Atenção à Saúde do Adulto - Hipertensão e Diabetes

Atenção à Saúde do Adulto - Hipertensão e Diabetes

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1ª Edição SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MINAS GERAIS Belo Horizonte, 2006

GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Governador Aécio Neves da Cunha

SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MINAS GERAIS Secretário Marcelo Gouvêa Teixeira

SUPERINTENDÊNCIA DE ATENÇÃO À SAÚDE Superintendente Benedito Scaranci Fernandes

GERÊNCIA DE ATENÇÃO BÁSICA Gerente Maria Rizoneide Negreiros de Araújo

GERÊNCIA DE NORMALIZAÇÃO DE ATENÇÃO À SAÚDE Gerente Marco Antônio Bragança de Matos

COORDENADORIA DE ATENÇÃO À HIPERTENSÃO E DIABETES Coordenadora Vanessa Almeida

Aporte financeiro Este material foi produzido com recursos do Projeto de Expansão e Consolidação da Saúde da Família - PROESF

Projeto gráfico e editoração eletrônica Casa de Editoração e Arte Ltda.

Ilustração Mirella Spinelli

Produção, distribuição e informações Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais Rua Sapucaí, 429 – Floresta – Belo Horizonrte – MG – CEP 30150 050 Telefone (31) 3273.5100 – E-mail: secr.ses@saude.mg.gov.br Site: w.saude.mg.gov.br

MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção a saúde do adulto: hipertensão e diabetes. Belo Horizonte: SAS/MG, 2006. 198 p.

1. Saúde do idoso - Hipertensão. 2. Saúde da adulto - Diabetes. 3. Hipertensão e diabetes - Atenção à saúde do adulto. I.Título.

Vanessa Almeida Luciana Barroso Goulart Fernanda Silva Ribeiro Alcy Moreira dos Santos Pereira Ivone Mourão Guimarães da Fonseca

Robespierre da Costa Ribeiro Júnia Maria de Oliveira Cordeiro Sandhi Maria Barreto Valéria Maria de Azeredo Passos’

Fernanda Santos Pereira Maria de Fátima Castanheira Samari Aparecida Godinho Pintos

A situação da saúde, hoje, no Brasil e em Minas Gerais, é determinada por dois fatores importantes. A cada ano acrescentam-se 200 mil pessoas maiores de 60 anos à população brasileira, gerando uma demanda importante para o sistema de saúde (MS, 2005). Somando-se a isso, o cenário epidemiológico brasileiro mostra uma transição: as doenças infecciosas que respondiam por 46% das mortes em 1930, em 2003 foram responsáveis por apenas 5% da mortalidade, dando lugar às doenças cardiovasculares, aos cânceres e aos acidentes e à violência. À frente do grupo das dez principais causas da carga de doença no Brasil já estavam, em 1998, o diabete, a doença isquêmica do coração, a doença cérebro-vascular e o transtorno depressivo recorrente. Segundo a Organização Mundial de Saúde, até o ano de 2020, as condições crônicas serão responsáveis por 60% da carga global de doença nos países em desenvolvimento (OMS, 2002).

Este cenário preocupante impõe a necessidade de medidas inovadoras, que mudem a lógica atual de uma rede de serviços voltada ao atendimento do agudo para uma rede de atenção às condições crônicas.

Para responder a essa situação, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais estabeleceu como estratégia principal a implantação de redes de atenção à saúde em cada uma das 75 microrregiões do estado que permitam prestar uma assistência contínua à população. E a pré-condição para a eficácia e a eqüidade dessa rede é que o seu centro de coordenação seja a atenção primária.

O programa Saúde em Casa, em ato desde 2003, tendo como objetivo a melhoria da atenção primária, está construindo os alicerces para a rede de atenção à saúde: recuperação e ampliação das unidades básicas de saúde, distribuição de equipamentos, monitoramento através da certificação das equipes e avaliação da qualidade da assistência, da educação permanente para os profissionais e repasse de recursos mensais para cada equipe de saúde da família, além da ampliação da lista básica de medicamentos, dentro do programa Farmácia de Minas.

Como base para o desenvolvimento dessa estratégia, foram publicadas anteriormente as linhas-guias Atenção ao Pré-natal, Parto e Puerpério, Atenção à Saúde da Criança e Atenção Hospitalar ao Neonato, e, agora, apresentamos as linhas-guias Atenção à Saúde do Adolescente, Atenção à Saúde do Adulto (Hipertensão e Diabete, Tuberculose, Hanseníase e Hiv/aids), Atenção à Saúde do Idoso, Atenção em Saúde Mental e Atenção em Saúde Bucal e os manuais da Atenção Primária à Saúde e Prontuário da Família. Esse conjunto de diretrizes indicará a direção para a reorganização dos serviços e da construção da rede integrada.

Esperamos, assim, dar mais um passo na consolidação do SUS em Minas Gerais, melhorando as condições de saúde e de vida da nossa população.

Dr. Marcelo Gouvêa Teixeira Secretário de Saúde do Estado de Minas Geraiss

Ao término desta etapa, procuramos agradecer às pessoas que foram importantíssimas no processo de construção das linhas-guias. O trabalho destes técnicos, iniciado há vários anos, tem um reflexo direto neste produto final, que, sem a presença deles, ficaria inviável de ser realizado.

Fica aqui a enorme consideração aos técnicos Alcy

Moreira dos Santos Pereira e Ivone Guimarães Mourão da Fonseca, pela dedicação de vida aos pacientes do SUS.

Acredito que, por mais desses exemplos, iremos construir o SUS que tanto queremos!

Enfim, agradecer a todos os envolvidos direta ou indiretamente na construção deste material.

Após apreciação do Projeto de Atenção à Saúde do Adulto – Hipertensão e Diabete, o Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Mineira de Cardiologia apresenta sua concordânica com a minuta do projeto que encontra-se de acordo com as normas e as abordagens científicas mais atualizadas.

Wilson Mayrinl Filho Departamento de Hipertensão Arterial

Introdução13
I. A hipertensão arterial15
1 As metas da secretaria estadual de saúde17
1.1 A população-alvo17
1.2 Abordagem dos fatores de risco17
1.3 Objetivos dos serviços de saúde18
1.4 A meta de redução da pressão arterial18
1.5 As estratégias18
2 A avalição clínica19
2.1 A medida da pressão arterial19
2.2 A técnica para aferição da pressão arterial20
2.3 Medida residencial da pressão arterial (MRPA)2
2.4 Medida ambulatorial da pressão arterial (MAPA)2
2.5 Situações especiais para medida da pressão arterial23
3.1 A hipertensão arterial sistêmica secundária3
3.2 O risco cardiovascular35

SUMÁRIO 3 O diagnóstico e a classificação da hipertensão arterial .25

na hipertensão arterial37
4Tratamento .................................................................. 38
4.1 Os objetivos principais38
4.2 O autocuidado39
4.3 A decisão terapêutica39
5. As modificações no estilo de vida40
5.1 As recomendações dietéticas41
5.2 Atividade física regular43
5.3 Consumo de bebidas alcoólicas4
5.4 Interrupção do tabagismo4
6. O tratamento medicamentoso46
6.2 Os princípios gerais do tratamento medicamentoso47

3.3 A estratificação do risco cardiovascular 6.1 O tratamento medicamentoso da hipertensão arterial ..46

anti-hipertensivo47
6.4 O esquema terapêutico na HAS48
6.5 As associações medicamentosas48
6.6 Os anti-hipertensivos51

6.3 Critérios para a escolha do medicamento

terapêutica medicamentosa5
7. As complicações hipertensivas agudas56
7.1. A urgência hipertensiva56
7.2 A emergência hipertensiva57
8. Situações especiais58
I. Diabetes mellitus67
1. Classificação70
2 Características clínicas73
é utilizado o índice de massa corporal75
4.1 Índice de massa corpórea75
4.2 Distribuição da gordura corporal76
5. Os exames laboratoriais7
5.1 Glicemia de jejum7
5.2 Teste oral de tolerância à glicose7
5.3 Hemoglobina glicada78
6. Parâmetros bioquímicos para o controle glicêmico78
6.1 Glicosúria78
6.2 Cetonúria79
6.3 Glicemia capilar79
7 O diagnóstico de diabetes80
7.1 Diabetes mellitus em crianças81
7.2 O diabetes mellitus no idoso81
7.3 A avaliação clínica82
8.1 As metas do tratamento do diabetes tipo 284
8.2 O tratamento medicamentoso do diabetes mellitus85
10. As complicações do diabetes mellitus104
10.1 Complicações agudas104
10.2 Complicações crônicas107

4. Para classificação e risco de co-morbidade 9. As recomendações para a concepção e contracepção 103

complicações crônicas119
I. Síndrome metabólica127
1Definição ................................................................... 129
2. Patogenia da síndrome metabólica129

10.3 Emprego de medidas de tratamento nas

cardiovascular na síndrome metabólica130
4. Prevenção de diabetes mellitus tipo 2131
5 O atendimento especializado164
6 Centro HIPERDIA165
IV. A prevenção e a promoção da saúde135
1. Estratégias para implementação de medidas preventivas139
2. Consumo de bebidas alcoólicas148
V. A competência da unidade149
Competências da unidade básica de saúde151
1 Responsabilidades da equipe de saúde151
2 Componentes da equipe de saúde151
3 Outros profissionais de saúde154
4 A atenção programada159
VI. O sistema de informação gerencial167
1. O pacto dos indicadores da atenção básica169

3. Avaliação clínico-laboratorial do risco

indicadores principais169

1.1 O controle da hipertensão e diabetes –

indicador complementar170
1.3 Indicadores de monitoramento171
2 A planilha de programação local171
2. Os sistemas informatizados172

O Estado de Minas Gerais por meio da Coordenação de Hipertensão e Diabetes elaborou esse material pautado nos princípios do SUS e subsidiado pelas melhores evidências científicas atuais.

A coordenação de Hipertensão e Diabetes tem como objetivo nortear o profissional e a equipe de saúde em relação ao manejo clínico adequado para esses pacientes, bem como estimular a forma assistencial multidisciplinar para alcançar com ações estratégicas individuais e coletivas não apenas a prevenção das complicações decorrentes destas patologias, mas também a promoção da Saúde e prevenção primária para a família destes pacientes.

O Ponto chave desta publicação é a proposta inovadora da programação da agenda local na unidade básica de saúde, organizando assim a demanda de todo o sistema, iniciando pela atenção primária.

Esta construção representou para a Coordenação um enorme trabalho, mas esse será recompensado no momento da utilização de todas as medidas assistenciais aqui propostas.

Acreditamos que podemos realizar um trabalho integrado com a sociedade que considere o ser humano com todas as suas singularidades e reconhecemos além da multicausalidade dessas patologias o esforço coletivo no enfrentamento de um dos maiores desafios do século XXI que são as doenças crônicas não-transmissíveis.

Boa leitura, sucesso no trabalho a ser desenvolvido e contem com a nossa colaboração Coordenação de Hipertensão e Diabetes

1. AS METAS DA SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE

1.1 A POPULAÇÃO-ALVO

Os portadores de hipertensão a serem controlados pelo Programa de Atenção à Hipertensão Arterial correspondem a todos aqueles detectados com níveis pressóricos elevados, em consulta médica realizada por qualquer motivo.

1.2 ABORDAGEM DOS FATORES DE RISCO

A promoção da saúde e a prevenção de complicações baseadas na abordagem global dos fatores de risco modificáveis é fundamental.

Não-modificáveis Hereditariedade: história familiar de Hipertensão Arterial.

Idade: o envelhecimento aumenta o risco do desenvolvimento da hipertensão em ambos os sexos. Estimativas globais sugerem taxas de hipertensão arterial mais elevadas para homens a partir dos 50 anos e para mulheres a partir dos 60 anos.

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