Estágio III Literatura Ensino Médio - Curso de Letras ULBRA

Estágio III Literatura Ensino Médio - Curso de Letras ULBRA

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Compreender a escola em seu cotidiano é condição para qualquer Projeto de

Intervenção, pois o ato de ensinar requer um trabalho específico, com reflexão mais ampla sobre a ação pedagógica que ali se desenvolve. Pimenta e Lima (2004, p.104), afirmam que "Aprendemos na escola que o ver e o escutar de forma crítica e reflexiva o que estava em nossa volta propicia um novo olhar. Um olhar que escuta, ouve e aprende a ver o outro, a realidade cria e busca a sintonia do outro, do grupo e de outras pessoas."

Ao lado disso, a observação do contexto escolar, no qual iremos atuar, possibilita uma compreensão inicial do processo educativo daquele espaço, nos permitindo refletir sobre as interações e comportamentos desempenhados.

Neste espaço de tempo, foi possível coletar informações que foram contextualizadas, permitindo produzir novos conhecimentos sobre a docência.

Vendo e escutando de forma crítica e reflexiva, pôde-se constatar que a professora titular possui habilidades de organização do contexto da aula. Sempre explica os objetivos do estudo, fazendo uso de recursos verbais para apontar questões fundamentais, e muitas vezes, apresenta o roteiro de suas aulas. Ela formula perguntas exploratórias que incentivam a participação do aluno, valorizando o diálogo com eles.

Káren sempre provoca os alunos para formularem suas próprias perguntas, e para isso, utiliza palavras de reforço positivo, que é uma forma de envolver todos na sala. Possui habilidades para tratar a matéria de ensino, e sempre estimula a atenção e a criatividade do aluno. A educadora demonstra interesse pelas colocações do grupo e valoriza suas perguntas.

É evidente a relação de amizade entre docente e os discentes, pois ela demonstra interesse por eles, se esforçando ao máximo para ajudá-los a superarem as dificuldades. E com isso, ela vem obtendo bons resultados.

Com certeza o período de observação foi primordial para melhor orientar na forma de conduzir o período de regência. Agora só resta pôr em prática tudo o que foi observado. O Planejamento de Intervenção será embasado na teoria de diversos autores. As atividades serão desafiadoras, onde o aluno será chamado a refletir sobre o que já sabe, usando sempre seus conhecimentos de mundo.

5. APRESENTAÇÃO DO ESTÁGIO DE ENTREVISTA

Segundo Bogdan e Biklen (1994), uma entrevista consiste numa conversa intencional, geralmente entre duas pessoas, dirigida por uma das duas, com o objetivo de obter informações sobre a outra. As entrevistas podem ser utilizadas de duas formas: podem constituir a estratégia dominante para a escolha de dados ou podem ser utilizadas em conjunto com a observação participante, análise de documentos e outras técnicas. As entrevistas qualitativas variam quanto ao grau de estruturação. Podem ser relativamente abertas, centradas em tópicos determinados ou guiadas por questões gerais; ou podem ser abertas. No meio desses dois extremos (estruturada e não-estruturada) está a entrevista semi-estruturada. A escolha de um tipo particular recai sobre os objetivos da pesquisa.

Para Minayo (2000) o roteiro de entrevista difere do questionário, pois, enquanto este pressupõe hipóteses e questões fechadas, com ponto de partida nas referências do pesquisador, a entrevista tem outras características.

Na entrevista, a relação que se cria é de interação, havendo uma atmosfera de influência recíproca entre quem pergunta e quem responde. Uma entrevista bem feita pode permitir o tratamento de assuntos de natureza estritamente pessoal e íntima, pode permitir o aprofundamento de pontos levantados por outras técnicas de coleta de alcance mais superficial como o questionário, e pode atingir informantes que não poderiam ser atingidos por outros meios de investigação, como pessoas com pouca instrução formal (Lüdke e André, 1986).

5.1 Entrevista com um integrante da Equipe Diretiva

Segundo a Wikipédia, Entrevista é uma conversação entre duas ou mais pessoas (o entrevistador e o entrevistado) onde perguntas são feitas pelo entrevistador para obter informação do entrevistado.

Através dessa definição, entrevistou-se a diretora do Colégio Estadual Lions Clube de Paraíba do Sul, Denilda Maria de Oliveira Carvalho. Ela afirmou que o colégio possui Projeto Político Pedagógico, e que este foi elaborado com a participação de todos os Professores, da Equipe Administrativa, Pedagógica, da Direção, e de quatro Representantes de Pais e Servidores.

Segundo a Diretora, o colégio adotou uma Filosofia Construtivista, com o objetivo de preparar indivíduos participativos, criativos e críticos, que tenham iniciativa e estejam preparados para exercer sua cidadania. Procura apoiar-se na ideia de interação entre organismos e meio, e ver a aquisição de conhecimentos como um processo construído pelo indivíduo durante toda a vida. As experiências vividas anteriormente pelos alunos servem para novas construções dentro do espaço escolar.

Ainda relatou que esta Instituição de Ensino visa produzir com o aluno um conhecimento que possa ser aplicado na sua vida prática, tornando-se um leitor do mundo que o rodeia, podendo perceber-se neste espaço e transformá-lo.

O Conselho de Classe da Escola acontece de maneira participativa, cabendo ao coletivo decidir sobre a promoção integral, a promoção com dependência ou a reprovação do aluno, observadas as diretrizes legais. Compõem os Conselhos de Classe: o diretor ou seu substituto legal, o orientador pedagógico, o orientador educacional, todos os professores da turma, coordenador de turno e os alunos representantes de cada turma. Durante esse momento, os Professores de cada turma se reúnem com um integrante da Equipe Diretiva, com o objetivo de discutirem acerca do desempenho dos alunos. Os Educadores aproveitam para expor suas ideias e suas dificuldades enfrentadas. Para isso, os integrantes preparam-se previamente. Mediante às questões discutidas, a Direção e sua Equipe procuram meios para solucionar os desafios expostos.

A partir dos resultados apresentados no Conselho de Classe, a Coordenadora Maristela se reúne com os pais para entregar os boletins. É apresentado um gráfico sobre

o rendimento dos alunos, e solicita-se a colaboração dos pais para melhores resultados na aprendizagem de seus filhos.

O Boletim só é entregue diretamente aos alunos maiores de 18 anos. Os dados de evasão e de repetência desta unidade escolar me foram passados da seguinte forma: ENSINO FUNDAMENTAL No 5º Ano de Escolaridade 24 alunos foram reprovados, e 2 foram transferidos. No 6º Ano de Escolaridade 27 alunos foram aprovados, 14 reprovados, e 3 transferidos.

No 7º Ano de Escolaridade 27 alunos foram aprovados, 13 reprovados, e 1 transferido.

No 8º Ano de Escolaridade 26 alunos foram aprovados, 12 reprovados, e 4 transferidos.

No 9º Ano de Escolaridade 23 alunos foram aprovados, 14 reprovados, e 10 transferidos. ENSINO MÉDIO

No 1º Ano 3 alunos foram aprovados, 34 reprovados, e 6 transferidos. No 2º Ano 24 alunos foram aprovados, 10 reprovados, e 1 transferido. No 3º Ano 14 alunos foram aprovados, 1 reprovado, e 1 transferido. Com base nas informações acima, podemos observar que a incidência de reprovação foi maior no 1º Ano do Ensino Médio,e a de evasão foi no 9º Ano de Escolaridade do Ensino Fundamental.

Alguns professores elaboram planos de estudo. O Estado geralmente manda pronto e a Coordenadora Maristela passa para os docentes.

A Escola trabalha com Projetos de Ensino, trimestrais, dando enfoque a interdisciplinaridade. Através da integração de todas as disciplinas num projeto, por exemplo, a escola elaborou um trabalho sobre a DENGUE. Trabalhando em conjunto, os professores contribuíram para o desenvolvimento do mesmo. Cada disciplina contribuiu da seguinte forma: Língua Portuguesa: produção textual sobre a doença, crítica, dissertação, confecção de relatórios, correção ortográfica;

Matemática: levantamento de dados, pesquisas, incidência em percentual da doença, gráficos e tabelas demonstrando esses números; História: contexto histórico da doença – quando surgiu? Quem descobriu?

Geografia: Elaboração de um mapa com legendas indicando os principais focos da doença nos estados; Artes: o desenho do mosquito, produção de peças teatrais;

Inglês: tradução de textos, vocabulário;

Ciências da Natureza / Biologia: Higiene, como detectar focos da doença, cuidados, formas de transmissão, nome cientifico da doença e do mosquito transmissor.

São proporcionados aos professores, cursos de capacitação promovidos pela

Escola, através de verbas recebidas, com profissionais especializados, e formados Grupos de Estudos semanais para TV Escola, Salto para o Futuro, PCN em Ação.

O funcionamento da Biblioteca Pólo na Unidade Escolar, conta com vários títulos literários, títulos para pesquisa e apoio pedagógico, e atende aos alunos e à comunidade.

Existem dois Laboratórios na Escola: Informática e Ciências. As aulas são organizadas pela Direção. As aulas de Educação Física acontecem numa quadra poliesportiva pertencente a própria Unidade Escolar.

Todos os Sábados Letivos acontecem um Encontro Literário, pois ler é uma das competências mais importantes a serem trabalhadas com o aluno, principalmente após recentes pesquisas que apontam ser esta uma das principais deficiências do estudante brasileiro. Não basta identificar as palavras, mas fazê-las ter sentido, compreender, interpretar, relacionar e reter o que for mais relevante.

5.2 Entrevista com Professor Titular

A entrevista com a Professora Titular teve por objetivo, conhecer a proposta pedagógica; coletar dados que caracterizassem a turma de alunos; observar o Planejamento; e discutir conteúdos, metodologia e avaliação a serem trabalhados durante Estágio de Intervenção.

Num primeiro momento, perguntou-se quais eram as dificuldades apresentadas pelos seus alunos em relação à disciplina. Então, Káren Guedes Pereira Mattos disse que

por realizar um trabalho com o Ensino de Jovens e Adultos, o tempo é mais curto, e que sua clientela é formada por alunos com mais dificuldades e limitações.

Dando continuidade à entrevista, a Professora Titular ainda relatou sobre como são resolvidos os problemas de indisciplina em sala de aula. Quanto a isso, ela procura trabalhar de forma bem amigável com eles; tendo um ótimo entrosamento; o que consequentemente gera um respeito recíproco.

A respeito das reivindicações dos alunos em sala de aula, ela garantiu que procura sempre ouvir seus desejos e tenta facilitar ao máximo um clima de amizade, tentando sempre compreendê-los. Acrescentou que seus alunos não realizam tarefas fora da sala de aula, pois a maioria não tem tempo disponível para isso.

Quando perguntada sobre a utilização de técnicas variadas em sua metodologia de trabalho, Káren relatou que procura formas de trabalho que despertem a atenção e curiosidade dos alunos. Portanto, trabalha com filmes, músicas, jornais, etc. E para isso, a escola dispõe de recursos audiovisuais.

Para a Lei de Diretrizes e Bases, um profissional do curso de letras deve viabilizar a qualidade da formação profissional analisando criticamente as diferentes teorias que fundamentam as investigações de língua e de linguagem e os conhecimentos históricos e teóricos necessária para refletir as condições sob as quais a expressão lingüística se torna literária.

6. ATIVIDADES DE OBSERVAÇÃO NA ESCOLA

Para Ricardo, M. M. (1994) O estagio de "Observação” é elaborado tomando em linha de conta as experiências de formação, as aprendizagens realizadas e a necessidade de aprofundamento de competências consideradas essenciais para a profissionalização dos educadores. Genericamente pretende-se através de um estágio de observação favorecer o desenvolvimento pessoal e profissional dos futuros educadores proporcionando-lhes condições de formação teórica e prática susceptíveis de habilitá-los ao desenvolvimento reflexivo e fundamentado de práticas educativas de qualidade.

Para Marques, R. (1988), além dos saberes, exercícios e atitudes necessários ao desenvolvimento de práticas educativas de qualidade, pretende-se ainda o desenvolvimento de treinamentos e, sobretudo de atitudes de investigação, numa

perspectiva de investigação-ação, considerando que todo o educador deverá saber não apenas desenvolver processos educativos fundamentados e curriculares coerentes, mas ainda analisar, refletir e problematizar as práticas que desenvolve ou observa enquanto profissional de educação.

O Estágio de observação é um momento da realização de diagnóstico local, verificando como ocorre a prática e a rotina escolar. Nesse momento, temos a chance de verificarmos como se constrói um espaço de produção de conhecimento sobre a prática pedagógica desenvolvida no cotidiano da escola pública.

Através de um processo criador e inovador, de análise e de reflexão, temos a oportunidade de nos aproximar da realidade da escola, a fim de que possamos compreender melhor os desafios que deveremos enfrentar no momento da prática do estágio; e até mesmo do trabalho, de forma crítica e consciente. É o momento de conhecermos os alunos, suas dificuldades, peculiaridades, anseios, de conhecer como a escola se organiza para receber estes alunos, de verificar qual postura deveremos ter ao estagiar, ao realizar a regência.

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