projeto para produção de cana-de-açucar

projeto para produção de cana-de-açucar

(Parte 1 de 6)

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS – UnUCET

INTRODUÇÃO À EXPLORAÇÃO DE CULTURAS 8°PERÍODO

Acadêmicos: Daniel Max Leonídio José Maria Moraes

Anápolis – GO MAIO/2010

Daniel Max Leonídio José Maria Moraes

Trabalho exigido à disciplina de Introdução à Exploração de Culturas do curso de Engenharia Agrícola sob a orientação do professor André Luiz.

INTRODUÇÃO4
BOTÂNICA E ORIGEM5
CARACTERÍSTICAS EDAFOCLIMÁTICAS5
MEMORIAL DESCRITIVO6
Localização:6
Clima:7
Considerações:7
ÉPOCA DE CULTIVO7
PREPARAÇÃO DO TERRENO7
PLANTIO9
PRODUÇÃO DE MUDAS1
CALAGEM A ADUBAÇÃO12
Fonte: Boletim Técnico 100 IAC, 199615
TRATOS CULTURAIS16
PRAGAS E DOENÇAS E SEU CONTROLE18
COLHEITA21

O Brasil é, há muito tempo, um grande e tradicional produtor de cana-deaçúcar. Essa matéria-prima permitiu ao País tornar-se o maior produtor e exportador mundial de açúcar e desenvolver o mais bem sucedido programa de produção e uso de biocombustíveis da atualidade.

A importância da cana de açúcar pode ser atribuída à sua múltipla utilização, podendo ser empregada in natura, sob a forma de forragem, para alimentação animal, ou como matéria prima para a fabricação de rapadura, melado, aguardente, açúcar e álcool.

Quase metade da produção mundial de cana-de-açúcar é assegurada atualmente por quatro nações das Américas: Brasil, Cuba, México, e EUA. Seguem-se pela importância de suas safras, países asiáticos como a Índia, a China e as Filipinas. No Brasil, depois de meados da década de 1970, a crise do petróleo tornou intensa a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, para utilização direta em motores a explosão (hidratado) ou em mistura com a gasolina (anidro). Desde então, o álcool combustível, saído de modernas destilarias que em muitos pontos do país substituíram os antigos engenhos, passou a absorver parte ponderável da matéria-prima antes destinada sobretudo à extração do açúcar.

É interessante lembrar que a Europa até 1976 era a principal importadora de açúcar. A partir de então, passou de importador a exportador, competindo no mercado externo com a produção de açúcar de beterraba com elevadíssimos subsídios e proteções ao seu mercado interno.

Elevados subsídios tem sido também proporcionados a produção de açúcar de milho (HFCS, frutose do milho) nos Estados Unidos. Outro produto que tem competido com o açúcar são os adoçantes sintéticos.

Hoje, a cana-de-açúcar é um dos principais produtos da agricultura brasileira e a principal fonte de energia de biomassa do País. O Brasil, é também o segundo maior produtor e o maior exportador de etanol do mundo, respondendo por cerca de 35% da produção mundial (F O LICHT, 2008). A safra de 2008/2009 destinada à produção sucroalcooleira (somente açúcar, etanol e eletricidade) foi de 572,64 milhões de toneladas de cana. São Paulo é o principal estado produtor de cana-de-açúcar – 58%, seguido por outros importantes estados produtores com Paraná, Minas Gerais e Alagoas.

Desde a implantação do Proálcool – Programa nacional de álcool, em 1975, o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a desenvolver um programa de combustível alternativo para uso em grande escala, em substituição à gasolina.

Também é importante ressaltar que o Proálcool revelou uma multiplicidade de benefícios muito além dos aspectos puramente econômicos. Uma série de transformações de caráter tecnológico, ambiental e social foram desencadeadas.

O consumo do álcool hidratado vem diminuindo bastante ao longo dos últimos anos. Já o álcool anidro, que é misturado à gasolina, tem aumentado seu consumo.

A legislação atual determina que 25% de álcool anidro seja misturado à gasolina. Entretanto este percentual tem sido alterado mediante medidas provisórias conforme interesse político do governo federal. Há propostas de se aumentar a mistura 3% de álcool anidro no diesel. Há também segmentos do setor que propõem a produção de um combustível único, isto é, gasolina com 3% de álcool anidro.

O etanol produzido a partir da cana-de-açúcar no Brasil é o biocombustível que tem o melhor balanço de energia: 9,3 unidades de energia renovável, na forma de etanol e energia elétrica, são geradas para cada unidade de energia fóssil utilizada em todo o seu ciclo produtivo. Além disso, é o mais eficiente em termos de emissões de gases de efeito estufa - GEE: reduz em até 90% os níveis de emissão quando utilizado em substituição à gasolina. Por isso, nos últimos 30 anos, o País evitou a emissão de 851 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera devido ao uso do etanol como substituto da gasolina.

A cana é pertencente à Classe: Monocotyledoneae; Família: Poaceae;

Gênero: Saccharum.

Originária do sudeste da Ásia, onde é cultivada desde épocas remotas, a exploração canavieira assentou-se, no início, sobre a espécie S. officinarum. O surgimento de várias doenças e de uma tecnologia mais avançada exigiram a criação de novas cultivares, as quais foram obtidas pelo cruzamento de S. officinarum com as outras quatro espécies do gênero (S. robustum, S. sinense, S. barberi e S. spontaneum), posteriormente, através de recruzamentos com as ascendentes.

Os trabalhos de melhoramento persistem até os dias atuais e conferem a todos os genótipos em cultivo uma mistura das cinco espécies originais e a existência de cultivares ou variedades híbridas.

Atualmente, existem numerosas variedades criadas pelos institutos de pesquisas e as cultivares em cultivo em todo o mundo são híbridos oriundos da mistura das 5 espécies acima descritas, portanto, o correto será referia a nomenclatura taxonômica com Saccharum ssp. A escolha da variedade é indicada pelas características do lugar de plantio. Sem esses cuidados a produção poderá não ser a esperada.

A cana-de-açúcar é cultivada numa extensa área territorial, compreendida entre os paralelos 35º de latitude Norte e Sul do Equador, apresentando melhor comportamento nas regiões quentes. O clima ideal é aquele que apresenta duas estações distintas, uma quente e úmida, para proporcionar a germinação, perfilhamento e desenvolvimento vegetativo, seguido de outra fria e seca, para promover a maturação e conseqüente acumulo de sacarose nos colmos.

nordeste o plantio se faz de julho a novembro e a colheita de dezembro a maio

A diversidade de climas determina períodos de plantio e colheita distintos para as diversas regiões do Brasil. Em São Paulo, de modo geral, planta-se de outubro a março e colhe-se de maio a outubro; enquanto no

A cana-de-açúcar exige calor e umidade. Sem essas condições não produzirá bem. A melhor temperatura para a cana é de 25 a 35°C. Abaixo de

20°C o crescimento é muito lento. Acima de 35°C também é lento, e além de 38°C é nulo. A faixa ideal de temperatura para a maturação é de 10° a 20° C. A ausência de chuvas, o corte da irrigação e a deficiência de nitrogênio no solo também são imprescindíveis para a maturação. Com relação à luz, a cana não responde a variação de fotoperíodo.

Solos profundos, pesados, bem estruturados, férteis e com boa capacidade de retenção são os ideais para a cana-de-açúcar que, devido à sua rusticidade, se desenvolve satisfatoriamente em solos arenosos e menos férteis, como os de cerrado. Solos rasos, isto é, com camada impermeável superficial ou mal drenados, não devem ser indicados para a cana-de-açúcar.

Para a formação dos canaviais são preferíveis os solos aluvionais, localizados nas baixadas, planos, profundos, porosos e férteis. Solos ácidos ou salinos não servem. É preciso fazer a análise e a correção do solo quando isso for necessário. Segundo a Emater-PA, a cana se desenvolve bem em solos de pH 5,5 a 6,5 e exige correção em caso dos solos mais ácidos. A preparação do terreno é um dos suportes básicos para um bom rendimento da cultura de cana.

Para trabalhar com segurança em culturas semi-mecanizadas, que constituem a maioria das nossas explorações, a declividade máxima deverá estar em torno de 12%; declividade acima desse limite apresentam restrições às práticas mecânicas.

Para culturas mecanizadas, com adoção de colheitadeiras automotrizes, o limite máximo de declividade cai para 8 a 10%.

Quanto à umidade do solo, um suprimento adequado de água é essencial para o crescimento da cana. As necessidades hídricas da cana-deaçúcar vão de 1.0 a 1.500 milímetros anuais, que devem ser distribuídos de maneira uniforme durante o período de desenvolvimento vegetativo, conforme dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). Entretanto, estudos recentes têm mostrado que a quantidade de água necessária para a cultura atingir seu máximo potencial é em torno de 1.200 a 1.300 milímetros.

Localização:

O terreno que vai ser implantado o plantio está localizado no município, de Carmo do Rio Verde, GO (lat. 15° 17' 5'', long. 49° 47' 14'') tem declividade 7%, o que possibilita a utilização de colheita mecanizada, também é bem drenado, com solo firme, profundo, fértil, com boa capacidade de retenção, resistente à erosão e não esta sujeito à inundações. Está próximo ao rio uru, o que facilitará nos processos de irrigação e também está próximo à GO 154, e a 2.7km da usina CRV INDUSTRIAL LTDA, o que facilitará o escoamento da produção.

O bioma característico da região é o cerrado com clima divido em duas estações bem definidas duas estações, uma quente e úmida, e outra fria e seca. Com isso é preciso lançar mão de mecanismos utilizados na irrigação, para suprir a necessidade hídrica da planta na época necessária.

Considerações:

As máquinas e as mudas utilizadas serão fornecidas pela usina, mediante contrato.

A produção esperada de acordo com a variedade escolhida é aproximadamente 125 toneladas/ha no primeiro corte.

O Centro – Sul e o Nordeste se destaca como as regiões brasileiras maiores produtoras de cana. Na primeira região predomina o cultivo da cana de ano e meio, visando o setor sucroalcooleiro, sendo o plantio em jan/fev/mar/abril. Neste caso, o ciclo da cultura se dá em 16 a 18 meses. Nesta região existe ainda, o cultivo da cana de ano, com o plantio e outubro/novembro e o ciclo fechando entre 12 a 14 meses ou as vezes menos, e que é produzida visando a produção de forragem e cana para produção de cachaça. Por outro lado, no nordeste o plantio se concentra nos meses chuvosos, ou seja, junho a setembro, sendo o ciclo também de 12 meses.

O cultivo a ser utilizado no terreno será o de ano e meio.

Sistema de ano-e-meio (cana de 18 meses): A cana-de-açúcar é plantada entre os meses de janeiro e abril. Nos primeiros três meses, a planta inicia seu desenvolvimento e, com a chegada da seca e do inverno, o crescimento passa a ser muito lento durante cinco meses (abril a agosto), vegetando nos sete meses subseqüentes (setembro a abril), para, então, amadurecer nos meses seguintes, até completar 16 a 18 meses. Este período (janeiro a março) é considerado ideal para o plantio da cana-de-açúcar, pois apresenta boas condições de temperatura e umidade, garantindo o desenvolvimento das gemas. Essa condição possibilita a brotação rápida, reduzindo a incidência de doenças nos toletes.

Primeiramente deve ser feito um levantamento topográfico, com o objetivo de identificar os volumes das áreas a serem trabalhadas, delimitando áreas proibitivas de plantio, vias de acesso, terraços, carreadores, canais de vinhaça e perímetros urbanos.

Será utilizado no preparo do solo, motoniveladora, pá-mecânica, trator de esteira, trator subsolador, trator grade, trator com carroça e trator de herbicida.

Após isso faz-se uma sistematização da área onde são realizados os trabalhos de regularização da superfície do terreno. Após essa operação são locados os terraços, carreadores e vias de acesso. Nessa mesma fase se executa abertura das vias de acessos principais.

Após a sistematização faz-se uma aplicação de corretivos e torta de filtro – calcário, gesso, fosfato (descritos adiante) – a lanço em área total, com aplicador tipo prato rotativo.

Nas calhas dos terraços ou onde houver movimentação de terra (corte) é efetuada uma aplicação de torta de filtro em área total com a carreta aplicadora. A seguir esse corretivos são parcialmente incorporados por meio de uma gradeação.

Na seqüência efetua-se a eliminação da cobertura vegetal, realizada com o erradicador de touceiras, quimicamente ou com grade, conforme época de plantio, ocorrência de plantas daninhas perenes ou pragas de solo.

E então vem o preparo do solo, onde, tendo a cana-de-açúcar um sistema radicular profundo, um ciclo vegetativo econômico de quatro anos e meio ou mais e uma intensa mecanização que se processa durante esse longo tempo de permanência da cultura no terreno, o preparo do solo deve ser profundo e esmerado.

No preparo do solo, temos de considerar duas situações distintas: - a cana vai ser implantada pela primeira vez;

- o terreno já se encontra ocupado com cana.

O caso a ser considerado será o primeiro onde, faz-se uma aração profunda, com bastante antecedência do plantio, visando à destruição, incorporação e decomposição dos restos culturais existentes, seguida de gradagem, com o objetivo de completar a primeira operação. Em solos argilosos é normal a existência de uma camada impermeável, a qual pode ser detectada através de trincheiras abertas no perfil do solo, ou pelo penetrômetro.

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