Enfermagem em Saúde Mental 02

Enfermagem em Saúde Mental 02

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Curso de Enfermagem em Saúde Mental

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6. Psicopatologia

Psicopatologia é uma palavra de origem grega, sendo definida como o estudo das doenças mentais no que se refere à sua descrição, classificação, produção e evolução, servindo de base à escolha da psicoterapia a ser adotada1,2.

Inicialmente é necessário conhecer as funções psíquicas que constituem o ser humano. A avaliação das funções psíquicas tem sido altamente utilizada na área da enfermagem por sua grande importância na avaliação e no planejamento da assistência em saúde mental.

6.1 Funções Psíquicas

6.1.1 Consciência(2,3,4)

É onde se desenvolvem todos os processos mentais, tais como sensações, pensamentos e emoções em certo instante. Utiliza-se o termo lucidez para conceituar o estado normal de consciência. As principais alterações da consciência constituem-se em:

• Desorientação: perturbação da orientação referente ao tempo, local ou pessoas.

• Obnubilação: pensamento pouco claro, com perturbação na percepção e atitudes.

Caracterizado pela lentidão de compreensão, alteração do curso do pensamento, certo grau de desorientação e pouca sonolência.

• Sonolência: sedação anormal, na qual a pessoa desperta ao receber estímulos.

• Estupor ou torpor: falta de reação e de consciência com relação ao ambiente, onde a pessoa desperta apenas com estímulos dolorosos intensos, os quais cessando, a pessoa volta ao estado de inconsciência.

• Coma: é o grau mais intenso de inconsciência. A pessoa não é capaz de despertar sob estímulo algum.

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• Estado crepuscular: consciência perturbada por alucinações e delírios, e quando retorna ao estado de consciência normal, não recorda do acontecido ou tem dificuldade para fazê-lo.

• Estupor depressivo ou catatônico: a pessoa encontra-se desligada do contato com o mundo externo, mantendo-se imóvel, com o olhar fixo.

6.1.2 Atenção(2,3,4)

Atenção é a concentração da atividade psíquica sobre os estímulos que a solicitam. Dentre as alterações da atenção, destaca-se:

• Hipovigilância: diminuição da capacidade de estar atento a novos estímulos.

• Hipervigilância: sensibilidade excessiva para novos estímulos.

• Distratibilidade: incapacidade de concentração da atenção, a qual é desviada para estímulos irrelevantes.

• Desatenção seletiva: bloqueio dos estímulos que geram ansiedade ou aflição.

• Hipotenacidade: dificuldade de manter-se fixado a um mesmo estímulo.

• Hipertenacidade: atenção excessiva a determinado estímulo.

6.1.3 Sensopercepção(3,4)

É a função mental que possibilita a tomada de conhecimento sobre o ambiente e o próprio corpo. Dentre as alterações de sensopercepção relacionam-se:

• Ilusões: percepção errônea de estímulos sensoriais externos reais, ou seja, há deformação do objeto real.

• Alucinação: percepção sensorial falsa não associada a estímulos reais, isto é, a pessoa percebe como real, algo que não existe. Podem ser auditivas, táteis, visuais, olfativas, gustativas, cinestésicas, cenestésicas ou negativas.

• Pseudo-alucinação: a pessoa percebe algo que não existe, mas tem noção de que sua experiência não corresponde à realidade.

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• Deslocamento da qualidade sensorial: quando há troca de qualidades sensoriais, por exemplo: “ver vozes”.

6.1.4. Orientação(3,4)

Trata-se da capacidade da pessoa em situar-se com relação a si mesma e ao ambiente, no tempo e no espaço. As principais alterações que envolvem a orientação são:

• Desorientação delirante: desorientação resultante de um pensamento delirante.

• Dupla orientação: a orientação anormal coexiste juntamente com a orientação normal.

• Desorientação apática: a pessoa está lúcida e percebe com clareza e nitidez tudo que se passa à sua volta, porém não tem interesse por si e nem pelo que se passa à sua volta.

• Desorientação amnésica: é a incapacidade da pessoa em fixar os acontecimentos e de orientar-se no tempo, no espaço e em suas relações.

• Desorientação oligofrênica: desorientação em virtude da deficiência de inteligência.

6.1.5 Memória(2,3,4)

Consiste na capacidade de adquirir, reter e utilizar uma experiência vivenciada.

Possui três fases: 1. Fase de fixação e conservação: a experiência vivenciada é armazenada e mantida no psiquismo; 2. Fase de evocação: a vivência é rememorada da fase latente; e 3. Fase de reconhecimento: a memória é identificada e há uma atualização da experiência vivenciada.

As principais alterações de memória são:

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• Amnésia: incapacidade total ou parcial para recordar experiências passadas, e pode ser de origem orgânica ou emocional.

• Paramnésia: falsificação ou ilusão da memória pela distorção da recordação.

• Hipermnésia: grau exagerado de retenção e recordação de experiências passadas.

6.1.6 Inteligência(3)

A inteligência refere-se basicamente à totalidade das habilidades cognitivas da pessoa.

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