Recorte histórico de Santa Maria - estudo através da paleografia

Recorte histórico de Santa Maria - estudo através da paleografia

(Parte 1 de 6)

Análise paleográfica de documentos preservados no Arquivo da Câmara Municipal de Vereadores de Santa Maria

ENEIDA IZABEL SCHIRMER RICHTER JARA REJANE PEREIRA DA SILVA SÔNIA ELISABETE CONSTANTE FRANCISCO FAJARDO ALUNOS DO 5º SEMESTRE DA DISCIPLINA DE PALEOGRAFIA 2010 - UFSM

Análise paleográfica de documentos preservados no Arquivo da Câmara Municipal de Vereadores de Santa Maria

Universidade Federal de Santa Maria 2010

REITOR Prof. Felipe Müler

DIRETOR DO CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS Prof. Rogério Ferrer Koff

CHEFE DO DEPARTAMENTO DE DOCUMENTAÇÃO Profª Denise Molon Castanho

COORDENADOR DO CURSO DE ARQUIVOLOGIA Prof. Daniel Flores

Equipe: Coordenadora - Eneida Izabel Schirmer Richter

Assessores externos - Francisco Fajardo Jara Rejane Pereira da Silva

Colaboradora - Sônia Elisabete Constante

Transcrição e análise paleográfica - alunos do 5º semestre da disciplina de paleografia 2010 (UFSM)

Diagramação e capa - Diego da Silva Oliveira Silvana Aparecida de Sousa

Dedicamos a todos aqueles que, com seu interesse e sua perseverança, contribuem para que a memória de Santa Maria não se perca no tempo.

Ao Arquivo Geral da Câmara Municipal de Santa Maria. Ao Curso de Arquivologia da UFSM.

5 TRANSCRIÇÃO E ANÁLISE PALEOGRÁFICA15
5.2 Ofício de 3 maio 188019
5.3 Ofício de 30 jan. 18??24
5.4 Divisão da Paróquia de Santa Maria em secções eleitorais em 10 set. 188829

INTRODUÇÃO _ 7 2 CONSIDERAÇÕES INICIAIS _ 9 3 REFERENCIAL TEÓRICO _1 4 METODOLOGIA _ 13 5.1 Ata de 17 jul. 1869 _ 15 5.5 Justificativa de ausência de 07 fev. 1891 _ 3 5.6 Ata de 24 ago. 1891 _ 36 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ________________________________________42

O texto versa sobre documentos da segunda metade do século XIX referentes a Santa

Maria que estão preservados no Arquivo Geral da Câmara Municipal de Vereadores de Santa Maria.

A realização da análise paleográfica é uma tarefa final do estudo documental que requer muita observação por parte do paleógrafo. Após a descrição do documento nos seus aspectos gráficos, materiais e complementares, faz-se o resumo do conteúdo, com a data tópica e cronológica, salientando a cota de localização, e a instituição arquivística aonde o documento esta preservado.

Os aspectos gráficos relacionam-se com a escrita. São os seguintes itens a serem estudados: (a) o tipo de letra com suas variações; (b) o ductus, que é o traçado da letra feita pelo escrevente; (c) o ângulo da escrita, se é destrógira, sinistrógira, perpendicular, sendo que o instrumento para escrever e o suporte também têm influência; (d) módulo, se a letra é pequena, grande ou e tamanho mediano; (e) peso da letra varia conforme a “mão que escreve”, havendo uma relação entre os traços grossos e finos, ou seja, nos traços descendentes e ascendentes; (f) uso de letras maiúsculas e minúsculas; (g) a distribuição das palavras nas frases, refere-se a união indevida ou ao seccionamento das mesmas; (h) disposição da acentuação e pontuação no texto.

A análise dos aspectos materiais refere-se ao suporte que foi usado para registrar a informação. Salienta-se: (a) a presença de filigramas, que é a marca do fabricante do papel; muitas vezes buscam-se anotações de heráldica; (b) o instrumento utilizado para escrever ; (c) a dimensão da caixa de texto, primeiro horizontal e depois vertical, e do papel, em milímetros; (d) o estado de conservação é uma observação as vezes subjetiva; (e) a forma como o documento se apresenta, se é em unidade documental, em livro de registro ou em volume encadernado.

Os aspectos complementares referem-se: (a) data tópica e data cronológica, portanto, data e local da criação do documento; (b) a relação autor e escrita, informando se o documento foi elaborado por uma pessoa (hológrafo) ou por mais de uma (heterógrafo). Geralmente, em documentos manuscritos, o texto é escrito pelo calígrafo (escrevente com boa letra) e assinado apenas pelo autor intelectual; (c) é importante ressaltar se o documento é original ou cópia, e o tipo de cópia, voltando o estudo à Diplomática. “Todos podem dar pistas acerca del processo através del cual se deja Constancia de um hecho social”.(Parra, 2005, p. 7), pois a produção de fontes escritas implicam na necessidade de registrar fatos através da escrita.

A apresentação do documento será examinada no que concerne às margens, interlinhas, movimentos da mão em relação á linha de base (se o movimento é ascendente, descendente ou ondulado), engrossamento das letras, o apoio do instrumento escritor (forte, leve, constante, desigual), a ortografia.

“A base da análise gráfica é o exame do ductus e este exame tem uma importância capital” (Mirot, 1982). Observam-se as maiúsculas e minúsculas em seus aspectos de destaque, sem negligenciar o final das letras.

A redação do relatório, diz Mirot (1982) será claro e preciso, com terminologia uniforme e compreensível. Muito esclarecedores serão desenhos reproduzindo letras em questão.

Recorte Histórico de Santa Maria: Estudo através da paleografia 8

2 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A paleografia é uma ciência de grande importância para o conhecimento da história da humanidade, pois ao realizar o estudo das escritas antigas, ela auxilia no desvendar dos enigmas do ser humano e da sociedade. Considerando sua importância este trabalho é uma forma de verificar como a história de Santa Maria foi construída, já que aborda a pesquisa nos documentos antigos encontrados na Câmara Municipal de Vereadores de Santa Maria, RS.

Para compreender os fatos históricos, visão de mundo e ações em uma determinada época, a paleografia é fundamental. Este estudo histórico de Santa Maria, através da análise paleográfica de documentos do período de 1860 a 1890, preservados no Arquivo da Câmara Municipal de Santa Maria são muito pertinentes aos estudos históricos. Em vista disso, e verificando que faltam estudos referentes aos documentos do Arquivo da Câmara Municipal de Santa Maria pensou-se na realização desta pesquisa. Além disso, essa será uma forma dos acadêmicos da disciplina de Paleografia (DCT 1012), do Curso de Arquivologia da UFSM, realizarem a prática dos estudos paleográficos.

A paleografia foi utilizada durante muito tempo como um instrumento para a compreensão de documentos antigos. Hoje é vista como uma fonte para o entendimento da história de uma sociedade. Em vista, disso será possível melhor compreender a história de Santa Maria, RS, através de uma análise paleográfica realizada em documentos da Câmara Municipal. É possível compreender melhor os documentos que tiveram uma análise paleográfica, assim como entender a história de uma comunidade através destes estudos.

O Objetivo Geral é realizar estudos sobre a análise paleográfica em documentos do

Arquivo Geral da Câmara Municipal de Vereadores de Santa Maria. Os objetivos específicos são:

a) Selecionar os documentos de acordo com os seguintes critérios: não exceder uma página; estar em bom estado de conservação; ser documentos interessantes para a história de Santa Maria; ter letra com traçado diversificado; b) Transcrever os documentos selecionados; c) Analisar os documentos de acordo com os aspectos gráficos, materiais e complementares; d) Contextualizar o documento na história local de Santa Maria.

Uma das atribuições da profissão de arquivista, descrita pela Lei nº 6.546, “refere-se ao desenvolvimento de estudos de documentos culturalmente importantes”. Em vista disso, este artigo demonstra sua importância por realizar atividades paleográficas em documentos da Câmara Municipal de Vereadores de Santa Maria, o que proporciona o contato com uma documentação de cunho histórico e relevante para a sociedade santa-mariense. Dessa forma, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), consegue aprimorar o desenvolvimento cultural no município, oportunizando a prática do estudo de análise paleográfica, a compreensão da história da região e sua contextualização. Através desse trabalho será possível a participação em eventos, proporcionando um conhecimento sobre a região de Santa Maria e a valorização dos documentos antigos.

Recorte Histórico de Santa Maria: Estudo através da paleografia 10

3 REFERENCIAL TEÓRICO

As escritas antigas representam uma fonte de conhecimento da história da humanidade. Tendo como objeto de estudo estas escritas, a Paleografia apresenta-se como uma importante ciência. De acordo com González e Sánchez (1999), seu nascimento ocorreu no século XVII, sendo empregado pela primeira vez o nome Paleografia pelo monge beneditino Bernard de Montfaucon. Nessa época iniciou o desenvolvimento da metodologia orientada para a leitura, transcrição, datação, identificação e classificação das escritas.

Franklin Leal e Richter (2003) explicam que a Paleografia estuda os caracteres externos do documento, sendo considerado documento paleográfico aquele que é antigo e manuscrito. Para isso, é necessário conhecer a tradição histórica do país em que foi produzido o documento, dessa forma é possível verificar a antiguidade histórica-documental.

O estudo das escritas antigas proporciona o conhecimento da história de um povo.

González e Sánchez (1999) indicam o século XIX e início do X, como o começo para o estudo da relação entre a escrita e a sociedade. Segundo os autores, foi o italiano Giorgio Cencetti quem propôs a ideia de que o objeto da Paleografia não poderia ser apenas a interpretação de documentos antigos, mas também o estudo dos elementos exteriores, o que levaria a um conhecimento amplo da história e cultura em geral.

Para a realização da análise paleográfica, Pietro (1999) propõe que seja construída uma ficha de identificação, onde constarão dados como data, resumo do conteúdo e localização do documento. Também é importante, como salienta o autor, realizar uma descrição das características materiais, como o material em que se encontra o documento, estado de conservação, forma, encadernação, entre outros.

Pietro (1999) observa que existem duas influências contrárias que as escritas podem seguir. A primeira é chamada por ele como “a da mão”, ou seja, o fato de que ao escrever uma pessoa pode simplificar traços para fazer de forma rápida seu trabalho. Já a segunda é chamada como “a do olho”, referente à regularização das transformações gráficas, o que facilita o reconhecimento dos traços por quem escreveu.

Durante a análise paleográfica alguns elementos precisam ser considerados. Segundo Pietro, primeiramente deve-se observar a morfologia, a forma das letras, assim como os sinais utilizados tanto para numeração como para pontuação. Uma questão relevante é verificar se o documento foi escrito por apenas uma pessoa ou mais. Dessa forma, é preciso considerar o “Ductus” que é a ordem dos traços; o “ângulo da escrita”, referente a posição do instrumento que foi utilizado durante a escrita; o “ângulo de inclinação”, que diz respeito ao formato das astes das letras direitas; o “módulo”, refere-se as dimensões da letra como altura e largura; o “peso” que é a relação entre traços grossos e finos das letras.

Recorte Histórico de Santa Maria: Estudo através da paleografia 12

4 METODOLOGIA

Para a realização do presente trabalho será utilizado como base o método indutivo comparativo, assim como o método analítico. Será indutivo, pois parte do específico para o geral, do individual para o total. Será comparativo por haver a comparação dos aspectos gráficos dos documentos e analítico, por referir-se aos aspectos gráficos, materiais e complementares, na análise paleográfica.

De acordo com Marconi e Lakatos (1991) no método indutivo realiza-se a observação dos fenômenos, havendo uma descoberta de relações e generalizações. Já o método comparativo busca realizar comparações entre os fenômenos ou objetos de estudo. O método analítico, por sua vez, faz um estudo e avaliação das informações encontradas visando explicar o contexto em que se encontra.

Para atingir os objetivos propostos primeiramente será realizada a seleção dos documentos na Câmara Municipal de Vereadores de Santa Maria. Posteriormente se fará a leitura da documentação, assim como sua transcrição. A análise documental ocorrerá de acordo com os princípios da análise paleográfica observando os aspectos materiais, gráficos e complementares. Por último será realizada a contextualização documental com a história do Município.

Inicialmente, os grupos elegeram um documento para ser estudado de acordo com a análise paleográfica, dando um recorte na história de Santa Maria. Na seqüência foi feita a transcrição de acordo com as Normas para Transcrição de Documentos Manuscritos (I Encontro Nacional de Paleografia. São Paulo, 16 e 17 de setembro de 1993). Partiu-se para a análise dos aspectos gráficos, materiais e complementares. Elaborou-se o resumo do documento escolhido e procedeu-se ao comentário de cada peça documental, com base em bibliografia concernente ao tema tratado nos documentos. Esses foram digitalizados e finalmente foi criado, por cada grupo, um título para cada documento.

A análise dos aspectos materiais refere-se ao suporte que foi usado para o registro da informação. Salienta-se (a) a presença de filigramas, que é a marca do fabricante do papel, muitas vezes buscam-se anotações de heráldica, (b) o instrumento utilizado para escrever; (c) a dimensão da caixa do texto e do papel, em milímetros; (d) o estado de conservação é uma observação às vezes, subjetiva; (e) a forma como o documento se apresenta, se é em unidade documental, em livro de registro ou em volume encadernado. Todos os documentos integram os volumes de documentos.

(Parte 1 de 6)

Comentários