eletroterapia completa

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(Parte 1 de 8)

Apostila do curso

I

Prof..:: Alberto Monteiro Peixoto w.albertomonteiro.com.br

Prof. Alberto Monteiro Peixoto Apostila do Curso de Eletroterapia Versão 1.0

INTRODUÇÃO1
1. TEMAS DE SEMINÁRIOS3
1.1 EFEITOS FÍSICOS E FISIOLÓGICOS DO CALOR E DO FRIO3
-Mecanismos de transferência de calor3
-Efeitos Fisiológicos4
1.2 TEORIA DA COMPORTA DA DOR E OS OPIÓIDES6
- Introdução7
- Teoria da Comporta7
- Via dos Opióides9
2. RECURSOS ELÉTRICOS1
2.1 RESPOSTA DOS NERVOS E MÚSCULOS AOS ESTÍMULOS ELÉTRICOS1
- Despolarização de uma fibra nervosa e de uma fibra muscular1
- Fatores que influenciam na força de contração de um músculo13
2.2 CARACTERÍSTICAS E PROPRIEDADES DAS CORRENTES ELÉTRICAS15
- Voltagem; Resistência; Capacitância e impedância15
2.3 OS ELETRODOS E SUAS PROPRIEDADES17
- Tipos17
- Propriedades (Tamanho, Distância e Posicionamento)19
2.4 CORRENTE GALVÂNICA21
- Eletrólise produzida pela corrente galvânica no tecido2
- Teoria de Cohen e a Osmose2
- Indicações da Corrente Galvânica23
2.5 CORRENTE FARÁDICA26
- Características da corrente26
- Indicações da corrente Farádica27
2.6 CORRENTES DIADNÂMICAS28
Características da Corrente28
Efeitos Fisiolóticos29
2.7 O ELETRODIAGNÓSTICO31
Introdução31
Lesões dos Nervos Periféricos31
Avaliação Eletroterápica32
2.8 O BIOFEEDBACK3
Introdução3
2.9 O F.E.S34
Introdução34
Características35
Indicação37
2.10 TENS38
Introdução38

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Tipos de TENS40
Método de Aplicação42
2.1 A CORRENTE INTERFERENCIAL4
Introdução4
Características4
Indicação46
2.12 A CORRENTE RUSSA47
Indicação terapêutica48
3. RECURSOS TÉRMICOS49
3.1 FORNO DE BIER50
Características50
Técnica de Aplicação51
Indicações51
Cuidados / Contra-indicações52
3.2 PARAFINA52
Características52
Limpesa da parafina53
3.3 INFRA-VERMELHO53
Definição53
Classificação54
Método de aplicação5
Indicação terapêutica5
Contra-Indicações56
3.4 ULTRA-VIOLETA56
Definição56
Classificação56
Fontes de Ultra-Violeta57
Determinação da dose adequada58

A eletroterapia embora esteja sendo bastante difundida junto com a fisioterapia, disciplina da qual faz parte, é uma área que já existe há muitos anos. Quero iniciar este capítulo com um trecho de uma carta do conhecido Benjamin Franklin:

“...Desde alguns anos, quando os jornais mencionaram numerosas curas realizadas na Itália e Alemanha, pela eletricidade, inúmeros paralíticos foram trazidos a mim de diferentes partes da Pensilvânia, e províncias vizinhas, para que fossem eletrificados, o que fiz a pedido destes. Meu método consistiu em colocar o paciente primeiramente em uma cadeira, sobre um assento elétrico, e testar um grande número de fortes faíscas em todas as partes do membro ou lado afetadas. Então, preenchi totalmente dois sextos de galões de vidro, cada um com cerca de três pés quadrados de superfície revestida, e apliquei choque unificado ao membro ou membros afetados, repetindo o estímulo geralmente três vezes ao dia. A primeira coisa observada foi um aumento imediato da sensação de aquecimento nos membros enfraquecidos que receberam o estímulo, e depois nos outros; e na manhã seguinte os pacientes geralmente relatavam que durante a noite passada tiveram uma sensação de formigamento na carne do membro paralítico; e puderam notar algumas vezes alguns pequenos pontos avermelhados, o que supunham ser devidos àquele formigamento. Os membros , também, estavam mais capazes para o movimento voluntário e pareciam receber força...”

Neste trecho da carta, escrita em 1757, fica bem visível como era rudimentar a aplicação dos recursos elétricos utilizados na época, além de mostrar que eram feitas de forma empíricas.

Embora tenha sido assim no começo, estas descobertas foram os primeiros passos para uma eletroterapia que hoje busca se fundamentar em experimentos científicos.

A eletroterapia atualmente abrange vários recursos utilizados na

Fisioterapia. Há quem a divida em: eletroterapia, termoterapia e fototerapia. A primeira é aquela em que funcionam os equipamentos que aplicam corrente elétrica no tecido através de eletrodos ( Tens, Corrente Russa, C. Galvânica etc.); na segunda funcionam os recursos que geram calor (Microondas, Ondas

Prof. Alberto Monteiro Peixoto Apostila do Curso de Eletroterapia Versão 1.0 curtas etc.) e na terceira os tipos de radiações eletromagnéticas visíveis ou não, como: Laser, Infra-vermelho, Ultra-violeta etc.

Esta apostila tem o objetivo de ser apenas um guia dos assuntos que precisam ser abordados e pesquisados exaustivamente na literatura para que se saiba como proceder diante dos vários recursos oferecido pela eletroterapia.

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3 1. TEMAS DE SEMINÁRIOS

1.1 Efeitos Físicos e Fisiológicos do Calor e do Frio

A produção de calor no organismo está diretamente ligada ao seu metabolismo. Quanto maior o metabolismo de um organismo, maior será a produção de calor. Esse calor pode ser medido em mais de uma unidade, no entanto, quando se trata de organismo, é comum utilizar a unidade Calorias. Num indivíduo normal, quando este está em repouso, seu metabolismo pode ser tão baixo que produza apenas 60 a 70 cal/hora. Num metabolismo alto, pode chegar a produzir 1000 ou 2000 Cal/hora.

Vários fatores podem influencia na quantidade de calor no organismo agindo diretamente no metabolismo: O exercício; hormônios; tipo de alimento consumido e a temperatura a que o organismo esteja submetido.

Este último é o foco deste assunto. Temos recursos como as Ondas-

Curtas e as Microondas que são capazes de alterar de forma direta a temperatura corporal, além de consequentemente aumentar o metabolismo das células.

-Mecanismos de transferência de calor

Consideramos quatro tipos de mecanismos de transferência:

Vaporização; Radiação; Convecção e Conduçao.

- Vaporização: esse método é subdividido em outros três: Ebulição, quando o líquido é aquecido a altas temperaturas e atinge sua temperatura de ebulição, passando do estado líquido para o gasoso. Calefação, quando o líquido entra em contato com uma chapa quente e muda rapidamente para o estado gasoso, neste caso a temperatura é menor que a da ebulição. Evaporação, este é um processo mais lento e com temperaturas mais baixas. É o que ocorre em nosso organismo através da pele e nas vias respiratória. - Radiação: Estamos nos referindo às radiações eletromagnéticas, de forma bem específica: aos raios infravermelhos. Esta é a principal forma de dissipação de calor que utilizamos; cerca de 60%. Embora o calor produzido pelo nosso organismo seja centrado principalmente no fígado, músculos, cérebro, coração; a pele é o principal e mais competente

Prof. Alberto Monteiro Peixoto Apostila do Curso de Eletroterapia Versão 1.0 veículo de troca de calor. Como alguns exemplos de recursos eletroterápicos, temos o infravermelho; as microondas e as ondascurtas. - Convecção: Caracterizada pela transferência de energia térmica através das partículas de determinado fluido. Há um deslocamento de partículas das regiões mais frias para as mais quentes e vice-versa. É o que ocorre numa sauna e no forno de Bier. - Condução: Esta forma de condução caracteriza-se pela presença de contato entre a fonte de calor e o corpo receptor. Os principais exemplos na eletroterapia são as compressas quentes e frias.

-Efeitos Fisiológicos

Tanto o calor quanto o frio, são bastante utilizados na Fisioterapia como recurso de tratamento. No entanto não é comum utilizar temperaturas abaixo de 0 oC, nem acima dos 45 oC, pois a utilização de temperaturas aos extremos pode ocasionar lesões irreversíveis. Temos como exemplo: As brotoejas, o edema, as cãibras, síncopes, exaustão, golpe térmico, queimaduras e outros. As três figuras abaixo mostram exemplos de algumas destas lesões.

Congelamento da bochecaLesão bolhosa Gangrena isquêmica

Comentaremos os efeitos fisiológicos do calor e do frio em relação aos seguintes pontos: sobre a dor; sobre o músculo; sobre a força; sobre a circulação; sobre o reparo tecidual e a extensibilidade do colágeno.

- Sobre a Dor O calor tem demonstrado ser bastante eficiente como recurso para alívio da dor, no entanto, nem todos os tipos de dor podem ser diminuídas com o uso do calor. A dor produzida por um espasmo muscular geralmente é aliviada pelo calor provavelmente porque o calor age sobre as fibras musculares provocando relaxamento muscular, diminuindo o espasmo e assim melhorando a circulação sangüínea que vai retirar os catabólitos formados pelo espasmo, os

Prof. Alberto Monteiro Peixoto Apostila do Curso de Eletroterapia Versão 1.0 quais são os responsáveis pela dor. Há pesquisas demonstrando também que o calor provoca analgesia devido ao aumento do limiar para a dor.

Em relação ao frio, fala-se que este retarda a condução dos nervos periféricos e que também produz o aumento do limiar da dor.

- Sobre o Músculo Devido ao fato do calor provocar aumento da elasticidade do colágeno, diminuição da viscosidade dos fluidos e relaxamento da musculatura, este tem uma ação muscular que pode ser usado como redutor de espasmo muscular. No entanto, é mais comum a aplicação do frio como recurso para diminuir o espasmo muscular. O problema é que nem sempre o frio é antiespasmódico, geralmente só é eficiente quando o espasmo foi originado depois da dor (um espasmo devido uma má postura geralmente não funciona; no caso de um espasmo a nível do trapézio devido um pinçamento de um nervo, é uma indicação). Como o frio é analgésico, vai haver a quebra do círculo dor-espasmo, ou seja, a ação do frio é uma ação indireta sobre o espasmo, pois age provocando o alívio da dor para diminuir o espasmo.

- Sobre a força De acordo com alguns estudos, o aumento da temperatura proporciona uma diminuição na força e na resistência muscular. Em relação ao frio, é descrito que este provoca um leve aumento da força e do tônus muscular, no entanto se esta musculatura for trabalhada intensamente após o resfriamento, devido à diminuição da irrigação sangüínea, esta fica mais vulnerável a lesões.

- Sobre a Circulação O calor tende a aumentar a circulação de determinada área devido a dois mecanismos: o primeiro é devido ao relaxamento da musculatura esquelética e dos vasos sangüíneos, isto faz com que a resistência diminua e o fluxo aumente. O outro mecanismo, segundo alguns autores, é devido ao fato do calor estimular a liberação de histamina e bradicininas, e de forma indireta, aumentar o fluxo sangüíneo. Estes resultados obtidos pelo calor é benéfico, no entanto, em alguns casos, como numa reação inflamatória aguda, haverá uma facilitação para a formação de edema.

O frio na sua maioria tem um efeito inverso ao provocado pelo calor. É por esse motivo que o frio é usado como mecanismo para impedir a formação de edema, já que ele aumenta a viscosidade do sangue e provoca vasoconstricção. Além disso diminui o fluxo sangüíneo na área aplicada.

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- Reação Inflamatória A ação do frio sobre a reação inflamatória é a de parar a reação. Sendo a reação inflamatória um mecanismo importante para o organismo, ele não deve ser parado e sim controlado, já que uma reação inflamatória intensa irá destruir tecido numa quantidade além do que seria necessário. Esse é um dos motivos de haver pausas durante a aplicação da crioterapia, ou seja, para permitir que a reação inflamatória ocorra, mas de forma controlada. Outro motivo da pausa é para evitar morte tecidual por hipoxia. Fica claro então que a ação do frio sobre a reação inflamatória é de controle. Isto ocorre devido a diminuição do metabolismo celular, e ao aumento da viscosidade dos tecidos, o que dificulta a diapedese.

O calor, devido ao fato de promover aumento do metabolismo, diminuição da viscosidade dos tecidos e vasodilatação, é um recurso que aumenta a reação inflamatória.

- Reparo Tecidual O calor promove um aumento na velocidade das reações químicas; desvia a curva de saturação do oxigênio para a direita; o que aumenta a quantidade de

O2 disponível para o tecido, aumenta o metabolismo celular, e tudo isto aumenta a velocidade do reparo tecidual. É evidente que estes fenômenos só ocorrem se o sistema circulatório adjacente à lesão estiver íntegro.

O frio não trás nenhum benefício ao reparo tecidual, pelo contrário, vai retardá-lo.

- Extensibilidade do Colágeno Tem-se encontrado na literatura que o colágeno torna-se mais extensível quando é aquecido. Isto tem uma aplicação direta sobre os alongamentos e as manipulações de cicatrizes ou aderências pós cirúrgicas. O frio tem mostrado efeito inverso.

Todos estes efeitos fisiológicos do calor estão fundamentados nos efeitos físicos: aumento da temperatura; expansão do material; mudança de estado físico; aceleração das reações químicas e redução da viscosidade dos fluidos.

1.2 Teoria da Comporta da dor e os Opióides

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- Introdução

Vamos falar de um dos mais importantes sintomas que acomete o ser humano: a dor. Poucas coisas são tão desagradáveis e tão importantes quanto a dor. Alias, este é o objetivo do organismo: a dor tem que ser muito desagradável, e é por isso que ela é fundamental.

A dor é uma sensação bem pessoal, ou seja, uma mesma intensidade de estímulo doloroso pode representar mais dor em uma pessoa do que em outra; isto ocorre porque a dor está relacionada a fatores religiosos, culturais, da própria sensibilidade do paciente etc.

A dor também tem uma característica interessante: através dela sabemos se está ocorrendo uma lesão aguda ou crônica, se a dor for respectivamente em pontada ou em queimação. Existem também outros tipos de dor como aquela presente em alguns pacientes com hipocondria e somatização.

Por fim, não vamos discutir todos os aspectos da dor. Quero dar ênfase a dois dos vários mecanismos de inibição da dor, já que serão a base para o entendimento de como alguns recursos eletroterápicos conseguem inibir a dor.

- Teoria da Comporta

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