Coruja-buraqueira (Speotyto cunicularia)

A coruja-buraqueira (Speotyto cunicularia) é um dos principais representantes da pouco conhecida fauna das restingas e praias arenosas. Exímia caçadora, ela se alimenta de insetos e pequenos mamíferos, sendo por isso importante controladora da densidade populacional de roedores, como os ratos, por exemplo.

Apesar de sua importante atuação no controle de pragas, o ser humano tem dado pouca importância para a conservação desse animal. A destruição do hábitat mais uma vez aparece como a principal ameaça à sobrevivência da espécie. O tráfego de veículos em praias e dunas, como no caso dos famosos passeios de buggies, pode ser fatal para as aves. O problema é que as corujas moram em túneis com até 1 metro de profundidade, escavados na areia, e essa frágil moradia normalmente desmorona com a pressão causada pela passagem dos veículos, matando mães e filhotes por asfixia.

Ao contrário da maioria das corujas, o macho da buraqueira é ligeiramente maior e mais claro que a fêmea. Durante o dia, essa espécie de coruja cochila em seu ninho ou toma sol nos galhos de árvores. Sua visão e o vôo suave são adaptados para a caça. Essas aves enxergam cem vezes mais que o ser humano e também têm uma ótima audição. Para observar alguma coisa ao seu lado ela tem que virar a cabeça, pois seus grandes olhos amarelos estão dispostos lado a lado, num mesmo plano.

Enquanto a fêmea bota os ovos, o macho providencia a alimentação e dá proteção para os futuros filhotes. Os cuidados da cria dentro do ninho são tarefas do macho. Com 14 dias os filhotes podem ser vistos na entrada da cova, esperando pelos pais e pela comida. Só com aproximadamente 4 dias eles começam a caçar insetos.

Para observar de perto esses belos animais, a melhor maneira é seguir até alguma duna ou praia ainda deserta. As corujas constroem seus ninhos junto à vegetação rasteira na parte alta das praias. A Ilha Comprida, no litoral sul paulista, com seus cerca de 80 km de praias ainda pouco exploradas, é um local que ainda mantém uma grande concentração de corujas-buraqueiras.

Texto escrito especialmente para este site por Luciano Candisani, fotógrafo da natureza com formação biológica w.editorasaraiva.com.br/biosonialopes

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