04 - Alternativas Economicas Sustentáveis Agricultura Familiar - Sedam

04 - Alternativas Economicas Sustentáveis Agricultura Familiar - Sedam

(Parte 1 de 7)

Alternativas Econômicas

Sustentáveis para Agricultura Familiar

Apresentação 07

Diagnóstico Participativo: ferramenta de mobilização e organização comunitária09

Carlinda semeia projetos e colhe sustentabilidade11 Intercâmbio – Troca de experiências que favorece a todos14

Recuperação de pastagens – alternativa necessária 16

Nova Guarita recupera seu futuro 18

Apicultura: uma doce possibilidade 20

Em Vera o fogo sai para entrarem as flores 25

Viveiros e sementes: o começo da recuperação floresta 27

Cláudia – mata ciliar cultivada em viveiro 32

Sistemas Agroflorestais: produção de alimentos e restauração florestal 35

Água Boa: entre o novo e o tradicional na floresta 39

Rede BR163+Xingu Alternativas Econômicas Sustentáveis para Agricultura Familiar

Coordenador: Nilfo Wandscheer

Associados: Associação dos Parceleiros do Projeto de Assentamento Califórnia Associação dos Produtores rurais da Gleba Entre Rios Cooperagrepa - Cooperativa de Produtores Ecológicos do Portal da Amazônia EcoCachimbo - Instituto de Ecologia e Pesquiza do Complexo Serra do Cachimbo Gapa - Grupo Agroflorestal e Proteção Ambiental Instituto Centro de Vida Instituto Ouro Verde Instituto Socioambiental Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lucas do Rio Verde

Esta Rede faz parte da Campanha Y Ikatu Xingu w.yikatuxingu.org.br

Ficha técnica Alternativas Econômicas Sustentáveis para Agricultura Familiar

Pesquisa e redação Adriana Gomes Nascimento

Coordenação editorial Gisele Souza Neuls

Projeto gráfico e Editoração eletrônica Elenor Cecon Júnior - EGM Editora

Fotos As publicadas nas páginas 12, 14, 16, 18 e 19 foram cedidas pelo fotógrafo Rafael Castanheira. As demais fotos utilizadas nessa publicação foram cedidas pelos associados da Rede BR163+Xingu.

Apoio Subprograma de Projetos Demonstrativos do Ministério do Meio Ambiente

Edição Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lucas do Rio Verde Rua Girua, 1196e - Cidade Nova Lucas do Rio Verde – MT – CEP 78.455-0 http://strlrv.blogspot.com strlrv@inexamais.com.br (65) 3549 1819

Apresentação

Um modelo de agricultura: inclusivo, que respeita o ambiente e as populações e gera renda para as comunidades

A Rede BR163 + Xingu tem proporcionado aos agricultores e técnicos da região oportunidades de experiências muito ricas visando a produção da agricultura familiar casada com a conscientização e educação ambiental dessas pessoas. Tudo isso é possível graças ao trabalho de anos de estruturação e fortalecimento de entidades através da formação de representantes e lideranças. A articulação dessas entidades resultou na Rede BR163+Xingu, e a Rede também resultou em mais articulação.

O nome da Rede vem do debate que já existe há anos, entre as entidades do movimento social, sobre a participação social nas obras de infra-estrutura que devem acompanhar a pavimentação da BR- 163 no trecho Cuiabá – Santarém. Esse envolvimento se somou à Campanha Y Ikatu Xingu, abraçada por agricultores familiares, indígenas, poder público, organizações sociais e fazendeiros em direção ao objetivo comum que é a preservação das águas na bacia do Rio Xingu.

Com isso aconteceram intercâmbios de conhecimentos em manejo racional de pastagens, apicultura e restauração florestal. Todos estavam visitando experiências semelhantes às das suas comunidades, assim, de forma indireta estavam aprendendo sobre organização social e gestão participativa. O conhecimento, as metodologias, as técnicas foram construídas de forma participativa e, esta experiência serve de modelo para várias comunidades da região e até do Estado.

É importante que o Estado e financiadores olhem para esta experiência com carinho e usem este aprendizado no momento de construir o modelo de desenvolvimento que queremos. O STR, com esta cartilha pretende contribuir com um novo modelo de agricultura, inclusivo, respeitando o ambiente, as populações e gerando renda para as comunidades.

Acreditamos ter atingido nosso objetivo, mas o trabalho continua, há comunidades que não foram beneficiadas e as já contempladas serão inseridas num processo de fortalecimento da comercialização solidária envolvendo mais parceiros, setor público, terceiro setor e comércio. Boa leitura!

Nilfo Wandscheer - presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lucas do Rio Verde

Alternativas Econômicas para Agricultura FamiliarSustentáveis 07

Diagnóstico participativo: ferramenta de mobilização e organização comunitária oficinas

A mobilização e organização comunitária é a chave para mudar a tradição de soluções mágicas para as dificuldades da agricultura familiar que vêm de cima pra baixo. Uma comunidade bem organizada, que sabe o que quer e onde quer chegar, não será facilmente enganada por projetos milagrosos que resultam e grandes elefantes brancos.

Mas como se dá esse processo? Antes de pensar em como mudar uma realidade é preciso conhecer a comunidade, e mais: que a comunidade se conheça profundamente. Para isso, o diagnóstico participativo é uma das primeiras ferramentas de trabalho, tanto para técnicos quanto para as próprias lideranças das comunidades.

Os primeiros passos são visitas e entrevistas de campo, em que no contato com cada morador da comunidade abre caminho para compreender a dinâmica da comunidade. Nessas visitas é importante apresentar a proposta de trabalho, ouvir as pessoas envolvidas, perguntar o que elas precisam e o que querem mudar na sua comunidade. O Diagnóstico Participativo, que vamos abreviar como DP, deve envolver as pessoas da comunidade em todas as etapas do processo, desde a elaboração dos questionários ou roteiros de diagnósticos, até as entrevistas e análises dos dados. Este DP vai permitir saber com mais fidelidade e amplitude o que toda ou quase toda a comunidade anseia, ou seja, qual seu problema em comum.

Para poderem aplicar esse DP, os pesquisadores comunitários passam por que os ajudam a entender e manejar esse recurso, abordando aspectos como Liderança Comunitária; Comunicação e Técnicas de coletas de dados. Após a capacitação, os participantes apontam quais serão as pessoas que comporão um grupo que percorrerá a região coletando dados e problemas da comunidade para que se estabeleçam prioridades e se pense em soluções coletivas.

Mudança Cultural: objetivo maior dos projetos piloto da Campanha Y Ikatu Xingu

Aos nove projetos piloto da Rede BR-163 + Xingu, financiados pelo PDA-PADEQ, somam-se outros tantos, apoiados por outras fontes de financiamento, distribuídos por diversos municípios da região das cabeceiras do Rio Xingu e adjacências. Todos eles incluem componentes para a proteção e recuperação de nascentes e matas ciliares, e somam esforços para a concretização dos objetivos da Campanha Y Ikatu Xingu.

Esses projetos, por si só, são insuficientes para promover a recuperação de toda extensão de matas ciliares já degradadas na região. Porém, eles vêm desempenhando funções essenciais. Antes de mais nada, eles estão trazendo um aporte de mais de cinco milhões de reais, em três anos, para o conjunto desses municípios, aos cuidados das diversas organizações locais que são suas executoras.

Além disso, os projetos estão possibilitando a formação e fixação, na região, de técnicos especializados, que ajudam a desenvolver técnicas de baixo custo para restauração florestal, que permitirão aos produtores e administradores públicos interessados desenvolver tantas outras experiências similares que sejam necessárias e possíveis. Ajudam a agrupar importantes instituições locais em ações conjuntas, que podem compartilhar as suas experiências e enfrentar as suas dificuldades comuns. Por exemplo, já vêm possibilitando a constituição de um incipiente mercado local de sementes de espécies nativas, que eram antes consideradas inúteis, mas que agora estão sendo valorizadas, inclusive como um fator de geração de renda para os seus coletores.

Considerando que os projetos piloto, como é da sua essência, estão abertos à visitação e à aprendizagem de todos os interessados, inclusive o público escolar, e que os seus resultados, mesmo iniciais, vêm sendo divulgados e compartilhados amplamente, eles estão se transformando num verdadeiro elemento de transformação cultural para toda a população. E assim, a região vai encontrando o seu caminho e o seu lugar nesses tempos em que milhões de pessoas, em todo o mundo, buscam enfrentar os desafios que estão diante da nossa civilização, em busca da sustentabilidade e de um futuro melhor e mais sadio para as futuras gerações.

Márcio Santilli - Coordenador da Campanha Y Ikatu Xingu

Alternativas Econômicas para Agricultura Familiar

SustentáveisAlternativas Econômicas para Agricultura FamiliarSustentáveis 08 09

A partir desses dados coletados, a comunidade traça um mapa dos próprios problemas e começa a listar propostas de soluções. Nessa fase de discriminação de tarefas é importante não esquecer a questão de gênero para garantir que todos os aspectos de um mesmo problema possam ser lembrados e avaliados de forma geral.

Com a elaboração e análise do seu diagnóstico, a comunidade começa a ver problemas comuns e possibilidades de soluções coletivas – o que sem dúvida fortalece os laços comunitários. O objetivo do DP, além de funcionar como uma fotografia da comunidade, é fortalecer o grupo de tal forma que, a partir do conhecimento das ferramentas de organização e diagnóstico que aprenderam, no futuro encontrem seus próprios meios de, em conjunto, chegar a soluções viáveis para os problemas comuns a todos.

É comum que entidades como sindicatos e organizações não-governamentais darem a partida nesse processo, levando para a comunidade escolhida para determinado projeto o auxílio de técnicos e especialistas. E o papel dessas entidades deve ser facilitar o processo de organização e fortalecimento das comunidades Porém, o DP é uma ferramenta simples que a própria comunidade pode organizar e implementar.

Organizar um grupo gestor, um comitê que vai ser responsável por fazer o DP funcionar. O ideal é que esse comitê seja composto metade por homens e metade por mulheres, incluindo jovens.

(Parte 1 de 7)

Comentários