(Parte 2 de 4)

Fig. 02 - Distribuição das empresas por categoria

Produtor Distribuidor Fig. 03 - Comercialização do carvão vegetal

Produtor Distribuidor

15 3.2.2. Localização das empresas

Conforme esperado, observou-se uma forte distinção entre as empresas quanto à sua localização, estando os produtores fortemente concentrados na zona rural e os distribuidores concentrados na zona urbana. Certamente, isso implica que, em função das peculiaridades inerentes à cada um deles, os tratamentos a serem oferecidos para suas empresas deverão ser distintos. Seus problemas são diferentes, e os procedimentos para a busca de soluções e melhoria das atividades, visando a valorização do setor, certamente também serão diferenciados.

Fig. 04 - Zona de localização das empresas produtoras

Rural Urbana

Fig. 05 - Zona de localização das empresas distribuidoras

Rural Urbana

16 3.2.3. Clientela e geração de receitas

Fig. 06 - Vinculação dos clientes

Produtor Distribuidor Fig. 07 - Geração de receitas com a comercialização

Produtor Distribuidor

Fig. 08 - Destino dos produtos

"Finos" Carvão Consumo próprio Atacado Varejo Descarte

Embora os produtores movimentem diretamente o maior volume, os distribuidores ainda são responsáveis pela grande maioria dos clientes consumidores do produto, respondendo, provavelmente, pelo atendimento aos comerciantes varejistas. As empresas distribuidoras poderão representar, dessa forma, importante papel na questão do marketing direto de um programa de valorização da cadeia produtiva de carvão vegetal junto ao público consumidor.

Apesar da menor quantidade distribuída, a geração de receita na comercialização do produto é tão importante quanto à auferida pelos produtores de carvão vegetal, o que demonstra a possibilidade de várias alternativas para a diferenciação do produto a ser comercializado. Isso implica num importante papel dos distribuidores na definição do preço final de comercialização, evidenciando que este se constituirá num ponto estratégico a ser considerado para a capacitação dos empresários do setor.

Fig. 09 - Detalhamento do destino do carvão vegetal 24 23

Açougue Supermercado Posto de gasolina Churrascaria Outros*

* Bares, padarias, mercearias, quitandas, depósitos, empacotadores, etc

18 3.2.4. Mão-de-obra

Situa-se no segmento dos produtores de carvão vegetal a maior concentração de mão-deobra e a maior capacidade de geração de receita a ela destinada. Consequentemente, a cadeia produtiva de carvão vegetal pode ser caracterizada pela sua capacidade de fixação de mão-deobra no meio rural, o que é positivo.

Diante do quadro, ocorrerão, junto aos produtores, as principais ações quanto à capacitação e à valorização profissional das pessoas, que têm na atividade de produção de carvão vegetal, a oportunidade de trabalho. Nesse contexto, atenção especial deverá ser dada à participação da mão-de-obra familiar, o que, normalmente, significa o não atendimento dos procedimentos formais de vinculação trabalhista.

Fig. 08 - Vinculação da mão-de-obra

Produtor Distribuidor Fig. 09 - Geração de renda para a mão-de-obra

Produtor Distribuidor

19 3.2.5. Informalidade das empresas

A informalidade encontra-se fortemente presente nas empresas da cadeia produtiva de carvão vegetal, levando-se em conta o registro junto ao órgão ambiental competente e à Receita Federal. O comportamento das empresas quanto a tais aspectos são diferenciados quando comparados, produtores e distribuidores de carvão vegetal.

Independentemente de qualquer tipo de consideração, a informalidade conduz os produtores e distribuidores a se sentirem naturalmente receosos quanto à fiscalização e aos potenciais riscos de penalizações. Isso poderá tornar dificultosa a receptividade das ações destinadas à valorização da cadeia produtiva, o que exigirá um trabalho especial de educação e conscientização sobre o tema. A questão da informalidade deverá ser tratada com bastante cuidado, sobretudo junto aos produtores, que poderão alegar dificuldades de sobrevivência dos seus negócios, diante da necessidade do cumprimento da legislação.

Fig. 10 - Empresas produtoras registradas no IBAMA

4%56% Registrada Não-registrada

Fig. 1 - Empresas produtoras com CNPJ

Registrada Não-registrada

Fig. 12 - Empresas distribuidoras registradas no IBAMA

Registrada Não-registrada

Fig. 13 - Empresas distribuidoras com CNPJ

Registrada Não-registrada

20 3.2.6. Ociosidade na produção de carvão vegetal

Observa-se um importante potencial produtivo não ocupado junto aos produtores de carvão vegetal, que poderia ser estimulado num programa que visasse a valorização da atividade junto ao setor. Além da maior geração de receitas aos produtores, haveria ainda um excedente de capacidade de ocupação de mão-de-obra, com a conseqüente oportunidade adicional para fixação do homem ao meio rural. Além disso, o aumento da produção seria conduzido sem a necessidade de grandes investimentos em infra-estrutura, visto que seria fruto do aproveitamento dos equipamentos que se encontram desativados ou subtilizados.

Fig. 14 - Capacidade ociosa em relação à capacidade total de produção de carvão vegetal

Produção atualCapacidade ociosa

Fig. 15 - Capacidade ociosa de absorção de mão-de-obra na produção de carvão vegetal

Ocupação atual Ocupação ociosa

21 3.2.7. Matéria-prima

O uso de matéria-prima para produção de carvão no Estado de São Paulo recai fundamentalmente sobre as florestas plantadas (9%), predominando a madeira de eucalipto na forma roliça. Este é um ponto importantíssimo em relação ao estabelecimento de um processo de valorização da cadeia produtiva. No caso específico da certificação, um dos aspectos fundamentais, qual seja, a imposição da não utilização de madeira de florestas nativas, já estaria sendo atendido de forma ampla e consistente.

Além da grande incidência do uso de matéria-prima plantada, outro aspecto favorável é que a maior parte da madeira é procedente de florestas pertencentes ao próprio produtor. Além de uma maior garantia de sustentabilidade, a possibilidade da introdução de melhorias no sistema florestal torna-se mais facilitada, tanto na questão do aumento da produtividade dos plantios, bem como diante da opção do uso de madeiras mais adequadas para a obtenção de carvão vegetal. Soma-se à isso o fato de que a grande maioria dos proprietários teriam interesse na ampliação da área florestal própria.

Fig. 16 - Origem da matéria-prima usada para produção de carvão vegetal

Lenha eucalipto Resíduos serraria Pinus Resíduos floresta eucalipto Lenha Pinus Resíduos serraria eucalipto Lenha nativa Resíduos floresta Pinus

Fig. 17 - Procedência da matéria-prima usada para produção de carvão vegetal

Própria* Própria/Terceiros Terceiros *Índice de interesse das empresas na ampliação da área florestal própria = 75,3%

2 3.2.8. Processo de produção de carvão vegetal

Observa-se amplo predomínio do uso de fornos tipo “Encosta” para a produção de carvão vegetal, seguido pelos fornos tipo “Superfície” e “Rabo Quente”. Trata-se de fornos tradicionalmente utilizados em nosso País, praticamente reproduzindo-se em São Paulo o que ocorre em outros estados produtores. Um detalhe que se vincula aos fornos tipo “Encosta” é o fato dos mesmos possuírem pequena carga volumétrica, sendo preferidos pelos pequenos produtores de carvão vegetal.

Num contexto geral, pode ser considerado normal o fato de que a obtenção de carvão vegetal de melhor qualidade, bem como a maior produtividade, tenham sido eleitos pelos produtores como os critérios mais importantes para a escolha de fornos. Não se pode concluir, no entanto, que o predomínio da utilização dos fornos tipo “Encosta” no Estado de São Paulo, seja apenas função disso. Tudo leva a crer que a tradição do uso, somada à falta de conhecimentos sobre outros modelos, sejam pontos muito fortes para a decisão, conforme pode ser constatado pela pontuação que tais aspectos receberam. Isso implica que a informação e o treinamento devem fazer parte, necessariamente, do processo de capacitação junto à cadeia produtiva.

Fig. 18 - Tipos de fornos usados para a produção de carvão vegetal

Encosta Colméia Rabo quente Outros

Fig. 19 - Índice de indicações de razões para a escolha dos fornos de carbonização

Melhor qualidade do carvão Maior produtividade Tradição Desconhecimento de outro Topografia do terreno Menor custo de produção Menor custo de manutenção Outras razões

23 3.2.9. Importância da qualidade do produto

Nenhum item dentre os submetidos à apreciação dos produtores e distribuidores de carvão vegetal foi considerado irrelevante no que diz respeito à comercialização do produto, o que identifica a existência de exigências por parte do consumidor final. No julgamento, entretanto, houve diferenças quanto ao grau relativo de importância oferecido. O aspecto julgado menos importante foi a emissão de fumaça durante a queima do carvão, destacando-se como os mais importantes a presença de pó de carvão na embalagem e a granulometria do produto.

3.2.10. Importação de carvão vegetal de outros estados origem

Fig. 21 - Índice de citações realizadas pelos distribuidores, quanto à procedência de carvão vegetal importado de outros estados

Outros*

G ran u lom etri a D u re za

Pó A cendi m ent o De n sid a d e Ti ço Fum aça

Fig. 20 – Índice de relevância indicada quanto a parâmetros de qualidade do carvão vegetal influenciando sua comercialização

As empresas distribuidoras de carvão vegetal no Estado de São Paulo, que efetuam a importação de carvão vegetal de outros estados, têm no Estado do Mato Grosso do Sul a sua maior referência para obtenção do produto, o que provavelmente ocorra em função de preços mais favoráveis para aquisição. Dessa forma torna-se importante uma avaliação mais profunda desse aspecto, principalmente no que diz respeito à origem da matéria-prima usada para obtenção do produto, as condições de trabalho da mão-de-obra, etc. Se, eventualmente, algum desses pontos não estiverem condizentes com a legislação em vigor, estará sendo introduzida uma concorrência desleal para com o carvão vegetal produzido no Estado de São Paulo.

Face a essa questão, há necessidade de um trabalho de conscientização junto àqueles distribuidores que realizam a importação do carvão vegetal de outros estados, principalmente quanto à necessidade de que os mesmos avaliem de forma muito mais consistente a origem do produto, diante da proposta da maior valorização da cadeia produtiva, através de um processo de certificação.

25 3.2.1. Infra-estrutura e equipamentos

Fig. 2 - Condições da moradia da mão-de-obra própria

Adequada Inadequada/inexistente

Fig. 23 - Moradia da mãode-obra terceirizada

Adequada Inadequada/inexistente

Fig. 24 - Produtor - água potável

Adequada Inadequada/inexistente

Fig. 25 - Distribuidor - água potável

Adequada Inadequada/inexistente

Fig. 26 - Produtor - eletricidade

Adequada Inadequada/inexistente

Fig. 27 - Distribuidor - eletricidade

Adequada Inadequada/inexistente

Fig. 28 - Produtor - EPI

Adequada Inadequada/inexistente

Fig. 29 - Distribuidor - EPI

Adequada Inadequada/inexistente

Fig. 30 - Produtor - Galpão de apoio

Adequada Inadequada/inexistente

Fig. 31 - Distribuidor - Galpão de apoio

Adequada Inadequada/inexistente

Fig. 32 - Produtor - Instalações sanitárias

Adequada Inadequada/inexistente

Fig. 3 - Distribuidor - Instalações sanitárias

Adequada Inadequada/inexistente

As inadequações ou inexistências observadas na infra-estrutura e equipamentos, junto à cadeia produtiva, atinge mais diretamente os produtores de carvão vegetal, o que deve ocorrer, principalmente, em função da forte vinculação dos mesmos na zona rural, e em condições, supostamente mais precárias, motivadas por fatores econômicos e até mesmo culturais.

Chama atenção, em especial, a baixa utilização de equipamentos de segurança, como o

EPI, que se manifesta de forma bastante importante tanto para produtores como para distribuidores.

Os resultados do diagnóstico indicam, portanto, a necessidade de se conceder apoio e de se processar um trabalho educativo para sensibilização do setor, no sentido da melhoria das condições de vida e, consequentemente, da qualidade do produto e do trabalho da mão-de-obra envolvida.

3.2.12. Condições ambientais junto aos produtores, quando pertinente

Fig. 34 - Erosão na área de influência da carvoaria

Ausente Presente

Fig.35 - Descarte de efluentes e resíduos

Adequada Inadequada

Fig.36 - Cuidados com Áreas de Preservação Permanente

Adequada Inadequada/inexistente

Fig. 37 - Cuidados com recursos hídricos

Adequada Inadequada/inexistente

Os resultados indicam haver pontos importantes a serem considerados quanto à necessidade do atendimento às questões ambientais junto às áreas de produção de carvão vegetal, com destaque para os problemas com erosão dos terrenos e lançamento de efluentes e resíduos. Apesar da menor escala, constata-se também a ausência de cuidados quanto à proteção das Áreas de Preservação Permanente e dos recursos hídricos. Há, portanto, que se induzir ações corretivas em direção à tais aspectos.

3.3. Lenha

Um total de 2 empresas permitiu a obtenção de informações mínimas necessárias para as inferências para o estudo de caracterização do perfil da cadeia produtiva de lenha no Estado de São Paulo. As informações básicas obtidas junto a essas empresas são apresentadas nos Quadros 2 e 23 e Figuras de 38 a 4.

Quadro 2 – Informações básicas obtidas junto às empresas amostradas

* * Empresas que dispuseram informações Quadro 23 – Dados complementares sobre a mão-de-obra

* Empresas que dispuseram informações

ItemNo. de empresasValor Lenha disponibilizada - st/mês22229.849 Faturamento - R$/mês222253.725,0 Número de clientes1022.971 Mão-de-obra - No. de pessoas222667

- terceiros

Procedência da mão-de-obra: - própria 2 364 303

Renda da mão-de-obra - R$/mês222188.007,30 Empresas registradas no IBAMA21453 Empresas com sociedade22219 Empresas com CNPJ9252

Localização das empresas: - rural- urbana222187

Produtores/Distribuidores de Lenha

Mão-de-obraNo. de empresas* Valor

30 3.3.1. Localização das empresas

Conforme esperado, observou-se uma forte concentração das empresas vinculadas à lenha na zona rural. Desse modo, toda estratégia de trabalho no sentido da valorização do setor, deve considerar todas as peculiaridades do campo.

3.3.2. Mão-de-obra

A mão-de-obra empregada no setor distribui-se praticamente de forma igualitária entre a de origem familiar e aquela efetuada por terceiros.

Fig. 38 - Zona de localização das empresas produtoras

Rural Urbana

Fig. 39 - Participação de mão-de-obra familiar e de terceiros

45% 5% Familiar Terceiros

31 3.3.3. Informalidade das empresas

É notável a grande informalidade das empresas da cadeia produtiva de lenha. A maioria das empresas, conforme observado, não possui registro no IBAMA, e significativa parte destas também não apresentam sua situação regularizada junto à Receita Federal.

Da mesma forma que para o setor de carvão vegetal, o tratamento a ser processado junto à cadeia de lenha, no que diz respeito à informalidade das empresas, deverá ser efetuado com muito cuidado, pois muitos alegarão dificuldades quanto à sobrevivência dos seus negócios, diante da necessidade de pagamento de impostos e demais requisitos para o cumprimento e enquadramento à legislação.

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