Hsiou & Ferigolo, 2005 - Sobre o registro fóssil Teiidae

Hsiou & Ferigolo, 2005 - Sobre o registro fóssil Teiidae

w. ufrgs.br/sbp
Ano 20, n. 49Janeiro, Fevereiro, Março, 2005

Boletim Informativo da Sociedade Brasileira de Paleontologia EDITORIAL

Caro sócio.

O Paleontologia em Destaque deste trimestre é dedicado à publicação dos resumos dos trabalhos apresentados durante a PALEO 2004, em reuniões organizadas em novembro e dezembro de 2004 em diversas regiões do país. São, ao todo, 125 resumos apresentados nas reuniões de Belém (região Norte), Recife (região Nordeste), São Carlos (Núcleo SBP/SP), Rio de Janeiro (Núcleo SBP/RJ-ES), Ouro Preto (MG), Taió (SC/PR) e Porto Alegre (RS). Agradecemos o empenho dos colegas Antonio Carlos Sequeira Fernandes (UFRJ/UERJ), Alcina M. Franca Barreto (UFPE), Itamar Ivo Leipnitz (UNISINOS), José Augusto de Almeida (UFPB), Maria Paula Delicio (UFOP), Maria Virgínia Urso Guimarães e Mônica Morraye (UFSCar), Marcelo A. Carvalho (UFRJ), Rita de Cássia Chavez (FACVEST, SC), Vera M.

Medina da Fonseca (Museu Nacional/RJ), Vladimir de Araújo Távora (UFPa) e Wagner Souza Lima (PETROBRAS/Fundação Phoenix, SE), pela organização do evento nas diferentes regiões. Nossos agradecimentos também às instituições que sediaram o evento: Museu Paleoarqueológico e Histórico Prefeito Bertoldo Jacobsen (SC/PR), Museu Nacional (RJ/ES), Universidade Fedral de Ouro Preto (MG), Universidade Federal do Pará (N), Universidade Federal de Pernambuco (NE), Universidade Federal de São Carlos (SP) e Universidade do Vale do Rio dos Sinos (RS). Agradecemos também aos colegas que atuaram como revisores científicos.

A participação de sócios e não sócios na Paleo 2004 superou nossas expectativa e demonstra o interesse crescente pelo conhecimento paleontológico em todo o país. Conforme decisão da maioria, o evento continuará sendo editado anualmente.

Os resumos foram agrupados em temas e ordenados de acordo com a complexidade do grupo orgânico estudado e/ou com sua idade. Nas circulares da Paleo 2004, foi amplamente informado à comunidade que somente seriam publicados os trabalhos efetivamente apresentados. Contudo, apesar do empenho de vários organizadores em informar-nos sobre esse aspecto, ainda ficaram dúvidas com relação a alguns trabalhos. Assim, na tentativa de não cometer qualquer injustiça por falta de informação, decidimos incluir todos os resumos apresentados. Pedimos desculpas àqueles que se empenharam em apresentar seu trabalho e agradecemos sua participação.

Outro aspecto a observar é que, apesar da divulgação de normas e de orientações quanto à confecção do resumo, ainda é grande o número de resumos recebidos com formatação diferente daquela solicitada e com incosistências ou não inclusão de referências de acordo com o recomendado. Isso dificulta e atrasa o trabalho de edição, e caracteriza, de certa forma, um descaso com o empenho dos organizadores e dos demais participantes. Mas, compartivamente aos anos anteriores, esse número vem diminuindo, e queremos contar com o esforço de todos para zerar essa estatística.

A você, sócio, que tem apoiado e difundido a Paleo entre seus alunos, estimulando sua participação, nosso muito obrigado. Boa leitura!

Paleontologia em Destaque

- Boletim da Sociedade Brasileira de Paleontologia no 49 -Página 57 –

Carolozittelia, e a partir dessa contribuição, é reconhecida também para Colombitherium. Assim sendo, os Pyrotheria mais antigos compartilham apomorfias dentárias com os Notoungulata. Schoch e Lucas (1985) [op. cit.] sugerem Pyrotheria como grupo-irmão de Xenungulata. Contudo, a única sinapomorfia que suporta essa relação, m1-2 bilofodontes, seria na verdade homoplasia. Pois, no m3 de Xenungulata o lófido distal é formado por uma crístida hipoconido/hipoconulido, e o entoconido é isolado. Portanto, corrobora-se aqui a proposta de Patterson (1977) [op. cit.] – os Pyrotheria devem ser incluídos em Notoungulata. [*Aluno de Doutorado do Programa de Pósgraduação em Ciência Biológicas (Zoologia), Museu Nacional/UFRJ; Bolsista CAPES]

ANNIE HSIOU* & JORGE FERIGOLO Museu de Ciências Naturais, FZB/RS, anniehsiou@hotmail.com

Esta família é hoje amplamente distribuída na América do Sul e América Central, com um único gênero na América do Norte. Os fósseis são da América do Norte, Ásia e América do Sul. Os dos dois primeiros continentes são mesozóicos, quase todos restritos ao Cretáceo superior, enquanto que os sul-americanos são todos cenozóicos. No Paleoceno, há Teiidae incertae sedis (Brasil); no Eoceno, Lumbrerasaurus (Argentina); no Mioceno Diasemosaurus (Argentina), Paradracaena (Colômbia) e Tupinambis (Argentina e Colômbia); no Plioceno, Callopistes e Tupinambis (Argentina); e no Pleistoceno, Ameiva (Brasil), Cnemidophorus (Brasil), Tupinambis (Argentina, Uruguai e Brasil), e Dicrodon (Equador). [*Bolsista PPGeociências/UFRGS/CNPq]

Colbertia lumbrerense DA FORMAÇÃO LUMBRERA (ARGENTINA) E SUA IMPORTÂNCIA PARA OS NOTOUNGULADOS DA BACIA DE SÃO JOSÉ DE ITABORAÍ, RIO DE JANEIRO, BRASIL (PALEOCENO)

LÍLIAN PAGLARELLI BERGQVIST & CAMILA PEDROZA DE SOUZA* Lab. Macrofósseis, Depto. Geologia, IGEO/UFRJ, RJ, bergqvist@geologia.ufrj.br cpedrozakai@yahoo.com.br

O fóssil de Colbertia lumbrerense encontrado na Formação Lumbrera (Subgrupo Santa Bárbara, Grupo Salta) localidade de Pampa Grande – Argentina (Paleoceno), foi descrito com base na morfologia crânio-dentária, não tendo nenhum estudo do esqueleto pós-crânio desse animal sido conduzido até o momento, apesar do mesmo ter sido encontrado associado. Assim sendo, este fóssil não estava completamente preparado, e o esqueleto póscraniano foi enviado ao Laboratório de Macrofósseis da UFRJ com este fim. A preparação constou de duas etapas, sendo usados tanto processos mecânicos quanto químicos: (i) remoção do espécime do siltito com a ajuda do motor de alta rotação e de agulhas de diâmetros maiores; e (i) remoção da laca (que estava envolvendo o fóssil) com acetona P.A. A partir de determinada etapa da preparação, foi necessário o uso do microscópio estereoscópio e de agulhas de diâmetros pequenos para a retirada de alguns sedimentos que cobriam estruturas anatômicas importantes. Apesar de não estarem completamente preparados, alguns ossos são facilmente reconhecidos: cinco vértebras (com apenas uma em bom estado de preservação), escápula direita e parte da esquerda, úmero direito, rádio direito, ulna direita, falanges da mão, pélvis, fêmures direito e esquerdo, tíbia direita, fíbula direita e parte da esquerda, calcâneo direito, astrágalo direito, tarsos e metatarsos direitos. A preparação e o estudo deste esqueleto são de grande importância para avaliação da proposta apresentada pela primeira autora, em sua tese de doutorado, referente à associação de alguns ossos isolados existentes na bacia de São José de Itaboraí com Colbertia magellanica. A comparação preliminar do esqueleto de C. lumbrerense tem revelado grande semelhança com os ossos associados a C. magellanica, principalmente o astrágalo, ratificando a reassociação proposta pela primeira autora. [*Bolsista FAPERJ-IVP]

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