Farmacia hospitalar módulo 01

Farmacia hospitalar módulo 01

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Programa de Educação Continuada a Distância

Curso de Farmácia Hospitalar

Aluno:

EAD - Educação a Distância

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Curso de Farmácia Hospitalar

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada, é proibida qualquer forma de comercialização do mesmo. Os créditos do conteúdo aqui contido é dado a seus respectivos autores descritos na Bibliografia Consultada.

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Para se falar de Farmácia Hospitalar, é preciso primeiro conhecer um pouco do seu histórico pois assim será possível compreender melhor o que está ocorrendo no Brasil atualmente e o que provavelmente acontecerá no futuro.

A primeira farmácia hospitalar que se tem registro data de 1752 em um hospital da

Pensilvânia – EUA, na qual foi apresentada a primeira proposta de padronização de medicamentos. No Brasil as farmácias hospitalares mais antigas foram instaladas nas Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Militares, onde o farmacêutico manipulava os medicamentos dispensados aos pacientes internados, obtidos de um ervanário do próprio hospital.

Com a industrialização do medicamento, surgindo assim o fármaco pronto para o uso, houve uma crise na profissão farmacêutica, atingindo de forma parecida o farmacêutico de hospital. Por que ter um farmacêutico no hospital para produzir medicamentos se este produto pode ser comprado pronto? E assim o farmacêutico praticamente desapareceu dos hospitais só permanecendo nas instituições de grande porte.

Em vários países desenvolvidos a saída para esta crise foi à volta da atenção do farmacêutico hospitalar para conhecimento na área da estabilidade, farmacocinética, farmacodinâmica, ou seja, o farmacêutico passou a ser um expert em medicamentos recuperando a relação médico-farmacêutico e farmacêutico-paciente. A sua principal arma ou habilidade passou a ser a informação. Em 1965 surgiu nos EUA a farmácia clínica, que tem como meta principal o uso racional dos medicamentos e o farmacêutico além das suas atribuições junto aos medicamentos passa a ter atividades clínicas voltadas para o paciente.

Em países subdesenvolvidos como o Brasil a saída para a crise da profissão, foi à busca de novos caminhos de atuação dando ênfase principalmente nas análises clínicas. As conseqüências deste fato foram bastante danosas para o país e para a profissão

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farmacêutica, pois a questão do medicamento ficou aleijada.

Atualmente, embora o Brasil seja uma das dez maiores economias do mundo, o quarto mercado farmacêutico do mundo em vendas e tenha uma flora medicinal riquíssima, importa a maioria dos medicamentos que consume.

A história da farmácia hospitalar brasileira pode-se dizer que recomeçou com o Prof.

Cimino no Hospital das Clínicas de São Paulo, na década de 50 e 60, realizando um trabalho destacado, com ênfase na farmacotécnica hospitalar. Na década de 80 cresceu bastante o interesse em farmácia hospitalar, surgindo Cursos de Especialização em Natal patrocinado pelo Ministério da Saúde. Foram também ministrados cursos de especialização no Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Infelizmente por problemas financeiros estes cursos foram descontinuados.

Atualmente vários estados têm procurado realizar cursos de menor duração com o objetivo de dotar o farmacêutico de conhecimentos mínimos para prática de farmácia hospitalar, pois é sabido que os cursos de especialização não tem condições de treinar todos dos farmacêuticos hospitalares do Brasil. É importante, formar multiplicadores que irão repassar nas suas regiões os conhecimentos adquiridos.

Existem muitos conceitos de farmácia hospitalar podendo ser citado como sendo um dos mais completos: “Unidade clínica de assistência técnica, administrativa e contábil, dirigida por profissional farmacêutico que visa atender toda a comunidade hospitalar no âmbito dos produtos farmacêuticos, integrada técnica e hierarquicamente as atividades hospitalares”. É importante frisar que a função clínica da farmácia, voltada para o paciente, é de suma importância pois é neste campo que o profissional farmacêutico terá condições de exercer na plenitude as suas atividades e a sua importância crescerá dentro do hospital.

Esta definição mostra que além da questão técnica a farmácia hospitalar é um setor importante do ponto de vista administrativo e contábil para o hospital. Por isto exige-se do farmacêutico hospitalar conhecimento técnico e gerencial.

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Os objetivos da farmácia hospitalar podem ser divididos em: primários e secundários.

Esta classificação foi feita assim por que é bastante importante que o iniciante nesta área entenda que é preciso fazer primeiro o básico para depois vir o sofisticado. Um bom exemplo disto é querer fazer controle de antimicrobianos sem possuir padronização de medicamentos e a Comissão ou Serviços de Controle de infecções hospitalares não atua.

Os objetivos primários de uma farmácia hospitalar são: Padronização, Planejamento de Estoques, Aquisição, Armazenamento, Dispensação por dose individualizada ou unitária, Controle de Estoques e informação sobre medicamentos. Em uma situação imaginária onde a maioria dos hospitais brasileira exerce estas atividades básicas de forma satisfatória seria observado um grande avanço da farmácia hospitalar e conseqüentemente melhoria da qualidade assistencial.

Os objetivos secundários são farmacotécnica incluindo a manipulação de produtos não estéreis e estéreis, controle das infecções hospitalares, educação e treinamento e farmácia clínica.

A Organização Pan-americana de Saúde — OPAS e o Ministério da Saúde do Brasil definem como funções fundamentais da farmácia hospitalar:

• seleção de medicamentos, germicidas e correlatos necessários ao hospital realizada pela comissão de farmácia e terapêutica ou correspondente e associada a outras comissões quando necessário;

• aquisição, conservação e controle dos medicamentos selecionados estabelecendo níveis adequados para aquisição por meio de um gerenciamento apropriado dos estoques. O armazenamento de medicamentos deve seguir as normas técnicas para preservar a qualidade dos medicamentos:

• manipulação, produção de medicamentos e germicidas, seja pela indisponibilidade de produtos no mercado, para atender prescrições especiais ou por motivos de

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viabilidade econômica:

• estabelecimento de um sistema racional de distribuição de medicamentos para assegurar que eles cheguem ao paciente com segurança, no horário certo e na dose adequada;

• implantação de um sistema de informação sobre medicamentos para obtenção de dados objetivos que possibilitem à equipe de saúde otimizar a prescrição médica e a administração dos medicamentos. O sistema deve ser útil na orientação ao paciente no momento da alta ou nos tratamentos ambulatoriais. Estas funções são prioritárias em uma farmácia hospitalar e, portanto suporte fundamental para o desenvolvimento de vários programas assistenciais na instituição.

O Serviço de Farmácia Hospitalar, chefiado pelo farmacêutico, na prevenção da infecção hospitalar tem como principal objetivo promover o uso racional de medicamentos e desenvolve as seguintes funções: seleção de medicamentos, germicidas e correlatos; aquisição, conservação e controle dos medicamentos selecionados; manipulação/produção de medicamentos e germicidas; sistematização da distribuição de medicamentos; estabelecimento de um sistema de informações sobre os medicamentos.

Em conjunto com o controle de infecção hospitalar, desenvolve ações relacionadas ao controle de antimicrobianos e racionalização do uso de germicidas, auxiliando na elaboração de uma padronização efetiva. Os resultados obtidos com a implantação desta padronização são de grande importância para o paciente, corpo clínico e hospital. Para o paciente, porque lhe será administrado um antimicrobiano com indicação precisa, com eficácia comprovada e menor custo. Quanto ao corpo clínico os benefícios se traduzem na qualidade do fármaco prescrito, na facilidade do manuseio de um número mais restrito de produtos, possibilitando melhor estudo e conhecimento de suas ações e efeitos colaterais. Para o hospital, a relação padronizada evitará a aquisição de medicamentos similares, reduzindo custos e riscos de perda por expiração do prazo de validade.

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Comissão de Farmácia e Terapêutica e Seleção de Medicamentos

A Comissão de Farmácia e Terapêutica é constituída por uma equipe multiprofissional, em que farmacêuticos, médicos, enfermeiros, além de profissionais da área de administração, devem ter como principal objetivo principal à elaboração do formulário farmacêutico hospitalar, determinando a política de seleção de princípios ativos, produção, manipulação, distribuição, uso e administração, incluindo drogas sob investigação. Esta equipe deve elaborar atividades educativas para divulgação de informações relacionadas ao uso de medicamentos aos profissionais de saúde. As intercorrências relacionadas às prescrições inadequadas devem ser abordadas por comunicação direta com o profissional envolvido ou até mesmo sua chefia. Isto é feito particularmente, na antibioticoprofilaxia inadequada de procedimentos cirúrgicos. Diante da diversidade de medicamentos comercializados e de constantes lançamentos de novos produtos, é necessário adotar critérios para escolha dos fármacos que deverão fazer parte do arsenal hospitalar e também garantir avaliação periódica para assegurar que disponha sempre das melhores opções terapêuticas. Padronizar medicamentos antiinfecciosos significa definir uma lista de antimicrobianos que melhor atendam as características da ecologia microbiana da instituição. A avaliação rigorosa na seleção dos fornecedores deve ser realizada periodicamente, devendo-se utilizar um protocolo padrão e exigências básicas, porém específicas a cada tipo de fornecedor.

Armazenagem

Os medicamentos devem manter íntegras as atividades de seus princípios ativos durante um espaço de tempo previamente estabelecido. Vários fatores podem prejudicar esta integridade, entre eles: temperatura, luz, umidade, presença de microrganismos e empilhamento de caixas. Além destes, outros fatores como a presença de oxigênio, gás carbônico, pH, concentração, osmolaridade, tipo de recipiente, que são fatores intrínsecos ao produto, também interferem em sua estabilidade e concentração. As condições de armazenamento devem facilitar a utilização dos produtos em ordem crescente da data de vencimento.

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Distribuição

O sistema de distribuição ou dispensação de medicamentos deve ter como principais objetivos diminuir os erros (como por exemplo de transcrição incorreta), racionalizar a distribuição e administração de medicamentos (evitando incompatibilidade), aumentar o controle sobre seu uso, racionalizar custos e aumentar a segurança e eficiência da medicação prescrita.

Contaminação de medicamentos

Existem dificuldades para a identificação de um surto devido à contaminação de um medicamento, em decorrência de suas características epidemiológicas e principalmente da inexistência de protocolos específicos que permitam a caracterização e o estudo microbiológico dos casos suspeitos e suas possíveis fontes de contaminação. Estes produtos podem contaminar-se na sua produção, dentro da farmácia ou após a dispensação.

Contaminação na indústria:

Esta contaminação freqüentemente é denominada de intrínseca, sendo geralmente disseminada no tempo, espaço e entre várias instituições. Só pode ser identificada se um rigoroso sistema de vigilância for implantado, mas pode ser suspeitada todas as vezes que um agente não usual for identificado em uma topografia também não usual.

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