A Educação Que Produz Saúde

A Educação Que Produz Saúde

(Parte 1 de 2)

O direito à saúde, afirmado na Declaração dos Direitos Humanos de 1948 e explicitado na Constituição Federal de 1988, define a saúde como direito de todos e dever do Estado, indicando os princípios e as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Esse direito fundamental do ser humano se torna realidade com a participação da população em suas conquistas e com o compromisso político do Ministério da Saúde: universalização, eqüidade, integralidade, resolutividade e controle social da política de saúde.

Saúde é qualidade de vida e, portanto, encontra-se vinculada aos direitos humanos, ao direito ao trabalho, à moradia, à educação, à alimentação e ao lazer. A escola é um espaço onde se constituem os cidadãos desses direitos, por meio de práticas realizadas por sujeitos sociais críticos e criativos, capazes de construir conhecimentos, relações e ações que fortalecem a participação das pessoas na busca de vidas mais saudáveis.

Na relação entre saúde e escola surge a possibilidade de construirmos juntos a "escola que produz saúde": uma proposta que envolva estudantes, trabalhadores da educação, comunidade escolar, órgãos governamentais de educação, gestores de sistemas de saúde e educação, movimentos sociais, associações, grupos, famílias e toda a população.

A publicação "A educação que produz saúde" visa a fortalecer os modos participativos, democráticos e públicos de pensar e fazer educação em saúde na escola. Seu objetivo é contribuir para que a comunidade escolar se sinta motivada a refletir sobre o significado de saúde e qualidade de vida e a discutir sobre as causas e possíveis soluções para os problemas existentes na escola e na comunidade.

Nesse sentido, os profissionais de educação são convidados a pensar a saúde na escola, das mais diferentes formas e significados, a partir do processo de construção coletiva dos Projetos Políticos Pedagógicos. Dessa forma, descobrir como o conhecimento e a cultura popular representam a saúde, a doença e os modos de cuidar é um processo que ganha sentido no dia-a-dia de cada pessoa e nas experiências coletivas da cidadania.

Humberto Costa Ministro da Saúde

saúde é tudo isso e muito mais

Que História é essa de saúde Na escola

No nosso País, a Lei Orgânica da Saúde (Lei n.º 8.080), do ano de 1990, define no artigo 3.º que a saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, dentre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais.

amos começar nossa conversa dizendo que a saúde está presente em todos os momentos da vida, nos quais somos capazes de pensar, sentir e assumir nossos atos e decisões. E não somente quando não sentimos os sinais e sintomas de doenças. É "um estado de bem-estar físico, social e mental", como diz a Organização Mundial da Saúde. Mas, será que esse estado existe mesmo? A primeira conclusão é que a saúde depende de muitas outras coisas.

Existem fatores que condicionam o estado de saúde das pessoas, tais como: - o nível de desenvolvimento social e econômico do País, estado e município;

- a infra-estrutura existente, as condições de saneamento básico, de moradia e de trabalho; - a subjetividade, a afetividade, a espiritualidade, a sexualidade, o gênero e a diversidade cultural; - a participação das pessoas nas decisões da comunidade;

- o grau de desigualdade de renda, entre outros.

A realidade é contraditória e apresenta problemas que no dia-a-dia contribuem para o aparecimento de condições que vão gerar a saúde ou a doença. Existem fatores que condicionam o estado de saúde das pessoas, a exemplo de: - aumento de agentes transmissores de doenças e alergias;

- alimentação inadequada que leva à desnutrição ou à obesidade;

1. Como compreendemos a saúde em nossa escola? 2. Que ações de saúde existem na nossa escola e como são desenvolvidas? 3. Como nossa escola pode ser espaço de produção de saúde? Por quê? 4. O que nossa escola poderá realizar para fortalecer ou se tornar um espaço de produção de saúde?

VAMOS CONVERSAR NO GRUPO: Pensando nossa prática

Uma outra realidade é possível

- falta de saneamento básico e formas de destruição do meio ambiente; - falta de proteção no trabalho;

- violência, discriminação, dominação, drogas e tantos outros problemas.

nidade, como técnicos, profissionais, empresários, artistasParticipando das ações de saúde

Percorrendo as diversas regiões do Brasil, podemos constatar que, cada vez mais, as escolas promovem ações educativas em saúde. No entanto, as ações desenvolvidas historicamente têm se centrado em um olhar biomédico, ou seja, pensamos saúde com um enfoque na doença ou na sua prevenção. Essa forma de pensar a saúde tem sido insuficiente para fazer da escola um espaço que produz saúde. Mas, sabemos que a promoção da saúde é tarefa de diferentes setores da sociedade e, assim, muito mais pessoas poderão se envolver nas ações de educação em saúde, ajudando a despertar para a discussão acerca da qualidade de vida das comunidades. Nesse sentido, os ministérios da Saúde e da Educação estão trabalhando numa proposta que visa a contribuir para a transformação da prática educativa em saúde na Educação Infantil, nos Ensinos Fundamental e Médio e na Educação de Jovens e Adultos. A escola pode, então, mobilizar as mães e os pais dos alunos, além de outras pessoas da comuna escola, elas descobrem que juntas são capazes de criar soluções e aos poucos melhorar a vida da sua comunidade. Para isso, é necessário promover um amplo diálogo com os diversos grupos, buscando a construção do conhecimento sobre a saúde. Esse processo de construção coletiva do conhecimento, por meio do diálogo, de troca de experiências e saberes, é muito importante. É o jeito de fazer as coisas...

1. Que experiências de mobilização e participação você pode relatar sobre a sua comunidade?

2. Na sua opinião, qual a importância de fazer as coisas de um jeito participativo?

3. Quais os instrumentos que a comunidade tem para fazer um planejamento e acompanhar as políticas públicas de saúde?

VAMOS CONVERSAR NO GRUPO: Pensando nossa prática

UMA Escola comprometida com a realidade

Ao incorporar o tema da saúde em seu projeto político-pedagógico, a escola passa a promover ações educativas em saúde que levam à reflexão sobre o que é ter uma vida saudável. É por meio dessa reflexão, a partir da realidade, que as pessoas vão descobrindo que é impossível falar de saúde sem pensar nas condições de moradia, de trabalho, na alimentação, na educação, nos serviços de saúde, no lazer, na forma como nos relacionamos com as pessoas, na forma como protegemos a natureza e o meio ambiente, na força da nossa organização, na decisão política, enfim, nas condições de vida da comunidade.

Em geral, nessa comunidade, existem diversos grupos e organizações sociais, tais como: clubes, sindicatos, associações de

As ações de saúde na escola que utilizam técnicas e métodos participativos aumentam a motivação dos professores, estudantes, pais e de toda a comunidade.

de que tem histórias, festas, manifestações religiosas,

A escola está situada em um bairro, numa comunidade rural, numa área indígena, em uma região geográfica, onde pode ser que tenha rios, córregos, esgotos a céu aberto, lixões. A escola está situada em uma comunidagrupos culturais, tem o saber popular, o que nós poderíamos chamar de um território vivo.

moradores, prefeitura, câmara legislativa, secretarias, conselhos distritais e municipais de saúde e de educação, lideranças comunitárias e movimentos sociais.

Deve existir também uma distribuição dos serviços: postos de saúde, hospitais, maternidades, escolas, coleta de lixo etc.

1. Como estamos vivendo? Dispomos de boas condições de moradia, trabalho e educação? Dispomos de saneamento básico? Temos transporte coletivo que atenda às nossas necessidades? Existe lugar para o lazer em nossa comunidade? De que se adoece e morre nesse território?

ra, lápis, revistas e cola. Vamos fazer uma colagem, desenhar, escreverConvidamos

2. Para ajudar a refletir sobre essas perguntas, sugerimos a elaboração de um mapa falante, que ajude a visualizar a realidade na qual estamos vivendo. Então, pegue tesouvocê e o grupo a mapear a realidade levando em conta os problemas de saúde e suas origens, os sujeitos sociais, as riquezas e as potencialidades da sua comunidade (use a folha central como exemplo para a construção do seu mapa).

3. Agora que nosso mapa está pronto, o que podemos dizer sobre ele? Ele nos ajuda a compreender melhor nossa realidade? Por quê?

4. O que essa realidade tem a ver com a saúde?

VAMOS CONVERSAR NO GRUPO: Pensando nossa prática

10 MA

O Pensar e Fazer Educação em Saúde

Uma das coisas mais importantes na ação educativa em saúde é o envolvimento de várias pessoas. A escola que interage com a comunidade tem maiores chances de encontrar soluções para os problemas. Às vezes é difícil mudar a prática, mas é importante sensibilizar as pessoas, pois, todos podem tra- zer contribuições.

O que motiva a participação, o ponto de partida, é a discussão coletiva dos problemas e das contradições existentes na realidade, como vimos no mapa falante do nosso território. Como cada problema puxa um tipo de solução, para cada solução devemos procurar os melhores caminhos, pois, além do compromisso individual, é importante mobilizar as diversas organizações presentes em nossa realidade.

Para fortalecer ou transformar a escola em um espaço de produção de saúde, precisamos de pessoas com experiência em diversas áreas do conhecimento. Além dos próprios profissionais de saúde, agentes de saúde, existem muitas raizeiras, parteiras, benzedeiras que exercem uma missão importante na saúde das populações. Existem conselheiros de saúde que participam dos conselhos de saúde.

Nesse processo educativo tem lugar para todas e todos. Diferentes profissionais podem ajudar na sensibilização das populações e na reflexão sobre nossa realidade.

Uma questão muito importante para refletirmos na escola é o Sistema Único de Saúde, o SUS. Ele surgiu como conquista da luta da população pelo direito à saúde, reconhecido na

Constituição de 1988. O SUS tem como princípios fundamentais a universalidade, a eqüidade e a integralidade, e como diretrizes a descentralização, a participação e o controle social. É na Constituição que está escrito que toda população tem direito à atenção de qualidade que seja capaz de resolver seus problemas de saúde de forma integral. Além disso, prevê a participação popular na formulação e no controle social das políticas de saúde.

1. Consideramos e respeitamos os saberes, as crenças, as histórias de vida das pessoas da nossa comunidade? Valorizamos suas contribuições para a melhoria da saúde das pessoas?

2. Reconhecemos a força, a capacidade e as possibilidades que cada pessoa tem para nos ajudar a mudar a realidade? Como promover ações conjuntas que reúnam pessoas e organizações sociais?

3. O que conhecemos sobre o SUS? Como podemos aprofundar esse tema em nossa escola?

4. Como nossa escola pode ter uma relação com o conselho de saúde e de que forma pode contribuir para fortalecer a participação popular no SUS?

VAMOS CONVERSAR NO GRUPO: Pensando nossa prática

(Parte 1 de 2)

Comentários