limnologia aplicada a piscicultura

limnologia aplicada a piscicultura

Boletim Técnico do CAUNESP n1

SIPAÚBA-TAVARES, L. H. Limnologia Aplicada à Aqüicultura. Boletim Técnico do CAUNESP n.1, Jaboticabal: FUNEP, 1994. 70p.

Lúcia Helena Sipaúba Tavares

A limnologia tem sido definida como o estudo da ecologia de todas as águas “interiores”, ou seja, águas não diretamente influenciadas pelo mar.

A palavra limnologia vem do grego “limné”, que significa lago, é oriunda da ecologia, e como tal tem o objetivo de estudar os ecossistemas aquáticos como um todo.

A importância da limnologia tem sido reconhecida nos últimos anos com o próprio crescimento da aqüicultura e daí a preocupação com o regime e qualidade dos mananciais e também da manutenção da boa qualidade da água em tanques e viveiros como chave do sucesso da produção racional da aqüicultura.

Os corpos de água são dinâmicos e complexos, e dependem primariamente da nascente como fonte de água, e o estoque é refletido pelas condições hidrológicas e geológicas do local. A maioria dos parâmetros variam ciclicamente no período de 24 horas, influenciando os fatores bióticos (vivos) e abióticos (não vivos) do meio.

Os viveiros e represas utilizados na aqüicultura comportam- se como sistemas intermediários entre sistemas lênticos (lentos) e láticos (de correnteza), e a constante entrada e saída de água tem efeito pronunciado na sua dinâmica, como também os fatores climáticos, e o arraçoamento diário.

Os viveiros são corpos d’água construídos pelo homem por represamento e/ou escavação do terreno natural e, os tanques são menores e construídos de alvenaria, concreto, fibra de vidro ou outro material adequado (Wheaton, 1977).

Estas estruturas poderiam ser vistas como sistemas intermediários entre os de cultura laboratorial e os naturais, considerados por Odum (1985) como “mesocosmos”, abertos para trocas com a atmosfera mas fechados para trocas de nutrientes e organismos, os quais são controlados pelo homem. Assim, o viveiro de piscicultura funciona.como um ecossistema artificial onde fatores alóctones (externos), como os “inputs” de alimentos e fertilizantes são tão essenciais quanto os autóctones (internos) que desempenham importante papel no ecossistema (Li, 1987) e onde as condições abióticas e bióticas podem ser parcialmente manipuladas a fim de garantir a sobrevivência e proporcionar a maximização do crescimento dos peixes (Payne, 1986).

Os organismos vivos e o meio ambiente não vivo (abiótico) estão inseparavelmente interrelacionados e interagem entre si. Portanto, para que ocorra um bom desenvolvimento e sobrevivência dos organismos que estão sendo cultivados, são de fundamental importância as condições do meio em que vivem.

Os sistemas artificiais rasos sofrem influência externa (alóctone) e interna (autóctone), a qual, por sua vez, atua nas diversas comunidades e nos fatores físicos e químicos existentes no ecossistema aquático.

Qualquer estudo que tenha por finalidade o cultivo de peixes, terá como ponto de partida a análise desses fatores básicos.

Boletim Técnico do CAUNESP n1

SIPAÚBA-TAVARES, L. H. Limnologia Aplicada à Aqüicultura. Boletim Técnico do CAUNESP n.1, Jaboticabal: FUNEP, 1994. 70p.

Para conhecermos o sistema aquático como um todo, faz- se necessário o estudo das interações dos fatores físicos, químicos, biológicos, e a transformação das sub orgânicas e inorgânicas.

Os processos que ocorrem na água estão intimamente ligados, não podendo ser vistos como processos independentes, uma vez que na água seus efeitos atuam dinamicamente.

A introdução de qualquer substância na água acarreta alterações na sua qualidade, as quais nem sempre são favoráveis ao desenvolvimento e sobrevivência dos organismos aquáticos.

Basicamente existem 2 fatores importantes que influenciam de maneira marcante a ecologia (qualidade da água) de viveiros de peixes:

i. Grandes quantidades de alimentos que não são utilizados pelos peixes ficam disponíveis no ambiente, possibilitando o crescimento de algas e bactérias.

i. A alta densidade de peixes pode levar a abundante suprimento de CO2 devido à respiração, causando o crescimento em grande quantidade de determinadas algas, ou mesmo a morte de outras, que poderia provocar altas mortalidades dos peixes devido às alterações na qualidade da água, especialmente a redução do oxigênio dissolvido que seria utilizado na respiração dos organismos do viveiro e na decomposição da matéria orgânica gerada pelas atividades vitais daqueles organismos.

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