertores finos na base do pulmão direito, FR = 30 irpm, hálito cetônico. Assinale a alternativa correta:

a) A conduta imediata é a realização de exames laboratoriais (hemograma, urina rotina, uréia, creatinina, glicemia, sódio, potássio, gasometria arterial) e raio X de tórax; b) O tratamento imediato deve compreender hidratação vigorosa, aplicação de insulina NPH e reposição de potássio; c) Iniciar dieta para diabético imediatamente, visto que o paciente está emagrecido; d) Iniciar reposição de bicarbonato de sódio, visto que o paciente está em cetoacidose diabética.

18. Homem, 45 anos de idade, previamente saudável e assintomático, apresentou episódio sincopal durante a micção logo após acordar. Não houve liberação esfincteriana. Recuperouse prontamente ao cair no chão. A conduta é:

a) ECG; b) ECG e teste de inclinação passiva (Tilt-test); c) ECG e eletrocardiografia dinâmica (Holter) de 24 horas; d) ECG e teste ergométrico.

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19. Menina, 13 anos de idade, apresenta febre e dor em base do hemitórax esquerdo há 12 horas. O exame revelou icterícia +/4+, estertores de crepitação fina em base do hemitórax esquerda e esplenomegalia. Resultado do hemograma encontra-se abaixo. A eletroforese de hemoglobina mostrou bandas compatíveis com HbS, HbA2 e HbF. A quantificação encontrase abaixo.

Hb = 6 g/dlGB = 2.500/ml Ht = 18%Segmentados = 62% Hemácias = 1,5 x 106/mlBastonetes = 12%

Linfócitos = 19%

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