Roteiro de Aula Plantas Daninhas 1a VA-2

Roteiro de Aula Plantas Daninhas 1a VA-2

(Parte 1 de 3)

Universidade Federal Rural de Pernambuco

Unidade Acadêmica de Serra Talhada

Disciplina: Controle de Plantas Invasoras

Profa.: Rosa Honorato de Oliveira, D.Sc.

Interferências entre Plantas Daninhas Culturas

INTRODUÇÃO

As plantas daninhas infestam:

  • Áreas agrícolas

  • Pecuárias

  • Outros setores

Causando:

  • Redução na qualidade dos produtos colhidos (competição por água, luz, nutrientes, CO2 e espaço físico)

  • Redução na produtividade das culturas (pela contabilização dos custos no controle das invasoras)

  • Retorno dos investimentos aplicados.

Resultam de alterações ecológicas pela ação do homem: danos podem ser reduzidos com MANEJO ADEQUADO

Competição: principal forma de interferência direta das plantas invasoras sobre as culturas

Nessa competição invasoras e culturas sofrem danos, mas as culturas são mais afetadas

FATORES PASSÍVEIS DE COMPETIÇÃO

  • As plantas cultivadas pelo refinamento genético não apresentam capacidade competitiva em comparação as daninhas verdadeiras.

  • Em ecossistemas agrícolas os recursos existem em quantidades INSUFICIENTES para atender plantas daninhas e culturas – COMPETIÇÃO

A competição é fator crítico : dependendo da época de estabelecimento da mesma.

  • Se a cultura se estabelecer primeiro, poderá cobrir o solo, PORÉM,

  • Se a população por área for baixa ou tiver estande desuniforme, ENTÃO as plantas daninhas poderão vencer a competição.

TIPOS DE COMPETIÇÃO

  • Intra – específica: entre indivíduos de uma mesma espécie;

  • Interespecífica: indivíduos de diferentes espécies;

  • Intraplanta ou endocompetição: cada orgão ou parte da planta compete pelos fotossimilados produzidos nas fontes.

ASPECTOS COMPETITIVOS ENTRE CULTURAS E AS PLANTAS DANINHAS

  • Competição é mais séria quando a cultura está na fase jovem

  • Morfologia e o desenvolvimento das plantas daninhas semelhantes ao da cultura: plantas daninhas são mais competitivas

  • Competição por água luz, nutrientes, CO2 e mais compostos alelopáticos - inibem a germinação e o desenvolvimento das outras plantas

  • A infestação moderada pode ser tão danosa quanto a baixa: depender da época.

IMPORTANTE: O manejo adequado de plantas daninhas exige profundo conhecimento sobre a cultura e a planta daninha. Porque???

Princípios básico da competição:

  • Primeiras plantas que surgem no solo excluem as demais;

  • Dar a cultura condições para que se estabeleça logo, antes da vegetação daninha...

Quais seriam essas condições:

  • Preparo do solo

  • Profundidade de plantio

  • Porcentagem de germinação e vigor

  • Cultivar adequada para a região

  • Época correta de plantio

Conhecendo tais fatores torna-se fácil o manejo: através da minimização ou eliminação da competição com a ajuda de outros métodos: MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS

COMPETIÇÃO POR ÁGUA:

  • Plantas daninhas são bombas extratoras de água:

  • Em regiões tropicais: plantas daninhas túrgidas e plantas cultivadas murchas.

  • A competição por água leva a outras formas de competição;

  • Fatores que influenciam a capacidade competitiva:

  • Taxa de exploração do volume radicular;

  • Características fisiológicas das plantas;

  • Regulação osmótica e capacidade das raízes de se ajustarem osmoticamente;

  • Magnitude da condutividade hidráulica das raízes.

Exemplo: Bidens pilosa (picão-preto) - extrai água retida no solo a tensões 3 x maiores do que o feijão e soja: Investe em raízes e aumenta a capacidade de sobreviver com pouca água.

  • Certas espécies são capazes de usar menos água por unidade de matéria seca do que outras: Alta Eficiência Fotossintética

  • Uso eficiente da água (UEA) e Coeficiente Transpiratório (CT)

  • EUA = g de matéria seca produzida/g de água utilizada

  • CT = mL de água transpirado/g de biomassa seca produzida

Exemplos:

  • Abacaxi CT baixa → CAM

  • Culturas (feijão/soja/algodão) → CT = 500-700 → C3

  • Culturas (milho/sorgo/cana) → CT = 150 -350 → C4

  • Plantas daninhas: (Cyperus rotundus, Cenchrus echinatus, Cynodon dactylon, Brachiaria plantaginea, Amaranthus retroflexus) CT = 150 -350 → C4

IMPORTANTE: diferenças na EUA é uma importante característica de AGRESSIVIDADE em plantas daninhas, mas não é o único mecanismo para sobreviver a competição por água: Plantas com baixa eficiência compensa essa deficiência utilizando o controle estomacal.

COMPETIÇÃO POR LUZ:

Não é tão importante quanto a competição por água e nutrientes quando há sombreamento (Locatelly e Dool, 1977).

Culturas com elevada capacidade de utilização de luz- altos valores de uso eficiente da radiação = MELHORAMENTO GENÉTICO

A eficiência na competição por luz x eficiência na utilização de água e nutrientes

  • A competição por luz depende da espécie:

  • Umbrófitas e heliófitas

  • Rotas fotossintéticas: C3, C4 e CAM.

Rota C3

  • Respiram intensamente;

  • Baixa afinidade com CO2;

  • Elevado ponto de compensação de CO2

  • Baixo ponto de saturação luminoso.

  • Baixa eficiência no uso da água

  • Menor taxa de produção de biomassa

Então, C4 é mais eficiente que C3? DEPENDE!!!!!!!

  • C4 tem dois sistemas carboxilativos → maior quantidade de energia para produzir fotoassimilados;

  • Maior quantidade de energia → perdem a competição por luz.

COMPETIÇÃO POR NUTRIENTES

  • Plantas daninhas

  • Grande capacidade de extração de elementos essenciais,

  • Competem com as culturas:

  • Existem em quantidades inferiores a necessidade das culturas.

  • O recrutamento depende:

  • Quantidade de nutrientes ;

  • Das espécies daninhas.

Exemplo: Richardia brasiliensis acumula 10 x mais N, 20 x menos P e 5 vezes menos K comparada com a soja.

QUAIS AS IMPLICAÇÕES DO CASO??

Subdoses de N (p.e) favorecerá a planta que tiver MAIOR EFICIÊNCIA DE UTILIZAÇÃO

O grau de interferência varia com a espécie e com a densidade das plantas daninhas.

Interferência e período crítico da competição (Parte II)

  1. Fatores ligados a Cultura

1.1. Diferentes espécies de plantas cultivadas → diferentes capacidades de suportar a competição imposta

Exemplos:

- Milho, o girassol e a soja - são mais competitivos;

- Feijão, cebola, alho e da cenoura: menor competitivo:

Devido ao baixo porte e baixa interceptação da luz solar por estas últimas espécies.

Assim, a intensidade de competição é, um certo grau, função da cultivar plantada

Por que a competição depende da cultivar?

- Rápido crescimento inicial

- Grande desenvolvimento vegetativo,

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