Atenção básica à saúde da criança

Atenção básica à saúde da criança

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João Joaquim Freitas do Amaral

Professor Assistente Mestre do Departamento de Saúde

Materno Infantil da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará

Antônio Carvalho da Paixão

Professor Adjunto Doutor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina de Sergipe

Atenção Básica à Saúde da Criança Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância

Organização Pan-Americana da Saúde Organização Mundial da Saúde

Atenção Básica à Saude da Criança / João Joaquim
38p.
I. Pediatria - Criança - Assistência I. Paixão, Antônio

A 445a. Amaral, João Joaquim Freitas do Freitas do Amaral, Antônio Carvalho da Paixão. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde / Organização Mundial da Saúde, 2005. Carvalho: I Título.

CDD 618.92

1. Atenção Básica baseada na AIDPI

2. Habilidades de comunicação

3. Crescimento

4. Desenvolvimento

5. Imunização

6. Aleitamento materno

7. Alimentação da Criança 8. Referências

5ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE DA CRIANÇA BASEADA NA ESTRATÉGIA AIDPI

A estratégia de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância – AIDPI foi desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde/Organização Pan-americana da Saúde (OMS/OPS) em conjunto com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) baseada em evidências científicas. Essa abordagem mudou o enfoque de controle de doenças individuais para uma abordagem nova e integrada do tratamento e da prevenção das doenças prevalentes na criança. A estratégia AIDPI aborda a criança em toda a sua complexidade. Para isso, usa-se uma estratégia padronizada, baseado em normas internacionais que tem como objetivos reduzir a mortalidade na infância e contribuir de maneira significativa com o crescimento e desenvolvimento saudável das crianças, em especial daquelas que vivem em países e regiões menos desenvolvidas.

É parte da estratégia de que as crianças estejam elas saudáveis ou doentes, devem ser consideradas dentro do contexto físico, social e psicoemocional no qual se desenvolvem. Ela enfatiza, portanto, a necessidade de se melhorarem tanto as práticas concernentes à família e à comunidade, quanto à atenção prestada através do sistema de saúde, buscando proporcionar às crianças a oportunidade de crescer e chegar a ser adultos saudáveis e produtivos.

As crianças ao serem levadas as unidades de saúde geralmente padecem de mais de uma condição, fazendo com que não seja apropriado apenas um diagnóstico. Em geral, essas crianças necessitam freqüentemente de uma atenção combinada para que se possa alcançar um bom êxito no tratamento. Uma estratégia integrada, portanto, tem de levar em conta a variedade existente de fatores que colocam em risco as crianças. Deve assim assegurar que se utilize a combinação apropriada de ações para tratar as principais doenças na infância, como acelerar o tratamento de urgência em crianças gravemente doentes; envolver os pais no cuidado efetivo da criança no lar – nos casos em que isso é possível; e enfatizar as medidas de prevenção, através das imunizações, da melhoria da nutrição e do aleitamento materno exclusivo.

Essa estratégia consiste em um conjunto de critérios simplificados para a avaliação, classificação e tratamento das crianças menores de cinco anos que procuram as unidades de saúde. Além disso, é um somatório de ações preventivas e curativas, pois contempla ainda o monitoramento do crescimento e a recuperação nutricional, incentivo ao aleitamento materno e a imunização, sendo fundamental para a melhoria das condições de saúde das crianças. Ela busca acelerar a redução da mortalidade na infância, a freqüência e gravidade das doenças e as incapacidades resultantes, contribuindo para melhorar o crescimento e desenvolvimento de crianças menores de cinco anos. Além disso, busca melhorar as habilidades do profissional de saúde, a organização dos serviços de saúde e as práticas familiares e comunitárias relacionadas ao cuidado e saúde das crianças.

6ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE DA CRIANÇA BASEADA NA ESTRATÉGIA AIDPI

Essa proposta de atenção foi elaborada de acordo com os conceitos atuais da Medicina Baseada em Evidências, levando-se, portanto em consideração a sensibilidade e especificidade de sinais e sintomas, assim como a prevalência das afecções. O objetivo da estratégia não é, portanto, estabelecer um diagnóstico específico de uma determinada doença, mas identificar sinais clínicos baseados em sensibilidade e especificidade que permitam a avaliação, classificação adequada do quadro e fazer uma triagem rápida quanto a natureza da atenção requerida pela criança: referência urgente a um hospital, administrando-se os tratamentos prévios, tratamento ambulatorial ou orientação para cuidados e vigilância no domicílio.

As condutas de atenção integrada descrevem como tratar crianças doentes que chegam a unidade de saúde a nível primário, tanto para a primeira consulta como para uma consulta de retorno, quando se verificará se houve melhora ou não. Uma criança que retorna com problemas crônicos ou que é acometida de doenças menos comuns, talvez necessite de atenção especial. Da mesma forma, a AIDPI não se destina ao tratamento de traumas ou outras emergências graves decorrentes de acidentes ou ferimentos, assim como não inclui o tratamento de outras doenças da infância. Nesses casos, ou se a criança não responde às condutas de tratamento padronizado indicadas, apresenta um estado grave de desnutrição ou retorna repetidamente ao serviço de saúde, deve-se referi-la a um serviço de saúde de maior complexidade, onde poderá receber tratamento especializado.

Essa estratégia é apresentada em uma série de quadros que mostram a seqüência e a forma dos procedimentos a serem adotados pelos profissionais de saúde. Esses quadros foram elaborados para ajudar o profissional de saúde a atender as crianças de 0 a 5 anos de idade de forma correta e eficiente Esses passos são provavelmente parecidos com os que são utilizados atualmente para atender ás crianças, ainda que possam estar sistematizados de outros modos.

7ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE DA CRIANÇA BASEADA NA ESTRATÉGIA AIDPI

AVALIAR A CRIANÇAImplica a preparação de um histórico de saúde da criança, mediante perguntas adequadas e um exame físico.

CLASSIFICAR A DOENÇASignifica determinar a gravidade da doença; será selecionada uma categoria ou classificação para cada um dos sinais e sintomas principais que indiquem a gravidade da doença. As classificações são categorias utilizadas para identificar o tratamento.

IDENTIFICAR O TRATAMENTOSignifica identificar o tratamento apropriado para cada classificação. Por exemplo, uma criança que tenha uma DOENÇA FEBRIL MUITO GRAVE, pode ter meningite, ou septicemia. Os tratamentos indicados para DOENÇA FEBRIL MUITO GRAVE são apropriados porque foram selecionados para cobrir as doenças mais importantes nessa classificação, não importando quais sejam.

TRATARSignifica proporcionar atendimento no serviço de saúde, incluindo a prescrição de medicamentos e outros tratamentos a serem dispensados para o domicilio, bem como as recomendações às mães para realizá-los bem.

Implica aconselhar ou orientar a mãe sobre às medidas de promoção, prevenção e ao retorno ao serviço de saúde.

CONSULTA DE RETORNONessa consulta, o médico pode ver se a criança está melhorando com o medicamento utilizado ou outro tratamento prescrito.

8ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE DA CRIANÇA BASEADA NA ESTRATÉGIA AIDPI

Resumo do processo de manejo integrado de casos Para todas as crianças doentes de 0 a 5 anos de idade que procuram a unidade de saúde

Avaliar a criança: Verificar se há sinais gerais de perigo (ou doença grave). Perguntar sobre os principais sintomas. Sendo o motivo da consulta um sintoma principal, perguntar os demais. Verificar o estado de nutrição e vacinação, e se tem outros problemas.

Classificar as doenças: Utilizar um sistema de classificação codificada por cores para os principais sinais/sintomas e seu estado de nutrição e amamentação.

Se é necessária e possível a Referência UrgenteSe não é Necessária ou Possível a Referência Urgente

Identificar o Tratamento Prévio à ReferênciaIdentificar o Tratamento necessário para a classificação da criança

Tratar a Criança: Administrar o tratamento urgen-te prévio à referência

Tratar a Criança: Se possível administrar a primeira dose de medicamento na unidade e ou aconselhar a mãe ou acompanhante.

Referência da Criança: Explicar a pessoa responsável da necessidade de referência. Tranqüilizar a mãe ou acompanhante e ajudar a resolver o problema. Escrever uma nota de referência. Dar instruções e suprimentos necessários para o trajeto ao hospital.

Aconselhar a Mãe: Avaliar a alimentação, incluída as práticas de amamentação e resolver problemas de alimentação, se existir. Aconselhar acerca da alimentação e dos líquidos durante a doença e quando retornar a unidade de saúde. Aconselhar a mãe a respeito de sua própria saúde.

Consulta de Seguimento: Atender a criança quando a mesma regressa a unidade e, se for necessário reavaliála para verificar se existem novos problemas.

9ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE DA CRIANÇA BASEADA NA ESTRATÉGIA AIDPI

O êxito do tratamento em casa depende da forma como você se comunica com a mãe da criança. Ela precisa saber como dar o tratamento. Também precisa compreender a importância do mesmo.

Faça-lhe perguntas sobre o tratamento da criança em casa. Elogie a mãe pelo que tem feito. Recomende-lhe como tratar a criança em casa. Verifique se a mãe compreendeu.

Quando ensinar à mãe como dar o tratamento em casa, siga três passos básicos:

Proporcione informação. Demonstre um exemplo. Deixe-a praticar.

Use palavras que ela consiga compreender. Use materiais auxiliares com os quais ela esteja familiarizada. Quando ela estiver praticando, elogie o que ela fizer bem feito e corrija os erros. Incentive à mãe a fazer perguntas. Responda-as.

Depois de ensinar à mãe é importante certificar-se que ela entendeu como administrar corretamente o tratamento. É importante para uma boa comunicação fazer boas perguntas de verificação.

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