Educação em Saúde e Comunicação

Educação em Saúde e Comunicação

(Parte 1 de 9)

Oficinas de

Educação em

Saúde e Comunicação

Oficinas de

Educação em

Saúde e Comunicação

Vamos fazer juntosVamos fazer juntos

Oficinas de Educaçªo em Saœde e Comunicaçªo

Vamos fazer juntos

Brasília, setembro de 2001

2001. MinistØrio da Saœde. Fundaçªo Nacional de Saœde

1“ Ediçªo

Editor: Assessoria de Comunicaçªo e Educaçªo em Saœde/Ascom/Pre/ FUNASA Setor de Autarquias Sul, Quadra 4, Bloco N, Sala 517 Fone: (0xx) 61 - 3146440 70070-040 - Brasília/DF

Distribuiçªo e Informaçªo Coordenaçªo de Educaçªo em Saœde/Ascom/Pre/FUNASA Setor de Autarquias Sul, Quadra 4, Bloco N, Sala 511 Fone: (0xx)61 314-6457 E-mail: coesa@funasa.gov.br 70070-040 - Brasília - DF

Tiragem: 5.0 exemplares Impresso no Brasil/Printed in Brazil

Oficinas de educaçªo em saœde e comunicaçªo. - Brasília:

MinistØrio da Saœde: Fundaçªo Nacional de Saœde, 2001. 80 p.: il.; 21 x 14,5cm 1. Educaçªo em saœde. 2. Comunicaçªo. I. MinistØrio da Saœde. I. Fundaçªo Nacional de Saœde.

Ficha CatalogrÆfica

Agradecimentos

Os nossos agradecimentos aos participantes das oficinas realizadas nos Municípios de Afuá/PA e Manacapuru/AM, às Secretarias de Saúde desses Municípios e dos Estados do

Pará e do Amazonas, às Coordenações Regionais da

Fundação Nacional de Saúde desses Estados, que contribuíram de forma decisiva na construção e aprimoramento deste processo.

Dedicatória

Dedicamos este trabalho às comunidades da Amazônia

Legal para que ampliem sua qualidade de vida e visão de mundo.

Apresentaçªo

Os altos índices das doenças transmissíveis na Amazônia Legal – febre amarela, hepatite B, leishmaniose tegumentar americana, leishmaniose visceral, malária, hanseníase, tuberculose, levam ao necessário desenvolvimento de ações eficazes para a sua prevenção, controle e eliminação. Nestas circunstâncias, cada vez mais vêm sendo incorporadas estratégias de educação em saúde e comunicação, que têm como sujeitos e parceiros tanto a população usuária quanto os técnicos dos serviços, organizações sociais, instituições. Esse fato ilustra como se faz oportuna a instrumentalização dos atores sociais envolvidos no uso dessas estratégias, não só no campo da produção das ações como também seu planejamento, desenvolvimento e recepção.

Soma-se a essa questão a observação de que, apesar da reconhecida importância da educação em saúde e da comunicação, as experiências neste setor encontram-se dispersas, necessitando de aglutinação, planejamento, avaliação e difusão. Em conseqüência, a educação em saúde e a comunicação são chamadas a intervir de maneira pontual, tendo como expectativa a resolutividade instantânea e como prática as estratégias massivas.

Para que essas ações tenham o cunho estratégico que lhes cabe dentro do mundo contemporâneo, é importante identificar que, para realizá-las, é necessário incorporá-las à agenda dos gestores e gerentes e nas estratégias dos diferentes atores sociais, percorrendo diversas fases que vão desde a pactuação de compromissos e responsabilidades, à análise de demandas, produção, acompanhamento, avaliação, difusão das experiências.

Este material construído pela ASCOM/ FUNASA com a participação dos

Estados do Pará e do Amazonas e respectivos municípios de Afuá e de Manacapuru, mediante a realização de duas oficinas, vislumbra percursos substanciais para um processo de educação em saúde e comunicação coerente com os princípios e diretrizes do SUS, de eqüidade, integralidade e controle social, dentro da perspectiva da realidade cotidianamente vivenciada pelas populações em seu território. Essas oficinas têm a finalidade de construir diretrizes e não modelo para produção de estratégias e disponibilizar metodologia e tecnologias aos gestores estaduais e municipais. Todo percurso nele contido tem o caráter integrativo e processual, expresso no desenho de uma metodologia que permite um “espaço tempo” para a negociação das diferenças e dos distintos saberes técnico e popular e a partir dessa interação construir “sentidos coletivos” na resolução dos problemas.

A expectativa é de que a incorporação dessa proposta metodológica ao planejamento das instituições, grupos e indivíduos, subsidie uma gestão cidadã do Sistema Único de Saúde, diminuindo, assim, a distância “entre intenção e gesto”.

1- Introduçªo1
2 - Passos para operacionalizaçªo das oficinas13
2.1 - PrØ-oficina...................................................................13
2.2 - Oficina........................................................................15
2.3 - Pós-oficina...................................................................2
3- Relato de ExperiŒncias23
3.1 - A malÆria....................................................................23
• Peças produzidas27
3.2 - A febre amarela..........................................................38
• Peças produzidas43
4 - Anexos53
Anexo 1 - Programaçªo5
Anexo 2 - Relaçªo de materiais para a oficina59
Anexo 3 - Ficha de cadastro61
Anexo 4 - Ficha de avaliaçªo62
Anexo 5 - Relaçªo das necessidades e responsabilidades64
Anexo 6 - Textos bÆsicos6
1. As dinâmicas de construçªo do conhecimento6
2. Os meios de comunicaçªo eleitos68
2.1. A comunicaçªo oral70
2.2. A comunicaçªo visual71
2.2.1. O mergulho nas cores72
3. A história de Marlene74

SumÆrio 5. ReferŒncia bibliogrÆfica ......................................................... 7

FUNASA - setembro/2001 - pÆg. 1

1 - Introduçªo

O Projeto VIGISUS, na Área Programática I, tem como eixo estruturante a prevenção e controle de doenças na Amazônia Legal (febre amarela, hepatite B, malária, tuberculose, hanseníase, leishmaniose tegumentar americana e leishmaniose visceral). A educação em saúde, neste projeto, é considerada como processo potencializador da descentralização de ações e serviços na rede hierarquizada do Sistema Único de Saúde- SUS e o exercício do controle social sobre esses serviços, no sentido de que estes respondam às necessidades da população e esta de forma consciente, o procure para melhoria da qualidade de vida, sua e da coletividade.

Ao se desenvolver uma ação sistemática e comprometida com estes princípios dá-se maior visibilidade ao sistema, permite o exercício da cidadania, possibilitando que a sociedade atue, também, na construção de um sistema de vigilância à saúde, estando atenta aos eventos que ocorrem e agindo no controle dos eventos adversos.

A educação em saúde e a comunicação nesta proposta têm o sentido de:

•formar o pensamento crítico das pessoas para reconhecer seus problemas e atuar individual e coletivamente para solucioná-los; •trabalhar as relações institucionais que acontecem nas diversas instâncias do Sistema Único e deste com outras organizações governamentais e não governamentais na busca de parcerias para o desempenho de suas funções; as relações entre os profissionais de saúde e destes com a comunidade à medida que eles, com consciência de suas responsabilidades, dentro e fora do sistema, melhoram a qualidade do atendimento e socializam as informações; e da população com os serviços, quando, de posse das informações, busca estes serviços em resposta às suas necessidades para prevenção, promoção de sua saúde e controle das doenças e exerce o controle social sobre o mesmo sistema; •buscar e disponibilizar aos gestores das Secretarias Estaduais de

Saúde metodologias e tecnologias facilitadoras de práticas de educação e formas de comunicação que respeitem a cultura local e a participação real dos grupos sociais na mobilização social.

FUNASA - setembro/2001 - pÆg. 12

Este processo educativo aqui proposto é desenvolvido via oficinas de educação em saúde e comunicação que reforçará a capacidade gerencial e técnica das Secretarias de Saúde na descentralização e reorganização de ações, na construção coletiva do conhecimento, na apropriação de metodologias e tecnologias que permitam o resgate da cultura local e estimule os produtores culturais da região e formadores de opinião, no seu agir coletivo, desempenharem o seu papel nas ações de prevenção, controle e vigilância de agravos preconizadas pelo projeto. Os técnicos e população são sujeitos (atores) que, debruçados sobre a realidade, procuram compreendê-la, desvendá-la e atuar sobre ela para transformá-la. E, à medida que vão transformando esta realidade vão se transformando também.

As oficinas assim pensadas e criadas pela ASCOM/ FUNASA junto com o

VIGISUS/ Área Programática I, e amplamente discutidas e rediscutidas num processo de idas e vindas , desde 1998, com os setores e áreas técnicas que compõem o projeto, foram aperfeiçoadas e, agora, disponibilizadas aos gestores estaduais e municipais.

A formulação destas oficinas no Estado inicia- se pela pactuação técnica e política da FUNASA com a Secretaria de Saúde do Estado e posteriormente deste com o município identificando interesse e firmando compromisso e apoio institucional à realização e manutenção do processo e o fomento de parcerias com a sociedade civil que facilitará a realização da oficina e a permanência de infra estrutura técnica para sua recriação e expansão aos demais municípios. Em seguida, é realizado o levantamento no município pelos técnicos consultores junto com os da Secretaria Estadual e Municipal de Saúde, onde se tem um retrato da situação, teia de relações, recursos locais e se delineia toda a oficina com seleção de participantes previstos com a garantia de pelo menos 50% da sociedade civil. Neste momento, com o trabalho compartilhado, espera-se que já se inicie um processo de aprendizado e organização coletiva.

O segundo momento é o da oficina propriamente dita onde se espera que, além da visão global do SUS, do processo que fundamenta a prática de educação em saúde e comunicação e conteúdos específicos do agravo em questão, os participantes produzam suas peças de comunicação de apoio à prática educativa.

FUNASA - setembro/2001 - pÆg. 13

O terceiro momento é a utilização do processo e dos instrumentos criados no controle da doença selecionada conforme indicadores epidemiológicos e acompanhamento da proposta via indicadores criados na própria oficina para tal fim e de um sistema de monitoramento e avaliação.

As oficinas têm um efeito cumulativo e, a cada aplicação, a proposta deverá ser melhorada num processo constante de construção e reconstrução da metodologia.

A educação continuada poderá ser feita através de supervisão e de monitoramento dos Estados e Municípios.

(Parte 1 de 9)

Comentários