FACULDADE SANTA MARIA

CURSO BACHARELADO EM FISIOTERAPIA

DERMOLIPECTOMIA ABDOMINAL (ABDOMINOPLASTIA)

PRISCILA DANTAS LEITE E SOUSA

CAJAZEIRAS – PB

2010

PRISCILA DANTAS LEITE E SOUSA

 DERMOLIPECTOMIA ABDOMINAL (ABDOMINOPLASTIA)

Trabalho intitulado Dermolipectomia Abdominal (Abdominoplastia), apresentado como exigência para obtenção de parte da nota do 3° estágio do componente curricular Fisioterapia Dermato-Funcional, apresentado as professoras Aldivânia Costa e Renata Braga.

 

CAJAZEIRAS-PB 2010

1 INTRODUÇÃO

O termo abdominoplastia corresponde a um conjunto de técnicas cirúrgicas para a correção das alterações da região abdominal. A primeira cirurgia desse gênero foi realizada por Kelly, em 1899, para a correção do abdome em avental. A partir de então, inúmeros especialistas contribuíram para o avanço das técnicas, inclusive alguns brasileiros como Avelar, Bozola, Psillakis e Pitanguy, entre outros (MAUAD, 2008).

O sonho de se obter o corpo perfeito tem se tornado possível graças à transformação que a cirurgia plástica proporciona, levando todas as pessoas que se submetem a tal procedimento melhorarem sua auto-estima e ficarem mais satisfeitas com o próprio corpo.

A cirurgia plástica se desenvolveu em conseqüência do desejo (já que o abdômen constitui um dos elementos de maior interesse erótico), e não da necessidade, e é nisso que se diferencia das demais cirurgias. O paciente faz porque quer, e nem sempre não porque precisa (BORGES, 2006).

A Abdominoplastia compreende um ato operatório que se destina a remoção de gordura localizada no abdômen, assim como da flacidez de pele ao redor da região umbilical e das estrias situadas entre a linha horizontal que passa pelo umbigo e pêlos pubianos. É indicada para indivíduos que apresentam gordura localizada abdominal, flacidez decorrente de emagrecimento ou gravidez, flacidez aponeurótica, diástase abdominal, abaulamentos e hérnias (MAUAD, 2008).

2 REVISÃO BIBLIOGRAFICA

A abdominoplastia consiste na retirada de tecido subcutâneo excedente na região do abdome, através de uma incisão supra-púbica com transposição do umbigo e com plicatura dos músculos reto-abdominais. Esta por sua vez, vem sendo associada a uma lipoaspiração, com a intenção de proporcionar retirada de excesso de gordura através de finas cânulas, possibilitando uma redefinição global do tronco (COUTINHO et al, 2006).

Os múltiplos fatores que causam enfermidades e processos que alteram o balanço fisiológico do organismo podem também alterar a forma do abdome até o ponto em que este se torna desagradável para o paciente e causa, inclusive, dificuldades para a higiene corporal normal. A melhor forma de estudar esses múltiplos fatores é considerar cada componente da parede abdominal em separado (JAIMOVICHet al, 2000).

2.1 Indicações

Indica-se a abdominoplastia (ou dermolipectomia abdominal) para pacientes com moderada ou acentuada flacidez cutânea associada à lipodistrofia localizada ou generalizada, com ou sem eventrações ou hérnias da parede abdominal, com o objetivo de restabelecer o contorno corporal, eliminando o excesso cutâneo e o tecido adiposo, quando possível; e corrigir a flacidez musculoaponeurótica e eventuais hérnias ou eventrações (BORGES, 2006).

2.2 Complicações e Contra-Indicações da Abdominoplastia

As abdominoplastias apresentam uma série de complicações, cada uma delas com diferentes causas. Assim, hematomas, seromas (coleção de líquido abaixo da pele), infecções, deiscências e necrose são alguns exemplos. Cabe ao cirurgião plástico solucionar tais problemas, valendo-se de um cuidadoso acompanhamento pós-operatório (MAUAD, 2008).

Está contra-indicada em pacientes com mínima flacidez tecidual, pacientes com alterações pulmonares, diabetes e grandes tabagistas pelo risco de necrose tecidual (BORGES, 2006).

2.3 Aspectos Anatômicos

As cirurgias plásticas do abdome ocorrem comumente na parede abdominal anterior que está limitada acima pelo apêndice xifóide do esterno e pelas cartilagens costais da sétima e da décima costela. Abaixo apresenta as cristas ilíacas bilateralmente, como a espinha do púbis e a sínfise púbica (MAUAD, 2008).

A parede abdominal anterior é composta de pele, tecido conjuntivo frouxo subcutâneo (tecido celular subcutâneo) e um sistema músculo-fáscio-aponeurótico. Mediante a remoção e/ou a reposição dessas estruturas, o cirurgião plástico tenta esculpir o tronco. Por conseguinte, o conhecimento da anatomia da parede abdominal anterior se reveste de crucial importância (JAIMOVICHet al, 2000).

Situados abaixo da pele e do panículo adiposo, os quatro principais músculos da parede abdominal anterior são: oblíquo maior, oblíquo menor, transverso e músculo reto do abdome. O músculo reto está envolvido pelas aponeuroses dos três primeiros músculos, também conhecidos como músculos planos do abdome (MAUAD, 2008).

A fixação da cicatriz umbilical na parede abdominal permite a delimitação clara do abdome em dois segmentos: um abdome superior e outro, inferior. Tanto um como outro se acentuam pela depressão ocasionada pela zona umbilical e, na maioria das mulheres jovens, o abdome inferior é levemente mais proeminente e elevado (JAIMOVICHet al, 2000).

Lewis (1989) descreve a parede abdominal de três formas diferentes: pendular, globosa, e flácida. O abdome pendular apresenta acúmulo de gordura no abdome inferior e ao redor do umbigo, podendo a pele dobrar-se sobre o púbis devido ao excesso de peso. O abdome globoso é arredondado, com distensão generalizada, havendo uma quantidade variável de gordura, com ou sem flacidez do sistema músculo-aponeurótico. O abdome flácido apresenta pele redundante, lassa e frouxa, encontrando-se estrias com freqüência.

2.4 Cicatrizes

As cicatrizes são resultados inevitáveis da lesão, intencional ou acidental, da pele. O processo de cicatrização se dá fundamentalmente no tecido conjuntivo, no qual diversos fatores de ordem geral ou local intervêm em sua constituição e função (GUIRRO & GUIRRO, 2002).

A cicatriz da abdominoplastia tende a se caracterizar por uma linha arqueada: é baixa na região pubiana e alta lateralmente em direção às espinhas ilíacas. Com esse formato, pode ficar escondida sob um biquíni. Essa cicatriz evolui para um aspecto bastante aceitável. Em determinadas situações em que não há distensibilidade suficiente dos tecidos para alcançar a região pubiana, haverá  a necessidade da complementação da cicatriz arqueada com um pequeno traço vertical mediano, deixando o aspecto final de um “T” invertido. Normalmente apresenta cor avermelhada nos seis primeiros meses, levando outros seis meses para ficar natural (VOLOSZIN, 2007).

2.5 Avaliação Pré-operatória

Iniciamos com a avaliação pré-operatória e, durante o exame físico da paciente, observamos as características da pele como: elasticidade, flacidez, estrias e presença de cicatrizes. A localização do umbigo, sua distância entre o apêndice xifóide, o púbis e as cicatrizes horizontais no hipogástrio que são parâmetros iniciais para indicar a quantidade de pele a ser retirada e o futuro posicionamento da cicatriz umbilical. A espessura, a quantidade e a disposição do tecido adiposo são avaliadas, para direcionar a quantidade de gordura a ser aspirada no retalho superior e gordura profunda da região inferior. Diagnosticamos a presença, o grau e a localização de diástase nas regiões infra e supra-umbilicais para plicatura. As características individuais são fundamentais, considerando-se, ainda, a idade, gestações anteriores, doenças pregressas e a expectativa da paciente quanto ao resultado e cicatrizes (MATOS JÚNIOR, 2004).

2.6 Técnica Cirúrgica

Para a realização da técnica, descrita por Pitanguy, demarca-se uma linha média vertical no abdômen e fixa-se um fio longo de nylon no nível do apêndice xifóide e outro no nível da sínfise púbica, que servirão para orientar uma marcação simétrica. As cristas ilíacas ântero-superiores são palpadas e marcadas. Desenha-se um traçado contornando a cicatriz umbilical em circulo ou em losango, determinando o tamanho final da cicatriz umbilical (BORGES, 2006).

A partir daí, é feito o deslocamento do panículo adiposo da aponeurose dos músculos. Isso significa separar a pele e o tecido gorduroso da porção anterior dos músculos abdominais. O umbigo é deixado preso em sua posição natural, isto é, junto a aponeurose. Uma vez completado o deslocamento do tecido gorduroso, é hora de se aproximarem os músculos abdominais, que se encontram afastados da linha média, para a sua posição original. Essa etapa se faz por meio de uma sutura (MAUAD, 2008).

Após o posicionamento do retalho com os pontos cardeais, delimita-se o novo sítio para a localização da cicatriz umbilical. A incisão transversal é feita na linha média, com dimensão que varia conforme o tamanho da cicatriz umbilical do paciente. A cicatriz umbilical é suturada firmemente à parede abdominal (BORGES, 2006).

De acordo com Mauad (2008), são deixados drenos de aspiração contínua, com o objetivo de eliminar o sangramento residual, e realiza-se o curativo. Gazes largas e acolchoadas são distribuídas cobrindo a área descolada, sobre a qual um molde de gesso é colocado. Deve-se evitar que o mesmo exerça pressão sobre as proeminências ósseas, como cristas ilíacas, e rebordo costal. O abdômen é finalmente enfaixado com crepom largo, evitando excessiva pressão para não restringir movimentos abdominais de respiração (BORGES, 2006).

A paciente deve permanecer em repouso de 24 a 48 horas, até que os drenos sejam retirados. A partir daí, o cirurgião trocará os curativos até a completa retirada dos pontos. O uso de cinta elástica modeladora inicia-se, em geral, no pós-operatório imediato, permanecendo por um período que varia de um a três meses (MAUAD, 2008).

2.7 Objetivos do tratamento fisioterápico na pré e pós-abdominoplastia

O tratamento estético no pré-operatório tem como um de seus objetivos diminuir a espessura do tecido abdominal pelo emprego da drenagem linfática manual (DLM), a qual direciona o fluxo linfático e diminui o liquido intersticial excedente, aumentando a elasticidade do tecido, o que facilita sua retirada durante o ato cirúrgico. O tratamento no pós-operatório tem o objetivo de diminuir o edema e auxiliar no processo de cicatrização, na redução das áreas anestesiadas, na tonificação muscular e na microcirculação (MAUAD, 2008).

2.8 Recursos Fisioterapêuticos

Dentre os recursos indicados para possibilitar a melhora na recuperação do ato cirúrgico temos a crioterapia, cuja utilização promove resfriamento do local aplicado, ocasionando vasoconstricção, minimizando o extravasamento sanguíneo e reduzindo a dor. A endermoterapia é também utilizada, pois desagrega as fibroses promovendo com isso um tecido mais uniforme (COUTINHO et al, 2006).

A drenagem Linfática Manual (DLM) tem efeitos diretos na circulação sanguínea, reduzindo o edema, atuando sobre o metabolismo, na desintoxicação do tecido e melhorando a nutrição das células. O contato com a pele transmite, aos receptores, estímulos que serão interpretados pelo sistema nervoso autônomo, diminuindo a sensação de dor no local, o que faz com que o paciente se recupere mais rapidamente do estresse cirúrgico (MAUAD, 2008).

Coutinho et al (2006) desenvolveram um programa de tratamento com o objetivo de aliviar a dor e o edema; Melhorar a circulação veno-linfática; Prevenir possíveis complicações (seromas, fibroses, aderências, etc); Favorecer a reestruturação tecidual e aceleramento do processo de cicatrização e Promover recomendações com a intenção de ajudar no tratamento e favorecer uma recuperação mais rápida. O tratamento foi realizado e com ele obtido resultados satisfatórios da seguinte forma:

A) 7ºdia do pós-operatório (DPO): Crioterapia nas áreas dos flancos que apresentavam equimoses, por 20 min; Ultra-som 3MHz; 0,5 W/cm² por 10 min. na cicatriz cirúrgica (fechada); o cabeçote foi limpo com álcool a 70% antes da aplicação. Drenagem linfática manual no abdome, costas e membros inferiores, feita nos decúbitos dorsal e lateral por 50 min (preservação da postura cirúrgica). B) 30º dia do pós-operatório (DPO) em diante: Ultra-som 3MHz; 0,5w/cm² por 10 min. na cicatriz cirúrgica; Vacuoterapia: depressomassagem pulsátil com pulso de 25 realizada 05 minutos em cada flanco e depressomassagem contínua com a pressão suportável pela paciente (entre 100 e 200 mmHg) por 05 minutos em cada flanco.A primeira realizada para a desfibrosagem e a segunda realizada para favorecer o remodelamento corporal. Massagem clássica por 10 min nos flancos e abdome; Drenagem manual linfática no abdome, costas e membros inferiores por 40 min nos decúbitos dorsal e ventral.C) Recomendações Hidratar a pele com óleo de amêndoas doces e fazer uma ingestão de oito copos de água/dia; Fazer uso da cinta compressiva por 60 dias; Não se expor ao sol; Não utilizar vestimentas apertadas; Não tomar banhos quentes; Evitar atividades que necessitam esforço físico.

3 CONCLUSÃO

Esta cirurgia esta indicada quando há de moderado a grande  excesso de pele da região abdominal. Nesta técnica retira-se um fuso de pele localizado abaixo da cicatriz umbilical. A região do antigo umbigo irá localizar-se no púbis, e o umbigo sairá por um novo orifício, criado exatamente acima da região, onde o umbigo será suturado.

Normalmente, um dos passos desta cirurgia é a aproximação da musculatura abdominal, que se encontra afastada (diástase). Esta aproximação é feita com pontos internos nos músculos retos abdominais. Isto proporcionará um abdome com menos abaulamento e esteticamente mais agradável.

Geralmente as pacientes indicadas para esta cirurgia são aquelas que já tiveram filhos e que ficaram com bastante flacidez de pele abdominal. Nestas pacientes a quantidade de tecido gorduroso é normal, não havendo a necessidade da realização de uma lipoaspiração abdominal.

A melhor forma de se evitar complicações pós-operatórias é um adequado preparo e orientação de toda a equipe médica, de enfermagem e fisioterapia, bem como os devidos cuidados da própria paciente, tendo em vista que o fim do ato cirúrgico responde apenas por parte do sucesso da cirurgia, sendo que o acompanhamento pós operatório encerra a parte restante.

4 REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

MAUAD, Raul. Estética e Cirurgia Plástica: Tratamento no pré e pós-operatório. Prefácio DE Ivo Pitanguy. 3ª Ed. São Paulo: Senac, 2008.

GUIRRO, E.; GUIRRO, R. Fisioterapia Dermato-Funcional: Fundamentos, Recursos e Patologias. 3ª Ed. São Paulo: Manole, 2002.

BORGES, Fábio dos Santos. Modalidades Terapêuticas nas Disfunções Estéticas. 1ª Ed. São Paulo: Phorte, 2006.

COUTINHO, Mariana de Morais. Et al. A importância da atenção fisioterapêutica na minimização do edema nos casos de pós-operatório de abdominoplastia associada à lipoaspiração de flancos. Disponível em: REVISTA FISIOTERAPIA SER – Ano 1 – nr 4 – out/nov/dez 2006. Acessado em: 14 de maio de 2010 às 16h38min.

MATOS JÚNIOR, Wilson Novaes. Et al. Classificação de Abdomens para indicações de lipoabdminoplastia e suas variações. Disponível em: www.lipoabdominoplastia.com.br/.../abstract-div-mund-classificacao-item6.doc. Acessado em: 14 de maio de 2010 às 19h49min.

Jaimovich CA, Mazzarone F, Parra JFN, Pitanguy I. Semiologia da parede abdominal: seu valor no planejamento das abdominoplastias. Rev Soc Bras Cir Plast.1999;14:21-50.

LEWIS JR, Jr. A arte da cirurgia Plástica Estética. Boston: Little, Brown, 1989.

VOLOSZIN, Michele. Ação da Microcorrente na cicatrização de uma abdominoplastia: Um estudo de caso com um paciente em tratamento pós-operatório. Disponível em: http://siaibib01.univali.br/pdf/Michele%20Voloszin.pdf. Acessado em: 14 de maio de 2010 às 22h.

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