Manual de reuso de agua

Manual de reuso de agua

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Manual de conservação e Reúso da Água na Indústria

Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira Presidente

Mauro Ribeiro Viegas Presidente do Conselho Empresarial de Reursos Hídricos

Augusto Cesar Franco Alencar Diretor Operacional Corporativo

Roterdam Pinto Salomão Superintendente do SESI-RJ e Diretor Regional do SENAI-RJ

Marilene Carvalho Diretora de Inovação e Meio Ambiente

Luís Augusto Azevedo Gerente de Tecnologia e Meio Ambiente

Gustavo Kelly Alencar Gerente jurídico empresarial e tributário

Christine Lombardo Costa Pereira Especialista em Meio Ambiente

Orlando Santos Diniz Presidente do Conselho Deliberativo Estadual

Sergio Malta Diretor Superintendente

Evandro Peçanha Alves Bento Mario Lages Gonçalves Diretores

Andréia Crocamo Gerente da Área de Políticas Públicas

Dolores Lustosa Coordenadora do Núcleo SEBRAE/RJ de Econegócios e de Meio Ambiente

Ivanildo Hespanhol (Coordenador) José Carlos Mierzwa Luana Di Beo Rodrigues

Maurício Costa Cabral da Silva Centro Internacional de Referência em Reúso de Água – CIRRA/IRCWR

Manual de Conservação e Reúso de Água na Indústria

Sistema FIRJAN Divisão de Documentação e Normas - Biblioteca

F 293pManual de conservação e reúso da água na indústria. Rio de Janeiro:

FIRJAN DIM, 2006.

ISB
1. Meio Ambiente. 2. Reúso de Água. 3. Conservação da água. I. Título.

38p. : il. CDD 574.5

Manual de Conservação e Reúso de Água na Indústria Manual de Conservação e Reúso de Água na Indústria

1 INTRODUÇÃO6

Sumário

2 ASPECTOS LEGAIS E INSTITUCIONAIS 8

3.1 Levantamento de dados10
3.1.1 Análise documental 10
3.1.3 Compilação e apresentação de dados 12
e reúso da água 14
3.2.1 Otimização do uso da água 14
3.2.2 Reúso da água 17
3.2.3 Aproveitamento de águas pluviais 20
3.2.4 Recarga de aqüiferos 2
3.4 Aspectos Econômicos24
4 PCRA - EXEMPLOS PRÁTICOS26
4.1 Indústria Metalúrgica26

3 PLANO DE CONSERVAÇÃO E REÚSO DE ÁGUA (PCRA) 10 3.1.2 Levantamento de dados em campo 12 3.2 Identificação de opções de otimização do uso 3.3 Ponto de mínimo consumo de água (Water Pinch) 23 4.2 Indústria automotiva e de equipamentos 28

5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES30

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 31

1 INTRODUÇÃO

Atualmente a indústria nacional está submetida a dois grandes instrumentos de pressão. De um lado, as imposições do comércio internacional pela melhoria da competitividade e, do outro, as questões ambientais e as recentes condicionantes legais de gestão de recursos hídricos, particularmente as associadas à cobrança pelo uso da água.

Para se adaptar a este novo cenário, a indústria vem aprimorando seus processos e desenvolvendo sistemas de gestão ambiental para atender às especificações do mercado interno e externo. Em linha com esta tendência, já encontramos bons exemplos de implantação de sistemas e procedimentos de gestão da demanda de água e de minimização da geração de efluentes. Dependendo da disponibilidade hídrica, além de iniciativas para a redução do consumo de água, a produção industrial fica condicionada à análise das seguintes opções, que não são necessariamente excludentes: I - Manter a situação tradicional, utilizando água de sistemas públicos de distribuição e dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos;

I - Adquirir água de reúso ou água de utilidade, produzida por companhias de saneamento, através de tratamento complementar de seus efluentes secundários; ou, I - Reusar, na medida do possível, os seus próprios efluentes, após tratamento adequado.

Esta última opção costuma ser mais atrativa, com custos de implantação e de operação inferiores aos associados à captação e ao tratamento de águas de mananciais ou à compra de água oferecida por empresas de saneamento, tanto de sistemas potáveis como de sistemas de água de reúso.

A prática de conservação e reúso de água, que vem se disseminando em todo o Brasil, consiste basicamente na gestão da demanda, ou seja, na utilização de fontes alternativas de água e na redução dos volumes de água captados por meio da otimização do uso.

A gestão da demanda se inicia por um processo integrado de identificação e medição contínua de demandas específicas de cada sub-setor industrial. Essa informação gerenciada permite um efetivo controle da demanda individualizada e orienta a eliminação do desperdício operacional e a modernização dos processos.

Uma vez controlada a demanda, inicia-se a gestão da oferta, que consiste em substituir as fontes de abastecimento convencionais por opções mais favoráveis em termos de custos e de proteção ambiental. As opções se concentram: no reúso da água que constitui os efluentes gerados na própria indústria; no aproveitamento de águas pluviais de telhados ou pátios internos; e, eventualmente, no reforço das águas subterrâneas por meio de recarga artificial dos aqüíferos subjacentes à própria indústria com efluentes industriais controlados e adequadamente tratados.

A prática do reúso em sistemas industriais proporciona benefícios ambientais significativos, pois permite que um volume maior de água permaneça disponível para outros usos. Em certas condições, pode reduzir a poluição hídrica por meio da minimização da descarga de efluentes. Existem também benefícios econômicos, uma vez que a empresa não acrescenta a seus produtos os custos relativos à cobrança pelo uso da água.

Considerando a importância da conservação e do reúso da água na indústria, a FIRJAN e o SEBRAE-RJ desenvolveram este manual para proporcionar, de maneira prática e direta, as orientações básicas para o desenvolvimento e a implantação de Planos de Conservação e Reúso de Água (PCRA).

Com as devidas adaptações, as etapas, apresentadas no Capítulo e enumeradas abaixo, permitem a formulação de um PCRA em quaisquer tipos de indústrias:

• Levantamento e compilação de dados; • Identificação de opções para gestão da de manda e otimização do uso da água; • Determinação do potencial de reúso de água;

• Aproveitamento de águas pluviais.

O manual também tem como objetivos apresentar aspectos da metodologia do ponto de mínimo consumo de água (“water pinch”) e a conceituação básica do processo de avaliação econômica da implementação de um PCRA.

Introdução

2ASPECTOS LEGAIS E INSTITUCIONAIS

O aumento da demanda de água e a poluição dos mananciais têm despertado a preocupação de vários setores da sociedade, que se mobiliza para tentar garantir uma relação mais harmônica entre as suas atividades e os recursos hídricos.

A Constituição de 19 estabelece que a água é um bem da União ou dos estados, ressaltando que o seu aproveitamento econômico e social deve buscar a redução de desigualdades.

Com base na Constituição de 19 , foi elaborada a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei 9.4 de 199 ), que define a água como um bem de domínio público, dotado de valor econômico. A Política também estabelece diretrizes para o melhor aproveitamento.

Na Lei 9.433, o Capítulo IV trata dos instrumentos definidos para gestão dos recursos hídricos, como a outorga pelo direito de uso da água e a cobrança correspondente.

Um dos objetivos da cobrança pelo uso da água é incentivar a sua racionalização, que pode contemplar medidas de redução do consumo por meio de melhorias no processo e pela prática de reúso.

A primeira regulamentação que tratou de reúso de água no Brasil foi a norma técnica NBR-1 . 9 , de setembro de 199 . Na norma, o reúso é abordado como uma opção à destinação de esgotos de origem essencialmente doméstica ou com características similares. Quatro classes de água de reúso e seus respectivos padrões de qualidade foram definidos na norma e são apresentados na tabela 2.1.

Com o crescente interesse pelo tema, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), publicou a Resolução 54, em 2005, que estabelece os critérios gerais para a prática de reúso direto não potável de água. Nessa resolução, são definidas as cinco modalidades de reúso de água: • Reúso para fins urbanos;

• Reúso para fins agrícolas e florestais;

• Reúso para fins ambientais;

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