Apostila sistemas economicos certa

Apostila sistemas economicos certa

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Apostila Sistemas Econômicos – Prof. Silvio Donizete de Freitas

Apostila

Sistemas Econômicos

1º Módulo - Administração

O SIGNIFICADO DE ECONOMIA

Nos dias de hoje, quando andamos pela cidade, percebemos grande movimento no comércio. Centenas de pessoas enchem as lojas, despertando contentamento enorme nos vendedores. Os compradores também demonstram parecer contentes, pois as lojas oferecem uma infinidade de produtos, desde roupas de todos os tipos até equipamentos eletrônicos mais sofisticados, de modo a satisfazer a todos os gostos.

Veja que essa variedade de bens satisfaz a vontade do consumidor desde o mais exigente e mais rico até o menos exigente e com menor poder de compra. O importante é que muitos produtos milhares de pessoas podem comprar todos os dias. Essa cena pode ser vista em qualquer cidade do Brasil e do mundo.

A disciplina Introdução à Economia, que estamos iniciando, se interessa, em grande medida, por essas coisas ditas comuns.

No Século XIX, Alfred Marshall disse que a Economia procura estudar os negócios comuns da vida da humanidade. Por negócios comuns, podemos entender as cenas comuns da vida econômica.

Saiba mais - Alfred Marshall (1842-1924) Considerado um pensador da economia com contribuições às teorias da demanda

e da utilidade. Matemático, se dedicou aos estudos econômicos e lecionou Economia na Universidade de Cambridge. Seu livro Princípios de Economia Política, lançado no final do século XIX, influenciou o desenvolvimento de novas pesquisas e deixou marcas nos ensinamentos da Economia Neoclássica no século XX (HUNT, 2005).

Mas, o que vem a ser a Economia? Como funciona nosso sistema econômico? Quando e por que o sistema econômico entra em crise,ocasionando mudanças de comportamento das pessoas e empresas? Você saberia

responder?

Etimologicamente, a palavra “economia” vem dos termos gregos oikós (casa) e nomos (norma, lei). Pode ser compreendida como “administração da casa”, pois, administrar uma casa é algo bastante comum na vida das pessoas. Portanto, é interessante essa aproximação do mundo da casa com o mundo da economia.

Em outras palavras, podemos dizer que a Economia estuda a maneira como se administram os recursos disponíveis com o objetivo de produzir bens e serviços, e como distribuí-los para seu consumo entre os membros da sociedade.

Agora é sua vez. Faça uma reflexão a partir de: como você e sua família tomam decisões no dia a dia? Que tarefas cada membro deve desempenhar e o que cada um vai receber em troca? Quem vai preparar o almoço e o jantar? Quem vai lavar e passar? Que aparelho de televisão vai ser comprado? Que carro vai ser adquirido? Onde passar as férias de final de ano? Quem vai? Onde vai ficar? O que você entende por necessidade humana?

Isso mesmo! A necessidade humana envolve a sensação da falta de alguma coisa unida ao desejo de satisfazê-la. Acreditamos que todas as pessoas sentem necessidade de adquirir alguma coisa, sentem desejo tanto por alimentos, água e ar, quanto por bens de consumo como comprar sapatos, sabonete, televisão, computador, geladeira etc.

Da mesma forma que uma família precisa satisfazer suas necessidades uma sociedade também precisa fazer o mesmo. Aliás, precisa definir o que produzir, para quem produzir, quando produzir e quanto produzir. Em linhas gerais, a sociedade precisa gerenciar bem seus recursos, principalmente se considerarmos que estes, de maneira geral, são escassos.

Podemos dividir as necessidades humanas em:

Primárias, naturais ou vitais – São aquelas imperiosas, isto é, que devem ser satisfeitas para garantir a subsistência do homem. Exemplo: alimentação, habitação, vestuário, medicamentos, etc.

Secundárias, sociais ou artificiais – São aquelas criadas pela civilização do homem. O não atendimento implica apenas num sofrimento não fatal. O homem pode viver sem saciar as necessidades secundárias. Exemplo: cinema, rádio, gravata, etc.

EXPLICAÇÃO SOBRE O SENTIDO DE ESCASSEZ NA ECONOMIA

Assim como uma família não pode ter todos os bens que deseja, ou seja, dar aos seus membros todos os produtos e serviços que desejam, uma sociedade também não pode fazer o mesmo. A razão para que isso aconteça está na escassez*, isto é, quando os recursos são limitados em termos de quantidade disponível para uso imediato.

Assim, a Economia tem sido entendida como o estudo de como a sociedade administra seus recursos escassos, embora haja quem discorda desse argumento.

Ainda que possamos estudar Economia de muitas maneiras, existem algumas ideias que se tornam centrais nesta disciplina, consideradas como princípios básicos de Economia por parte de alguns economistas. Portanto, para poder compreender Economia, é bom saber mais sobre o sentido da ciência econômica.

Segundo Mankiw (2005), não há nada de misterioso sobre o que vem a ser uma economia. Em qualquer parte do mundo, uma economia refere-se a um grupo de pessoas que interagem entre si e, dessa forma, vão levando a vida.

Diante disso, podemos imaginar que a primeira coisa que precisamos entender quando se quer compreender uma economia é saber como são tomadas as decisões.

*Escassez – significa a situação normal da sociedade onde os recursos são limitados para satisfazer sua demanda por bens e serviços. Fonte: Lacombe (2004).

TOMADA DE DECISÕES

O processo de tomada de decisão envolve quatro princípios:

  • Primeiro: as pessoas precisam fazer escolhas, e essas escolhas não são de graça. Elas precisam ser feitas

tendo em vista que os recursos são escassos. Não é possível atender a todas as necessidades de maneira ilimitada. Portanto, a sociedade precisa fazer suas escolhas, assim como os indivíduos.

  • Segundo: o custo real de alguma coisa é o que o indivíduo deve despender para adquiri-lo, ou seja, o

custo de um produto ou serviço refere-se àquilo que tivemos que desistir para conseguir compensar com outra coisa.

  • Terceiro: pessoas são consideradas racionais e, por isso, elas pensam nos pequenos ajustes incrementais

de todas as suas decisões, nos ganhos adquiridos em função das suas escolhas. Isto significa que as pessoas e empresas podem melhorar seu processo de decisão pensando na margem. Portanto, um tomador de decisão considerado racional deve executar uma ação se, e somente se, o resultado dos benefícios marginais forem superiores aos seus custos marginais.

  • Quarto: as pessoas reagem a estímulos. Como elas tomam suas decisões levando em conta os benefícios

e seus custos, qualquer alteração nessas variáveis pode alterar o comportamento da sua decisão. Assim, qualquer incentivo que ocorra pode alterar a conduta do tomador de decisões. Nota-se que os formuladores de políticas públicas fazem bastante uso deste princípio.

Os economistas usam o termo mudanças marginais para explicar os pequenos ajustes incrementais a uma ação existente, ou seja, a cada aumento de produção é possível verificar o nível de acréscimo alcançado.

Resumindo :

ECONOMIA : O foco de análise da Ciência Econômica é a escassez e suas conseqüências.

Definição: Economia é a ciência da escolha ,quando os recursos são escassos, ou seja,insuficientes para satisfazer necessidades e desejos ilimitados dos indivíduos.

Na realidade, a ideia de que há ganhos com o comércio foi introduzida na Economia de forma mais bem elaborada em 1776, por Adam Smith. Isto aumenta a produtividade do sistema e consequentemente a quantidade de bens e serviços à disposição das pessoas.

Saiba mais : Adam Smith

Nasceu em Junho de 1723, faleceu em 1790, com 67 anos de idade. Considerado um grande filósofo e economista – o maior dos clássicos e o pai da Ciência Econômica. Em 1776 publico o livro A Teoria dos Sentimentos Morais, um dos mais influentes livros de teoria moral e econômica do mundo. Fonte: <http://www.pensador.info/autor/Adam_Smith/biografia/>. Acesso em: 30 jun. 2009.

Dessa forma, temos mais comércio, mais desenvolvimento dos lugares e das pessoas.Você concorda?

Em economias centralizadas, são os planejadores que estabelecem quanto vai ser produzido e o que vai ser consumido. Dessa forma, apenas o governo, através do órgão de planejamento, pode organizar a atividade econômica de maneira a oferecer e atender a todas as demandas eventualmente estabelecidas pela população.

Veja que em economias de mercado essa função de estabelecer o quanto e como produzir é atribuição do mercado, ou seja, as decisões do planejador central são substituídas pelas decisões de milhares de pessoas e empresas. Diante disso, o mercado é considerado, na maioria das vezes, a melhor forma para destinar os recursos escassos. Porém, às vezes, ele falha nesse processo de destinar de maneira eficiente os recursos e fazer a distribuição equitativa de seu produto, e, quando isso acontece, o governo precisa intervir na economia.

Atenção! Quando os mercados não estão alcançando a eficiência econômica e a equidade na distribuição de renda, a intervenção do governo deve ocorrer.

Podemos dizer que a questão da capacidade de produzir bens e serviços está relacionada ao nível de produtividade do país. Para Romer (2002), o que explica as grandes diferenças de padrão de vida entre os países ao longo do tempo é a diferença de produtividade entre eles. Logo, onde a produtividade das pessoas é maior, ou seja, produzem mais bens e serviços em menos tempo, o padrão de vida é maior.

BENS E SERVIÇOS

De um modo geral, o objetivo de toda e qualquer indústria é produzir bens e serviços para vendê-los e obter lucros. Mas o que você entende por bens? E por serviços?

Podemos dizer, de forma global, que bem é tudo aquilo que permite satisfazer às necessidades humanas. Os bens podem ser:

�� Bens livres: aqueles cuja a quantidade é ilimitada e podem ser obtidos sem nenhum esforço na natureza.Por exemplo: a luz solar, o ar, o mar. Esses bens não possuem preços.

�� Bens econômicos: são relativamente escassos, têm valor no mercado, e supõem a ocorrência de esforço humano para obtê-lo. Por exemplo: um carro, um computador etc.

Os bens econômicos são classificados em dois grupos:

  • Bens materiais: como o próprio nome já diz são todos aqueles de natureza material, que podem ser

estocados e são tangíveis, tais como roupas, alimentos, livros, televisão etc.

  • Bens imateriais ou serviços: consideramos aqui tudo que é intangível. Por exemplo, serviço de um médico, consultoria de um economista ou serviço de um advogado, que acabam no mesmo momento de produção e não podem ser estocados.

Os bens materiais classificam-se em:

�� Bens de consumo: são aqueles usados diretamente para a satisfação das necessidades humanas. Estes

bens podem ser:

  • de consumo durável, tais como: carros, móveis, eletrodomésticos; e

  • de consumo não durável, como, por exemplo, gasolina, alimentos, cigarro.

�� Bens de capital: são todos os bens utilizados no processo produtivo, ou seja, bens de capital, que permitem produzir outros bens. Por exemplo: equipamentos, computadores, edifícios, instalações etc.

Tanto os bens de consumo quanto os bens de capital são classificados como:

�� Bens finais: são bens acabados, pois já passaram por todas as etapas de transformação possíveis.

�� Bens intermediários: consistem nos bens que ainda estão inacabados, que precisam ser transformados para atingir a sua finalidade principal. Por exemplo: aço, vidro e borracha usados na produção de carros.

Os bens podem ser classificados, ainda, em:

�� Bens públicos: são bens não exclusivos e não disputáveis. Referem-se ao conjunto de bens fornecidos pelo setor público, tais como: transporte, segurança e justiça.

�� Bens privados: são bens exclusivos e disputáveis. São produzidos e possuídos privadamente, como, por exemplo: televisão, carro, computador etc.

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