resenha do livro ginastica geral

resenha do livro ginastica geral

AYOUB, Eliana. Ginástica geral e educação física escolar. 2. Ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp. 2007. 141p.

Eliana Ayoub nasceu em Campinas (SP) em 1966 é doutora em educação física pela Faculdade de Educação Física da Universidade Federal de Campinas, tendo atuado como professora na educação infantil, ensino fundamental e médio durante nove anos. Atualmente é professora da Faculdade de Educação da UNICAMP e membro pesquisador do colégio Brasileiro de Ciências do Esporte.

conhecimentos a ser tratado pela educação física escolar

O livro Ginástica geral e educação física escolar é dividido em três capítulos e ao decorrer deles a autora demonstra a intenção de nos fazer refletir e desvelar o significado de ginástica geral bem como a diferença entre ginástica geral e ginástica de competição trazendo informações significativas sobre essa área tanto no Brasil com no mundo analisando e nos incentivando a fazer uma reflexão crítica sobre a trajetória da mesma na sociedade contemporânea, faz ainda uma aproximação da ginástica geral com o âmbito escolar ajudando-nos a reconhecê-la como um dos

Nos dois primeiros capítulos do livro Eliana Ayoub reflete sobre a origem e desenvolvimento da ginástica geral criticando a forma com que a mesma vem sendo desenvolvida na atualidade sintonizada com os esteriotipos do corpo, alimentando a ditadura do corpo ideal. Busca primeiramente uma definição de ginástica e com base em suas pesquisas e entrevistas deixa explícito a denominação de ginástica como “Arte ou ato de exercitar o corpo para fortificá-lo e dar-lhe agilidade” associando o exercício físico à nudez no sentido do livre, do neutro. Posteriormente enfatiza a ginástica sendo considerada científica, fruto das diversas formas de se pensar os exercícios físicos em países da Europa surgindo os métodos/ escolas de ginásticas ou movimento ginástico europeu e, como prática científica destaca seu caráter ordenativo, disciplinador. A autora ainda deixa claro que é a favor de uma ginástica que crie espaço para o componente lúdico, redescobrindo o prazer da linguagem corporal e não de uma ginástica que alimente a ditadura do corpo ideal trocando o ser humano – cultura por o ser humano – maquina em busca do corpo “perfeito”.

Assim a autora vai deixando claro sua intenção em enfatizar a ginástica geral fornecendo subsídios necessários para sua implantação tanto em academias como em clubes ou escolas apoiando-se nas suas pesquisas e abrindo novas janelas para essa área.

Uma pesquisa bastante enfatizada pela autora e de grande aceitação por parte de todos é a pesquisa feita com base na Federação Internacional de Ginástica(FIG) envolvendo professores, ginastas e presidentes abordando a denominação de ginástica geral citando seus objetivos com favorecer a saúde, a condição física e a interação social.Um aspecto citado por praticamente todos os entrevistados foi a concepção de ginástica sendo “para todos” e, segundo Carlos Alberto A. de Rezende (idealizador e organizador de festivais nacionais de ginástica) “o boom da ginástica é que nela não há restrições e que as pessoas ao são classificadas como melhores ou piores como na ginástica competitiva e sim em diferentes. De acordo com a FIG a ginástica geral “compreende a esfera da ginástica orientada para o lazer”. No Brasil a autora destaca as Ginastradas que são festivais de ginástica e dança organizada pela secretaria de esportes e turismo do estado de São Paulo, no qual acontece anualmente desde 1984, atentando para a importância desses festivais e projetando a imagem da ginástica geral na sociedade contemporânea salientando que a mesma abre um leque de possibilidades para a prática de atividade corporal, mas que ainda precisa conquistar sua identidade e superar os dogmas do conformismo e do culto ao corpo que a industria do lazer no campo das práticas corporais mos impõe.

Chegando à parte final do livro, precisamente no terceiro capítulo a autora nos situa o percurso da ginástica no interior da escola brasileira afirmando constituir um dos espaços mais significativos para o seu desenvolvimento e que era primordialmente utilizada como conteúdo da educação física escolar e a partir daí isso foi mudando e o esporte passou a ser o principal representante de educação física escolar, destacando ainda que a ginástica praticamente não existe no âmbito escolar. Como parte integrante do conjunto de conteúdos que leva a educação física a ginástica – caracteriza-se como um conhecimento de importância indiscutível e eu não pode simplesmente ser abandonado ou colocado em segundo plano n instituição escolar.

Eliana Ayoub enfatiza com segurança o papel de educação física escolar: o de proporcionar um conhecimento acerca dos diferentes temas de cultura corporal destaca ainda que, em suas pesquisas, percebeu notoriamente dificuldade de desenvolver a ginástica no ambiente escolar principalmente por oposição dos meninos que dizem que ginástica e coisa de menina e que querem mesmo é jogar bola, transformando assim ginástica em um esporte que poucos tem acesso.

Aprender ginástica geral na escola significa, portanto, estudar, vivenciar, conhecer, compreender, perceber, confrontar, interpretar, problematizar, compartilhar, apreender as inúmeras interpretações da ginástica para, com base nesse aprendizado, buscar novos significados e criar novas possibilidades de expressão gímnica. A ginástica traz consigo a possibilidade de realizarmos uma reconstrução da ginástica na educação física escolar numa perspectiva de “confronto” e síntese e, também, numa perspectiva lúdica, criativa e participativa.

Compete a nós, professores e professoras de educação física, sobretudo no contexto escolar, superar os equívocos do passado e do presente e imaginar uma ginástica contemporânea que privilegie a nossa dimensão humana, o que quer dizer o ser humano cultura e não o ser humano objeto.Uma ginástica que não esteja sintonizada com os esteriotipos de corpo presentes na atualidade, que não esteja interessada em alimentar a ditadura do corpo ideal.Em fim uma ginástica que crie espaço para o componente lúdico da cultura corporal, principalmente nas escolas, redescobrindo o prazer a inteireza e a técnica da linguagem corporal.Nas aulas de educação física escolar, a escolha do caminho metodológico torna-se crucial para que manifestações gimnicas contribuam positivamente à formação do aluno, e que não estejam tratadas apenas em sua dimensão técnico- industrial.

O livro tem por objetivo estimular discussões em torno da ginástica em âmbito escolar e oferecer subsídios aos estudantes universitários e pesquisadores, é necessário ter conhecimentos prévios para ser entendida, alem de diversas leituras e pesquisas quanto a conceitos e autores uma vez que as conclusões emergem de esclarecimentos e posições de diversos estudiosos. É de grande auxílio, principalmente aos graduandos e até mesmo graduados na área da Educação Física.

Thaíse de Sousa Barbosa

Graduando em Educação Física pela Universidade Federal do Piauí

. Teresina, 11de Novembro de 2009

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