assistencia hospitalar ao neonato

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Assistência Hospitalar ao Neonato

1a Edição SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MINAS GERAIS Belo Horizonte, 2005

SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MINAS GERAIS Superintendência de Atenção à Saúde Diretoria de Normalização de Atenção à Saúde Programa Viva Vida

APORTE FINANCEIRO PPI Vigilância em Saúde/Superintendência de Epidemiologia/SESMG

EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Gutenberg Publicações

ENDEREÇO Av. Afonso Pena, 2.300 – Funcionários CEP 30130 007 Telefone (31) 3261 – 7742 FAX (31) 3261 – 6192 E-mail: secr.ses@saude.mg.gov.br Site: w.saude.mg.gov.br 1ª Edição. 2005

Governador Aécio Neves da Cunha

Secretário Marcus Vinícius Caetano Pestana da Silva

Superintendente Benedito Scaranci Fernandes

Diretor Marco Antônio Bragança de Matos

Coordenadora Marta Alice Venâncio Romanini

WA 320 MI AS

Minas Gerais. Secretaria de Estado da Saúde. Assistência Hospitalar ao Neonato. Maria Albertina Santiago Rego. Belo Horizonte, 2005. 296]p.

1. Neonatologia. 2. Recém-nascido - Atendimento. 3. Perinatais - Patologias. 4. Programa Viva Vida. I. Tí- tulo

Maria Albertina Santiago Rego Lêni Márcia Anchieta

Ana Maria de Jesus Cardoso

Nassim Calixto Júnior Ruth Lira de Oliveira Sandra Regina Castilho Tolentino

Fátima Lúcia Guedes Silva

Gláucia Manzan Queiroz de Andrade

Maria Cândida F. Bouzada Viana

Maria do Carmo Rausch

Maria Lúcia Pessoa de Castro Rodrigo Carneiro de Campos

Assistência Hospitalar ao Neonato

Minas Gerais vê nascer, a cada ano, 300 mil novos mineiros. Esse fato, por si só, já coloca para cada um de nós, profissionais ligados à saúde, uma grande responsabilidade: cuidar de cada gestante e de cada criança que nasce e começa a crescer.

Essa responsabilidade aumenta ainda mais diante do fato de que muitas dessas crianças morrem antes de completar um ano de idade. Os números relativos à mortalidade infantil e também à mortalidade materna, apesar de estarem em declínio nos últimos anos, são ainda preocupantes.

A taxa de mortalidade infantil, em 2000, chegou a 20,8 mortes de crianças menores de um ano para cada 1.0 nascidas vivas, sendo que, em algumas microrregiões, chegou a mais de 40. O diagnóstico dessa situação evidencia que as causas, de um lado, são relativas a agravos da gestação que levam ao nascimento prematuro e complicações no momento do parto e, de outro, a diarréias, pneumonias e desnutrição, todas elas, na maioria dos episódios, causas evitáveis.

A mortalidade materna é também considerada alta, segundo os parâmetros da

Organização Mundial da Saúde. Em 20, para cada 100.0 nascidos vivos, 42,5 mulheres morreram durante a gravidez, parto e puerpério também por causas consideradas evitáveis: hipertensão, hemorragias, infecções.

Falar de causas consideradas evitáveis é falar de um trabalho a ser realizado.

O Programa Viva Vida foi proposto exatamente para enfrentar esta situação. A meta prioritária de reduzir a mortalidade infantil em 25% nos próximos quatro anos e diminuir a mortalidade materna vai se desdobrar em uma série de ações voltadas à melhoria da assistência à gestante, ao recém-nascido e à criança no seu primeiro ano de vida.

Entre essas ações está o fortalecimento do Programa de Saúde da Família, através da ampliação do número de equipes em todos os municípios, a aquisição de equipamentos para a atenção básica e a capacitação de todos os profissionais em um sistema de educação permanente; o novo plano de regionalização da saúde, que identificará pólos microrregionais com maternidades, UTIs neonatais, ambulatórios de especialidades e serviços de exames complementares de referência equipados e capacitados para atendimento de mulheres e crianças com maior gravidade; e a instalação e funcionamento de Comitês de Prevenção da Mortalidade Materna e Infantil em todas as regiões e municípios do Estado, que se responsabilizarão pela investigação dos óbitos ocorridos, além do Comitê Estadual de Defesa da Vida, que reunirá várias instituições governamentais e a sociedade civil na realização de ações contínuas de promoção de saúde.

Para alcançar este objetivo, esse protocolo – Assistência Hospitalar ao Neonato – reúne diretrizes e recomendações para que todos os profissionais de saúde possam realizar, com qualidade, as ações de assistência e cuidado para com a criança do nosso Estado.

Dr. Marcus Vinícius Pestana Secretário de Saúde do Estado de Minas Gerais

Esta iniciativa – que acreditamos ser de fundamental importância para a consolidação da rede perinatal no Estado de Minas Gerais e definitivamente vincular a perinatologia como parte fundamental da saúde materno-infantil – tem uma coordenação ímpar que possibilitou reunir técnicos de múltiplas áreas afins, que acreditam que a interdisciplinaridade pode vencer barreiras.

Assim é que Marta Alice Venâncio Romanini, na Coordenação de Atenção à

Saúde da Mulher, Criança e Adolescente da SES, reuniu obstetras, enfermeiros e pediatras hoje empenhados com o Programa Viva Vida.

Agradecemos a todos os profissionais da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais que participaram da elaboração deste Protocolo

A Sociedade Mineira de Pediatria, após avaliação crítica do conteúdo do

Protocolo Assistência Hospitalar ao Neonato, valida esta publicação e reconhece na mesma um importante instrumento para a melhoria da qualidade de assistência ao neonato em Minas Gerais, o que, certamente, contribuirá para a redução da mortalidade infantil no Estado, objetivo do Viva Vida e desejo de todos os pediatras mineiros.

Dr. José Orleans da Costa

Presidente da Sociedade Mineira de Pediatria Gestão 2003/2006

Adrianne Mary Leão Sette e Oliveira

Ângela Soares Campos

Eduardo C. Tavares

Navantino Alves Filho Ruth Lira de Oliveira

INTRODUÇÃO
SOBRE A HUMANIZAÇÃO DO ATENDIMENTO
I. O ATENDIMENTO AO RECÉM-NASCIDO
1.1 A Assistência ao Recém-Nascido na Sala de Parto
1.2 As Diretrizes para o Atendimento
1.3 A Regulação da Assistência em Cuidados Integrados
1.4 O Transporte do Recém-Nascido
1.5 O Crescimento do Recém-Nascido Pré-termo
I. AS AFECÇÕES PERINATAIS
2.1 A Síndrome Hipóxico-Isquêmica
2.2 A Sepse
2.3 Os Distúrbios Respiratórios
2.4 Os Distúrbios Metabólicos
2.5 A Icterícia Neonatal
2.6 A Falência Cardiocirculatória – Choque
2.7 A Enterocolite Necrosante
2.8 As Convulsões
2.9 O Recém-Nascido com Suspeita de Cardiopatia
2.10 A Persistência do Canal Arterial
2.1 As Infecções Perinatais
I. A ASSISTÊNCIA
3.1 A Oxigenioterapia e o Suporte Respiratório
3.2 O Exame Oftalmológico
3.3 A Hidratação Venosa
3.4 A Nutrição Enteral do Recém-Nascido de Baixo Peso
3.5 A Nutrição Parenteral Total
3.6 O Uso de Sangue, Hemocomponentes e Hemoderivados
3.7 A Abordagem da Dor e do Estresse
IV. A ALTA HOSPITALAR
4.1 A Alta Hospitalar no RN
4.2 O Seguimento Ambulatorial do RN de Risco
4.3 O Plano de Cuidados para o RN
V. A ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA
5.1 Os Programas e os sistemas de informação
5.2 A Instituição
5.3 Os Endereços Eletrônicos
ANEXOS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

A assistência qualificada é o principal instrumento do setor saúde para reduzir os índices de mortalidade infantil.

A monitoração da qualidade da assistência, por meio da avaliação cotidiana e institucionalizada do processo de trabalho e dos resultados obtidos, é a forma de conseguirmos índices mais satisfatórios e compatíveis com o grau de desenvolvimento do país.

As doenças e mortes de mulheres no período reprodutivo e de crianças nos períodos fetal e neonatal, no Estado de Minas Gerais, apresentam taxas muito altas, vinculadas em grande parte às causas evitáveis, determinadas principalmente pelo acesso e utilização não oportunos aos serviços de saúde, além da qualidade questionável da assistência à gestante no pré-natal e parto e ao recém-nascido.

As afecções perinatais foram responsáveis por 60% das mortes em menores de um ano, e 64% das mortes infantis ocorreram no período neonatal, de acordo com o levantamento das diversas microrregiões do Estado.

Também a qualidade da informação de documentos oficiais como registro de nascimento e óbito e de assistência ao parto e nascimento é muito ruim, o que exclui Minas Gerais do cálculo direto de eventos de vida e morte em nível nacional.

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