Hsiou et al., 2009 - Colubroidea Ceará

Hsiou et al., 2009 - Colubroidea Ceará

Paleontologia 189

1Programa de Pós-Graduação em Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Seção de Paleontologia, Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Rua Dr. Salvador França, 1427, 90690-0, Porto Alegre, RS, Brasil. 2Bolsista de Doutorado CNPq.

3Bolsista CAPES. 4Museu de Pré-história de Itapipoca (MUPHI), Avenida Anastácio Braga, 349 - Centro - 62500-0, Itapipoca, CE, Brasil.

E-mail: clximenes@oi.com.br

Presença de Colubroidea (Squamata, Serpentes) no Quaternário da Província Espeleológica de Ubajara, Estado do Ceará

Annie Schmaltz Hsiou1,2, Paulo Victor de Oliveira1,3 & Celso Lira Ximenes4

No Quaternário do Brasil (Pleistoceno final-Holoceno) restos de serpentes Colubroidea foram previamente registradas para os abrigos ou cavernas dos estados da Bahia, Goiás, Minas Gerais e São Paulo, representados por três famílias: Colubridae, Viperidae e Elapidae. Em 1998 e 1999, durante um projeto de diagnóstico espeleológico e paleontológico do Parque Nacional de Ubajara, foram coletadas algumas vértebras de Colubridae e Viperidae em uma caverna calcária da Província Espeleológica de Ubajara, no noroeste do Estado do Ceará, representando novos registros fósseis de répteis para o Quaternário daquele estado. Este material está depositado na coleção de paleontologia do

Museu de Pré-História de Itapipoca (MUPHI), no Ceará. A região de Ubajara abriga o maior e mais importante complexo espeleológico do Ceará e sua importância deve-se ao elevado grau de evolução do carste, bem como por tratar-se de uma área potencialmente fossilífera ainda pouco explorada. Essa Província Espeleológica é composta por 9 morros calcários que comportam 14 cavernas conhecidas até o presente, sendo que 6 desses morros contendo 10 dessas cavidades estão dentro dos limites do Parque Nacional de Ubajara. A rocha calcária aflorante na região corresponde à Formação Frecheirinha, do

Grupo Ubajara, do Neoproterozóico da Bacia do Jaibaras. Essa formação apresenta um contato geológico discordante com a borda leste da Bacia do Parnaíba (Grupo Serra

Grande). O material de serpentes foi encontrado na Gruta do Urso Fóssil, localizada no Morro do Pendurado, dentro do parque nacional. A caverna possui 195 m de desenvolvimento e tem grande importância paleontológica, sendo a descoberta mais significativa em seu interior um crânio de Arctotherium brasiliense (Carnivora, Ursidae). O material de serpentes foi encontrado em dois pequenos condutos, denominados na topografia da gruta como salão dos blocos abatidos e antessala do urso. O depósito sedimentar neles inseridos é formado por acumulações alóctones, principalmente siliciclásticos, e autóctones, sendo estas compostas por um misto de fragmentos de rocha desprendidos do teto, sedimentos argilosos e precipitações químicas de CaCO³, oriundas da dissolução da rocha calcária, formando capas carbonáticas no solo da caverna, sobre os blocos calcários desmoronados e por vezes sobre peças esqueletais. Durante a triagem do material de paleovertebrados coletado na caverna, foram identificadas quatro vértebras dorsais médias de Colubridae indeterminados (MUPHI 2565, 2617, 2637 e 2639) e uma vértebra dorsal média de Viperidae, atribuída ao gênero Crotalus (MUPHI 2640). Com base na anatomia comparativa, os fósseis são atribuídos aos Colubroidea pela seguinte combinação de caracteres vertebrais: vértebras mais longas do que largas, de forma delicada; zigosfene delgada; processo espinhoso estreito e delgado; paradiapofises diferenciadas; foramina paracotilares geralmente presentes; e processo parazigapofiseal bem desenvolvido. A grande maioria dos táxons de Colubridae e Viperidae fósseis encontrados no Quaternário do Brasil, estão representados por formas atuais, sugerindo pouca mudança significativa na composição taxonômica na fauna de serpentes nesta época. Apoio: CNPq, Projeto Universal.

P a l o v e r t e b r o s

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