Epidemiologia

Epidemiologia

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Em geral escolhe-se pacientes admitidos no mesmo hospital na mesma época, segundo alguns fatores de emparelhamento como idade, sexo, etc.

Vantagens: caso se tornassem casos, provavelmente iriam procurar o mesmo hospital e entrariam no estudo; são entrevistados na mesma situação que os casos; recusas são raras e a cooperação é boa e são logisticamente fáceis de se obter.

Controles populacionais: pessoas selecionadas das mesmas comunidades de onde se originaram os casos. Podem ser escolhidos por uma amostragem populacional representativa, ou às vezes recorrem-se aos bancos de dados de registro eleitoral, por exemplo.

Vantagens: não é necessário preocupar-se com a exclusão de diagnósticos associados à doença (a princípio a população é sadia); existem em maior número.

Pode-se obter um controle aleatoriamente na população, mas isso dificulta e encarece o estudo. Escolher um vizinho é uma alternativa mais fácil, mas pode ser uma desvantagem se quisermos estudar a influência socioeconômica, já que elas serão muito parecidas.

Um diabético obeso hospitalizado não serviria de controle para vários estudos que estudassem fatores envolvidos com estes males, mas se por sorteio chegamos numa casa com um obeso diabético ele pode ser usado, já que nesta situação ele representa a comunidade. Dentro do hospital ele está lá por ser doente.

1.5 PAREAMENTO

Parear significa alocar sujeitos semelhantes aos casos para comparação. Estes sujeitos são os controles e um par fica composto por: 1 caso + X controle(s). É a escolha de um ou mais controles por caso de forma a que possuam algumas características em comum com aquele determinado caso.

Pode ser natural (vizinhos, irmãos, amigos, cônjuges, etc.), ou artificial (segundo critérios do investigador).

Os controles existem para representar a população de onde saíram os casos.

Variáveis demográficas como idade e sexo são as mais usadas, mas outras como local de residência, de trabalho, renda e paridade da mãe também podem ser usadas. Cada estudo define que tipo de pareamento é o mais indicado.

As variáveis usadas devem ser aquelas mais provavelmente ligadas ao confundimento: o objetivo do pareamento é equalizar estas variáveis entre casos e controles, desfazendo a associação entre a variável de confundimento e a doença. Nem todas variáveis de confundimento devem ser pareadas.

As variáveis de emparelhamento devem estar associadas com a exposição e com a doença (causalmente ou não, e independentemente de sua associação com a exposição).

A principal razão para se parear é controlar os fatores de confusão e ao se iniciar um estudo pareado não se pode voltar atrás, e toda a análise deve ser feita levando em conta o pareamento. Entenda-se por fator de confusão aqui algo que esteja associado ao agravo, porém não é causal.

Uma observação que parece desnecessária, porém às vezes pode passar despercebida é a de que nunca podemos estudar o efeito do fator que pareamos, simplesmente porque se emparelhamos as pessoas por idade, por exemplo, a idade não pode ter efeito algum sobre nada, já que será a mesma para todos.

Quando emparelhar? Só vale a pena emparelhar quando o fator de emparelhamento estiver muito fortemente associado com a doença e a exposição (ex.: idade e sexo). Em caso de dúvida, não emparelhe e controle durante a análise.

são estudos que comparam pelo menos 2 grupos de indivíduos, quase sempre um grupo com a doença de interesse e outro sem a doença; partem do doente e não da população; analisam as diferenças entre as exposições sofridas pelo grupo controle e pelo grupo dos casos; são os mais indicados para estudar doenças raras; cada estudo pode analisar várias exposições, mas apenas um desfecho; não medem freqüência de doença; a definição dos casos e dos controles deve ser feita a priori e com riqueza de detalhes; parear significa escolher controles que sejam semelhantes aos casos em alguns aspectos e que sirvam de comparação; o pareamento serve principalmente para controlar os possíveis fatores de confusão de 1 ou mais variáveis, não podendo avaliar depois o efeito destas variáveis. No pareamento a variável pareada não pode ser estudada como exposição, pois é igual nos 2 grupos.;

Assunto:

• Estudos Ecológicos Professor:

• Marlos Rodrigues Domingues Objetivos:

• Definir os conceitos envolvidos em estudos ecológicos; • Caracterizar alguns tipos de variáveis utilizadas nestes estudos;

• Descrever o problema da Falácia ecológica.

Conteúdo:

• Estudos Ecológicos; • Vantagens e desvantagens dos estudos ecológicos;

• Variáveis utilizadas em estudos ecológicos;

• Falácia Ecológica.

Habilidades (o que se espera do aluno ao final do assunto):

• Compreensão da “linha de pensamento” dos estudos ecológicos; • Reconhecimento do problema da falácia ecológica;

• Reconhecimento de possíveis fontes de informação úteis para pesquisas deste tipo.

Leituras recomendadas:

Resumo: Stoneham M, Goldacre M, Seagroatt V, Gill L. AZEITE, DIETA E CANCRO COLO-RECTAL: UM ESTUDO ECOLÓGICO E UMA HIPÓTESE. J Epidemiol Community Health Outubro de 2000;54(10):756-760

Resumo: Steiner G. Cancer incidence rates and environmental factors: an ecological study. J Environ Pathol Toxicol Oncol 2002;21(3):205-12

☺ Artigo: Martins LC, Latorre MRO, Cardoso MRA et al. Air pollution and emergency room visits due to pneumonia and influenza in São Paulo, Brazil. Rev. Saúde Pública, Feb. 2002, vol.36, no.1, p.8-94. ISSN 0034-8910.

Esta unidade abordará os diferentes tipos de estudos epidemiológicos, mostrando suas características, vantagens, desvantagens e aplicabilidade de cada delineamento, estando apresentada na seguinte ordem:

Introdução; Transversal ou de prevalência (Cross-sectional); - Prof. Juraci Estudos de coorte (Cohort studies);

Tipos de coorte;

Estudos de casos e controles (Case-control studies);

Exemplos simplificados de caso-controle; Exemplo de erro num estudo de caso-controle; Definição dos casos; Definição dos controles; Pareamento;

Estudos ecológicos (Ecologic studies);

Falácia ecológica; Níveis de análise dos estudos ecológicos;

Ensaio clínico randomizado; - Prof. Zhang 1.7 Estudos híbridos. – Prof. Juraci

Nos Estudos Ecológicos a unidade de análise é a população, e não o indivíduo. Os dados são obtidos quase sempre como auxílio de fontes de informação governamental, de serviços de saúde, levantamentos censitários, etc.

Por exemplo, a altitude pode causar maior risco para infarto do miocárdio? Isto poderia ser medido comparando uma cidade com altitude e outra sem. No nível individual seria difícil, porque não existe heterogeneidade de exposição (ou seja, todo mundo que mora na cidade X está exposto a altitude, e todos que moram na cidade Y não estão expostos).

Estes estudos são importantes na sugestão de associações causais, como por exemplo: 20 anos após um aumento nas taxas de tabagismo entre os homens houve um aumento na taxa de ca de pulmão. Semelhantemente, 20 anos após as mulheres começarem a fumar em larga escala, a taxa de ca de pulmão entre elas subiu rapidamente. Este efeito causal no entanto só pode ser confirmado através de estudos de caso-controle e de coorte.

Algumas vantagens:

• são baratos, rápidos e os únicos capazes de verificar o efeito de fatores ambientais sobre a saúde; • são muito úteis para gerar hipóteses.

Algumas desvantagens:

• não permitem que se tire uma conclusão causal, pois estão sujeitos à falácia ecológica - hipótese criada no nível populacional que não pode ser confirmada no nível individual (ex:);

• não são bons para testar hipóteses.

Os estudos ecológicos podem ser transversais ou longitudinais. Transversais: relacionam a freqüência de possíveis fatores de risco ou desfechos ocorrerem em determinada área geográfica.

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