os agravantes e o recrudescimento das dças re emergenciais nucleo 2

os agravantes e o recrudescimento das dças re emergenciais nucleo 2

(Parte 1 de 2)

DE ESTUDO 2

Colega enfermeiro

.1 Iniciamos o estudo dessa unidade esperando que você possa compreender a razão pela qual as doenças emergentes e (re) emergentes, em pleno século XXI, ainda representam sérios agravos à saúde pública no Brasil. Neste momento, iniciamos “nossa viagem histórica” conhecendo o desenvolvimento da assistência à saúde.

Para que você se posicione melhor, sobre esse tema, que julgamos importante, faremos esse “passeio”, visitando as diferentes instâncias onde se localizam os focos básicos de nosso estudo.

Você já sabe que a colonização do Brasil iniciou-se no ano de 1500 por aventureiros e pessoas que buscavam novas possibilidades para enriquecimento. Portugal, nosso colonizador, não tinha o menor interesse em implantar qualquer modelo de atenção à saúde da população. Suas premissas estavam direcionadas à exploração de todo e qualquer tipo de recurso que as novas terras pudessem oferecer para seu enriquecimento.

Como sabemos, o panorama da saúde nessa época era o seguinte: os índios que aqui viviam eram em sua maioria indivíduos saudáveis, e quando adoeciam eram assistidos pelos Pajés, que utilizavam plantas e ervas em seus rituais e na produção de remédios. A chegada dos colonizadores portugueses trouxe, em seus corpos e bagagens, as doenças que assolavam a Europa, disseminando entre a população indígena, principalmente, a varíola e o sarampo.

Com o tráfico de escravos, oriundos do continente africano, o problema agravou-se. A partir de 1559, os escravos vinham para o Brasil nos escuros calabouços dos navios negreiros acompanhados por doenças como a filariose e a febre amarela. Era como se o Brasil estivesse “importando caixinhas surpresas”.

Nessa época, modelos hospitalares semelhantes aos que existiam em Portugal foram criados pelos senhores para atender seus próprios interesses.

Atente para o fato: eles eram chamados de “homens bons”.

Curioso demais, não? Pense sobre isso e veja se essa forma é mesmo coisa do passado.

Você sabia que nos três primeiros séculos de colonização só existiam as enfermarias Jesuítas e, posteriormente, as Santas Casas de Misericórdia? Estas eram as únicas formas de assistência hospitalar.

Para maior proveito neste estudo, observe a linha do tempo na saúde do Brasil Colônia.

Destacamos a carência do profissional médico no Brasil Colônia e Brasil Império era enorme, uma vez que há relatos de que em 1789 só existiam quatro profissionais exercendo a profissão.

A inexistência de uma estrutura de assistência médica organizada fomentou a proliferação dos Boticários (farmacêuticos da época), que tinham como atividade manipular as fórmulas prescritas pelos médicos, mas acabavam fazendo e indicando suas próprias formulações.

Esse quadro se manteve até a chegada da Corte Portuguesa em 1808 e a implantação do Império Português em sua colônia de exploração.

E o nosso passeio histórico continua

Tratava de receber D. João VI e sua família, e por isso, a casa precisava ser minimamente organizada. Em relação à atenção à saúde, houve a necessidade de uma estrutura sanitária mínima para atender à demanda da Família Real em sua nova sede de governo - a cidade do Rio de Janeiro.

Tente visualizar-se nessa época: a situação era similar a ideia de sair de uma mansão e ir para uma oca.

Pode parecer jocoso, mas a vinda da família real representava deixar os palácios em Portugal e vir para o “inesperado” no Brasil. Portanto, tudo que pudesse ser realizado para “melhor acomodação” deveria ser feito.

Nesse sentido, o panorama da medicina no Brasil começou a ser modificado. “Então, pois!”

D. João VI trouxe em sua companhia renomados médicos portugueses formados pela Universidade de Coimbra. Em fevereiro de 1808, o príncipe regente assinou a Carta Régia que autorizava a criação da primeira escola de medicina no Brasil: a Escola de Anatomia e Cirurgia da

Bahia.

Em 5 de novembro de 1808, D. João VI autorizou a implantação da Escola de Anatomia, Cirurgia e Medicina do estado no Hospital Militar da Corte, a primeira escola de medicina do Rio de Janeiro. Esta ficava no morro do Castelo e foi instalada nas antigas acomodações do Colégio e Convento dos Jesuítas, expulsos do Brasil em 1759, sendo o terreno transferido para o Hospital Militar.

Ainda em 1808, foi criado também o cargo de Provedor Mor da

Saúde que tinha como atribuições o controle sanitário dos portos, a quarentena dos escravos e navios estrangeiros que aqui atracavam, além da higiene oral das pessoas. O cargo foi extinto em 1828 e então as Câmaras Municipais assumiram a responsabilidade da instalação das normas sanitárias e a fiscalização do comércio de medicamentos.

No ano de 1850, foi criada a Junta Central de Higiene Pública, com a incumbência de coordenar as Juntas Municipais para atuar contra a Febre Amarela. De 1881 até o final do século XIX, ocorreu a substituição das Juntas pela Inspetoria Geral de Saúde dos Portos, para controlar e bloquear a entrada de doentes no país.

Você já percebeu que esse passeio no tempo descreve uma história que nada tem de ingênua. Concorda? Então, recomendamos a leitura do artigo intitulado „Sobre a história da saúde pública: idéias e autores‟ que destaca um período histórico e mostra como se instaurou o projeto da medicina social brasileira.

Conforme dissemos anteriormente, a “casa” precisou ser arrumada. Além da organização no âmbito da saúde, iniciaram-se reformas de caráter emergencial no espaço urbano da cidade do Rio de Janeiro.

Os quarteirões centrais da cidade eram formados por ruelas congestionadas, onde se misturavam casas de cômodo, cortiços, fábricas, oficinas, hospedarias, residências, bancos, escritórios de grandes empresas, além do contingente flutuante de trabalhadores livres, escravos e imigrantes que estavam de “passagem” pela cidade. Tudo isto, em um local sem uma estrutura sanitária mínima e com coleta de lixo inadequada.

Dessa forma, caro aluno, o que esperar? Logicamente a presença de grandes epidemias nestes quarteirões!

Por conta disso tudo, o Rio de Janeiro apresentava um quadro sanitário caótico, pois doenças como a varíola, malária, febre amarela, tuberculose, hanseníase, tifo e peste assolavam a população.

Esta situação gerou problemas para a saúde coletiva e para o setor financeiro e comercial, uma vez que nenhum país estrangeiro queria atracar seus navios no porto do Rio de Janeiro, devido à situação sanitária da cidade.

E por que? Afinal, seria como colocar os pés em um campo minado. Você concorda?

No início do século X, o presidente da república Rodrigues

Alves concedeu plenos poderes a Pereira Passos, prefeito do Rio de Janeiro, e ao médico Oswaldo Cruz para executarem um projeto sanitário.

Foi realizada uma ampla reforma urbana com a demolição de prédios e cortiços, que foram substituídos por grandes avenidas, edifícios e jardins. Entretanto, o problema não foi solucionado! Milhares de pessoas pobres foram desalojadas e mudaram para a periferia e morros da cidade.

Essa é uma realidade ainda conhecida por nós, não é mesmo?

.2 Em 1902, destacamos um fato de grande importância: Oswaldo Cruz foi nomeado Diretor Geral do Departamento Federal de Saúde

Pública, com a missão de erradicar a febre amarela do Rio de Janeiro. Para isso, foi criada uma tropa denominada “Brigada Mata-Mosquito”, constituída por 1500 guardas sanitários, para combater o mosquito vetor da

doença. .1

Paralelamente, houve o início da campanha para extermínio da

Peste Bubônica, espalhando raticidas pela cidade e intensificando a coleta de lixo no espaço urbano.

Entretanto, a população estava confusa e descontente. A cidade havia sido transformada, jornais da oposição criticavam a ação do governo. As arbitrariedades cometidas geraram insatisfação e revolta entre as pessoas.

Além desses trabalhos de Oswaldo Cruz, destacamos o caso da varíola. Fique atento, pois esse fato gerou repercussões históricas de grande importância.

Com o intuito de erradicar a varíola, Oswaldo Cruz em 1904, com a aprovação do Congresso, reformulou o Código Sanitário e tornou a vacinação antivariólica obrigatória.

Essa conduta causou grande repercussão negativa na sociedade, pois a população já estava descontente com as ações do governo. A Lei da vacinação obrigatória autorizava as brigadas sanitárias, que agiam acompanhadas por policiais, a invadirem as casas e realizarem a vacinação à força. Os opositores a denominavam de “Código das Torturas”.

Tal descontentamento e a aprovação da Lei foram o estopim para a reação da população que, apoiada pela oposição, promoveu a Revolta da Vacina, em 10 de novembro de 1904.

Essa famosa revolta durou uma semana e nela milhares de pessoas saíram às ruas para protestar, enfrentando forças da polícia e do exército. Houve uma repressão violenta e o saldo, segundo os jornais da época, foi de 23 mortos, dezenas de feridos e quase mil presos.

Imagine esses números para época e localidade! Que desastre! Percebe o impacto das mudanças sanitárias?

Clique aqui, amplie seus conhecimentos sobre a Revolta da Vacina e reflita sobre isso!

As coisas não pararam por aí! Em 15 de novembro, ocorreu uma insurreição militar que tinha o interesse em depor o presidente Rodrigues Alves. Entretanto, a revolta foi contida e o presidente permaneceu no poder e manteve Oswaldo Cruz no cargo, que recuou na decisão da obrigatoriedade da vacinação.

(Parte 1 de 2)

Comentários