Farmacologia integrativa da inflamação gota

Farmacologia integrativa da inflamação gota

Farmacologia Integrativa da Inflamação: Gota 47

Ehrin J. Armstrong e Lloyd B. Klickstein

Introdução Caso Fisiologia do Metabolismo das Purinas Fisiopatologia da Gota Classes e Agentes Farmacológicos

Manejo da Gota Aguda: Supressores do Recrutamento e da

Ativação dos Leucócitos Agentes Antiinflamatórios Não-Esteróides (AINE) Colchicina

Glicocorticóides

Manejo da Gota Crônica: Agentes que Reduzem a Concentração

Plasmática de Urato Agentes que Diminuem a Síntese de Ácido Úrico Agentes que Aumentam a Excreção de Ácido Úrico Agentes que Intensificam o Metabolismo do Ácido Úrico

Conclusão e Perspectivas Futuras Leituras Sugeridas

A gota é uma doença que acomete exclusivamente os seres humanos. Os mamíferos possuem, em sua maioria, a uricase, uma enzima que metaboliza os produtos de degradação das purinas em uma substância livremente hidrossolúvel, a alantoína. Em contrapartida, os seres humanos excretam a maioria das purinas na forma de ácido úrico pouco solúvel. A presença de níveis plasmáticos elevados de ácido úrico pode levar ao depósito de cristais de ácido úrico nas articulações, mais freqüentemente na primeira articulação metatarsofalangiana (do hálux). As crises agudas de gota causam dor intensa, mas tipicamente ocorrem com pouca freqüência. Dispõe-se de diversos fármacos racionais para o tratamento da gota, incluindo fármacos que suprimem a resposta imune ao depósito de cristais, agentes que limitam a extensão da inflamação, agentes que reduzem a síntese de ácido úrico e fármacos que aumentam a excreção renal de ácido úrico. Essas intervenções farmacológicas proporcionam um tratamento efetivo para a maioria dos casos de gota.

n Caso

O Sr. J, 52 anos de idade, acorda numa manhã sentindo dor excruciante no hálux. Até mesmo o peso do lençol é suficiente para fazê-lo gritar; é incapaz de colocar uma meia nem sequer calçar o sapato. Preocupado com algo terrível que possa ter acontecido, o Sr. J corre logo para o médico. Com base na anamnese e nos achados físicos, o médico estabelece o diagnóstico de crise aguda de gota. Prescreve ibuprofeno, que alivia a dor depois de 2 dias. O Sr. J passa então muito bem durante os próximos 5 anos, quando os sintomas recidivam e ele se automedica com ibuprofeno, obtendo resultados positivos. A seguir, aprende a antecipar as crises, cuja freqüência aumenta lentamente até ocorrerem uma vez por semana. Passa a tomar ibuprofeno ao primeiro sinal de dor.

Após o início de uma de suas crises, pela manhã, o Sr. J procura o seu médico porque a dor não é mais aliviada com ibuprofeno. O exame minucioso revela que o joelho esquerdo, o pé direito e a primeira articulação metatarsofalangiana direita estão tumefeitos, vermelhos e quentes. São detectados nódulos móveis de 0,5 cm próximo ao olécrano, de distribuição bilateral, bem como outro nódulo no pólo inferior da patela direita. O restante do exame não revela outras anormalidades. O médico procede a uma aspiração do joelho do paciente; a amostra revela um líquido amarelo turvo que, ao exame microscópico, contém numerosos leucócitos. São também observados cristais microscópicos em forma de agulha em quantidade abundante, alguns dos quais intracelulares. A radiografia do joelho esquerdo é normal, exceto pela presença de derrame; a do pé direito revela uma erosão na parte distal do primeiro metatarso.

O Sr. J é tratado com colchicina durante 3 dias e com naproxeno durante 2 dias. O seu estado melhora rapidamente. Três semanas depois, ele volta ao médico sentindo-se bem. O médico lhe fornece uma prescrição de alopurinol para uso prolongado e outra de colchicina para uso durante os primeiros meses de tratamento com alopurinol.

n 1. Por que o ibuprofeno foi efetivo no alívio da maioria das crises agudas de dor do Sr. J? n 2. Como o ibuprofeno e a colchicina reduzem a resposta inflamatória durante a crise aguda de gota? n 3. Como o alopurinol atua? Este fármaco irá alterar a freqüência de crises dolorosas do Sr. J? n 4. Por que o Sr. J toma colchicina durante os primeiros meses de tratamento com alopurinol?

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