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ESTADO DE MATO GROSSO

SECRETARIA DE ESTADO DE CIÊNCIAS, TECNOLOGIA E ENSINO SUPERIOR

DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM.

FICHAMENTO DE CITAÇÕES

Gerontologia: Atuação da Enfermagem no Processo de Envelhecimento

Discente:

Cáceres-MT

Julho/2010.

A DIMENSÃO DA GARANTIA DO CUIDADO À PESSOA IDOSA (p. 01 – 28).

Primeiro capítulo. FIGUEIREDO, Nébia Maria de Almeida; SANTOS, Iraci; TAVARES, Renan.

Introdução (p. 01 – 04).

“(...) o envelhecimento é real e não há meios que o evite (...)” (p. 2).

O processo de envelhecer delimita mudanças expressivas de ordem individual, familiar, e social, cada um com seus significados e relevâncias. (p. 2).

É importante considerar o ciclo da vida como um processo contínuo e permanente do envelhecer. (p. 03)

Dimensão da Garantia do Cuidado à Pessoa Idosa (p. 05 – 16).

Envelhecer assusta a todos. “(...) porque é quase impossível pensar em velhice sem pensar na morte (...)”. (p. 7)

A sociedade só valoriza o perfil ágil, vigoroso, belo, etc. “(...) É preciso compreender e entender as transformações pelas quais o corpo passa (...)”. (p. 7).

Os idosos estão também sob responsabilidade do Estado, e não só das famílias, e/ou agências filantrópicas. Cuidar deles é responsabilidade de todos, mas sob o ponto de vista da enfermagem, o cuidado envolve saberes que não são apenas teóricos, mas também a essência humana: sobre biologia e os instrumentos que os fazem viver e morrer; o corpo que envelhece; as necessidades e os desejos do idoso; desvios de saúde; promoção da saúde; o ambiente onde ele está; o lazer, sua espiritualidade e sua família. (p. 09).

“(...) eles precisam se sentir úteis. (...)”. (p. 11).

A enfermagem, ao criar programas para ações de cuidar deve estar atenta aos aspectos mais visíveis do envelhecimento como a aparência física, que se apresenta significativamente na pele (rugas), etc. (p. 12).

Na área da enfermagem, o olhar para o sujeito seja ele de que idade for é completamente diferenciado. “(...) pois devem cuidar com elegância, responsabilidade e compromisso do belo se do feio, dos adores bons e ruins, dos líquidos e humores, das peles lisas e enrugadas (...)” (p. 13).

Pessoas idosas, às vezes mesmo estando dentro de uma família ou em um asilo, estão extremamente sós e sentem medo. “(...) A soma desses fatores traz depressão, que pode conduzir a doenças (...)”. (p. 14)

“(...) a velhice é uma etapa inevitável do processo biológico de viver. É necessário um esforço físico e espiritual para aceitar as dificuldades que o envelhecimento traz para o cotidiano de ser idoso ou de cuidar de um (...)” (p. 16).

O Cuidar do Idosos (p. 17 – 24)

“(...) Entre os idosos, muitos têm origem humilde, são trabalhadores pobres, subempregados, moram em favela e ruas, por isso vivem e se alimentam mal. que vivem e alimentam-se mal. Envelhecem precocemente, o que fazem serem vistos como intelectualmente diferentes dos velhos pertencentes às classes privilegiadas (...)” (p. 18).

A enfermagem deve estar atenta às intensas modificações que o corpo sofre. “(...) não deve tratar-se em degeneração, com perdas, diminuição das funções dos sentidos, desorganizado, fragilizado, esquecido, às vezes muito triste; ao contrário, precisa valorizar sua autoimagem (...)”. “(...) O trabalho é tanto de quem cuida quanto de quem envelhece, pois, para isso, é preciso aceitar a velhice (...)”. (p. 19).

A solidão na terceira idade é muito freqüente por vários motivos: não ter o que fazer, a dificuldade de se relacionar, a falta de orientação. (p. 10).

“(...) a solidão, que aumenta quando pessoas se aposentam, quando a família segue o curso da própria vida e, por isso distancia-se (...)” (p. 21).

É imprescindível encontrar maneiras de estar junto de alguém que está sofrendo de solidão e tornar contínua a convivência. Pra isso é necessário ouvir; oferecer o ombro, se houver necessidade. (p. 21).

Na terceira idade, é inevitável sentir a proximidade da morte. “(...) o próprio corpo mostram que ela é real (...)” (p. 23)

Morrer é parte da existência humana, e assumir o envelhecimento é um posicionamento pessoal (p. 23).

Ideologia de Enfermagem (p. 25 – 27)

Para a Enfermagem, cuidar da terceira idade inclui uma dimensão estética (sentimento do belo), em que pode ser possível transformar a velhice num ciclo vital de completude, como uma experiência dignificante que acena para diferentes modos de viver, de sofrer, de enfrentar a vida e de resistir. (p. 24).

A enfermagem pode contribui concretamente para o bem-estar psíquico e físico, não só do idoso, mas também dos profissionais e da família que cuidam dele (p. 27).

PARA ENTENDER O ENVELHECIMENTO (P. 29 – 72). Segundo Capítulo. SANTANA, Rosimere Ferreira; SANTOS, Iraci dos.

Berger e Mailloux – Poirier (1995) que a velhice é um processo inelutável caracterizado por um conjunto complexo de fatores fisiológicos, psicológicos e sociais específicos de cada indivíduo. Modificações morfofuncionais e psicológicas que determinam perda da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio. No entanto o que se utiliza é a idade cronológica, a partir de 60 anos se considera idoso.

Para os biológicos envelhecer é uma série de mudanças letais que diminui as probabilidades de sobrevivência do individuo.

Teorias biológicas, psicológicas e outras foram criadas no intuito de explicar o envelhecimento. As oito idades do ser humano de Erik Erikson foram à teoria mais difundida no Brasil. Para ele a velhice era vista como o processo de auto-aceitação, o desenvolvimento de integridade da história pessoal e a formação de um ponto de vista sobre a morte.

O curso de vida das pessoas são determinadas por crenças culturais. Os eventos sociais são marcadores de desenvolvimento como, por exemplo, “esta na hora de casar”, assim como biológicos “menarca, menopausa”.

As teorias sociológicas são classificadas de acordo com as gerações, para que seja possível conhecer suas origens intelectuais e a contribuição das teorias anteriores para a formulação de novas explicações.

A primeira geração analisa o indivíduo abordando fatores como papéis sociais, sendo chamado nível microssocial. A segunda geração chamada nível macrossocial se concentra nas transformações das condições sociais. Já a terceira geração agrupa teorias que criticam e sintetizam as proposições dos dois níveis.

Dentre as teorias da primeira geração temos a teoria do desengajamento ou afastamento – Cumming e Henry que aborda o processo de envelhecimento sob a ótica das demandas e dos requisitos da sociedade, ou seja, o idoso é visto como agente passivo do sistema social.

Outra teoria da atividade – Havighurst – segundo ela, o declínio das atividades físicas e mentais associado à velhice é um fator determinante das doenças psicológicas e do retraimento social do idoso, refaça o poder do pensamento positivo ou da ação positiva. No entanto, é necessário avaliar o grau de satisfação na vida de cada indivíduo, fator que não é considerado nessa teoria.

A modernização – Cowgill e Holmes coloca como argumento centrala ligação do status dos idosos com o grau de industrialização da sociedade. Volta sua preocupação para a exclusão dos idosos. Destacando quatro fatores: a tecnologia cientifica que leva a criação de novas ocupações, a urbanização que inclui a separação entre o trabalho e a vida doméstica, a educação intensiva os jovens representa o progresso e por isso, os recursos educacionais são votados a eles; excluindo o idosos são compelidos a abandonar o mercado de trabalho devido a modificação da estrutura demográfica e o aumento da produtividade.

A teoria da subcultura surgiu nos Estados Unidos com o objetivo de explicar grupos ativistas que segundo pesquisadores, desenvolvem uma cultura própria que se reflete em crenças e interesses comuns desse grupo etário. Essas crenças e interesses são fomentados pela exclusão social, restrição de oportunidades de interação com outros grupos etários.

As pessoas envelhecidas estão em grupo para identificação com outras pessoas de sua faixa etária. Com o passar dos anos, o idoso dependente é comparado à criança, formando uma visão negativa do involuir da pessoa que envelhece.

As teorias sociológicas da 2ª geração temos a Teoria da Continuidade enfoca o envelhecimento como parte integrante do ciclo de vida onde as situações sociais, os hábitos e o estilo de vida adquiridos determinam sua adaptação, de forma que o planejamento dos cuidados seja com base na individualidade de cada um.

Essa teoria inspirou a perspectiva do curso de vida que tem como proposições fundamentais o envelhecimento como um processo social, biológico e psicológico que é abordado do nascimento para a morte.

A teoria do colapso de competência analisa as conseqüências negativas que podem acompanhar as crises da idade avançada, a atuação nos ambulatórios de neurogeriatria onde os profissionais tentam apoiar, orientar e treinar cuidadores e familiares de idosos com demência.

A teoria da troca coloca que a pessoa idosa é compelida a afastar-se das interações sociais pelo fato de possuir poucos recursos em comparação com os mais jovens. Muitos familiares só se aproximam dos idosos que tem poder aquisitivo, quando não o abandonam em um asilo e ficam com o seu dinheiro.

Teoria Político-Econômica coloca que o complexo médico-geriátrico é controlado por interesses econômicos e, por isso, aborda o envelhecimento como desengajamento da vida social, perda da independência e de autocontrole e redução de atividades.

Teorias Sociais da 3ª geração- Teoria Crítica concentra-se em duas dimensões –aa estrutural e a humanística, e como base para a investigação gerontologica os conceitos de poder, de ação social e de significados sociais. A gerontologia social fundamentada no positivismo produziu um modelo de envelhecimento que considera como problemas sociais aspectos que se desviam dos padrões considerados normativos.

As teorias biológicas tentam explicar o envelhecimento com base no determinismo, utilizando alterações celulares, moleculares e bioquímicos não considerando a individualidade, as relações afetivas e a espiritualidade do ser humano. Por isso a enfermagem deve dominar o conhecimento sobre as teorias biológicas para saber trabalhar não somente considerando as alterações fisiológicas do envelhecimento, mas os ganhos e as conquistas desmistificando a idéia de que a velhice é uma fase somente de perdas.

Por fim o que realmente se espera com o desenvolvimento dessas teorias é que promovam o incentivo ao bem-estar do idoso e que os incluam nas políticas públicas.

ESTAR E SER IDOSO: ASPECTOS GERIÁTRICOS E GERONTOLÓGICOS (p. 73 – 108). Terceiro capítulo. SILVA, Jaqueline da.

No inicio do século XX varias condições e problemas de saúde de altas incidências e prevalências como demência, incontinências fram descritas como normais nessa fase da vida.

Atualmente, o processo de envelhecimento normal inicia-se no momento da concepção do ser humano e que nenhum problema de saúde ou doença foi cientificamente comprovado como exclusivo da coorte idosa ou das pessoas acima de 60 anos.

Geriatria é o ramo das ciências da saúde que trata das doenças de pessoas em idade avançada.

Gerontologia é uma área que abrange as ciências de saúde e sociais. Defini-se como o estudo cientifico dos diferentes aspectos -fisiológicos, patológicos, psico-sociocultural- do envelhecimento que causam, aceleram, concorrem, integram, interferem e permeiam e permeiam esse processo. Assim a enfermagem interage e cuida das pessoas idosas de forma holística e integral.

Sabe-se que as pessoas que foram pobres durante toda a vida permanecem pobres quando envelhecem. A previdência social tornase então a principal ou única fonte de renda. Geralmente, essas pessoas ficam doente facilmente porque se alimentam mal e vivem em situações precária, tem maior dificuldade para cuidar de si mesma de maneira adequada. A aposentadoria de valor menor que o que ganhavam contribui para a depreciação da posição socioeconômica do idoso, privando-o de adquirir novos bens, medicamentos, acesso a outros recursos.

O ideal é que todos os esforços sistemáticos que vivem a melhora das condições de vida e saúde do idoso envolvam tanto a abordagem comunitária quanto a individual. É necessário conhecer a realidade da comunidade para programas os serviços, as atividades, levar em consideração o fator humano.

Tanto a presença quanto a ausência de equilíbrio representam uma experienca autônoma e concreta para a pessoa idosa que, objetivamente, sente se está em equilíbrio ou se o perdeu.

Segundo silva -1995- idosos relataram sentir-se bem quando estão em equilíbrio e fazem o que tem vontade. Isso depende da sua capacidade/habilidade da pessoa ou do grupo idoso de interagir com o que lhe é importante em seu ambiente histórico, cultural, social, econômico, natural e tecnológico, da forma mais significativa e bem-sucedida possível.

Por definição, as doenças crônico-degenerativas são problemas longitudinais que raramente podem ser curados, sendo a 8ª causa de morte em idosos nas Américas do Sul e do Norte. De modo geral são classificadas com base em critérios genético-biológico e variam conforme o curso e seus efeitos, sendo vista como grande ameaça para a saúde e a situação financeira, nos níveis individuais e coletivos.

A motivação é importante para adesão e manutenção das praticas de auto-cuidado em idoso acima de 65 anos e antecede qualquer adesão a tratamentos e práticas recomendadas.

Os idosos necessitam de detalhadas avaliações, pois normalmente a doença crônica é explicitada durante um exame de rotina sem contar que frequentemente os idosos tem mais de um problema de saúde.

Diversas intervenções vem sendo utilizadas para as pessoa, no entanto, nem sempre são aplicáveis de forma individual. Essas praticas acabam implicando em importantes modificações de comportamento e de vida social o que dificulta na adesão e manutenção aos planos de tratamento.

Da Silva considera que as identidades bologicas, pessoal e social do idoso, combinadas, influenciam as negociações intimas entre o seu eu e a interpretação das lições aprendidas de seus corpos e da sociedade com o passar dos anos. Portanto, alem de assegurar a participação do idoso é importante certificar-se da interpretação e dos significados das prioridades clinicas do cliente e do profissional, enfocando sempre o auto-cuidado. O corpo físico, histórico e emocional é uma referencia importante para o idoso.

Por mais que os profissionais de saúde façam orientações quanto ao autocuidado, para que sejam iniciadas e mantidas é necessário o desejo do idoso em se cuidar. Geralmente a aderência é maior quando estas recomendações são importantes para recuperar ou manter alguma função que os permitiria fazer atividades importantes em sua vida.

Seja de alta ou baixa incidência, um problema de saúde no idoso é um problema gerontológico complexo. Por isso, a assistência de enfermagem gerontológica necessita ser holística, integral, competente, eficiente, criativa e motivadora, para auxiliar o idoso na manutenção de uma melhor qualidade de vida e de um equilíbrio de saúde possível.

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