Preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus)

A preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus) é uma espécie endêmica da mata

Atlântica brasileira e pode ser facilmente reconhecida pela faixa de pêlos escuros em volta do pescoço. Esses animais passam boa parte da vida pendurados de cabeça para baixo em galhos na copa das árvores procurando folhas tenras para saciar a fome. Curiosamente, eles só descem de seus esconderijos suspensos a cada 7 ou 8 dias para fazer as necessidades fisiológicas no solo, junto ao pé da árvore em que se alimentam. As fezes e urina desses animais servem de substrato para fungos e bactérias, ajudando, assim, na manutenção da fertilidade das camadas superficiais do solo da mata Atlântica.

Para escalar os troncos das árvores, algumas com mais de 30 metros de altura, as preguiças valem-se de suas grandes e afiadas unhas. Além de oferecerem uma ótima fixação ao animal, as unhas ainda servem de defesa contra predadores, já que fugir rapidamente não é o forte das lentas preguiças.

A evolução de fato não dotou as preguiças com membros ágeis e velozes para fugir de ataques. A estratégia delas para escapar dos seus principais predadores, como a harpia, o gavião-de-penacho e alguns felinos, é a camuflagem.

Com pêlos que se confundem com a cor dos galhos, as preguiças ficam praticamente invisíveis nas árvores. Além disso, elas conseguem girar a cabeça em até 270 graus para vigiar os arredores. Os ataques mais freqüentes são contra os filhotes, que permanecem agarrados nos pêlos do abdômen da mãe durante os primeiros meses de vida. Devido à sua pouca agilidade, as preguiças geralmente não conseguem escapar das queimadas florestais, ainda freqüentes em todo o Brasil durante os meses de seca.

Texto escrito especialmente para este site por Luciano Candisani, fotógrafo da natureza com formação biológica w.editorasaraiva.com.br/biosonialopes

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