Filosofia da Administração, Metodologia e Ã?tica

Filosofia da Administração, Metodologia e Ã?tica

Filosofia da Administração, Metodologia e Ética.

Roberto Coelho

 

Uma Introdução:

 

Uma das primeiras dificuldades a ser transpostas no ensino de filosofia é a concepção popular que boa parte dos alunos trazem em relação à disciplina. “Ela é chata!

São comuns expressões como: filosofia como enrolação, filosofia como “perfumaria”, filosofia como alguma coisa sem praticidade, filosofia como “coisa de louco”.

Com raríssimas exceções, o termo filosofia na acepção corrente, significa apenas um domínio nebuloso de problemas sem solução, destituídos de sentido, distante do cotidiano, um estudo sem nenhuma utilidade prática.

Puro engano! Vejamos:

O conhecimento filosófico se torna imprescindível para conhecermos as coisas que nos rodeiam. Os executivos de uma empresa assumem posturas filosóficas, os religiosos, os políticos, os roqueiros, os ecologistas, os sindicalistas e assim por diante, quer os próprios agentes tenham consciência disso ou não.

Em suma, a filosofia está presente na existência humana e sua utilização permite ao ser humano pensar com clareza, refletir mais profundamente sobre suas ações.

 

Aspectos Históricos

 

1. O surgimento

 

Desde que o homem primitivo começou a refletir sobre suas ações, temos os primeiros rudimentos da filosofia, isto é, o esforço para entender os fatos e acontecimentos a sua volta Entretanto, para efeito de estudo sistematizado, aceita-se que a Filosofia Ocidental surge nas colônias gregas da Ásia Menor, representando um enorme avanço no desenvolvimento do homem em relação ao seu passado. Surgiu no momento em que o ser humano se tornou autoconsciente, contrapondo-se as explicações mitológicas dos deuses gregos de até então.  Autoconsciência é a capacidade que o ser humano possui de abstrair-se de uma situação, refletir sobre ela e formar seus próprios juízos provenientes da reflexão.

O ser humano ao atingir determinado estado de evolução mental que passou a perceber a problemática do ato de conhecer racionalmente o mundo à sua volta.

A morte, a doença, o nascimento, a guerra, a liberdade e escravidão, o contato com os semelhantes, o envelhecimento, o universo, o trabalho começaram a ser objeto de reflexão filosófica por serem pontos de referência da condição humana.

Através do esforço consciente de sua vontade e inteligência, o ser humano começou a perceber o vínculo existente entre as coisas individuais presentes no mundo, aparentemente desconexas.

A palavra Inteligência vem do latim intelegere, ler entre linhas, isto é perceber o que se esconde por detrás das coisas aparentemente desconexas.

Neste ponto, torna-se instrutivo relembrarmos a afirmação do pensador Karl Marx na obra Ideologia Alemã: “Se as coisas aparecessem diretamente à consciência dos homens, não haveria necessidade nem da ciência, nem da filosofia”.

Desse modo, a filosofia assinala a passagem do discurso mítico para o discurso epistêmico, dando assim. início ao ciclo histórico da ciência em nossa cultura, com a supremacia do pensar em relação ao acreditar.

O pensamento, este maravilhoso criador de conceitos e sentidos, passou a ser o responsável por todos os nossos valores, servindo de fundamento para todas as nossas construções, em todos os níveis por todas as épocas. 
Hoje, podemos perceber claramente que o ser humano ‘e um formulador de idéias, opiniões e conceitos. Cada era, cada sociedade, cada grupo cultural se caracteriza pela sua forma de ver o mundo. 
Mas, retomando novamente as origens, foi com o despertar da inteligência humana, através da filosofia (filo –amigo / Sofia – sabedoria ) que surgiram inúmeras maneiras de abordagem para velhos problemas, os pensadores passaram a relativizar os conceitos de verdade acabada tão implícitos nas crenças mitológicas de então.

Podemos constatar que a filosofia sempre foi uma atividade caracteristicamente humana, tendo nascido no dia em que o homem se tornou autoconsciente, constituindo, desde então, um prática voltada para o trabalho, a serviço da compreensão e transformação do mundo.

 

2. Antecedentes

 

A Mitologia Grega

 

Até o século VI ªC. predominavam as crenças mitológicas, isto é, os mitos através de narrativas explicavam a realidade humana. Essas narrativas apresentam estrutura circular, tendo sempre como referência o eterno presente.

Aa mitologia apresenta o conhecimento como acabado, sem questionamentos, atribuindo aos deuses, todas as causas dos acontecimentos.

Os deuses são os responsáveis por tudo que acontece aos seres humanos na terra.

Para ilustrar, vejamos duas narrativas da mitologia grega:

 

A Benção dos Deuses

 

A Deusa-Mãe deu aos homens vida. Isso os deixava demasiadamente intrigados. Eles olhavam-se curiosos e admirados, e então partiam para buscar por comida. Lentamente descobriram que a fome poderia ter muitas formas. Certa manhã os homens seguiram um filhote de urso extraordinariamente gordo até uma colina coberta de arbustos que balançavam pesadamente com frutos vermelhos. Eles começaram a banquetear imediatamente, pouco atentos aos tremores que iniciavam sobre seus pés. Devido ao estremecimento, uma fenda abriu-se no topo do morro, e dela emergiu Pandora, com suas serpentes terrenas. Os mortais estavam paralisados de medo, mas a deusa arrastou-os para Sua aura. “Eu sou Pandora, a Doadora de todos os Presentes. Ela retirou a tampa de seu grande jarro. Dele tirou uma romã, que se tornou uma maçã, que se tornou um limão, que se tornou uma “pêra”. Eu trago árvores cheias de flores que dão muitos frutos, árvores retorcidas com olivas penduradas e essa videira que irá sustentar vocês “. A deusa pegou no jarro uma porção de sementes as quais espalhou pela colina. “Eu trago a vocês plantas para matar a fome e para curar a doença, para tecelagem e tinturaria. Sob a minha superfície vocês encontrarão minerais e argilas de inúmeras formas”. Ela pegou do jarro duas pedras achatadas. “Atentem ao meu presente: Eu trago pederneiras”. Então Pandora virou seu jarro de lado, inundando por toda a colina a sua graça. Os mortais banhavam-se nas cores de Sua aura. “Eu trago maravilhas, curiosidade e memória. Eu trago sabedoria. Eu trago justiça com misericórdia. Eu trago laços de cuidado e de comunhão. Eu trago coragem, força e persistência. Eu trago amabilidade para todos os seres. Eu trago as sementes da paz”.

 

A Caixa de Pandora e a Criação do Homem

 

Céu e terra já estavam criados. A parte ígnea, mais leve, havia se espalhado e formado o firmamento. O ar colocou-se em seguida. A terra, sendo a mais pesada, ficou para baixo e a água ocupou o ponto inferior, fazendo flutuar a terra. E neste mundo assim criado, habitavam as plantas e os animais. Mas faltava a criatura na qual pudesse habitar o espírito divino. Foi então que chegou a terra o titã Prometeu, descendente da antiga raça de deuses destronada por Zeus. O gigante sabia que na terra estava adormecida a semente dos céus. Por isso apanhou um bocado de argila e molhou com um pouco de água de um rio. Com essa matéria fez o homem, à semelhança dos deuses, para que fosse o senhor da terra. Apanhou das almas dos animais características boas e más, animando sua criatura. E Atena, deusa da sabedoria, admirou a criação do filho dos titãs e insuflou naquela imagem de argila o espírito, o sopro divino. Foi assim que surgiram os primeiros seres humanos, que logo povoaram a terra. Mas faltavam-lhes os conhecimentos sobre os assuntos da terra e do céu. Vagavam sem saber a arte da construção, da agricultura, da filosofia. Não sabiam caçar ou pescar - e nada sabiam da sua origem divina. Prometeu se aproximou e ensinou às suas criaturas todos esses segredos. Inventou o arado para que o homem plantasse, a cunhagem das moedas para que houvesse o comércio, a escrita e a mineração. Ensinou-lhes a arte da profecia e da astronomia, enfim todas as artes necessárias ao desenvolvimento da humanidade. Ainda faltava-lhes um último dom para que pudessem manter-se vivos: o fogo. Este dom, entretanto, havia sido negado à humanidade pelo grande Zeus. Porém, Prometeu apanhou um caule do nártex, aproximou-se da carruagem de Febo (o Sol) e incendiou o caule.

 

Com esta tocha, Prometeu entregou o fogo para a humanidade, o que dava a ela a possibilidade de dominar o mundo e seus habitantes. Zeus, porém, se irritou ao ver que o homem possuíra o fogo e que sua vontade fora contrariada. Por isso tramou no Olimpo a sua vingança. Mandou que Hefaístos fizesse uma estátua de uma linda donzela, e chamou-a Pandora - “a que possui todos os dons”, pois cada um dos deuses deu à donzela um dom. Afrodite deu-lhe a beleza, Hermes o dom da fala, Apolo, a música. Ainda vários outros encantos foram colocados na criatura pelos deuses. Zeus pediu ainda que cada imortal reservasse um malefício para a humanidade. Esses presentes maléficos foram guardados numa caixa, que a donzela levava às mãos. Pandora, então, desceu a terra, conduzida por Hermes, e aproximou-se de Epimeteu - “o que pensa depois”, o irmão de Prometeu - “aquele que pensa antes” e diante dele abriu a tampa do presente de Zeus. Foi então que a humanidade, que até aquele momento havia habitado um mundo sem doenças ou sofrimentos, se viu assaltada por inúmeros malefícios. Pandora tornou a fechar a caixa rapidamente, antes que o único benefício que havia na caixa escapasse: a esperança.

 

Zeus dirigiu então sua fúria contra o próprio Prometeu, mandando que Hefaístos e seus serviçais Crato e Bia (o poder e a violência) acorrentassem o titã a um despenhadeiro do monte Cáucaso. Mandou ainda uma águia para devorar diariamente o seu fígado que, por ser ele um titã, sempre se regenerava. Seu sofrimento durou por inúmeras eras, até que Hércules passou por ali e viu o sofrimento do gigante. Abateu a gigantesca águia com uma flecha certeira e libertou o cativo das suas correntes. Entretanto, para que Zeus tivesse sua vontade cumprida, o gigante passou a usar um anel com uma pedra retirada do monte. Assim, Zeus poderia sempre afirmar que Prometeu mantinha-se preso ao Cáucaso.

Narrativas fantásticas, porém, nada condizentes com as necessidades de evolução mental do ser humano. O conhecimento precisava de bases sólidas e essa tarefa coube aos primeiros que filosofaram.

Embora, as explicações mitológicas ainda continuassem, por volta do século VI, pensadores como Tales de Mileto, Heráclito, Demócrito procuravam dar explicações racionais para os acontecimentos da existência humana.

A Filosofia: O saber claro

Buscar conhecer como são as coisas da vida através da filosofia para entender racionalmente o mundo, eis a pretensão da filosofia.

Com base em tal pretensão, grandes descobertas ocorreram. Se nos reportarmos a história constataremos que, praticamente, todos os povos da antiguidade desenvolveram formas diferentes de saber. Os indianos e mulçumanos desenvolveram a matemática e a astronomia; os egípcios a trigonometria; os romanos, a hidráulica e o direito; os gregos além de desenvolverem geometria, a mecânica, a lógica, a astronomia, sistematizaram filosoficamente as condições de formação do conhecimento.

Diferenças entre a Filosofia Ocidental e Oriental

Orientais e ocidentais possuem temperamentos radicalmente diferentes. Por exemplo: gregos e chineses, romanos e hindus, tendem a ter concepções de mundo diametralmente opostas.

Se todos nós pertencêssemos a um mesmo contexto cultural, se a nossa história pessoal estivesse alicerçada sobre uma raiz comum, talvez não existisse tantas visões de mundo.

É muito comum, o oriental dar explicações através de estorinhas e fábulas, enquanto o ocidental o faz através de conceitos. Temos aqui, duas lógicas diferentes: a lógica formal predominante no Ocidente e a lógica paradoxal, predominante no Oriente.

A filosofia ocidental, que se baseia no maniqueísmo socrático do bem e do mal, propõe como método de aperfeiçoamento do espírito, o sofrimento e o sacrifício (pecado original), dando à vida o aspecto de um túnel, passagem, sem que exista nela própria uma finalidade mais ampla do ser, postergando a transcendência - o “insight” - para depois da existência - o popular mito da vida depois da morte - ou, em outras palavras, para ser bem claro, a vida depois da vida.

A filosofia oriental procura expressar uma relação com a vida imediata, física, sensorial. Possui na sua origem milenar, o bucolismo e a contemplação da época de seu surgimento; fator de sua inadaptabilidade aos tempos “zapt-zupt” de hoje, que com seus aparatos de milagres técnicos, aproxima estas e outras culturas, permitindo que crenças e idéias circulem sem barreiras pelo planeta, revelando as mais diferentes verdades.

O Choque cultural da descoberta dessa diversidade possibilita a desmistificação de todos os dogmas, seguida do desvendamento dos truques embutidos nos totens sagrados, quebrando tabus, liberando o homem para experimentar fontes renováveis de prazer e energia, inventando suas próprias estâncias e rotinas anímicas, de acordo com a evolução dos fatos que se dimensionam neste pulsar.

É importante ressaltar que enquanto os povos do Oriente Antigo nos deixaram um legado do conhecimento empírico, isto é, o conhecimento baseado na experiência, os gregos nos deixaram um tipo de reflexão que se destacou pela possibilidade de gerar teorias unitárias sobre a natureza e desvincular o saber racional do saber mitológico.

Apesar dos gregos não abandonarem sua mitologia e cosmogonia em favor de um saber racional, começaram a ter consciência das diferenças entre essas duas espécies de conhecimento.

Com a abordagem racional do conhecimento surge o elemento central da filosofia: a dúvida.

 

Questionamento

 

Para se começar a discorrer sobre o conhecimento é de se esperar que seu autor comece pela definição do assunto em questão. O que é “filosofia”? A resposta, certamente será uma delimitação, isso é, uma escolha que o autor fará em virtude de suas intenções. Porém, certo ou errado, não me proponho a tal. A definição de “filosofia” variará segundo a própria filosofia que adotarmos para analisarmos o fato em questão.

 Diremos apenas que há certos problemas, julgados interessantes por certas pessoas, mas que não pertencem, pelo menos até agora, a qualquer uma das ciências especiais. Esses problemas são de molde a levantar dúvidas a respeito do que comumente se entende por conhecimento; e se as dúvidas requerem resposta, esta virá unicamente por meio de um estudo especial, a que denominamos “filosofia”.

Portanto, o primeiro passo para definir “filosofia” está na indicação de tais problemas e dúvidas. Alguns questionamentos são universais e estão presentes em praticamente todos os sistemas filosóficos:

1) Quem somos?

2) Por que estamos no mundo?

3) Qual a finalidade da vida?

Por que essas perguntas são importantes?

Porque dependendo da concepção que tivermos de natureza humana e daquilo que acreditarmos ser a finalidade da vida, conceberemos nossa conduta no mundo.

Nesse aspecto podemos definir a filosofia como “concepção geral de mundo da qual se deduz certa forma de conduta”.

Contudo, para responder essas questões fundamentais, penetraremos em outros ramos do conhecimento pertinentes à filosofia: a religião e a ciência. 

Religião – Filosofia - Ciência

Os conceitos da vida e do mundo que chamamos “filosóficos” são produto de dois fatores: um, constituído de fatores religiosos e éticos herdados; o outro, pela espécie de investigação que podemos denominar “científicas”, empregando a palavra em seu sentido mais amplo. Os filósofos, individualmente, têm diferido amplamente quanto às proporções em que esses dois fatores entraram em seu sistema, mas é a presença de ambos que, em certo grau, caracteriza a filosofia.

“Filosofia” é uma palavra que tem sido empregada de várias maneiras, umas mais amplas, outras mais restritas. Pretendo empregá-la em seu sentido mais amplo: ‘Filosofia como uma concepção geral do mundo, da qual se deduz certa forma de conduta”, como procurarei explicar adiante. A filosofia, conforme entendo a palavra, é algo intermediário entre a teologia e a ciência.

 

A teologia consiste de especulações sobre assuntos a que o conhecimento exato não conseguiu até agora chegar, mas, como ciência, apela mais à razão humana do que à autoridade, seja esta a da tradição ou a da revelação.

Todo conhecimento definido - eu o afirmaria - pertence à ciência; e todo dogma quanto ao que ultrapassa o conhecimento definido, pertence à teologia. Mas entre a teologia e a ciência existe uma Terra de Ninguém, exposta aos ataques de ambos os campos: essa Terra de Ninguém é a filosofia. Quase todas as questões do máximo interesse para os espíritos especulativos são de tal índole que a ciência não as pode responder, e as respostas confiantes dos teólogos já não nos parecem tão convincentes como o eram nos séculos passados.

 Alguns questionamentos são universais:

1. Acha-se o mundo dividido em espírito e matéria?

2. E, supondo-se que assim seja, que é espírito e que é matéria?

3. Acha-se o espírito sujeito à matéria, ou é ele dotado de forças independentes?

4. Possui o universo alguma unidade ou propósito?

5.Está ele evoluindo rumo a alguma finalidade?

6. Existem realmente leis da natureza, ou acreditamos nelas devido unicamente ao nosso amor inato pela ordem?

7. É o homem o que ele parece ser ao astrônomo, isto é, um minúsculo conjunto de carbono e água a rastejar, impotentemente, sobre um pequeno planeta sem importância?

8.Existe uma maneira de viver que seja nobre e uma outra que seja baixa, ou todas as maneiras de viver são simplesmente inúteis?

9.Se há um modo de vida nobre, em que consiste ele, e de que maneira realizá-lo?

10. Deve o bem ser eterno, para merecer o valor que lhe atribuímos, ou vale a pena procurá-lo, mesmo que o universo se mova, inexoravelmente, para a morte?

11. Existe a sabedoria, ou aquilo que nos parece tal não passa do último refinamento da loucura.

 Tais questões não encontram resposta no laboratório. As teologias têm pretendido dar respostas, todas elas demasiado concludentes, mas a sua própria segurança faz com que o espírito moderno as encare com suspeita. O estudo de tais questões, mesmo que não se resolva esses problemas, constitui o empenho da filosofia.

Mas por que, então, - poderíeis perguntar - perder tempo com problemas tão insolúveis?

A isto, poder-se-ia responder como historiador ou como indivíduo que enfrenta o terror da solidão cósmica. A resposta do historiador, tanto quanto me é possível dá-la, aparecerá no decurso desta obra. Desde que o homem se tornou capaz de livre especulação, suas ações, em muitos aspectos importantes, têm dependido de teorias relativas ao mundo e á vida humana, relativas ao bem e ao mal. Isto é tão verdadeiro em nossos dias como em qualquer época anterior. Para compreender uma época ou uma nação, devemos compreender sua filosofia e, para que compreendamos sua filosofia, temos de ser, até certo ponto, filósofos. Há uma relação causal recíproca. As circunstâncias das vidas humanas contribuem muito para determinar a sua filosofia, mas, inversamente, sua filosofia muito contribui para determinar tais circunstâncias. Essa ação mútua, através dos séculos, será o tema das páginas seguintes.

Há, todavia, uma resposta mais pessoal. A ciência diz-nos o que podemos saber, mas o que podemos saber é muito pouco e, se esquecemos quanto nos é impossível saber, tornamo-nos insensíveis a muitas coisas sumamente importantes.

A teologia, por outro lado, nos induz â crença dogmática de que temos conhecimento de coisas que, na realidade, ignoramos e, por isso, gera uma espécie de insolência impertinente com respeito ao universo.

A incerteza, na presença de grandes esperanças e receios, é dolorosa, mas temos de suportá-la, se quisermos viver sem o apoio de confortadores contos de fadas, Não devemos também esquecer as questões suscitadas pela filosofia, ou persuadir-nos de que encontramos, para as mesmas, respostas indubitáveis. Ensinar a viver sem essa segurança e sem que se fique, não obstante, paralisado pela hesitação, é talvez a coisa principal que a filosofia, em nossa época, pode proporcionar àqueles que a estudam.

 

  Os estudos de filosofia estão assentados sobre quatro pilares básicos, cuja reflexão permite entender os diferentes pressupostos e posições existenciais assumidas pelos seres humanos em sua relação com o mundo. São eles:

a)Teoria do conhecimento – estuda as possibilidades e os limites do conhecimento

b)  Lógica – estuda os procedimentos metodológicos racionalmente adequados para análise daquilo que nos cerca.

c)Estética – estuda as diversas facetas do belo

d)  Ética – o comportamento humano socialmente aceitável.

Para as finalidades do nosso estudo nos deteremos em alguns aspectos da Ética e da Teoria do Conhecimento.

 

Ética

A ética sempre fez parte da filosofia, tendo como seu objeto de estudo a moral, o dever fazer, a qualificação do bem e do mal, a melhor forma de agir coletivamente.

  Procura estabelecer princípios e universalmente válidos de valorização e condução na vida. Entretanto, cada época histórica possui uma determinada moral.

 Definição

 

Segundo o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira[1]:

“Ética é o estudo dos juízos de apreciação referente a conduta humana suscetível de qualidade do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto”.

A finalidade dos códigos morais é reger a conduta dos membros de uma comunidade, de acordo com princípios de conveniência geral, para garantir a integridade do grupo e do bem estar dos indivíduos que o constituem. Assim, o conceito de pessoa moral se aplica apenas ao sujeito enquanto parte de uma coletividade.

Ética é a disciplina crítico normativa que estuda as normas do comportamento humano, mediante as quais o homem tende a realizar na prática atos identificados com o bem.

Temos inúmeras éticas:

a)  No plano das civilizações: ética ocidental, ética Islâmica, ética chinesa, ética hindu, ética budista e outras. É interessante neste particular observarmos alguns preceitos. Por exemplo: o perdão que é considerado uma virtude na moral do ocidente, pode ser considerado uma fraqueza na moral Islâmica, por estarem assentados em duas posturas totalmente distintas. Enquanto no sistema islâmico: o bem deve ser pago com o bem e o mal com a justiça; no cristianismo: o bem deve ser pago com o bem, o mal também deve ser pago com o bem.

b) No plano dos blocos regionais: ética católica originária dos países ibéricos ou ética protestante originária dos anglo-saxões.

c)  Ética medieval, ética burguesa e assim por diante.

 

Origem histórica da ética

 

O termo ética é de origem grega, a palavra ethos em grego antigo, quando escrita com épsilon, corresponderia ao latim mores, significando um conjunto de normas concernentes à conduta política e socialmente regida por normas costumeiras. Já quando escrita com éta, remetia ao caráter, a natureza espontânea das pessoas, significando literalmente, a morada, ou lar, onde nos sentimos à vontade por corresponder ao que nos é próprio. O termo “moral” proveniente do latim (de mores), costuma ser utilizado indistintamente como sinônimo do termo de origem grega “ética”, sendo comumente considerado que ambos possuem o mesmo significado, enquanto outros autores dão para a segunda um sentido mais amplo e coletivo, e à primeira, sentido mais restrito.

Para D´ Hondt deve-se empregar a expressão “ética objetiva” para designar os costumes, a maneira de viver, sentir, opinar, enquanto a reflexão crítica a esse respeito, os juízos sobre o bem e o mal, de caráter mais pessoal, por implicar na relação do sujeito com aqueles imperativos, seria tema da “ética subjetiva”, mais próxima da moral. Trata-se de uma retomada da distinção clássica de Hegel.

Desde a antiguidade sempre se teve uma preocupação com ética. Sócrates, que alguns consideram como fundador da ética, defendeu uma moralidade autônoma independente da religião e exclusivamente fundada na razão, ou no logos. Atribuiu ao Estado um papel fundamental na manutenção dos valores morais. Platão, apoiado na Teoria das Idéias Transcendentes e Imutáveis, deu continuidade à ética socrática: a verdadeira virtude provém do verdadeiro saber, e este é o das idéias. Para Aristóteles, especialmente em sua obra Ética a Nicômaco, destacou os estudos da relação entre a ética individual e a social e entre a vida teórica e a prática. Ele também classificou as virtudes. A justiça, a amizade e os valores morais derivam dos costumes e servem para promover a ordem política. A sabedoria e a prudência estão vinculadas à inteligência ou à razão e a causa final de todas as ações era a felicidade (eudaimonia).

A diversidade dos sistemas éticos propostos ao longo dos séculos se compara à diversidade dos ideais. Assim, a ética de Epicuro inaugurou o hedonismo, pela qual a felicidade encontra-se no prazer moderado, no equilíbrio racional entre as paixões e sua satisfação. A ética dos estóicos viu na virtude o único bem da vida e pregou a necessidade de viver de acordo com ela, o que significa viver conforme a natureza, que se identifica com a razão.

Na Idade Média predominou a ética cristã impregnada de valores religiosos e baseadas no amor ao próximo, que incorporou as noções gregas que a felicidade é um objetivo do homem e a prática do bem um meio de atingí-la, a moral se identifica com a religião.

Entre a Idade Média e a Moderna, o italiano Nicolau Maquiavel rompe com a moral cristã, defendeu a adoção de uma moral própria em relação ao Estado. O que importou foram os resultados, e não a política em si, por isso, considerou legítimo o uso da violência contra os que se opunham aos interesses estatais. Ele influenciou o inglês Thomas Hobbes e o holandês Benedito Spinoza, pensadores modernos extremamente realistas no que se refere à ética.  

Nos séculos XVIII e XIX, o francês Jean Jacques Rousseau e os alemães Immanuel Kant e Friedrich Hegel são os principais filósofos a discutir a ética segundo Rousseau, o homem é bom por natureza e seu espírito pode sofrer aprimoramento quase ilimitado. Para Kant, ética é a obrigação de agir segundo regras universais comuns a todos os seres humanos por ser derivada da razão. O fundamento da moral é dado pela própria razão humana: a noção de dever. O reconhecimento dos outros homens, como fim em si e não como meio para alcançar algo, é o principal motivador da conduta individual. É a ética formal.  E Hegel divide a ética em subjetiva ou pessoal e objetiva ou social.

 

Nietzsche critica a moral tradicional e propõe a “transvaloração de todos os valores” preconizando a capacidade de criação, de invenção e de potência. O ser humano que age assim transpõe os seus limites.

Ética contemporânea aqui se tem a valorização da autonomia do sujeito moral que leva à busca de valores subjetivos e ao reconhecimento do valor das paixões, o que acarreta o individualismo exagerado e a anarquia dos valores. Resulta ainda na descoberta de várias situações particulares com suas respectivas morais: dos jovens, de grupos religiosos, movimentos ecológicos, homossexuais, feministas, etc.

No Novo Iluminismo, seguido por Jürgen Habermas desenvolve a Teoria da Ação Comunicativa e fundamenta a ética discursiva, baseada no diálogo, por sujeitos capazes de se posicionar criticamente diante de normas e pelo uso de argumentos racionais um grupo pode chegar ao consenso, à solidariedade e cooperação.

Atualmente com relação à ética a noção de valor começou a substituir a de bem. Hoje emprega-se o termo Teoria de Valores, quando se quer abranger preocupações com assuntos de justiça, eqüidade, do que expressões como moral e ética.

 

Ética e Transformação Social

 

A partir do momento em que a ciência e a tecnologia começaram a ocasionar enormes riscos de malefícios à natureza e à humanidade, através de acontecimentos como a explosão das bombas atômicas (que destruíram Hiroshima e Nagasaki no final da II Guerra Mundial); contaminação de lagos, rios, mares e alimentos por substâncias tóxicas; ocorrências de danos ecológicos; exploração abusiva de florestas; poluição ambiental; desastres nucleares como o de Chernobyl; guerras bacteriológicas; clonagem; manipulações genéticas; a ética adquiriu novo relevo vindo a ocupar a mente e os debates de muitos cientistas e dos seres humanos.

Físicos como Rohr, Heisenberg, Einstein entre outros denunciaram a presença da ideologia capitalista na manipulação da ciência a favor de um sistema econômico-político explorador e sem consideração pela natureza e pelo ser humano.

A ecologia ultimamente está dando maior ênfase a sua preocupação com a crescente destruição do planeta, fomentando uma série de movimentos de natureza política e ética e como conseqüência está trazendo à tona a discussão dos valores em ciência e tecnologia.

As imensas transformações no mundo da tecnologia implicam num processo vertiginoso de transformação social, no que se refere às mudanças do modo de pensar em uma nova dimensão antropológica. O impacto da globalização da tecnologia é mundial. Como exemplo, as conseqüências que podemos ter da aplicação ilimitada da engenharia genética, não apenas aplicada aos animais e plantas, mas ao ser humano. Este fato já implica na busca de uma nova concepção de ser humano. O questionamento estende-se a muitos setores da atividade humana e está se transformando num questionamento cada vez mais radical, também nas estruturas das instituições sociais, políticas e econômicas de um país.

Estamos vivendo num mundo com paradigmas novos em todas as dimensões humanas. O princípio da racionalidade da Idade Moderna alcançou plenamente toda a humanidade, instaurando uma unidimensionalidade total, unidirecionalidade da cultura no mundo industrial e sociedade pós-moderna. E isto está acarretando, no mundo inteiro e principalmente no Brasil um progresso difícil, sofrido, trazendo uma implicação sócio-política, com uma crescente minoria cada vez mais rica e um grupo bem maior de pobres e miseráveis.

Manfredo de Oliveira[2] descreve esse momento:

“O resultado do desenvolvimento acelerado, entre nós, da primeira forma de produção capitalista, foi uma sociedade que muitos consideram selvagem: sua característica fundamental é o abismo entre a opulência e o desperdício de poucos, em contraste com a miséria e a fome de muitos”.

 

Ética na sociedade brasileira contemporânea

 

Temos que tomar consciência que os principais fenômenos da atualidade são os processos da globalização dos meios de comunicação social, a globalização tecnológica e da economia mundial.

 

 Manfredo de Araújo Oliveira[3], diz:

“A crise ética por que passamos não se resolve, portanto, no refúgio de uma consciência moral solipsista, mas aponta para uma moral pós-convencional, que leva a sério os inevitáveis conflitos que emergem na convivência humana e admite a possibilidade de solução racional, através do procedimento comunicativo, o qual por sua vez, aponta para a efetivação transformadora da eticidade histórica”.

O Brasil é uma terra, com um povo e cultura peculiar, que foi conquistado por uma potência mundial, dominadora da arte da navegação e em cumprimento de uma missão expansionista, Portugal. Sendo assim, o Brasil esteve inserido no desenvolvimento da Idade Moderna porém, não significando que o povo tivesse desempenhado seu papel histórico como sujeito ou protagonista dessa história, pelo contrário, temos uma colônia imensa, em que a maioria da população era formada por escravos explorados e vilipendiados. Para eles, criou-se uma teologia especial, a da escravidão. Durante o período colonial, a maior parte da modernidade e do iluminismo não se estabeleceu um diálogo entre as culturas e os povos. O modo de pensar e a visão da população nativa eram diferentes do conquistador e dominador. A cultura era muito reprimida e impunha-se um modelo de cristandade da Península Ibérica. O modo de filosofar era medieval, sem assimilar as influências da modernidade européia, permanecendo a predominância da razão conquistadora, ideal levado a rigor pelos conquistadores. E mesmo depois da independência, ainda permanece uma noção arcaica de Estado e de Nação.

Neste quadro histórico pode-se constatar permanece a crise de valores, de ética, como conseqüência da subordinação do povo brasileiro desde a colonização. Devido a isso, uma nova racionalidade se instaurou nos primórdios da modernidade até os dias atuais: a modernidade capitalista e ocidental. Enquanto se mantiver o modelo de desenvolvimento concebido e impulsionado pelos EUA e pela Europa como única solução dos problemas da produção de bens, trabalho e cultura, pode-se constatar uma crise de desenvolvimento no âmbito sócio-político, econômico e ético. Por esse motivo estão surgindo movimentos da consciência ecológica crescente, pela defesa dos direitos humanos, pelo direito de ser diferente, de defesa de identidade dos povos indígenas pela preservação das “nossas” florestas, entre outros.

 

A crise da ética

 

 Na crise atual, o Brasil sofre as mesmas conseqüências de todo o processo de mundialização iniciado pela hegemonia da razão instrumental sob o ponto de vista cultural, o advento da racionalização implica numa separação da racionalidade substantiva nas distintas esferas autônomas de valor: a razão teórica, em que primam a ciência e a técnica, orientada pelo interesse da verdade; uma razão prática, vigente no âmbito da moral e do direito, orientada pela ética e pela justiça; e uma razão estética, na qual se exerce o juízo estético, orientado pelo gosto. O mais interessante é que cada uma responde a seus próprios códigos internos.

O que está acontecendo no mundo, como parte da crise, é que essa autonomização de esferas desapareceu em favor de uma economia-mundo, em que o econômico é mais do que uma ciência, ela é um modo de pensar e de ver, que se estende além dos seus limites. E a esse processo de modernização ou racionalização instaura-se a idéia de progresso técnico e econômico.

E como conseqüência, temos hoje um Brasil totalmente envolvido pelo processo do capitalismo mundial e tenta ser incluído na versão global desse modo de produção capitalista, mediante a obediência aos cânones do Banco Mundial e submetido às demandas do grande empresariado nacional, preocupado com as taxas de juros e o índice de lucratividade.

Nos anos 90, no mundo do mercado global, o capital movimenta-se via Internet, o capitalismo é essencialmente financeiro e o domínio dos processos tecnológicos, os avanços da telemática e da cibernética sustentam a construção da sociedade, da informação e do conhecimento, base da expansão do capitalismo.

Octaviani Ianni[4] demonstra esse novo momento

“Na medida em que a globalização do capitalismo, visto inclusive como processo civilizatório, implica a formação de uma sociedade global, rompem-se os quadros sociais e mentais de referência estabelecidos com base no emblema da sociedade nacional. A globalização do mundo abre outros horizontes sociais e mentais para indivíduos, grupos, classes e coletividades, nações e nacionalidades, movimento sociais e partidos políticos, correntes de opinião pública e estilos de pensamento”.

A globalização dilui a realidade nacional na sua configuração geográfica e histórica, produzindo um novo modelo de relações humanas (novo modo de vida, nova cultura e novas relações políticas), investigações científicas, noções de valores éticos, estéticos, de justiça, educacionais, entre outros, enfim ultrapassando o conceito de limites nacionais. Os Estados nacionais não desapareceram: mudaram suas atribuições e objetivos nacionais e estes se articulam em função da economia global, submetida aos interesses das grandes empresas multinacionais.

O avanço acelerado de uma modernização unidimensional e unidirecional leva a um processo destrutivo das tradições, de si mesmo, do sentido vital da existência.

A professora Cecília Maria Pinto Pires[5], neste trecho, relatou como é a atual condição da sociedade:

“Parte do antigo desenvolvimento nacional é destruído, para dar lugar ao novo. Surgem as cidades mundiais, de onde a grandeza e a miséria do mundo capitalizado reflete-se nestes centros globais de um tempo urbanizado, sua cultura, sua política, sua economia, todos os aspectos do seu modo de vida expandem-se a todos os rincões. O campo veste-se com roupas de cidade. Aparece o outro lado da morda administrando vastas regiões fazem transitar massas populacionais de todo o canto e criam bolsões de terceiro mundo dentro do primeiro. As cidades mundiais (Nova Iorque, São Paulo, Tóquio, México) concentram empresários e mendigos, classes dominantes e dominadoras, mas também uma subclasse dos excluídos dos sistemas. E essa realidade não é nacional, nem continental e sim mundial”.

Face aos problemas da globalização da tecnologia, da economia mundial e da destruição do poder do Estado torna-se necessário um trabalho por um novo modelo de sociedade civil mais plena.

 

 É importante tomarmos consciência que existe uma crise profunda na sociedade brasileira, e trata-se de uma crise de valores, de ética, de perspectivas existenciais e de sentido da vida e da vida em sociedade.

Se tivéssemos melhor e maior conhecimento dos processos de modernização acontecidos e aplicados no Brasil poderíamos compreender melhor a crise ética e nossa realidade histórica.

Ao observar que no Brasil tivemos uma modernidade heterogênea, na qual acontecem fragmentações, o desconserto, a imediatez e velocidade da informação televisiva, interconexão com outros países e sociedades. Isso é a experiência da globalização e como diz Manfredo de Araújo de Oliveira[6]:

“Nossa situação oferece razões para a consciência da crise que nas últimas décadas, perpassa o mundo: o progresso tecnológico aprofundou o fosso entre ricos e pobres. Ao lado das imensas possibilidades tecnológicas criadas, a fome se alastra pelo mundo reduzindo milhões de pessoas a situações estúpidas de miséria e de ameaça permanente à sobrevivência”.

Será que é essa a modernidade que almejamos para o Brasil?

Sabemos que os problemas da realidade brasileira são muitos e as soluções poucas, porém, algumas instituições de ensino superior já buscam uma melhor compreensão da realidade para criar mecanismos de como superar a pobreza de maneira imediata, através de uma nova articulação da sociedade civil.

A sociedade civil face ao modelo político e econômico mundial, em todas as instâncias é constantemente desafiada para uma nova articulação política, social, econômica e educacional. No campo político fica cada vez mais evidente que os Estados e Governo não possuem mais poder econômico e autonomia política para atender plenamente os cidadãos que formam a sociedade compreendida dentro de uma nação, e isso é conseqüência da fusão do poder político-econômico exercido pela economia transnacional.

A globalização esta acontecendo, é necessário que nos enquadremos a ela, porém não podemos deixar perder a nossa identidade, está que foi sempre tão sufocada desde a colonização e hoje mudamos apenas de dominador, pois a nossa subordinação continua.

E já podemos notar que os direitos humanos vêm adquirindo uma configuração cada vez mais consentânea com os ideais projetados pelas revoluções políticas, econômicas e sociais da modernidade tão bem representados pela tríade “liberdade, igualdade e fraternidade” ou melhor, “solidariedade”, para sermos mais realistas, visto que a fraternidade às vezes não existe sequer entre verdadeiros irmãos, sem o reconhecimento de nossa mútua dependência, não só como indivíduos, mas como nações e espécies naturais também dependemos do ambiente natural, não atinamos para sentido da busca de liberdade e igualdade. Daí como defendem Morin & Kern, temos que nos assumir como partícipes de uma “comunidade de destino”, que envolve todo o planeta que habitamos, se aspirarmos não só a correção ética, mas a própria salvação individual e coletiva, não podendo haver uma sem a outra.

 

Manfredo de Oliveira diz que:

 

“quer ser efetivada, o que significa dizer que para isso, é necessário que a razão ética entre em contato com outras formas de racionalidade. Numa palavra, dimensão ética, à medida que se efetiva historicamente, deve entrar em combinação com a racionalidade sistêmico-funcional dos sistemas sociais e das instituições e com a racionalidade estratégica”.

O autor critica a denominada duplicidade moral.

 

A duplicidade moral

A discussão ética contemporânea gira em torno de duas posições radicalmente opostas: a moral da integridade x a moral oportunista.

A moral da integridade caracteriza-se por acentuar valores universais de boa conduta. É praticada por aqueles que propõem um rigor moral, escrupulosos, cuidadosos, severos, minuciosos no que diz respeito ao cumprimento das normas vigentes.

A moral oportunista assume um caráter interesseiro, considerando apenas o benefício próprio, na ânsia de obter vantagens e saciar caprichos sem nenhum escrúpulo.

 Teoria do Conhecimento

Enquanto a ética busca encontrar as formas de comportamento socialmente aceitáveis, a Teoria do Conhecimento procura tornar claro o processo do conhecimento.

- O que é conhecer?

- É possível o sujeito conhecer o objeto externo a ele?

- Qual é o seu fundamento?

  As possibilidades do conhecimento

É possível ao sujeito conhecer os objetos, isto é, a realidade que o rodeia?

Evidentemente, a toda pergunta “é possível?”, teremos 3 respostas: sim, não e talvez.

Sim – não há nenhuma dificuldade em conhecer as coisas. Aquilo que vejo, que toco, que ouço são coisas reais e verdadeiras. Essa primeira postura é denominada de dogmatismo ingênuo. Dogmatismo ingênuo é o saber acabado, tem por supostas a possibilidade e a realidade do contato do sujeito com o objeto. É ingênuo no sentido de acreditar piamente na capacidade dos 5 sentidos e da razão humana.

 Não, é impossível ao sujeito conhecer o objeto. Essa postura denomina-se Ceticismo Absoluto. Parte do pressuposto que os 5 sentidos nos enganam e a mente também nos engana. Não há conhecimento. Devemos suspender os juízos sobre as coisas. Não teremos nunca a certeza que os nossos juízos concordem com a realidade.

É interessante observar que enquanto o dogmatismo ingênuo desconhece de certo modo o sujeito, o ceticismo absoluto não leva em conta o objeto. Sua atenção fixa-se exclusivamente no sujeito.

Talvez (sim e não). É impossível ao sujeito conhecer o objeto externo a ele de modo absoluto, mas é possível conhece-lo relativamente. Essa postura denomina-se ceticismo relativo.  O conhecimento é provisório e relativo, dentro de um determinado tempo e espaço. Temos aqui, as ciências que trabalham com hipóteses que são válidas em um determinado tempo e não válidas em outro.

 Derivações

Dessas duas posições diametralmente opostas: dogmatismo e o ceticismo.O ceticismo absoluto nega a possibilidade do conhecimento. O ceticismo relativo busca formular hipóteses que sejam válidas.

O pragmatismo não se detém na negação, busca transformar a descrença em algo positivo, propondo um novo conceito. Parte do pressuposto que não temos conhecer a verdade, entretanto, o ser humano não é integralmente um ser teórico pensante, mas sim, um ser prático de vontade e ação. A inteligência foi dada ao homem, não para conhecer e investigar a verdade, mas sim para poder orienta-lo na existência. Deve-se medir as coisas pelos resultados e não a coisa em si. Em síntese, o intelecto não foi dado ao homem para conhecer a verdade, sim para atuar.

O criticismo procura transformar o dogmatismo em algo positivo, confiando na razão humana, apregoando a reflexão e a crítica. É na verdade, o meio termo entre a temeridade dogmática e o desespero cético. Poderíamos denomina-la Dogmatismo Crítico.

 Fundamentos do Conhecimento

“ Onde se dá o conhecimento?

> A razão é a principal fonte do conhecimento. Essa posição recebe o nome de racionalismo. O conhecimento logicamente necessário e universalmente válido. Parte de um modelo acabado a priori que pode ser Deus, Conceitos Matemáticos, Mundo das Idéias, etc. Os racionalistas tendem para o dogmatismo metafísico.

>  A experiência é a verdadeira fonte do conhecimento. Parte sempre de fatos concretos. Temos aqui o empirismo. Os empiristas tendem para o ceticismo metafísico.

>  A vontade é o verdadeiro conhecer, pois só conhecemos as coisas através do esforço. Inteligentes quase todos nós somos, o que faz a diferença é à vontade. Temos aqui o voluntarismo.

>  O conhecimento se dá no coração. A inteligência do coração é a verdadeira inteligência. Temos aqui o intucionismo.

>  O conhecimento se dá no mundo. É preciso buscar na sociedade, isto é, na matéria externa ao sujeito o conhecimento. Temos aqui o materialismo.

 

Períodos Histórico/Filosóficos

1.  Século VI ªc. até o século XI d.c.

2.  Século Xl até o século XIV.

3.  Século XV até o século XX.

Como vimos, a filosofia, ao contrário do que ocorreu com a teologia, surgiu, na Grécia, no século VI antes de Cristo. Depois de seguir o seu curso na Antigüidade, foi de novo submersa pela teologia quando surgiu o Cristianismo e Roma se desmoronou.

Seu segundo período importante, do século XI ao século XIV, foi dominado pela Igreja Católica, com exceção de alguns poucos e grandes rebeldes, como, por exemplo, o imperador Frederico II (1195-1250). Este período terminou com as perturbações que culminaram na Reforma.

O terceiro período, desde o século XV até hoje, é dominado, mais do que os períodos que o precederam, pela ciência. As crenças religiosas tradicionais mantêm sua importância, mas se sente a necessidade de que sejam justificadas, sendo modificadas sempre que a ciência torna imperativo tal passo. Poucos filósofos deste período são ortodoxos do ponto de vista católico, e o Estado secular adquire mais importância em suas especulações do que a Igreja.

Características Históricas

Temos assim, o primeiro elemento para a compreensão do conhecimento humano: a história.

É impossível compreendermos o surgimento de qualquer forma de pensamento se não tivermos em mente as características históricas que foram suas resultantes:

A coesão social e a liberdade individual, como a religião e a ciência, acham-se num estado de conflito ou difícil compromisso durante todo o período antigo. Na Grécia, a coesão social era assegurada pela lealdade a Cidade- Estado; o próprio Aristóteles, embora, em sua época, Alexandre estivesse tornando obsoleta a Cidade-Estado, não conseguia ver mérito algum em qualquer outro tipo de comunidade. Variava grandemente o grau em que a liberdade individual cedia ante seus deveres para com a Cidade. Em Esparta, o indivíduo tinha tão pouca liberdade como na Alemanha ou na Rússia modernas; em Atenas, apesar de perseguições ocasionais, os cidadãos desfrutaram, em seu melhor período, de extraordinária liberdade quanto a restrições impostas pelo Estado. O pensamento grego, até Aristóteles, é dominado por uma devoção religiosa e patriótica á Cidade; seus sistemas éticos são adaptados às vidas dos cidadãos e contêm grande elemento político. Quando os gregos se submeteram, primeiro aos macedônios e, depois, aos romanos, as concepções válidas em seus dias de independência não eram mais aplicáveis. Isto produziu, por um lado, uma perda de vigor, devido ao rompimento com as tradições e, por outro lado, uma ética mais individual e menos social. Os estóicos consideravam a vida virtuosa mais como uma relação da alma com Deus do que como uma relação do cidadão com o Estado. Prepararam, dessa forma, o caminho para o Cristianismo, que, como o estoicismo, era, originalmente, apolítico, já que, durante os seus três primeiros séculos, seus adeptos não tinham influência no governo. A coesão social, durante os seis séculos e meio que vão de Alexandre a Constantino, f oi assegurada, não pela filosofia nem pelas antigas fidelidades, mas pela força - primeiro a força dos exércitos e, depois, a da administração civil. Os exércitos romanos, as estradas romanas, a lei romana e os funcionários romanos, primeiro criaram e depois preservaram um poderoso Estado centralizado. Nada se pode atribuir à filosofia romana, já que esta não existia.

Durante esse longo período, as idéias gregas herdadas da época da liberdade sofreram um processo gradual de transformação. Algumas das velhas idéias, principalmente aquelas que deveríamos encarar como especificamente religiosas, adquiriram uma importância relativa; outras, mais racionalistas, foram abandonadas, pois não mais se ajustavam ao espírito da época. Desse modo, os pagãos posteriores foram se adaptando á tradição grega, até esta poder incorporar-se na doutrina cristã.

O Cristianismo popularizou uma idéia importante, já implícita nos ensinamentos dos estóicos, mas estranha ao espírito geral da Antigüidade, isto é, a idéia de que o dever do homem para com Deus é mais imperativo do que o seu dever para com o Estado. A opinião de que “devemos obedecer mais a Deus que ao homem”, como Sócrates e os Apóstolos afirmavam, sobreviveu à conversão de Constantino, porque os primeiros cristãos eram arianos ou se sentiam inclinados para o arianismo. Quando os imperadores se tornaram ortodoxos, foi ela suspensa temporariamente. Durante o Império Bizantino, permaneceu latente, bem como no Império Russo subseqüente, o qual derivou do Cristianismo de Constantinopla. 2 Mas no Ocidente, onde os imperadores católicos foram quase imediatamente substituídos ( exceto em certas partes da Gália ) por conquistadores bárbaros heréticos, a superioridade da lealdade religiosa sobre a lealdade política sobreviveu e, até certo ponto, persiste ainda hoje.

A invasão dos bárbaros pôs fim, por espaço de seis séculos, à civilização da Europa Ocidental. Subsistiu, na Irlanda, até que os dinamarqueses a destruíram no século IX. Antes de sua extinção produziu, lá, uma figura notável, Scotus Erigena. No Império Oriental, a civilização grega sobreviveu, em forma dissecada, como num museu, até à queda de Constantinopla, em 1453, mas nada que fosse de importância para o mundo saiu de Constantinopla, exceto uma tradição artística e os Códigos de Direito Romano de Justiniano.

Durante o período de obscuridade, desde o fim do século V até a metade do século XI, o mundo romano ocidental sofreu algumas transformações interessantes. O conflito entre o dever para com Deus e o dever para com o Estado, introduzido pelo Cristianismo, adquiriu o caráter de um conflito entre a Igreja e o rei. A jurisdição eclesiástica do Papa estendia-se sobre a Itália, França, Espanha, Grã-Bretanha e Irlanda, Alemanha, Escandinávia e Polônia. A princípio, fora da Itália e do sul da França foi muito leve o seu controle sobre bispos e abades, mas, desde o tempo de Gregório VII ( fins do século XI ), tornou-se real e efetivo. Desde então o clero, em toda a Europa Ocidental, formou uma única organização, dirigida por Roma, que procurava o poder inteligente e incansavelmente e, em geral, vitoriosamente, até depois do ano 1300, em seus conflitos com os governantes seculares. O conflito entre a Igreja e o Estado não foi apenas um conflito entre o clero e os leigos; foi, também, uma renovação da luta entre o mundo mediterrâneo e os bárbaros do norte. A unidade da Igreja era um reflexo da unidade do Império Romano; sua liturgia era latina, e os seus homens mais proeminentes eram, em sua maior parte, italianos, espanhóis ou franceses do sul. Sua educação, quando esta renasceu, foi clássica; suas concepções da lei e do governo teriam sido mais compreensíveis para Marco Aurélio do que para os monarcas contemporâneos. A Igreja representava, ao mesmo tempo, continuidade com o passado e com o que havia de mais civilizado no presente.

O poder secular, ao contrário, estava nas mãos de reis e barões de origem teutônica, os quais procuravam preservar, o máximo possível, as instituições que haviam trazido as florestas da Alemanha. O poder absoluto era alheio a essas instituições, como também era estranho, a esses vigorosos conquistadores, tudo aquilo que tivesse aparência de uma legalidade monótona e sem espírito. O rei tinha de compartilhar seu poder com a aristocracia feudal, mas todos esperavam, do mesmo modo, que lhes fosse permitido, de vez em quando, uma explosão ocasional de suas paixões em forma de guerra, assassínio, pilhagem ou rapto. É possível que os monarcas se arrependessem, pois eram sinceramente piedosos e, afinal de contas, o arrependimento era em si mesmo uma forma de paixão. A Igreja, porém, jamais conseguiu produzir neles a tranqüila regularidade de uma boa conduta, como a que o empregador moderno exige e, às vezes, consegue obter de seus empregados. De que lhes valia conquistar o mundo, se não podiam beber, assassinar e amar como o espírito lhes exigia? E por que deveriam eles, com seus exércitos de altivos, submeter-se ás ordens de homens letrados, dedicados ao celibato e destituídos de forças armadas? Apesar da desaprovação eclesiástica, conservaram o duelo e a decisão das disputas por meio das armas, e os torneios e o amor cortesão floresceram. Às vezes, num acesso de raiva, chegavam a matar mesmo eclesiásticos eminentes.

Toda a força armada estava do lado dos reis, mas, não obstante, a Igreja saiu vitoriosa. A Igreja ganhou a batalha, em parte, porque tinha quase todo o monopólio do ensino e, em parte, porque os reis viviam constantemente em guerra. Uns com os outros; mas ganhou-a, principalmente, porque, com muitas poucas exceções, tanto os governantes como ó povo acreditavam sinceramente que a Igreja possuía as chaves do céu. A Igreja podia decidir se um rei devia passar a eternidade no céu ou no inferno; a Igreja podia absolver os súditos do dever de fidelidade e, assim, estimular a rebelião. Além disso, a Igreja representava a ordem em lugar da anarquia e, por conseguinte, conquistou o apoio da classe mercantil que surgia. Na Itália, principalmente, esta última consideração foi decisiva.

A tentativa teutônica.de preservar pelo menos uma independência. parcial da Igreja manifestou-se não apenas na política, mas, também, na arte, no romance, no cavalheirismo e na guerra. Manifestou-se muito pouco no mundo intelectual, pois o ensino se achava quase inteiramente nas mãos do clero. A filosofia explícita da Idade Média não é um espelho exato da época, mas apenas do pensamento de um grupo. Entre os eclesiásticos, porém - principalmente entre os frades franciscanos - havia alguns que, por várias razões, estavam em desacordo com o Papa. Na Itália, ademais, a cultura estendeu-se aos leigos alguns séculos antes de se estender até ao norte dos Alpes. Frederico II, que procurou fundar uma nova religião, representa o extremo da cultura antipapista; Tomás de Aquino, que nasceu no reino de Nápoles, onde o poder de Frederico era supremo, continua sendo até hoje o expoente clássico da filosofia papal. Dante, cerca de cinqüenta anos mais tarde, conseguiu chegar a uma síntese, oferecendo a única exposição equilibrada de todo o mundo ideológico medieval.

Depois de Dante, tanto por motivos políticos como intelectuais, a síntese filosófica medieval se desmoronou. Teve ela, enquanto durou, uma qualidade de ordem e perfeição de miniatura: qualquer coisa de que esse sistema se ocupasse, era colocada com precisão em relação com o que constituía o seu cosmo bastante limitado. Mas o Grande Cisma, o movimento dos Concílios e o papado da renascença produziram a Reforma, que destruiu a unidade do Cristianismo e a teoria escolástica de governo que girava em torno do Papa. No período da Renascença, o novo conhecimento, tanto da Antigüidade como da superfície da terra, fez com que os homens se cansassem de sistemas, que passaram a ser considerados como prisões mentais. A astronomia de Copérnico atribuiu á terra e ao homem uma posição mais humilde do que aquela que haviam desfrutado na teoria de Ptolomeu. O prazer pelos fatos recentes tomou o lugar, entre os homens inteligentes, do prazer de raciocinar, analisar e construir sistemas. Embora a Renascença, na arte, conserve ainda uma determinada ordem, prefere, quanto ao que diz respeito ao pensamento, uma ampla e fecunda desordem. Neste sentido, Montaigne é o mais típico expoente da época.

Tanto na teoria política como em tudo o mais, exceto a arte, a ordem sofre um colapso. A Idade Média, embora praticamente turbulenta, era dominada, em sua ideologia, pelo amor da legalidade e por uma teoria muito precisa do poder político. Todo poder procede, em última análise, de Deus; Ele delegou poder ao Papa nos assuntos sagrados, e ao Imperador nos assuntos seculares. Mas tanto o Papa como o Imperador perderam sua importância durante o século XV. O Papa tornou-se simplesmente um dos príncipes italianos, empenhado no jogo incrivelmente complicado e inescrupuloso do poder político italiano. As novas monarquias nacionais na França, Espanha e Inglaterra tinham, em seus próprios territórios, um poder no qual nem o Papa nem o Imperador podiam interferir. O Estado nacional, devido, em grande parte, à pólvora, adquiriu uma influência sobre o pensamento e o modo de sentir dos homens, como jamais exercera antes - influência essa que, progressivamente, destruiu o que restava da crença romana quanto à unidade da civilização.

Essa desordem política encontrou sua expressão no Príncipe, de Maquiavel. Na ausência de qualquer princípio diretivo, a política se transformou em áspera luta pelo poder. O Príncipe dá conselhos astutos quanto à maneira de se participar com êxito desse jogo. O que já havia acontecido na idade de ouro da Grécia, ocorreu de novo na Itália renascentista: os freios morais tradicionais desapareceram, pois eram considerados como coisa ligada à superstição; a libertação dos grilhões tornou os indivíduos enérgicos e criadores, produzindo um raro florescimento do gênio, mas a anarquia e a traição resultantes, inevitavelmente, da decadência da moral, tornou os italianos coletivamente impotentes, e caíram, como os gregos, sob o domínio de nações menos civilizadas do que eles, mas não tão destituídas - de coesão social.

Todavia, o resultado foi menos desastroso do que no caso da Grécia, pois as nações que tinham acabado de chegar ao poder, com exceção da Espanha, se mostravam capazes de tão grandes realizações como o havia sido a Itália.

Do século XVI em diante, a história do pensamento europeu é dominada pela Reforma. A Reforma foi um movimento complexo, multiforme, e seu êxito se devem a numerosas causas. De um modo geral, foi uma revolta das nações do norte contra o renovado domínio de Roma. A religião fora à força que subjugara o Norte, mas a religião, na Itália, decaíra: o papado permanecia como uma instituição, extraindo grandes tributos da Alemanha e da Inglaterra, mas estas nações, que eram ainda piedosas, não podiam sentir reverência alguma para com os Bórgias e os Médicis, que pretendiam salvar as almas do purgatório em troca de dinheiro, que esbanjavam no luxo e na imoralidade. Motivos nacionais motivos econômicos e motivos, religiosos conjugaram-se para fortalecer a revolta contra Roma. Além disso, os príncipes logo perceberam que, se a Igreja se tornasse, em seus territórios, simplesmente nacional, eles seriam capazes de dominá-la, tornando-se, assim, muito mais poderosos, em seus países, do que jamais o haviam sido compartilhando o seu domínio com o Papa. Por todas essas razões, as inovações teológicas de Lutero foram bem recebidas, tanto pelos governantes como pelo povo, na maior parte da Europa Setentrional.

A Igreja Católica procedia de três fontes. Sua história sagrada era judaica; sua teologia, grega, e seu governo e leis canônicas, ao menos indiretamente, romanos. A Reforma rejeitou os elementos romanos, atenuou os elementos gregos e fortaleceu grandemente os elementos judaicos. Cooperou, assim, com as forças nacionalistas que estavam desfazendo a obra de coesão nacional que tinha sido levada a cabo primeiro pelo Império Romano e, depois, pela Igreja Romana. Na doutrina católica, a revelação divina não terminava na sagrada escritura, mas continuava, de era em era, através da Igreja, à qual, pois, era dever do indivíduo submeter suas opiniões pessoais. Os protestantes, ao contrário, rejeitaram a Igreja como veículo da revelação divina; a verdade devia ser procurada unicamente na Bíblia, que cada qual podia interpretar à sua maneira. Se os homens diferissem em sua interpretação, não havia nenhuma autoridade designada pela divindade que resolvesse tais divergências. Na prática, o Estado reivindicava o direito que pertencera antes à Igreja - mas isso era uma usurpação. Na teoria protestante, não devia haver nenhum intermediário terreno entre a alma e Deus.

Os efeitos dessa mudança foram importantes. A verdade não mais era estabelecida mediante consulta à autoridade, mas por meio da meditação íntima. Desenvolveu-se, rapidamente, uma tendência para o anarquismo na política e misticismo na religião, o que sempre fora difícil de se ajustar à estrutura da ortodoxia católica. Aconteceu que, em lugar de um único Protestantismo, surgiram numerosas seitas; nenhuma filosofia se opunha à escolástica, mas havia tantas filosofias quantos eram os filósofos. Não havia, no século XIII, nenhum Imperador que se opusesse ao Papa, mas sim um grande número de reis heréticos. O resultado disso, tanto no pensamento como na literatura, foi um subjetivismo cada vez mais profundo, agindo primeiro como uma libertação saudável da escravidão espiritual, mas caminhando, depois, constantemente, para um isolamento pessoal, contrário à solidez social.

A filosofia moderna começa com Descartes, cuja certeza fundamental é a existência de si mesmo e de seus pensamentos, dos quais o mundo exterior deve ser inferido. Isso constitui apenas a primeira fase de um desenvolvimento que, passando por Berkeley e Kant, chega a Fichte, para quem tudo era apenas uma emanação do eu. Isso era uma loucura, e, partindo desse extremo, a filosofia tem procurado, desde então, evadir-se para o mundo do senso comum cotidiano.

Com o subjetivismo na filosofia, o anarquismo anda de mãos dadas com a política. Já no tempo de Lutero, discípulos inoportunos e não reconhecidos haviam desenvolvido a doutrina do anabatismo, a qual, durante algum tempo, dominou a cidade de Wünster. Os anabatistas repudiavam toda lei, pois afirmavam que o homem bom seria guiado, em todos os momentos, pelo Espírito Santo, que não pode ser preso a fórmulas. Partindo dessas premissas, chegam ao comunismo e à promiscuidade sexual. Foram, pois, exterminados, após uma resistência heróica. Mas sua doutrina, em formas mais atenuadas, se estende pela Holanda, Inglaterra e Estados Unidos; historicamente, é a origem do “quakerismo”. Uma forma mais feroz de anarquismo, não mais relacionada Com a religião, surgiu no século XIX. Na Rússia, Espanha e, em menor grau, na Itália, obteve considerável êxito, constituindo, até hoje, um pesadelo para as autoridades americanas de imigração. Esta versão moderna, embora anti-religiosa, encerra ainda muito do espírito do protestantismo primitivo; difere principalmente dele devido ao fato de dirigir contra os governos seculares a hostilidade que Lutero dirigia contra os Papas.

A subjetividade, uma vez desencadeada, já não podia circunscrevem-se aos seus limites, até que tivesse seguido seu curso. Na moral, a atitude enfática dos protestantes, quanto à consciência individual, era essencialmente anárquica. O hábito e o costume eram tão fortes que, exceto em algumas manifestações ocasionais, como, por exemplo, a de Münster, os discípulos do individualismo na ética continuaram a agir de maneira convencionalmente virtuosa. Mas era um equilíbrio precário. O culto do século XVIII à “sensibilidade” começou a romper esse equilíbrio: um ato era admirado não pelas suas boas conseqüências, ou porque estivesse de acordo com um código moral, mas devido à emoção que o inspirava. Dessa atitude nasceu o culto do herói, tal como foi manifestado por Carlyle e Nietzsche, bem como o culto byroniano da paixão violenta, qualquer que esta seja.

O movimento romântico, na arte, na literatura e na política, está ligado a essa maneira subjetiva de julgar-se os homens, não como membros de uma comunidade, mas como objetos de contemplação esteticamente encantadores. Os tigres são mais belos do que as ovelhas, mas preferimos que estejam atrás de grades. O romântico típico remove as grades e delicia-se com os saltos magníficos com que o tigre aniquila as ovelhas. Incita os homens a imaginar que são tigres e, quando o consegue, os resultados não são inteiramente agradáveis.

Contra as formas mais loucas do subjetivismo nos tempos modernos tem havido várias reações. Primeiro, uma filosofia de semicompromisso, a doutrina do liberalismo, que procurou delimitar as esferas relativas ao governo e ao indivíduo. Isso começa, em sua forma moderna, com Locke, que é tão contrário ao “entusiasmo” - o individualismo dos anabatistas como à autoridade absoluta e à cega subserviência à tradição. Uma rebelião mais extensa conduz à doutrina do culto do Estado, que atribui ao Estado a posição que o Catolicismo atribuía à Igreja, ou mesmo, às vezes, a Deus. Hobbes, Rousseau e Hegel representam fases distintas desta teoria, e suas doutrinas se acham encarnadas, praticamente, em Cromwell, Napoleão e na Alemanha moderna. O comunismo, na teoria, está muito longe dessas filosofias, mas é conduzido, na prática, a um tipo de comunidade bastante semelhante àquela e que resulta a adoração do Estado.

Durante todo o transcurso deste longo desenvolvimento, desde 600 anos antes de Cristo até aos nossos dias, os filósofos têm-se dividido entre aqueles que querem estreitar os laços sociais e aqueles que desejam afrouxá-los. A esta diferença, acham-se associadas outras. Os partidários da disciplina advogaram este ou aquele sistema dogmático, velho ou novo, chegando, portanto a ser, em menor ou maior grau, hostis à ciência, já que seus dogmas não podiam ser provados empiricamente. Ensinavam, quase invariavelmente, que a felicidade não constitui o bem, mas que a “nobreza” ou o “heroísmo” devem ser a ela preferidos. Demonstravam simpatia pelo que havia de irracional na natureza humana, pois acreditavam que a razão é inimiga da coesão social. Os partidários da liberdade, por outro lado, com exceção dos anarquistas extremados, procuravam ser científicos, utilitaristas, racionalistas, contrários à paixão violenta, e inimigos de todas as formas mais profundas de religião. este conflito existiu, na Grécia, antes do aparecimento do que chamamos filosofia, revelando-se já, bastante claramente, no mais antigo pensamento grego. Sob formas diversas, persistiu até aos nossos dias, e continuará, sem dúvida, a existir durante muitas das eras vindouras.

É claro que cada um dos participantes desta disputa como em tudo que persiste durante longo tempo - tem a sua parte de razão e a sua parte de equívoco. A coesão social é uma necessidade, e a humanidade jamais conseguiu, até agora, impor a coesão mediante argumentos meramente racionais. Toda comunidade está exposta a dois perigos opostos: por um lado, a fossilização, devido a uma disciplina exagerada e um respeito excessivo pela tradição; por outro lado, a dissolução, a submissão ante a conquista estrangeira, devido ao desenvolvimento da independência pessoal e do individualismo, que tornam impossível a cooperação. Em geral, as civilizações importantes começam por um sistema rígido e supersticioso que, aos poucos, vai sendo afrouxado, e que conduz, em determinada fase, a um período de gênio brilhante, enquanto perdura o que há de bom na tradição antiga, e não se desenvolveu ainda o mal inerente à sua dissolução. Mas, quando o mal começa a manifestar-se, conduz à anarquia e, daí, inevitavelmente, a uma nova tirania, produzindo uma nova síntese, baseada num novo sistema dogmático. A doutrina do liberalismo é uma tentativa para evitar essa interminável oscilação. A essência do liberalismo é uma tentativa no sentido de assegurar uma ordem social que não se baseie no dogma irracional, e assegurar uma estabilidade sem acarretar mais restrições do que as necessárias à preservação da comunidade.

No final dos anos 80, com a abertura soviética, a queda do Muro de Berlim, tivemos o fim da divisão do mundo entre capitalistas e comunistas. O pensamento marxista perdeu sua força.

Hoje, vivemos na era da globalização. O mundo se tornou uma aldeia global. Passamos do Estado-Nação para o Estado-Mundo. As concepções de mundo são adaptadas para essa nova ordem mundial. Surgem ONG’s, esoterismos, a filosofia se presta a um novo papel, não mais de integrar o indivíduo ao Estado, como no mundo grego antigo, mas sim, de propor novas formas de conceber um individualismo, o individualismo humanitário que parece estar se acentuando com a idéia do voluntariado social, tanto por parte dos sujeitos quanto das organizações. 

 

 

Filosofia e Administração de Empresas

 Dentro do processo administrativo temos: História, Teoria do Conhecimento, Ética.

As teorias administrativas só podem ser entendidas através dos diferentes períodos históricos voltados predominantemente para uma Teoria do Conhecimento e uma Ética. Sem eles se torna praticamente impossível entender as diferentes modelos organizacionais.

Historicamente, as teorias da administração surgem em meados do século XIX com o surgimento do modelo capitalista. A ideologia capitalista tem no lucro a força motriz do sistema.

Anteriormente a esse período, as economias feudal, mercantil e artesanal da Idade Média estavam subordinadas à ideologia religiosa católica e, por conseguinte, a moral cristã medieval.

Que moral era essa?

Todas as atividades deviam ter o propósito de agradar a Deus ( ad majoram Dei Gloriam) . Todo negócio que visava o lucro era essencialmente imoral. O valor de um bem deveria ser o equivalente ao seu custo de produção. O empréstimo a juros era considerado usura e quem o praticava incorria em pecado grave. Com o surgimento do capitalismo veio a legitimação do lucro pela ética protestante que justificou a acumulação de dinheiro e santificou o lucro como agradáveis a Deus e como sinais presumidos de salvação, justificando as funções do capital como justa recompensa pelos serviços prestados.

Para se ter uma idéia da ética protestante, analisemos as colocações de Max Weber:

“para atingir fins bons, somos obrigados a maior parte do tempo a lançar mão, de um lado, de meios moralmente desonestos ou pelo menos perigosos, e de outro lado, da possibilidade ou ainda da eventualidade de conseqüências desagradáveis. Nenhuma ética no mundo pode nos dizer em qual momento e em que medida um fim moralmente bom justifica os meios e as conseqüências moralmente perigosas”.[7]

 Portanto, para se entender a filosofia das empresas é necessário antes de mais nada, ter consciência da importância do trabalho na vida humana e as atividades correlatas desempenhadas pelo executivo na empresa. Ter noções de alguns pressupostos da ética protestante é o primeiro passo para situarmos as teorias da administração.

As teorias presentes no universo da gestão empresarial sejam elas, a Teoria Científica de Taylor, A Teoria Clássica de Henry Fayol, A Teoria das Relações Humanas, a Teoria Comportamentalista, a Teoria da Informação, a Teoria Holística possuem fundamentos filosóficos, respondendo a questões essenciais da existência humana:

“Quem é o ser humano?

“Qual a finalidade do trabalho?

“Qual o modelo ideal de administração?

A Administração Científica

No início do século XX, Frederick Winslow Taylor, adepto da religião protestante, começou a fazer experiências observando o trabalho dos operários na linha de produção. Concluiu que as indústrias padeciam dos seguintes males:

>  vadiagem sistemática por parte dos operários

>  desconhecimento por parte da gerência das rotinas de trabalho e do tempo

necessário para sua realização.

>  Falta de uniformidade das técnicas ou métodos de trabalho.

Diante disso, propôs substituir métodos empíricos e rudimentares pelos métodos racionais.

Para Taylor, o operário não possuía capacidade, não possuía formação e nem meios para analisar cientificamente o seu trabalho e estabelecer racionalmente qual o método ou processo mais eficiente.

Geralmente, o supervisor comum deixava ao arbítrio de cada operário a escolha do método ou processo para executar o seu trabalho, para encorajar sua iniciativa. Desse modo, a produção estava comprometida. Propôs a Administração Científica com a repartição de responsabilidades:

1)  A gerência cabe planejar e estabelecer o método de trabalho.

2)  Ao supervisor acompanhar o trabalho do operário

3)  Ao operário somente a execução do trabalho.

 

Os princípios da Administração Científica

a)Princípio do preparo: selecionar os trabalhadores de acordo com suas aptidões e prepara-los para produzir mais e melhor de acordo com o método adotado. Além do preparo da mão-de-obra, preparar também as máquinas, equipamentos e disposição racional das ferramentas.

b)  Princípio do controle: controlar o trabalho para se certificar de que a produção está sendo executada de acordo com as normas estabelecidas e segundo o plano previsto.

c) Princípio da Execução: distribuir distintamente as atribuições e as responsabilidades para que a execução seja disciplinada.

Por que a teoria Taylorista se firmou nesse período?

Primeiramente pelo baixo grau de instrução do trabalhador da época que possuía baixíssima qualificação e especialização, portanto, não poderia ser deixado à vontade. E as teorias antigas fundamentalmente empiristas não propiciavam eficácia no setor de produção.

Em segundo lugar pela própria ideologia religiosa dos donos das fábricas que baseados na doutrina protestante, entendia que o trabalho era o rasgaste da alma humana em sua peregrinação sobre a terra, pois a natureza humana em si mesma é negligente.

Desse modo, o trabalho de Taylor inicialmente procurou eliminar o desperdício d perdas sofridas pelas indústrias americanas, elevando assim, o nível de produtividade através de métodos e técnicas de engenharia. Estudava os tempos e movimentos, a fragmentação das tarefas, reestruturando a produção com gratificações por produção.

Se observarmos com os conceitos presentes no processo administrativo em nossos dias podemos notar suas limitações:

1)  o mecanismo de sua abordagem (a teoria da máquina)

2)  superespecialização que robotiza o operário.

3)  Visão microscópica do homem tomado isoladamente e como parte da

4)maquinaria.

5)  Abordagem eminentemente prescritiva e normativa.

 

Respondendo as questões iniciais

> Quem é o ser humano para Taylor?

>.É negligente e cabe ao chefe atenuar essa negligência através da vigilância.

> Qual a finalidade do trabalho?

>.Fazê-lo produtivo e mais eficiente.

>Qual o modelo ideal de administração?

>.  O fiscalizador e produtivo.

 Não nos esqueçamos que o modelo Taylorista é o modelo da linha de montagem, da produção em ‘serie e da divisão do trabalho.

Curiosidade: O filme “Tempos Modernos" de Charles Chaplin é uma crítica atroz ao modelo Taylorista.

 

 

 

  A Administração Clássica

Coube a Henry Fayol ampliar a Administração Científica de Taylor, coordenando as funções administrativas no sentido de sincroniza-las com as demais funções da empresa, criando a Teoria Clássica da Administração.

Concebe a organização em termos de estrutura, forma e disposição das partes que a constituem, enfatizando o inter-relacionamento entre suas partes.

O Modelo de Fayol é o modelo cartesiano por excelência. Responsabilidades claras e distintas do departamento da empresa.

Teoria das Relações Humanas

Com a crise de 29 e o fortalecimento dos sindicatos na Europa e Estados Unidos, surge a Teoria das Relações Humanas que atenuava os conflitos, procurando fazer dos objetivos da empresa, os objetivos do empregado. A motivação se torna a palavra chave

> Quem é o ser humano para a Teoria das Relações Humanas?

> .  É produtivo, desde que adequadamente motivado.

> Qual a finalidade do trabalho?

>.Fazê-lo desenvolver essas suas potencialidades.

>Qual o modelo ideal de administração?

> . O motivador, aquele que propicia situações humanas favoráveis ao desempenho.

 Não nos esqueçamos que o modelo voltado para as relações humanas está assentado em práticas psicológicas de harmonização e integração do indivíduo com o ambiente.

Obras como: Deixe as preocupações e comece a viver”, Como fazer amigos e influenciar pessoas de Dale Carnegie são clássicos do pensamento das Relações Humanas.

Teoria do Comportamento

Por volta dos anos 50, com o término da segunda guerra mundial, uma nova postura psicológica se torna dominante: o behaviorismo. Através de estímulos voltados para os mecanismos punição/recompensa acredita-se obter a máxima produtividade.

>Quem é o ser humano para a Teoria do Comportamento?

> . É produtivo, desde que adequadamente “amestrado”.

>Qual a finalidade do trabalho?

> . Faze-lo se comportar adequadamente.

>Qual o modelo ideal de administração?

> . Baseado em estímulos e respostas.

A teoria do Comportamento tem seus pressupostos em experiências feitas com o comportamento dos animais.

Obras do psicólogo B.F. Skinner.

 

  Teoria da Informação

No final dos anos 50 e início dos anos 60, com o estupendo desenvolvimento das telecomunicações, propiciando revolucionárias técnicas de propaganda e marketing, o manejo informa de integração para os objetivos da empresa.

>Quem é o ser humano para a Teoria da Informação?

> .  É um ser social que através da informação manipula seu mundo.

>Qual a finalidade do trabalho?

> .  Integrá-lo ao universo da tecnologia.

> Qual o modelo ideal de administração?

> .  Assentado no modelo informativo comunicacional.

Obra: Cibernética, Norbert Wiener.

 

Teoria Holística

A partir dos anos 80, com as novas descobertas tecnológicas e a conseqüente preocupação com o meio-ambiente, surgem às novas teorias que procuram adequar o singular com o coletivo, o homem com a natureza, os problemas ecológicos, integrando corpo/alma/ espírito.

>Quem é o ser humano para a Teoria Holística?

> .  É parte da natureza física, humana e divina.

>Qual a finalidade do trabalho?

>. Fazê-lo desenvolver as potencialidades integrando o humano e divino em si, contribuindo com seu ambiente.

>Qual o modelo ideal de administração?

> . O integrador, aquele que propicia a perfeita a mais perfeita harmonia.

Obra: Holística – Pierre Weil.

  Globalização

Vivemos na era da globalização, das novas tecnologias, no mundo digitalizado. Tudo isso levou à necessidade do conhecimento contínuo, do aprendizado permanente, da especialização.

As exigências para o trabalho são bastante diferentes da época taylorista, na qual os operários possuíam baixíssima qualificação e não havia mesmo praticamente necessidade desta.

O aparecimento da psicologia no processo de gestão organizacional nos anos 30, pouco tem a ver com a visão de mundo hoje, bem mais individualista e coopetitiva.

Como deve ser filosoficamente esse novo homem?

- Empreendedor?

- Adaptável?

- Determinado?

Temos também os chamados modismos: o processo de gestão empresarial recebe os impactos da cultura em que está inserido. A mitologia está presente na Administração através de consultas astrológicas, numerológicas e outras práticas mágicas adotadas por algumas empresas.

Na década de 80, a Filosofia Oriental esteve continuamente presente no mundo dos negócios com a aplicação da Teoria Z de origem japonesa.

 

Considerações quase finais:

 

 Desse modo, o conteúdo filosófico está presente na existência humana e logicamente também, nos diferentes modelos administrativos. Derivada da concepção que se tem da natureza humana, estabelece-se à finalidade do processo administrativo, propondo-se, então procedimentos éticos e morais.

Ao enfatizarmos histórica e eticamente o percurso da Igreja Católica e do protestantismo o fizemos no sentido de aclarar as teorias administrativas, sem os quais nada se pode compreender.

As Teorias da Administração originárias, em sua grande maioria da Inglaterra e dos Estados Unidos, estão baseadas na ética protestante, legitimadora do sucesso de uma minoria de ricos. Podemos comprovar essa afirmação observando as igrejas evangélicas, inspiradas na Teologia da Prosperidade norte-americana, apregoarem à busca da riqueza como essencialmente cristã através de correntes de fé, como: “Corrente dos Empresários”. Dentre elas, podemos destacar a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Igreja Renascer, Igreja Paz e Vida e tantas outras. Alguns movimentos esotéricos inspirados nos princípios da “New Age”, acentuam também a importância do sucesso material.

  Por outro lado, a ética católica, procura preservar o auxílio aos pobres e excluídos, protestar contra as desigualdades econômicas e sociais do capitalismo, propondo o assistencialismo e a defesa dos direitos humanos, incluindo o dever do Estado em propiciar uma melhor distribuição de renda para a população. Podemos destacar aqui atuações das Comunidades Eclesiais de Base, as posições assumidas pelo padre Júlio Lancelote e outros.

De modo geral, as seitas protestantes e os gurus da auto-ajuda apregoam que o trabalho enriquece as pessoas e que ser rico é muito bom, a Igreja Católica elogia aqueles que se colocam na defesa dos mais fracos.

 E, finalmente, aqueles que assumem uma ética não-ética como muitos empresários conhecidos que parecem buscar inspiração na proposta de Glaucon, irmão de Platão: ‘Se uma pessoa puder mentir, trapacear e roubar , e nunca ser pega, por que deveria ser honesta ?[8] Temos aqui, a moral do oportunismo, alicerçado num egoísmo ético, em que o agente faz o que lhe traz o máximo bem, independente das conseqüências geradas sobre os outros.

Em 1996, uma pesquisa apresentada pela Research International, sobre os interesses, e comportamentos e valores de pessoas na faixa etária de 20 e 35 anos, em 34 países, inclusive o Brasil, revela que o consumo e o conforto são mais importantes do que manifestações de ruas, sejam elas políticas, ecológicas ou econômicas. São os denominados “Geração X”, cujos valores são o competir e o consumir, cuja ideologia é aproveitar as oportunidades da vida para obter sucesso econômico, uma vez que não se pode viver “sem sonhos”.  

Enfim, para a moral do oportunismo, as normas morais são feitas para pessoas inocentes; para a moral da integridade, as normas morais propiciam e estabelecem o bem comum.

 

O processo de gestão empresarial recebe os impactos da cultura em que está inserido. A mitologia está presente na Administração através de consultas astrológicas, numerológicas e outras práticas mágicas adotadas por algumas empresas.

A Filosofia Oriental esteve presente no mundo dos negócios com a aplicação da Teoria Z de origem japonesa.

 

 

Fontes: 

[1] HOLANDA, Aurélio Buarque de. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: Nova Fronteira,1998, p.276

[2] OLIVEIRA, Manfredo de. Ética e racionalidade moderna. São Paulo: Loyola, 1993, p.42.

 

[3] OLIVEIRA, Manfredo de Araújo. Ética e Economia. São Paulo: Ática. 1995, p.24.

[4]IANNI, Octaviani. A Era do globalismo.3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1997, p.141

[5]PIRES, Cecília Maria Pinto.  O ISEB e a idéia do nacionalismo. UFRJ. Rio de Janeiro (tese de Doutorado), 1998

[6]OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Ética e Economia. São Paulo: Ática. 1995, p.24.

[7] Max Weber, Le Savant, p. 173

[8] Michael Hyman et alii. Ethical codes are not enough.

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