Desig Inclusivo Vol1

Desig Inclusivo Vol1

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Ficha Técnica

Autores • Jorge Falcato Simões, Arquitecto – Câmara Municipal de Lisboa Renato Bispo, Designer – ESAD – Caldas da Rainha | Associação Projectar para Todos

Produção • Isabel Cotrim

Colaboração • Peter Colwell, Técnico de Mobilidade | Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal

Design Gráfico • João Pedro Rato Revisão de texto • Alexandra Bertrand

Pré-Impressão e Impressão • CTP – Produção ISBN • 972-9445-3-8 ISBN (13 dígitos) • 978-972-9445-3-0 Depósito Legal • A fornecer pela Tipografia Tiragem • 2500 exemplares

© Jorge Falcato Simões, Renato Bispo Reservados os direitos de autor de acordo com a legislação em vigor

Nota • Revisto em Maio de 2006 DESIGN INCLUSIVO Acessibilidade e Usabilidade em Produtos, Serviços e Ambientes Manual de apoio às acções de formação do projecto Design Inclusivo – Iniciativa EQUAL Edição da Divisão de Formação da Câmara Municipal de Lisboa, Lisboa, Setembro 2003

Edição • Centro Português de Design, Maio de 2006, 2ª Edição

7710. Bibliografia

Índice

659. Sites de referência

598. Estratégias de implementação do Design Inclusivo

415. Os sete princípios do Design Universal

354. A participação dos utilizadores

253. Deficiência: modelos e conceitos

192. “Sentir a diferença”

071. Design Inclusivo 05Prefácio

O presente manual foi realizado para apoiar um conjunto de acções de formação para profissionais e estudantes das várias áreas de projecto. O seu principal objectivo foi o de apoiar os formandos, após o momento de formação inicial, nos seus percursos individuais de aprendizagem, disponibilizando para isso um conjunto de conteúdos básicos e uma lista de referências bibliográficas e on-line orientadas para as diferentes especialidades profissionais, desde o planeamento urbano, à arquitectura e ao design.

Constatámos porém, que após as acções de formação, o manual ganhou outra dimensão, tornando-se numa ferramenta de disseminação do design inclusivo, chegando a muitos profissionais e estudantes que não tinham estado presentes nas acções de formação. Pudemos ter indícios deste processo de divulgação ao irmos encontrando referências ao manual em locais mais ou menos inesperados, desde o programa (provisório) da disciplina de Design de Produto do 11º ano do ensino secundário, em que o manual é indicado como bibliografia a consultar, até aos contactos de colegas do outro lado do atlântico, que nos felicitaram pela produção de um manual em língua portuguesa.

Esta apetência pelo manual, por parte de grande número de profissionais que não só o utilizam como o divulgam junto dos seus pares, reforçou a convicção junto dos autores e dos parceiros do projecto Equal – Design Inclusivo, da necessidade de promover a sua publicação, permitindo assim que chegue a cada vez mais pessoas interessadas no tema.

Lisboa, Março de 2006

Os autores Jorge Falcato e Renato Bispo

Prefácio 05

07 1. Design Inclusivo

1.1. O conceito 1.2. Enquadramento

1.1. O conceito

Em diversos momentos da nossa vida, todos nós experimentamos dificuldades nos espaços em que vivemos ou com os produtos que usamos. Estas dificuldades resultam de situações de inadaptação das características do meio construído face às nossas necessidades.

novos produtos, que não se cansa, que não se enganamas

Os designers e arquitectos estão habituados a projectar para um mítico homem médio que é jovem, saudável, de estatura média, que consegue sempre entender como funcionam os que na verdade, não existe.

Na verdade, todo o indivíduo é único, e, como grupo, a espécie humana é bastante diversa, quer em capacidades quer em conhecimentos.

É possível conceber e produzir produtos, serviços ou ambientes adequados a esta diversidade humana, incluindo crianças, adultos mais velhos, pessoas com deficiência, pessoas doentes ou feridas, ou, simplesmente, pessoas colocadas em desvantagem pelas circunstâncias. Esta abordagem é designada “Design Inclusivo”.

O Design Inclusivo pode assim ser definido como o desenvolvimento de produtos e de ambientes, que permitam a utilização por pessoas de todas as capacidades. Tem como principal objectivo contribuir, através da construção do meio, para a não discriminação e inclusão social de todas as pessoas.

O Design Inclusivo é por vezes confundido com o desenvolvimento de soluções específicas para pessoas com deficiência, mas este não é, de todo, o seu objectivo. O envolvimento de pessoas com deficiência é encarado como uma forma de garantir a adequação para aqueles que, eventualmente, terão mais dificuldades de utilização, assegurando, desta forma, a usabilidade a uma faixa de população mais alargada.

Desta forma, é claro que os destinatários de soluções mais inclusivas, são todos os cidadãos e não apenas aqueles que apresentam maiores dificuldades de interacção com o meio. Contudo, são estes, que se encontram em pior situação, que maiores benefícios sentirão pela sua implementação, passando a estar integrados em igualdade de direitos com todos os outros.

Não se trata apenas de uma política assente na solidariedade pelos direitos dos outros, mas de assegurar os nossos próprios direitos para o futuro, quer em situação excepcional de acidente, quer por motivos inevitáveis de envelhecimento.

1.2. Enquadramento

1.2.1. Direitos humanos e igualdade de oportunidades O Design Inclusivo é também o reflexo na prática projectual, de uma prática democrática, de respeito pelos direitos humanos, e de defesa de condições de igualdade de oportunidades.

1. Design Inclusivo 1. Design Inclusivo

09DESIGN INCLUSIVO Acessibilidade e Usabilidade em Produtos, Serviços e Ambientes

A maioria das barreiras que impedem o envolvimento de muitos cidadãos na vida democrática, e limitam o exercício pleno de uma cidadania activa, são projectadas e construídas pelos homens. É por isso necessária uma nova atitude em que a dimensão social da prática de projecto esteja sempre presente. É necessário que o projectista se interrogue sobre a adequação ao uso dos espaços ou produtos que está a projectar.

E a interrogação fundamental, é se se está a facilitar a vida ao maior número de pessoas possível ou se, pelo contrário, através do desenho se está a promover a exclusão daqueles que não encaixam na norma.

Importa então ter um conhecimento o mais aprofundado possível das características físicas, sensoriais e cognitivas daqueles que não correspondem ao homem médio.

1.2.2. Evolução demográfica. Nos países industrializados assiste-se já há algumas décadas a um crescimento exponencial da população idosa, no entanto, as previsões das Nações Unidas apontam para a generalização desta realidade a nível mundial.

A comparação entre os anos de 1999 e 2050, ilustradas nas figuras seguintes, revelam um elevado aumento percentual da população idosa a nível mundial. Especial atenção deve ser dada aos países em vias de desenvolvimento, as estimativas revelam que aí a alteração demográfica terá lugar quatro vezes mais rapidamente do que na Europa Ocidental.

A Europa Ocidental está no topo da tabela quanto à esperança de vida à nascença. No período de 1960 a 1995, a esperança de vida média na União Europeia aumentou 8 anos para os homens e 7 anos para as mulheres1. Em 1999 quase um quinto da população tinha mais de sessenta anos, no ano 2020, provavelmente uma em quatro pessoas pertencerá a este grupo etário. Neste período prevê-se um aumento de cerca de 40% no número dos mais idosos. Ao mesmo tempo que o grupo dos 15 aos 26 anos decrescerá 16%.

As estatísticas mostram que se assistirá a um envelhecimento da população a nível mundial, embora se registem diferenças regionais sobre a intensidade e o período em que se verificará o envelhecimento2.

1. Comissão das Comunidades Europeias – UMA EUROPA PARA TODAS AS IDADES - Promover a prosperidade e a solidariedade entre as gerações - COM(1999) 221 final http://europa. eu.int/comm/employment_social/socprot/ageing/com99-221/com221_ pt.pdf

2. The Sex and Age Distribution of the World Populations: 1998 Revision, Volume I: Sex and Age medium variant projections - http://www.un.org/esa/ socdev/ageing/agewpop1.htm

Em Portugal, a esperança de vida à nascença que em 1920 era de 35,8 e 40,0 anos, respectivamente para homens e mulheres, já era de 73,5 e 80,3 anos em 20013. Quanto à taxa bruta de natalidade, assistimos a uma diminuição de 23,9 0/0 em 1960 para 10,9 0/0 em 2014.

Em resultado da conjugação destes dois factores, verificamos um aumento exponencial do índice de envelhecimento5, constatando-se já no censo de 2001 a existência de mais idosos do que jovens.

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