SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO

Tecnologia em gestão Ambiental

manuel f.s.ernesto

POLUIÇÃO POR PETRÓLEO NOS AMBIENTES MARINHO E COSTEIRO

Itajubá

2010

manuel f.s.ernesto

POLUIÇÃO POR PETRÓLEO NOS AMBIENTES MARINHO E COSTEIRO

Trabalho apresentado ao Curso Superior de Tecnologia em Gestão Ambiental da UNOPAR - Universidade Norte do Paraná, para a disciplina de Saúde e Meio Ambiente.

Orientador.

Itajubá

2010

Dedico este trabalho

Dedico este trabalho aos meus pais, Francisco Lourenço Ernesto e Maria da Conceição Sabango,ciente das suas atitudes que me ensinaram as mais boas lições de vida,e abdicando-se um pouco de suas vida me ajudaram a trilhar.

Também para Pedro Manuel Cauende e Juaquinita Cauende que são meus segundos pais, sem esquecer a minha querida tia Catarina de Almeida.

AGRADECIMENTOS

A Deus, por me dar força e sabedoria.

A minha querida mãe que mesmo distante me proporcionou todo o recurso para que eu pudesse estudar e por todo o apoio moral para que eu conquistasse meus objetivos.

Ao meu padrinho que sempre assumiu o lugar de pai na ausencia do meu pai deste mundo.

Aos meus irmãos que são grandes amigos;

A familia Almeida, em especial Juana Paxi de Almeida e Catarina de Ameida;

Aos meus grandes amigos de Angola como do Brasil que me ajudaram desde primeiro dia de aula sempre dando apoio e me aconselhando.

Aos meus professores Andriane e Julio minha tutora que sempre deu atencao as minha inquietacao sobre a materia.Obrigado pelos momentos que nos passamos juntos ao longo do curso.

A verdadeira sobrevivência da espécie humana

depende da manutenção de um oceano vivo e

limpo, em toda a sua extensão. O oceano é o cinto

de segurança do planeta.”

Jacques Cousteau

SOBRENOME, Nome Prenome do(s) autor (es). Título do trabalho: subtítulo em letras minúsculas. Ano de Realização. Número total de folhas. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em nome do curso) – Centro de Ciências Empresariais e Sociais Aplicadas, Universidade Norte do Paraná, Cidade, Ano.

RESUMO

As poluições dos ambientes marinho e costeiro por petróleo têm preocupado ambientalistas do mundo inteiro sendo alvo de inúmeros debates. Este tipo de impacto provoca verdadeiras catástrofes ambientais, com danos incalculáveis e muitas vezes irreversíveis ao meio ambiente. As atividades humanas como a pesca e uso recreacional do ambiente também ficam comprometida gerando danos econômicos. Este trabalho apresenta os impactos ambientais causados por derramamentos de petróleo no meio ambiente marinho e costeiro. E algumas técnicas de limpeza usadas.

Palavras-chave: Poluição, Impacto, Petróleo.

SOBRENOME, Nome Prenome do(s) autor(es). Título do trabalho: subtítulo em letras minúsculas. Ano de Realização. Número total de folhas. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em nome do curso) – Centro de Ciências Empresariais e Sociais Aplicadas, Universidade Norte do Paraná, Cidade, Ano.

ABSTRACT

The pollution of marine and coastal environments for oil, has worried environmentalists worldwide is a matter of debate. This type of impact causes true environmental catastrophe, with incalculable damage and often irreversible damage to the environment. A human activity such as fishing and recreational use of the environment also becomes compromised causing economic damage. This paper presents the environmental impacts caused by oil spills in marine and coastal environment. And some cleaning techniques used.

Keywords: Pollution, Impact, Oil.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Mapa Costeiro de Angola tipos de risco a observar. fonte( SONANGOL)

Figura 2 - Comportamento do petróleo na coluna de Água

Figura 3 - Deriva das manchas de petróleo (fonte ITOPF, IPIECA).

Figura 4 - Fragmentação de manchas de petróleo (fonte CEDRE).

Figura 5 - Fragmentação de manchas de petróleo(fonte CEDRE.).

Figura 6 - Ave marinha coberta pelo petróleo Golfo do México Fonte estadão (2010).

Figura 7 - Petróleo nas guelras dos peixes levando-os à morte. Fonte: Revista Super interessante (2000).

Figura 8 - Costão rochoso coberto pelo petróleo. Fonte: Terra (2006).

Figura 9 - Navio whale golfo do México (fonte BBC).

Figura 10 - Características Estruturais das Barreiras de Contenção.

LISTA DE TABELAS
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ISL

Sensibilidade do litoral ao derramamento de Petróleo

BP

British Petroleum

D.A

Dome de Angola

ONU

Organização das Nações Unidas

FEEMA

Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente

ITOPF

International Tanker Owners Pollution Federation

CEDRE

Centro de Documentação Pesquisa Experimental

CONAMA

Conselho Nacional de Meio Ambiente

IBAMA

Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis

SUMARIO

1. INTRODUÇÃO 14

2.JUSTIFICATIVA 15

3. OBJETIVOS 16

3.1 OBJETIVO GERAL 16

3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICO 16

4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA_____________________________________17

4.1. AREA DE ESTUDO____________________________________________17

4.2. HIDROGRAFIA 18

4.3 VENTOS 18

5. CONCEITO 19

5.1 VAZAMENTOS DE ÓLEO NO MAR – ESTATÍSTICAS 20

6. COMPORTAMENTO DO PETRÓLEO NA COLUNA D’ÁGUA 21

6.1 ESPALHAMENTO 21

6.2 EVAPORAÇÃO 22

6.3 DISSOLUÇÃO 22

6.3 DISPERSÃO 22 6.4 EMULSIFICAÇÃO 23

6.5 SEDIMENTAÇÃO 23

6.7 BIODEGRADAÇÃO 23

6.8 FOTO OXIDAÇÃO 23

6.9 INTEMPERISMO 24

6.10 DERIVA 24

6.11 FRAGMENTAÇÕES DAS MANCHAS DE PETRÓLEO 25

7. EFEITOS DE UM DERRAMAMENTO 26

7.1 AVES MARINHAS 26

7.2 PEIXES / ATIVIDADES PESQUEIRAS 27

7.3 EFEITOS A NÍVEL DO INTERIOR DO ORGANISMO 28

7.4 MANGUEZAL 29

7.5 COSTÕES ROCHOSOS 30

7.6 CONSEQÜÊNCIAS ECONÔMICAS 31

8. TÉCNICAS DE LIMPEZA 33

8.1 CONTENÇÃO E RECUPERAÇÃO DO ÓLEO FLUTUANTE NO MAR 33

8.1.1 BARREIRA DE CONTENÇÃO SKIMMERS 33

8.2 DISPERSANTES QUÍMICOS 36

8.3 MÉTODO E FORMA DE APLICAÇÃO 39

8.4 LIMPEZAS DE AMBIENTES COSTEIROS 39

9 CONCLUSÃO 42

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 43

1. INTRODUÇÃO

Os oceanos cobrem 70% do globo e são responsáveis pela manutenção do clima da Terra através da propriedade que eles tem de armazenar enorme quantidade de energia solar liberando-a lenta e progressivamente. Além de serem responsáveis pelas variações atmosféricas, os oceanos influenciam o clima dos continentes. Eles contêm uma infinidade de espécies animais e vegetais e permite que estes sejam extraídos pela humanidade, gerando riquezas.

O aumento das atividades petrolíferas no mar de Angola dá lugar a uma intensificação do movimento de navegação, pois cada vez maiores e mais numerosos navios petroleiros vem às instalações de exportação dos campos petrolíferos para carregar crud (petróleo bruto) ao exterior do país, para a refinaria de Luanda e os produtos por esta refinados nos portos angolanos e para o estrangeiro (Revista Marinha angola 2001).

O petróleo é um produto que encontramos na natureza na forma fóssil, sendo um produto de grande importância econômica, por ser uma fonte de energia e matéria prima para diferentes produtos. E um composto natural que ocorre devido à mistura de compostos inorgânicos e possui alta toxidade e densidade menor que a da água. Em contacto com a água do mar, o petróleo é degradado e este processo ocorre em várias etapas. Este composto químico impacta de forma mais agressiva o ecossistema costeiro de Angola.

Estes acidentes de derrames de petróleo ao ambiente marinho ocorrem durante o transporte do combustível por navios petroleiros. Além da ameaça da fauna e a flora marinha, também afeta o ser humano, principalmente as comunidades pesqueiras, cujo sustento se dá pela utilização direta dos recursos marinhos. Quantos de nós, ao lermos as notícias e ao verificarmos que houve mais um acidente com petroleiros, não pensamos logo na vida marinha que irá ser afetada? Quantas aves marinha ficam cobertas com petróleo? Quantos de nós não gostaríamos de ajudar? Estas são algumas questóes que levaram à escolha deste tema.

2 . JUSTIFICATIVA.

No dia 20 de abril, explodiu uma torre de perfuração da British Petroleum (BP), provocando o maior derramamento de petróleo na história da região. As costas do Golfo do México e os pântanos são locais de reprodução de muitos animais. Os camarões pequenos amadurecem ali e depois migram para o oceano, onde se convertem em alimento de peixes. Toda a cadeia alimentar será afetada se em três ou quatro anos não houver adultos para emigrar. Espécies inteiras, que já estavam ameaçadas de extinção podem desaparecer, advertem os especialistas e será uma grande catástrofe natural.

Angola apresenta um dos maiores complexos portuários da Africa que movimenta cargas de diversos produtos, inclusive petróleo e seus derivados. Nos últimos anos o estado tem sido alvo das atenções e perspectivas da indústria do petróleo em Angola, tanto nas atividades de exploração quanto na produção. Esta intensificação na indústria petrolífera aumenta o risco de derramamentos de petróleo em águas territorial podendo, eventualmente, atingir ecossistemas sensíveis da região costeira, como os manguezais.

Acidentes deste tipo podem afetar as comunidades biológicas de maneira direta ou indiretamente. No impacto direto, pela sufocação e cobertura da superfície corporal ou pela exposição tóxica gerada pela ingestão, absorção e inalação. Indiretamente, as comunidades biológicas podem ser afetadas pela perda de seu habitat, impactando a área de refúgio cria ou desova, alimentação. Podem ainda afetar áreas de importância direta para o homem como assentamentos populacionais, áreas de turismo, extração de recursos como pesca, aqüicultura, mineração e locais de interesse cultural e arqueológico. A costa angolana faz parte dos 10 piores impactos marinhos da historia do petróleo. Em abril de 1991 e devido aos impactos no caso de acidentes, à importância da costa angolana como local de refúgio, de alimentação e reprodução de várias espécies de animais, além de importante pólo pesqueiro, turístico e econômico de todas as províncias banhadas pelo Oceano Atlântico.

3 . OBJETIVOS

3. 1 OBJETIVO GERAL

Despertar as empresas petrolíferas e a sociedade a respeito da

seriedade de um derrame de petróleo no ambiente marinho.

Com este trabalho pretende-se que quando se ouvir falar de derrames de petróleo, não se lembre apenas da fotografia da ave marinha coberta com petróleo, mas também, dos efeitos do petróleo sobre ela e como sua vida ira mudar desse dia em diante, ou ate mesmo acabar.

Segmentar o litoral que banha todas as províncias angolanas de acordo com as Feições geomorfológicas aplicáveis para determinação da sensibilidade do litoral ao derramamento de Petróleo (ISL).

3. 2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

a) Caracterizar o derramamento de petróleo, quanto o seu processo físico e químico em águas marinhas de Angola.

b) Apresentar dados com relação ao derrame de petróleo em ambiente marinho nos últimos 10 anos.

c) Avaliar a biodegradabilidade aeróbia do petróleo, suas frações, e técnicas de limpeza.

.

4. FUNDAMENTACAO TIORICA

4.1 AREA DE ESTUDO

Angola possui uma costa marítima de cerca de 1.650 km, as águas são bastante ricas. E divide-se em quatro vertentes, uma das mais importantes é a vertente Atlântica com os rios Chiluango, Zaire ou Congo, o rio Bengo, Kwanza, Queve ou Cuvo, o Catumbela e o rio Cunene.

    Figura 1-Mapa Costeiro de Angola tipos risco a observar. fonte( SONANGOL)

4.1 .HIDROGRAFIA

O país está dividido entre uma faixa costeira árida, que se estende desde a Namíbia chegando praticamente até Cabinda, um planalto interior úmido, uma savana seca no interior sul e sudeste, e floresta tropical no norte e em Cabinda.

Segundo Schneider et. al. (1996)a costa angolana encontra-se sob a influência das águas tropicais fluindo para Sul sob a Corrente de Angola localizada ao largo e a zona costeira dominada pela Corrente de Benguela. A Contra Corrente Equatorial Sul, desempenha um papel fundamental no funcionamento da estrutura térmica denominada Dome de Angola (D.A) tanto na sua extensão como na intensidade deste afloramento no mar alto.

4.2. VENTOS

O regime de ventos é fortemente dominado por ventos do sul durante todos os meses do ano, sendo ventos do setor Norte quase inexistentes. A maior variação sazonal está na redução dos ventos de Leste no período de setembro a outubro e a crescente predominância dos ventos dos setores S-SW.

As velocidades são geralmente baixas a moderadas (0 a 10 m/s), mas pode haver alterações em alto mar devido à formação de tempestades convectivas típicas dos trópicos. Em caso de derrame, os préstimos do serviço meteorológico devem ser aproveitados, de forma a obter informações precisas de maneira adequada.

5. CONCEITO

A poluição marinha é definida como a introdução direta ou indireta pelo homem de substâncias ou energias no meio marinho, incluindo os estuários, sempre que a mesma provoque ou possa vir a provocar efeitos nocivos, tais como danos aos recursos vivos, perigo à saúde do Homem, entraves às atividades marítimas, incluindo a pesca e as outras utilizações legítimas do mar, alteração da qualidade da água do mar, no que se refere à sua utilização e deterioração dos locais de lazer ONU (1982).

Segundo a FEEMA/PETROBRAS (1990) o impacto ambiental pode ser:

  • Negativo ou adverso: quando a ação resulta em um dano à qualidade de um fator ou parâmetro ambiental.

  • Impacto imediato: quando o efeito surge no instante que se dá a ação;

  • Impacto a médio ou longo prazo: quando o impacto se manifesto certo tempo após a ação.

  • Impacto temporário: ocorre quando seus efeitos tem duração de tempo determinado.

  • Impacto reversível: quando o fator ou parâmetro ambiental afetado, cessada a ação, retorna as suas condições originais;

  • Impacto irreversível: quando, uma vez ocorrida a ação, o fator ou parâmetro ambiental afetado não retorna as suas condições originais em um prazo previsível. Pode-se distinguir o impacto ambiental crônico do impacto agudo. No primeiro caso o poluente é lançado continuamente no ambiente; como por exemplo, os lançamentos de efluentes contendo hidrocarbonetos que chegam todos os dias na baia de Luanda oriundos dos postos de gasolina da cidade. Já o impacto agudo é aquele que ocorre de maneira intensa e episódica, como o caso do derrame de óleo ocorrido em Angola em Abril (1991).

5.1. VAZAMENTOS DE ÓLEO NO MAR – ESTATÍSTICA

Atualmente existem mais de 3.500 petroleiros em operação. Neste valor estão incluídos os maiores navios do mundo, que podem carregar mais de meio milhão de óleo cru. Serão citados dados da ITOPF (Internacional Tanker Owners Pollution Federation). A Tabela 1 apresenta os 10 maiores acidentes da historia da poluição marinha.

Tabela 1-Os dez maiores acidente da historia.

POSICAO

NAVIO ou PLATAFORMA

ANO

LOCAL

QUANTIDADE DERRAMADA

1

British Petróleo

04/2010

GOLFO DO MEXICO EUA

5000/barris dia

2

PLATAFORMA

01/2010

GOLFO PERSICO

1 MILHAO E 360 (t)

3

IXTOC

06/1995

BAIA DE CAMPECHE

454 mil (t)

4

PLATAFORMA

03/1995

UZBEQUISTAO

285 mil (t)

5

ATLANTICO ESPESS

07/1979

TOBAGO CARIBE

287 mil (t)

6

PLATAFORMA Nowruz

02/1983

GOLFO PERSICO

260 mil(t)

7

PETROLEIRO SUMER

05/1991

COSTA ANGOLANA

260 mil(t)

8

Bellver PETROLEIRO

08/1983

AFRICA DO SUL

252 mil(t)

9

PLATAFORMA

03/1979

NOROESTE DA FRANCA

223 mil(t)

10

MT HAVEN PETROLEIRO

04/1991

ITALIA

144 mil(t)

6. COMPORTAMENTO DO PETRÓLEO NA COLUNA D’ÁGUA

Figura 2: Destino do óleo derramado

Após um derrame, o óleo sofre vários processos mecânicos, químicos e biológicos chamados conjuntamente de intemperismo que ocasiona a sua desintegração e a decomposição. A taxa destes processos é influenciada pelas condições de mar e vento, sendo que é mais efetiva nos primeiros períodos do derrame. De um modo geral, os principais fatores responsáveis pelo comportamento do petróleo no mar são os seguintes:

    1. ESPALHAMENTO

Nos primeiros momentos de um derrame, esse é um dos processos mais expressivos. É influenciado pelas condições climáticas e oceânicas, assim como por outros processos como evaporação, dissolução, entre outros, e depende do tipo de óleo derramado.

    1. EVAPORAÇÃO

Dependendo da volatilidade do óleo derramando associado às condições climáticas, às grandes ondas, ventos fortes e mar agitado facilitam a evaporação do óleo, que pode perder até 25% do volume no primeiro dia de um derrame (óleo leve).

    1. DISSOLUÇÃO

Uma parte dos hidrocarbonetos pode passar em solução para a coluna de água, dependendo de vários fatores como: composição do óleo, extensão da mancha, temperatura da água, turbulência e grau de dispersão. Componentes pesados do óleo cru não se solubilizam, ao passo que os mais leves, como benzeno e tolueno (hidrocarbonetos aromáticos) têm maior solubilidade em água. Porém, estes componentes são os mais voláteis e são perdidos muitas vezes por evaporação mais rapidamente que por dissolução. Concentrações de hidrocarbonetos dissolvidos, então, raramente excedem uma parte por milhão e a dissolução não tem contribuição significativa para a remoção de óleo da superfície do mar.

    1. DISPERSÃO

O mar agitado com ondas e turbulência dispersam a mancha produzindo gotas de óleo de diversos tamanhos. As gotas menores ficam em suspensão na coluna d'água, sofrendo processos como biodegradação e sedimentação.

A taxa de dispersão depende do tipo de óleo, o grau de intemperismo em que se encontra e do estado do mar, sendo mais propenso a se estabelecer na presença de ondas mais agitadas que se quebram.

    1. EMULSIFICAÇÃO

Processo em que o óleo tende a absorver a água, formando emulsões de água no óleo, favorecido pelas condições de mar moderadas a encrespadas. Porém, emulsões podem se separar em água e óleo novamente quando as condições de mar forem calmas ou quando estiverem encalhados na costa, e se forem aquecidos pela luz solar. Alguns tipos de óleo formam emulsões estáveis que são chamadas de “mousse de chocolate”. O óleo emulsificado é de baixa degradabilidade e pode aumentar o volume de poluente em até quatro vezes.

    1. SEDIMENTAÇÃO

Parte do petróleo sedimenta após adesão com partículas em suspensão ou matéria orgânica presentes na coluna de água. A maioria dos óleos crus não afunda sozinha na água do mar devido à sua densidade menor que a da água. Por isso é necessário a união com outras partículas. Classes de óleo com densidade maior que 1, tem maior tendência à sedimentação. Uma vez sedimentado, os processos de degradação do óleo são drasticamente reduzidos.

    1. BIODEGRADAÇÃO

Consiste na degradação do óleo por bactérias e fungos naturalmente presentes no mar. A taxa de biodegradação é influenciada pela temperatura e disponibilidade de oxigênio e nutrientes, principalmente o nitrogênio e o fósforo.

Pesquisas desenvolvidas mostraram que diversos grupos de bactérias e fungos têm habilidade para degradar os componentes de petróleo. As bactérias, responsáveis pela degradação do óleo estão presentes no mar e tendem a ser mais abundantes em áreas muito poluídas. Após um derramamento de óleo, essas bactérias encontram nos componentes do óleo uma fonte de carbono, iniciando o processo chamado de biodegradação.

Observa-se que este processo ocorre apenas quando existem água e óleo, sendo praticamente impossível a degradação do óleo na linha da costa devido à falta de água.

    1. FOTO OXIDAÇÃO

É a reação das moléculas de hidrocarbonetos com o oxigênio, ou quebrando-se ou combinando-se, promovida pela luz solar. A oxidação se dá em velocidade muito pequena, tendo efeito menor em relação aos outros processos.

    1. INTEMPERISMO

Também conhecido como meteorização, é o conjunto de fenômenos físicos e químicos que levam à degradação e enfraquecimento das rochas

Figura 3: Relação do tempo com os processos de intemperismo (Clark, 2001 adaptado).

    1. DERIVA

As manchas de petróleo na água movem-se sob a influência das correntes e ventos locais. A experiência adquirida em incidentes reais leva a crer que o movimento de uma mancha de petróleo pode ser calculado por uma adição vetorial de 100% da corrente e 3% do vento. Isto é o que indica a figura seguinte.

Figura 4: Deriva das manchas de petróleo (fonte ITOPF, IPIECA)

6.11 FRAGMENTAÇÕES DAS MANCHAS DE PETRÓLEO

Além do alastramento e deriva, as manchas de petróleo serão fragmentadas sob a influência das condições locais de tempo.

Se os ventos e correntes atuarem em diferentes direcções, a sua complexa interação poderá fragmentar uma mancha de petróleo em manchas mais pequenas, retalhos e farrapos. Farrapos são longas e estreitas manchas de petróleo relativamente espressas, alinhadas pela direção do vento, separadas por largas faixas de água relativamente livres de petróleo.

A figura a seguir ilustra várias tipologias de manchas de petróleo causadas por uma descarga instantânea, consoante as condições de vento prevalecentes no local.

Figura 5 : Fragmentação de manchas de petróleo (fonte CEDRE)

A figura a seguir ilustra várias tipologias de manchas de petróleo causadas por derrame contínuo de petróleo (por exemplo erupção incontrolada de um poço). Diferentes direções de vento e corrente traduzem-se em diferentes topologias.

Figura 6: Fragmentação de manchas de petróleo (fonte CEDRE)

7. EFEITOS DE UM DERRAMAMENTO

A utilização do petróleo pode causar diversos tipos de impactos ao meio ambiente, e mais especificamente ao ambiente marinho, destruindo habitats de espécies causando declínio de suas populações. O perigo é proveniente desde o processo de extração até o consumo, passando pelo transporte que é o principal poluidor por vazamentos em grande escala de navios petroleiros, do qual trataremos neste capítulo.

Os efeitos de um derramamento de óleo dependerão de muitos fatores, além das propriedades do óleo. Deve-se considerar também a sensibilidade ambiental da área. Em áreas mais costeiras como de Angola, onde a profundidade e distância da costa são menores, os impactos relativos ao derramamento de óleo são extremamente relevantes, pois tendem a se manifestar com mais força do que em áreas mais profundas.

Não se pode esquecer-se das atividades off-shore que também representam grandes riscos de poluição por derramamento nas fases de perfuração e produção. Essas atividades implicam em impactos adicionais a da atividade de transporte, como por exemplo, os resultantes do descarte de fluidos e cascalhos na fase de perfuração. Na fase de produção pode-se citar o descarte de “água inibida”, revolvimento do assoalho oceânico, emissões atmosféricas, entre outros.

Os critérios para avaliação dos impactos decorrentes de um derramamento das atividades off-shore são os mesmos para os de transporte, devendo ser considerado tipo de óleo, condições climáticas e as áreas afetadas, abrangendo também os impactos socioeconômicos.

Os efeitos do óleo na vida marinha, simplificada mente, são o abafamento, e a contaminação física ou química das espécies. Porém, os efeitos negativos se estendem às operações incorretas de limpeza, danificando a flora e a fauna.

7.1. AVES MARINHAS

As aves são uma das espécies mais vulneráveis quando o derrame se dá em ambientes costeiros, sendo totalmente recobertas pelo óleo, o que pode resultar em perda de temperatura do corpo, perturbações na locomoção, ou em morte por asfixia. O contato físico é a principal causa de morte das aves, porém a inalação de compostos voláteis também as prejudica. As aves que mergulham para se alimentar ou que passam grande parte do tempo sobrevoando o mar são as mais afetadas.

O combate aos efeitos do óleo nas aves é bastante difícil e requer grande infraestrutura e o envolvimento de várias pessoas, como biólogos e veterinários, que devem tentar combater vários itens como: stress, hipotermia, desidratação, anemia conseqüente de hemorragias, entre outros. Para isso, serão necessárias áreas para lavar, abrigar, examinar e acomodar os animais, além de equipamentos como aquecedores de água, bacias, detergentes e freezers. Uma equipe de apoio também deve estar disponível com medicamentos e alimentação.

Figura 7: Ave marinha coberta pelo petróleo golfo do México Fonte estadão.com. br (2010).

7.2. PEIXES / ATIVIDADES PESQUEIRAS

Em espécies comestíveis, a contaminação por óleo torna os peixes impróprios para o consumo e passam a não ser mais negociados, trazendo grandes prejuízos à comunidade pesqueira tanto da modalidade oceânica como da litorânea. Com isso, famílias de pescadores perdem sua fonte de sustento. A mortandade dos peixes se dá por intoxicação e falta de oxigênio na superfície, e no fundo, os peixes morrem por se alimentarem dos resíduos que afundam. Também ocorre a obstrução ou injúria das brânquias, resultando na necrose dos tecidos, observamos aqui esta figura o que ocorre nos peixes.

Figura 8: Petróleo nas guelras dos peixes levando-os à morte. Fonte: Revista Super interessante (2000).

7.3 EFEITOS A NÍVEL DO INTERIOR DO ORGANISMO

Sistema Digestivo _ Este sistema é afetado quer pela ingestão directa do crude quer pela ingestão de alimentos contaminados, sendo um dos seus principais efeitos alterações a nível da absorção de água e iões, dos quais se destacam o sódio (Na+).

Sistema Respiratório _ As lesões a nível da árvore respiratória manifestam-se quer a nível pulmonar quer a nível da glândula nasal e devem-se não só à aspiração de crude como à inalação de vapores tóxicos. A inalação destes vapores conduz à inibição de excreção de salpela glândula nasal, levando à sua hipertrofia e à desidratação do organismo.

Sistema Circulatório: Sangue _ A concentração de glóbulos brancos encontrada em aves contaminadas é muito inferior ao normal, o que significa que o crude destrói as defesas imunitárias do organismo das aves marinhas.

7.4 MANGUEZAL

Segundo Schaeffer-Novelli (1995) o manguezal é um ecossistema costeiro de transição entre o ambiente terrestre e marinho, constituído por espécies vegetais lenhosas típicas, adaptadas à flutuação de salinidade e caracterizadas por colonizarem sedimentos predominantemente lodosos, com baixos teores de oxigênio e rico em matéria orgânica.

Sistemas como os manguezais são mais complexos e tendem a resistir mais eficientemente às perturbações ambientais. No entanto, um acidente de grandes proporções ocasionaria altas taxas de mortalidade das espécies dos manguezais, as quais se recuperariam, naturalmente, somente após um longo período de tempo. Sendo assim, caso a mancha de óleo chegue aos manguezais e estuários, ela provavelmente causará alterações.

Quando um derramamento de óleo chega a um manguezal, o sistema de raízes fica completamente impermeabilizado, tornando as árvores incapazes de absorver oxigênio e nutrientes. Os vegetais perdem as folhas e ficam incapacitados de realizar a fotossíntese. Alguns animais que habitam esses ecossistemas morrem em poucos dias por não poder respirar, enquanto outros se intoxicam aos poucos ao comerem folhas e outros seres contaminados. A resposta do manguezal a um acidente dependerá do tipo de óleo e da espessura da camada de óleo, entre outros fatores. Apesar de serem considerados capazes de recuperar o solo e a água de regiões afetadas por acidentes envolvendo derramamento de petróleo, a perda acentuada de folhas e brotos pode não conseguir ser compensada pela produção de novas folhas, impedindo a recuperação do vegetal.

Tabela 1-Ordem de grandeza temporal de cada um dos processos de degradação provocada por óleo em ambiente de manguezal segundo (Wasserman e Crapez 2005).

Tempo de Exposição

e Natureza do

Impacto

Impacto Observado

0 a 15 dias

Morte de aves, tartarugas, peixes e invertebrados

15 a 30 dias

Desfolhação e morte de pequenas árvores de mangue e desaparecimento das comunidades associadas às raízes como mexilhões, ostras e macro algas.

Crônico

30 dias a 1 ano

Desfolhação e morte de árvores maiores (1 a 3 m), danos irreparáveis aparecem nos tecidos das raízes.

1 a 5 anos

Morte das grandes árvores de mangue (mais de 3 m). Nas sobreviventes

ocorre perda das raízes sujas de óleo e crescimento de outras raízes (mas

freqüentemente deformadas). Tem início a recolonizacão das áreas afetadas

pelo óleo.

1 a 10 anos

Redução da produção de serrapilheira, redução da capacidade de

reprodução e redução da sobrevida das plântulas.

10 a 50 anos

Recuperação completa.

7.5 COSTÕES ROCHOSOS E PRAIA ARENOSA

Os costões rochosos são considerados um dos ecossistemas mais importantes dos habitats costeiros por abrigarem grande número de espécies de grande importância ecológica e econômica, tais como: mexilhões; ostras; crustáceos e peixes. Estes são locais de alimentação, crescimento e reprodução de um grande número de espécies por receberem grande quantidade de nutrientes provenientes dos sistemas terrestres, apresentando grande biomassa assim como elevada produção primária devido à presença de micro e macro algas bentônicas PEREIRA e SOARES (2002).

Em costões rochosos atingidos por petróleo, processos como hidrodinamismo e marés são fatores importantes a serem levados em consideração. O grau de contaminação do entre marés está ligado à maré atuante durante o evento - maior exposição em marés vivas ou de sizígia.

Costões expostos à ação das ondas são pouco sensíveis a derrames já que o óleo é retirado rapidamente do ambiente pelo próprio hidrodinamismo local. Já os abrigados da ação das ondas constituem ambientes sensíveis já que o tempo de residência do óleo pode ser muito alto. A permanência do óleo aderido aos organismos impede que os mesmos exerçam suas funções biológicas normais. O óleo impregnado às conchas aumenta o peso do animal desalojando-o do substrato. Mesmo a coloração preta do óleo, age de forma a aumentar a temperatura corpórea do organismo (CETESB, 2002).

Figura 9: Costão rochoso coberto pelo petróleo. Fonte: Terra (2006).

7.6 CONSEQÜÊNCIAS ECONÔMICAS

Como já dito anteriormente, a atividade pesqueira é considerada uma das mais afetadas após um derrame de óleo devido à grande mortalidade dos peixes que seriam sua única fonte de sustento. A contaminação de uma área Causa prejuízos a muitas atividades além da pesca, como por exemplo, o turismo, as indústrias que são supridas pela água do mar, as estações de energia situadas próximo da costa e as atividades recreacionais, tais como natação, pesca, mergulho e navegação. A limpeza de áreas atingidas pela “maré negra” é de elevado custo, dando prejuízo às empresas envolvidas e ainda oferece grande risco à saúde pública, uma vez que podem ocorrer explosões, incêndios ou intoxicação. Existem muitos outros fatores associados aos efeitos de um derramamento de petróleo, e muitas outras espécies que são bastante vulneráveis, como pingüins e golfinhos, que acabam morrendo de inanição ou por problemas respiratórios por não receberem o tratamento adequado. Há também muitas outras formações que podem ser atingidas por um desastre, como os costões rochosos, lagoas costeiras e praias arenosas, cujos impactos são de extrema relevância, tendo em vista as perdas, que podem ser irreparáveis se as técnicas de limpeza não forem utilizadas corretamente. Os ecossistemas são sempre afetados, em maior ou menor grau, conforme a gravidade e as conseqüências, como alteração de pH, diminuição de oxigênio dissolvido e diminuição do alimento disponível e, estas atingem sempre maior relevância em ecossistemas fragilizados, ou quando as medidas de combate do derrame se revelam insuficientes.

Resumo dos impactos sobre o ambiente

GRUPO

IMPACTO

Animais:

Mamíferos

Raramente sério (enceto lontras)

Aves

Sério

Peixes

Depende do desenvolvimento

Invertebrados

Sério para todos

Plâncton

Leve

Plantas

Algas maiores

Depende

Pântanos

Depende

Mangais

Sério

Sedimentos

Areia ou lama

Sério

Seixos

Baixo

Atividades Econômicas

Pescas

Sério/temporário

Turismo/lazer

Sério/temporário

Transportes

Baixo/inexistente

8. TÉCNICAS DE LIMPEZA

Hoje em dia existem várias técnicas e equipamentos para combater, conter recuperar um derramamento de óleo no mar, incluindo em geral métodos físicos e químicos como os que veremos nos tópicos seguintes. Materiais absorventes somente são usados para limpeza no estágio final. Se o óleo chegar à costa, a limpeza no local também será necessário. A seguir, as principais técnicas de limpeza em caso de derramamento de óleo:

8.1. CONTENÇÃO E RECUPERÇÃO DO ÓLEO FLUTUANTE NO MAR

8.1.1 Barreira de Contenção Skimmers.

As barreiras de contenção possuem a finalidade de conter derramamentos de petróleo e derivados, concentrando, bloqueando ou direcionando a mancha de óleo para locais menos vulneráveis ou mais favoráveis ao seu recolhimento. Elas também podem ser utilizadas para proteger locais estratégicos, evitando que as manchas atinjam áreas de interesse ecológico ou socioeconômico.

Na maioria das vezes a contenção do óleo é trabalhada conjuntamente com ações de remoção do produto. Para tanto uma série de equipamentos ou materiais podem ser utilizados como "skimmers", barcaças recolhedores, cordas oleofílicas, caminhões vácuo, absorventes granulados, entre muitos outros. A aplicabilidade de cada um deles está associada a fatores como tipo de óleo; extensão do derrame; locais atingidos; acessos e condições meteorológicas e oceanográficas.

O uso de barreiras para conter e concentrar o óleo flutuante e sua recuperação através de “skimmers”, normalmente é visto como a solução ideal para remover o óleo derramado no ambiente marinho. Mas, infelizmente, o método vai de encontro à tendência natural do óleo que é de se espalhar conforme a influência de ventos, ondas e correntes. Em águas agitadas um grande derramamento de um óleo de baixa viscosidade pode se espalhar por vários quilômetros em poucas horas. Os sistemas de contenção de óleo disponíveis normalmente se movem lentamente enquanto recuperam o óleo derramado. Desta forma, mesmo eles sendo totalmente operacionais, não será possível recolher mais do que uma pequena parte do óleo derramado. Esta é a razão principal porque a contenção e a recuperação de óleo em mar aberto dificilmente alcançarão proporção maior que 10 a 15% do óleo derramado.

A dificuldade da utilização das barreiras em mar aberto está em movimentar a mancha direcionando-a para áreas onde o óleo está mais concentrado. Porém, esta dificuldade pode ser superada através da comunicação entre unidades marítimas e aéreas, não desprezando as condições meteorológicas e oceanográficas na ocasião do acidente. Assim, podemos observar que as operações de contenção e recuperação de óleo no mar requerem um grande apoio logístico.

As limitações de tempo devem ser sempre muito bem avaliadas para não colocar o pessoal envolvido em risco. A ação de ventos, ondas e correntes reduz drasticamente a aptidão das barreiras de conter e dos “skimmers” de recolher o óleo. Na prática, a recuperação mais eficiente do óleo derramado é feita sob boas condições meteorológicas. Algumas barreiras são de tipos especiais como barreiras absorventes, barreiras antifogo, barreiras de bolha e barreiras de praia que têm utilização em locais mais específicos.

Apesar das diferentes aplicações dos vários tipos de barreira, os elementos constitutivos normalmente são os mesmos:

- flutuador de material flutuante;

- elemento de tensão longitudinal para prover força para resistir às ações de vento, onda e corrente, através de lastro, mantendo a barreira na posição vertical na água;

- saia: prevenir ou diminuir a fuga de óleo por baixo da barreira;

- borda livre: prevenir ou reduzir a fuga de óleo por cima da barreira.

Tabela 3: Características Estruturais das Barreiras de Contenção

Local de Uso

Tipo

Borda

Livre

(cm)

Saia (cm)

Carga

(t)

Vento

(nós)

Corrente

(nós)

Volume

(m3/100

m)

Águas

interiores

Leve

12 a 25

20 a 45

1 a 3

Ate 15

0 7 a 1,0

1,0a 1,5

Águas

abrigadas

Fixa

25 a 40

40 a 65

3 a 8

Ate 5

0, 7 a 0,1

1,5a 3,0

Oceânicas

Pesada

40 a 115

65 a 125

15 a 35

Ate 30

0,1 a 1,5

3,0a 6,0

Fonte: CETESB - Disponível em http://www.cetesb.sp.gov.br Acesso em 22. mar.2005

Existem vários modos de configurar barreiras no mar como as chamadas configurações em "J", "U" ou "V" (fig. 5.1). A escolha de um ou outro procedimento está associada à disponibilidade de recursos e condições meteorológicas e oceanográficas.

Figura 10: Características Estruturais das Barreiras de Contenção

Os “skimmers” são dispositivos de sucção que flutuam e retiram o óleo da superfície da água. É importante serem disponibilizadas instalações de armazenamento temporário para o óleo retirado, fáceis de controlar e descarregar, uma vez que estes podem ser usados repetidamente. Durante a operação também podem ser utilizadas barcaças recolhedores.

Podemos ainda incluir a mais nova tecnologia desenvolvida pelos taiwanês.A embarcação do tipo cisterna "A Whale", propriedade da companhia taiwanesa TMT Group, tem 336 metros de extensão chamada de Baleia e pode recuperar até 500.000 barris por dia de água contaminada.Funcionar como um passador de cozinha, deixando o petróleo e filtrando a água,A Baleia, o superpetroleiro pode limpar até 300 mil barris num período de oito a dez horas.

FIGURA 11 - Navio whale golfo do México (fonte BBC)

8.2 DISPERSANTES QUÍMICOS

Neste tópico será mostrado resumidamente o anexo da resolução CONAMA 269 n° 269/00, que regulamenta o uso de dispersantes químicos em derrames de óleo no mar, publicado em 12 de janeiro de 2001, que por si só esclarece:

Os dispersantes são formulações químicas de natureza orgânica que visam emulsionar o petróleo na água sob forma de pequenas gotículas que facilitam a biodegradação pela flora e fauna, devido à diminuição da relação volume/superfície entre óleo e água, acelerando o processo de autodepuração. São constituídos por ingredientes ativos, denominados surfactantes, e por solventes da parte ativa que permitem a sua difusão no óleo.

O uso de dispersantes químicos pode evitar a chegada do óleo em locais de maior relevância ecológica / econômica, visando à proteção de recursos naturais e sócio-econômicos sensíveis como os ecossistemas costeiros e marinhos, disponibilizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), e deve obedecer aos critérios dispostos na legislação vigente especifica (resolução CONAMA n° 269 de 14/09/2000).

Tipos de dispersantes

- Dispersante Convencional: o material ativo é diluído em solventes. A concentração do material ativo é baixa e o produto está pronto para uso. Não deve sofrer diluição na aplicação, ou antes, de ser aplicado.

- Dispersante Concentrado Diluível em Água: o material ativo é geralmente uma mistura de substâncias tensas ativas e compostos oxigenados ou outros. É de base aquosa e pode sofrer diluição prévia para ser aplicado.

- Dispersante Concentrado Não Diluível em Água: o material ativo é geralmente uma mistura de substâncias tensas ativas e compostos oxigenados, hidrocarbonetos alifáticos ou outros. A sua concentração é elevada, implicando em um baixo consumo de produto. Normalmente é de base aquosa e deve ser aplicado sem diluição.

Tabela 4: Classificação dos Tipos de Dispersantes

Dispersante

Tipo

Modo de Aplicação

Solvente

Convencional

1

Não diluído (puro), por barcos e / ou aeronaves.

Hidrocarbonetos não aromáticos

Concentrado

2

Diluído, por barcos e / ou

Aeronaves.

Oxigenados (glicol,éteres) e hidrocarbonetos não aromáticos.

Concentrado

3

Não diluído (puro), por barcos e /

ou aeronaves

----------------------------------------------------------

Critérios para Aplicação

Quando forem utilizados dispersantes químicos, a efetiva dispersão só ocorrerá quando o ambiente marinho possuir energia suficiente para permitir a diminuição da tensão superficial da mistura mancha oleosa/dispersante. Em alguns casos, a turbulência natural do mar pode promover a dispersão da mancha oleosa, mas, em geral, faz-se necessário agitar mecanicamente essa mistura mancha oleosa/dispersante, por exemplo, com a passagem de uma embarcação várias vezes sobre a mancha.

Deve ser ressaltado que esses produtos químicos possuem eficiência limitada, quando aplicados sobre óleos com ponto de fluidez próximo ou superior à temperatura ambiente. Entretanto, se por um lado as altas temperaturas reduzem a viscosidade do óleo derramado, por outro alguns componentes dos dispersantes tornam-se menos solúveis na água e, portanto, têm maior probabilidade de permanecerem agregados ao óleo. A apresentação do fluxograma resumido para tomada de decisão sobre o uso de dispersantes químico.

8.3 MÉTODOS E FORMAS DE APLICAÇÃO

Os métodos e formas de aplicação dos dispersantes, no combate a vazamentos de óleo no mar, devem ser escolhidos levando-se em consideração uma série de fatores, entre os quais merecem especial atenção:

-Tipo e volume do óleo a ser disperso;

-Grau de intemperização do óleo no mar no momento da aplicação;

-Características oceanográficas e meteorológicas;

-Tipo de dispersante a ser utilizado;

-Equipamentos disponíveis para a aplicação.

Para a dispersão adequada do óleo na água, em situações de mar calmo, deve-se promover a agitação mecânica após a aplicação do dispersante.

Os dispersantes podem ser aplicados através de aeronaves e de embarcações.

Aviões pequenos e helicópteros, rebocadores são adequados para o lançamento destes agentes químicos em ocorrências de pequeno porte, em função das suas limitações de velocidade e capacidade de transporte, principalmente. Nos eventos maiores, aviões de maior porte são mais vantajosos.

8.4 LIMPEZA DE AMBIENTES COSTEIROS

Devido às dificuldades em retirar o óleo do mar, muitas vezes um derramamento de óleo resulta em contaminação da área costeira, gerando maior impacto ambiental e econômico. Quando isso ocorre, estratégias de limpeza devem ser utilizadas. Porém, a grande maioria destes métodos pode causar algum tipo de dano adicional, podendo gerar impactos maiores que os do próprio petróleo. Portanto, a escolha da técnica mais adequada é muito importante para minimização dos danos no local atingido.

Os dispersantes químicos favorecem a degradação natural do óleo na coluna

d’água. Porém, sua utilização deve ser baseada na resolução CONAMA n° 269 de 14/09/2000, e após o órgão ambiental competente ser comunicado. A técnica é importante, pois evita que a mancha de óleo chegue em locais de maior relevância, mas sua utilização em ambientes costeiros afetados pode aumentar ainda mais o prejuízo ambiental, devido ao uso de agentes químicos que são danosos à fauna e à flora marinhas.

  • Absorventes

O absorvente de petróleo e derivados é altamente eficiente para limpeza ou remoção de óleo em terra ou água. Podem se apresentar na forma granulada, ou envolvida em tecidos porosos formando “salsichões” ou “almofadas”, sendo aplicados diretamente sobre o óleo. Podem absorver até 25 vezes seu próprio peso em petróleo e seus derivados. Os absorventes sintéticos de óleo não absorvem água, flutuam, podem ser torcidos e reaproveitados. Diversos produtos estão disponíveis no mercado, sendo que a escolha do melhor absorvente deve ser feita criteriosamente, levando-se em conta as características do óleo, do ambiente e do próprio absorvente.

  • Remoção manual

É um método de limpeza mais trabalhoso, porém bastante eficaz em ambientes como costões rochosos, praias e principalmente em locais restritos como conjunções de rochas, fendas, poças de maré, e até mesmo em áreas maiores como praias de areia.

A retirada do óleo é feita manualmente através de utensílios como pás, rodos, baldes, latas, carrinhos de mão, etc. não causando nenhum dano adicional ao ambiente afetado pelo derramamento.

Barreiras, esteiras recolhedores e skimmers são equipamentos de contenção e recolhimento de óleo flutuante na superfície da água. O bombeamento a vácuo é a aspiração do óleo acumulado em locais costeiros, através de caminhão-vácuo ou bombas-vácuas, transferindo o óleo para outros recipientes.

Esses métodos podem ser utilizados em situações onde o óleo esteja acumulado, como por exemplo, em águas adjacentes e canais de mangue.

Biodegradação / Biorremediação

Mecanismo natural de limpeza e remoção do óleo com eficiência variável, de acordo com as características físicas do ambiente e do próprio óleo.Este procedimento é normalmente priorizado em muitos casos uma vez que não causa danos adicionais à comunidade. No entanto, normalmente, conjugam-se a este procedimento outros métodos de limpeza.

A biodegradação é o resultado da oxidação de certos componentes do óleo derramado, por micróbios como bactérias, fungos algas unicelulares e protozoários. É um mecanismo natural de limpeza e remoção do óleo que possui eficiência variável, de acordo com as características físicas do próprio óleo, e também do ambiente, como temperatura, níveis de micróbios, nutrientes e oxigênio presentes no local.

CONCLUSÃO

A partir do presente trabalho, pode-se considerar que os derramamentos de petróleo nos ecossistemas marinho e costeiro são os maiores responsáveis pelos impactos ambientais destes ambientes gerando um transtorno de grandes proporções não só às comunidades marinas e às cadeias tróficas mas também ao homem. O petróleo possui em sua composição química grande quantidade de compostos inorgânicos com elevada toxicidade para os organismos vivos.

Foi estudado também que os ecossistemas costeiros são extremamente vulneráveis ao derramamento de óleo principalmente os manguezais que são ecologicamente considerados o grande berçário da natureza.

A costa é mais vulnerável devido ao baixo hidrodinamismo, fazendo com que a mancha permaneça por mais tempo. Já no mar os efeitos aparentam menores devido ao hidrodinamismo, fazendo com que a mancha se espalhe. Não importa a dimensão do acidente: mesmo sendo grande ou pequeno, o vazamento provoca um estrago muitas das vezes irreversível e fatal para os animais e vegetais que vivem tanto no mar quanto na costa. Muitos dos animais e vegetais morrem devido à intoxicação pelos componentes químicos presentes no petróleo.

Este tipo de impacto continua ocorrendo mesmo com toda a discussão gerada em torno desse problema ambiental.

Com este estudo foi possível concluir o quanto o petróleo é prejudicial ao meio ambiente levando-se a refletir se, de fato, este produto é tão relevante para todos nós mesmo com toda a importância econômica a ele destinada. Angola sendo um dos países que mais produz petróleo no continente africano, deverá efetuar uma reavaliação em sua legislação ambiental e destinar mais investimentos para profissionais que atuarem na área.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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