Gomes et al., 2009 - Tafonomia Testudines Acre

Gomes et al., 2009 - Tafonomia Testudines Acre

Paleontologia 185

¹Laboratório de Paleontologia, Centro Multidisciplinar, Universidade Federal do Acre (UFAC), Campus Floresta, Cruzeiro do Sul, Acre, Brasil. 2Bolsista PIBIC. 3Laboratório de Paleontologia, Universidade Federal do Pará (UFPA), Campus Altamira, Altamira, Pará, Brasil.

4Programa de Pós-graduação em Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Seção de Paleontologia, Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Rua Dr. Salvador França, 1427 - Jardim Botânico - 90690-0, Porto Alegre, RS, Brasil.

E-mails: julianapaleo@hotmail.com karen@pq.cnpq.br frnegri@ufpa.br nei.meco@gmail.com

Análise tafonômica de Testudines, Mioceno Superior do Alto Juruá, Acre

Janderson de Oliveira Gomes1, Juliana Souza Ferreira1,2, Karen Adami Rodrigues1, Francisco Ricardo Negri3, Annie Schmaltz Hsiou4 & Nei Ahrens Haag1

Recentemente, estudos na Formação Solimões e mais especificamente no Estado do Acre, possibilitaram o estabelecimento de novos modelos geológicos que estão proporcionando um melhor entendimento da paleontologia regional. Sobre os fósseis, os vertebrados têm sido os mais estudados, sendo eles atribuídos a idade Mioceno superior. A Bacia do Acre destaca-se por apresentar um rico registro fóssil que inclui uma alta diversidade de répteis, que inclui grandes crocodilomorfos e tartarugas. As espécies fósseis de tartarugas coletadas nesta região correspondem na sua maioria, aos aquáticos Podocnemididae e Chelidae, além da ocorrência dos terrestres Testudinidae. Chelídeos estão representados por duas espécies do gênero Chelus (C. lewisi e C. colombianus), além de restos indeterminados. Os Podocnemididae foram atribuídos a dois gêneros, Podocnemis (P. negrii) e Stupendemys (S. souzai e S. geographicus), com alguns registros adicionais, cujas atribuições taxonômicas ainda continuam incertas. Trabalhos de campo recentemente realizados no Alto Rio Juruá contribuíram com mais informações sobre a diversidade de espécies, bem como estudos sobre processos tafonômicos inéditos para os Testudines fósseis da Formação Solimões. A localidade fossílifera Fazenda Paraguá, descoberta durante a expedição de 2008, na Reserva Extrativista do Alto Juruá, registra uma diversificada paleofauna bem preservada. Esta localidade caracteriza-se pela presença de uma variedade de fósseis, entre eles, dentes de crocodilianos, fragmentos de ossos longos (in situ), fragmentos de cintura pélvica(?), placas de Gliptodontidae, Astrapotheria, dentes de Lepidosiren(?), mandíbula de Toxodontidae, Testudines (in situ) e troncos de vegetais rolados. O estudo tafonômico do material coletado, resultou na identificação de um evento inédito na região, pela presença de uma assembléia fossilífera encontrada no nível onde estão dispostos plastrão e carapaça, depositados em posição de linha de praia sob mesma orientação de soterramento, considerando-se conservação in situ. Os sedimentos aflorantes indicam uma associação de baixa energia, composta por argila verde a cinza-esverdeada, cujos sedimentos exibem finas laminações, que são atribuídas a um ambiente flúvio-lacustre-palustre. Os fósseis foram encontrados em ritimito síltico-argiloso, sugerindo que a morte ocorreu na planície de inundação adjacente a um canal fluvial. A desarticulação dos esqueletos indica que os mesmos sofreram pouco transporte antes de serem soterrados. Na análise tafonômica de Testudines, foram observadas a posição de soterramento, os sedimentos, o tipo de fossilização, a disposição dos indivíduos no paleoambiente e a fauna associada. Eventos de soterramento rápido de alta energia são explicados pela tafonomia devido a observação de inversão de concavidade de estruturas do esqueleto. Pela análise, os Testudines sofreram soterramento rápido, sendo preservados em posição de vida. No entanto, observa-se que durante o evento todos os indivíduos tiveram sua posição invertida, ou seja, carapaça

P a l o v e r t e b r o s

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