Resumo Parasitologia Médica - Protozoários

Resumo Parasitologia Médica - Protozoários

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Resumo Parasitologia Médica

Caio César Bianchi de Castro - 2009.1 Medicina UFRJ 1

Amebíase

Agente etiológico: Entamoeba histolytica/ E. dispar Filo: Sarcomastigophora Hábitat: Intestino grosso Relação: comensalismo ou parasitismo obrigatório Parasitismo: obrigatório Formas encontradas: trofozoíto (vegetal) e cisto (inerte) Morfologia:

A. Trofozoíto

- 20 a 30 µm - pleomórfico, ativo, alongado, emitindo pseudópodes grosso longos e hialinos;

- núcleo único, esférico ou arredondado, vesiculado com cromatina periférica “roda de carroça”;

- nucléolo pequeno central ou excêntrico;

-citoplasma compreendendo um ectoplasma (claro e hialino) e endoplasma (granuloso, com vacúolos, núcleos e restos de subst. alimentares); - membrana nuclear delgada justaposta a grânulos de cromatina “aliança de brilhante”;

- OBS.: presença de hemácias em amostras diarréicas.

B. Pré-cisto

- Fase intermediária entre cisto e trofozoíto;

- Oval, ligeiramente arredondado, menor que o trofozoíto; - Corpos cromatóides no citoplasma (bastonetes co mextremidadades arredondadas).

C. Metacisto - Forma multinucleada que emerge do cisto no intestino delgado, onde sofre divisões e origina os trofozoítos.

D. Cisto

- Esféricos ou ovais (8 a 20 µm);

- Corpúsculos hialinos, claros com paredes refringentes; - Núcleos pouco visíveis variando em número de 1 a 4 de acordo com o grau de “matruridade”;

- Membrana nuclear mais escura com nucléolo central;

- Corpos cromatóides em forma de bastonetes ou charutos em nº de 1 a 4 geralmente;

- Vacúolos de glicogênio no citoplasma;

- OBS.: ausência de RE, Golgi, centríolos e microtúbulos na Microscopia eletrônica, pois são características de céls. eucariotas

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Respiração: anaerobiose facultativa Locomoção: pseudópodes Nutrição: fagocitose e pinocitose (detritos e bactérias) Reprodução: assexuada – divisão binária

Trofozoítos  Pré-cistos  Cistos  Metacistos

Ciclo Biológico (Monoxênico)

1) Ingestão de cistos maduros, junto a alimentos e água contaminada; 2) Fim do int. delgado ou início do grosso: desencistamento (cisto metacisto); 3) Metacisto origina inicialmente 4 trofozoítos e depois 8 por divisão binária, os quais passam a migrar para o intestino grosso em sua porção mais baixa e colonizar a mucosa intestinal; 4) Mudanças desconhecidas: alteração do equilíbrio = trofozoítos desprendem da parede intestinal, indo para a luz, onde sofrem desidratação, eliminam subst. nutritivas do citoplasma transformando-se em pré-cistos, e depois, cisto com 1 núcleo, a partir da secreção da membrana cística; 5) Divisões nucleares geram mais núcleos até chegar ao nº de 4 formando a forma infectante do cisto; 6) Eliminação nas fezes formadas ou normais;

Ciclo patogênico (forma virulenta ou invasiva)

- Trofozoítos invadem a submucosa multiplicando-se ativamente no interior das úlceras, podendo atingir outros órgãos a partir da circulação da porta ( formas extra-intestinais); - Hematófagos e muito ativos;

- invasão da submucosa: 1) Inicial forte adesão entre a ameba e a célula a ser lesada mediada por lectinas, filopódios e fagocitose; 2) invadida a mucosa, multiplicam-se e prosseguem penetrando os tecidos com a forma de microulcerações em direção à muscular da mucosa, sem promover grande reação inflamatória; 3) Na submucosa progridem em diversas direções formando ulcerações em “botão de camisa” ou “colo de garrafa”; 4) Podem causar ameboma em alguns casos caracterizado por uma indução na resposta inflamatória com formação de massa granulosa.

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- Fatores do hospedeiro (raça, sexo, idade, imunidade, dieta,);

Virulência - Fatores do meio (flora bacteriana);

- Outros fatores ( colesterol, reinfecções, passagens sucessivas em diversos hospedeiros).

Transmissão - Ingestão de cistos maduros com alimentos sólidos ou líquidos;

- Água e alimentos contaminados com dejetos humanos;

- Vetor mecânico (moscas, formigas, baratas);

- “Portadores assintomáticos” manipulando alimentos com ausência de higiene;

- Ausência de higiene domiciliar.

Ingestão do cistoNão-infectado (cisto imaturo, etc)

Manifestações clínicas

Infectado portador – 90% sintomático sintomas leves

Doente – 10% -amebíase invasiva forma disentérica ou formas extra-intestinais

Quadro clínico A. Colites não disentéricas: 3 a 5 evacuações/dia, mucosanguinolentas, precedidas de cólicas, dor abdominal superior, tenesmo (espasmo sustentado doloroso durante a peristalse) às vezes;

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Complicações: perfurações, peritonite, hemorragias,

B. Colite disentérica: 30 evacuações por dia, mucossanguinolentas, cólicas intensas, febre, tenesmo retal, tremores de frio;

C. Amebomas ou lesões pseudo tumorais da mucosa intestinal D. Amebíase extra-intestinal: -Abscesso hepático = “dor, febre, hepatomegalia” (tríade), emagrecimento, diarréia esporádica;

-Amebíase pleuropulmonar

Diagnóstico

- Pesquisa de cistos nas fezes moldadas (método de flutuação) e trofozoítas nas fezes diarréicas recentes (colher as fezes em meio conservante); - Teste imunológico para diferenciar E.dispar de E.histolytica (ELISA para diferenciar a lectina de adesão); - Retosigmodoiscopia e biópsia (avaliação das ulcerações) muito invasivo

- Pesquisa de anticorpos no soro e métodos de imagem – para as formas extra-intestinais

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