Acesso Venoso Central Para Hemodiálise

Acesso Venoso Central Para Hemodiálise

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Acesso Venoso Central para Hemodiálise Guilherme Pitta

Pitta GBB, Castro A, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www.lava.med.br/livro

Acesso Venoso Central para Hemodiálise

Guilherme Benjamin Brandão Pitta Áurea Regina Teixeira de Andrade Aldemar Araújo Castro

INTRODUÇÃO Os cateteres duplo lúmen de inserção percutânea é a opção de via acesso venoso central, rápida, segura e temporária para realização de hemodiálise por períodos curtos de tempo, em torno de três semanas, enquanto ocorre a maturação do acesso venoso definitivo (fístulas artério-venosas).1 Os acessos temporários foram realizados através de shunts artério-venosos externos de material plástico, estando no momento em desuso pelas altas taxas de complicações infecciosas, perda dos vasos utilizados e curto período de utilização.2 No momento utilizamos os cateteres duplo lúmen não-tunelizados tipo Shiley3 ou Quinton-Mahurkar4 (figura 1) que apresentam menor taxa de recirculação sangüínea quando utilizados em hemodiálise, em comparação com os de único lúmen. Quando temos dificuldade de obter acessos venosos definitivos (fístulas artério-venosas), usamos os acessos venosos temporários mais prolongados, tipo cateter duplo lúmen tunelizado Quinton PermCath.4

Figura 1a – Cateter duplo lúmen não-tunelizado após o uso (Quinton-Mahurkar)

Figura 1b – Cateter duplo lúmen não-tunelizado após o uso (Quinton-Mahurkar)

Figura 1c - Cateter duplo lúmen não-tunelizado (Quinton- Mahurkar)

2. INDICAÇÕES As indicações do acesso venoso para hemodiálise são: a) Acesso venoso para hemodiálise por tempo menor que três semanas, inseridos de forma percutânea;1 b) Necessidade de hemodiálise imediata em pacientes com insuficiência renal com clearence de creatinina menor de 25 ml/min e níveis de creatinina sangüínea maior de 4 mg/dl;5 c) Dificuldade de diálise peritoneal efetiva para o tratamento da insuficiência renal.6

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Pitta GBB, Castro A, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www.lava.med.br/livro

3. LOCAL DE INSERÇÃO

A preferência de local de inserção é a veia jugular interna direita. Outras opções incluem:

veia jugular externa direita, veias jugulares externa e interna esquerdas, veias subclávias, veias femorais e veia cava inferior por acesso translombar.1 A utilização da veia subclávia acompanha-se de taxa de obstrução e estenose venosa em torno de 42% a 50%.7

4. TIPOS DE CATETERES TEMPORÁRIOS

Os cateteres temporários podem ser classificados4 em: a) Shunts artério-venoso externo. Por exemplo: tubos plásticos; b) Cateteres duplo lúmen não-tunelizados.

Por exemplo: Quinton-Mahurkar® catheter (Quinton Instrument Co., c) Cateteres duplo lúmen tunelizados. Por exemplo: Quinton PermCath catheter®

(Quinton Instrument Co., Seattle, Wash), Hickman® catheter (Bard/Davol Access d) Cateteres único lúmen tunelizados. Por exemplo: Hickman® (Bard/Davol Access

5. TÉCNICA DE INSERÇÃO A via de acesso preferida é a veia jugular interna direita (figuras 3 a 7) pelo menor incidência de estenose venosa do tronco braquiocefálico direito7 e pela maior facilidade de acesso ao átrio direito,7 sendo a posição ideal de localização do cateter ao nível da junção cava superior átrio direito, confirmada através de fluoroscopia na sala cirúrgica ou

Figura 2a – Radiografia de tórax; note a posição do cateter duplo lúmen.

Figura 2b – Radiografia de tórax; note a posição do cateter duplo lúmen.

Figura 2c – Radiografia de tórax; note a posição do cateter duplo lúmen.

Devemos utilizar o lado contra-lateral ao membro superior planejado para confecção do acesso venoso definitivo (fístula artério- venoso) para a inserção do cateter venoso

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Pitta GBB, Castro A, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www.lava.med.br/livro central para a hemodiálise, evitando o risco de hipertensão venosa no membro superior.8 O cateter mais utilizado é o de duplo lúmen não-tunelizado4 de material rígido composto de poliuretano ou vinil, através de punção percutânea venosa. O paciente é colocado em decúbito dorsal com coxim colocado em baixo dos ombros, para facilitar a hiperextensão do pescoço e a cabeça levemente rodada para o lado contra- lateral ao da punção.4 Utilizamos a anestesia local com lidocaina 1% como rotina para este procedimento3 e antissepsia com iodopolvidine. Quando não conseguimos a via de acesso venoso jugular ou subclávio usamos como via de acesso venoso de exceção a via femoral (figurar 4).

Figura 3a. Doente em decúbito dorsal em proclive invertido com rotação contralateral da cabeça.

Figura 3b – Anestesia local por infiltração da pele e do trajeto por onde vai passar o cateter.

Figura 3c – Diérese da pele com lâmina de bisturi no local onde o cateter será inserido.

Figura 3d - Introdução do fio guia metálico. Figura 3e – Passagem do dilatador.

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Figura 3f - Introdução do cateter duplo lúmen nãotunelizado

Figura 3g – Heparinização dos lumens do cateter.

Figura 3h - Fixação do cateter duplo lúmen

Figura 3i – Curativo

Figura 4a – Preparação do local da punção.

Figura 4b – Anestesia local por infiltração da pele e do trajeto por onde vai passar o cateter.

Figura 4c – Punção da veia femoral com a agulha de grosso calibre.

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Figura 4d – Punção da veia femoral com a agulha de grosso calibre.

Figura 4e - Introdução do fio guia metálico com ponta flexível em “J”.

Figura 4e - Introdução do fio guia metálico em “J”.

Figura 4f – Passagem do dilatador após retirada do guia metálico com ponta flexível em “J”.

Figura 4g – Passagem do dilatador.

Figura 4h – Passagem do cateter após a retirada do dilatador.

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Figura 4i – Teste de fluxo e refluxo em cada um dos lumens do cateter após seu posicionamento e retirada do guia em “J”.

Figura 4j – Limpeza do cateter com soro fisiológico

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