Análise e Gestão de Custos Ambientais

Análise e Gestão de Custos Ambientais

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Análise e Gestão de Custos Ambientais

Gestão Ambiental

Análise e Gestão de Custos Ambientais

EngºAntonio Fernando Navarro, M.Sc.

Engenheiro Civil Especialista em Gestão de Riscos

Conceito de Riscos

“Riscos são todos os insucessos ocorridos em uma determinada fase ou época e não de todo esperados”.

“Riscos ambientais são todos aqueles que têm potencial de causar danos ao Meio Ambiente”.

Conceitos de Riscos

Risco não ésomente o que estápara acontecer ou o que temos receio de que aconteça:

lHoje teremos o risco de um temporal; Levem os seus casacos; Não cheguem tarde da noite; lHárisco de vocês serem assaltados, portanto, não cheguem tarde; Não andem por ruas escuras; lSe vocês não estudarem correrão o risco de não tirar boas notas; lNão tente consertar o chuveiro para não ter o risco de levar um choque.

Onde se encontram Riscos

Os riscos podem vir a ser encontrados em várias atividades, como:

l procedimentos cirúrgicos; l operações financeiras; lconstruções civis; l montagens industriais; limplantação de empreendimentos, etc.

Qualificação e Quantificação de Riscos lQualificação-identificação do tipo de risco (trata-se de um risco de incêndio, de um risco de explosão, de um risco de danos elétricos, etc.).

lQuantificação-determinação do valor da perda, expressa em percentual do valor dos bens ou em valores absolutos, ou do tamanho do prejuízo a se verificar no futuro (P.Ex. o risco, se ocorrer, poderágerar uma perda que iráafetar 48% do patrimônio da indústria).

Custos versus Riscos

Quando o risco se materializa tem-se o dano. Quase sempre o dano está associado a uma perda material. Todavia ...

Risco

Acidente ambiental -Bhopal, Índia

Causa do acidente

Bophal, na Índia

Em dezembro de 1984, vazou uma nuvem de isocianatode metila da fábrica de defensivos agrícolas da UnionCarbide, causando pelo menos 3.800 mortes, além de centenas de incapacitados e gerando complicações diplomáticas entre a Índia e os Estados Unidos. Atéhoje os reflexos genéticos de Bophalsão sentidos entre os atingidos e seus descendentes. Este evento gerou nos Estados Unidos o surgimento ou recrudecimentode várias leis ambientais, favorecendo inclusive no fortalecimento da FDA (Foodand Drug Administration)e da EPA (EnvironmentProtection Agency), além da criação do Superfund(Fundo Federal para Acidentes Ambientais).

Acidente na cidade do México

Um exemplo, fora da área química, porém igualmente catastrófico, ocorreu em um subúrbio da cidade do México, SanJuanico(1984), quando vazou GLP de um tanque de uma empresa distribuidora. Uma enorme nuvem de gás não confinada de GLP (mais pesado do que o ar) foi se formando ao rés do chão atéque se inflamou e em um efeito reverso atingiu as fontes de vazamento, gerando uma série de grandes explosões. Cilindros de GLP voaram como se fossem foguetes balísticos. Houve uma destruição tremenda atingindo toda a comunidade vizinha da empresa. As chamas foram tão intensas que os pilotos de um avião comercial que sobrevoava o local naquele momento acharam que o céu tinha se incendiado.

Informações sobre grandes acidentes ambientais ocorridos no mundo foram determinantes para a formação de uma opinião pública sensível àquestão ambiental. Até1.986 ocorreram 2.500 acidentes industriais no mundo (Major HazardIncidentData Service), mais da metade (1.419) em apenas cinco anos (1981 a 1986).

Grandes acidentes ambientais, que envolveram maior número de mortes e milhões de dólares de indenização, num total de 233 acidentes, ocorreram no período de 1970 a 1989.

A divulgação em escala mundial desses fatos contribuiu para sensibilizar a opinião pública e para fortalecer os movimentos ambientalistas, que se multiplicaram nesse período, além de gerar um conjunto de leis ambientais e de órgãos de controle que não existiam antes de 1970.

Risco

Riscos Puros lOs riscos purossão aqueles onde há somente duas possibilidades: perderou não perder. Não existe a chance de nada acontecer, ou seja, quase que o risco materializou-se.

Riscos Especulativos

Nos riscos especulativoshá possibilidade, além da perda ou da não perda, do ganho. O componente adicional desse enquadramento éo do ganho, que atéentão não era abordado. Em um jogo, qualquer que seja ele, podese perder, pode-se ganhar e pode-se não perder se não houver a participação do jogador.

Riscos Voluntários

Riscos voluntários são todos aqueles incorridos conscientemente pela empresa ou por seus funcionários. A morte de soldados durante uma guerra travada entre dois países éum risco voluntário do país invasor. A navegação em um mar revolto éum risco voluntário do comandante da embarcação. Atravessar a péuma grande avenida com o sinal de pedestres fechado éum risco voluntário do próprio pedestre.

Riscos Acidentais

Riscos acidentaissão aqueles sem que tenha havido contribuição voluntária para tal.

O desabamento de um prédio, o alagamento de um pátio de estocagem, os riscos a que estão sujeitos os construtores são também riscos acidentais. Os riscos acidentais podem ser enquadrados dentro das características daqueles decorrentes das atividades normais de uma empresa, gerados acidentalmente. Da mesma forma como nos riscos voluntários, os riscos acidentais também são riscos puros.

Risco

Riscos Aleatórios

Riscos aleatóriossão os eventos ocorridos sem a participação humana: terremotos, maremotos, vendavais, furacões, enchentes, inundações. São considerados os eventos de causa externa, também conhecidos como riscos da natureza. A aleatoriedade dos riscos indica que não podem ser previstos. Podem ocorrer a qualquer momento.

Risco

Risco

Risco

Riscos Dinâmicos

São os derivados da atividade financeira especulativa. O risco do sucesso de um lançamento imobiliário éum risco dinâmico, da mesma forma que o lançamento de um novo produto no mercado consumidor.

Normalmente não são riscos sujeitos a processos de Gestão de Riscos. Os fatores que impedem a avaliação mais criteriosa são:

ldependência de fatores externos ao processo (p.ex. conjunturas econômicas); lexecução inadequada do projeto ou da execução desse por não se ter levado em consideração parâmetros importantes.

Riscos Dinâmicos

Riscos Estáticos

Riscos nos quais a efetivação do evento pode ou deve pressupor uma perda ou uma redução do patrimônio humano ou material da empresa. Um incêndio ou um alagamento são riscos estáticos.

A determinação da magnitude ou da gravidade dos riscos estáticos deve ser feita partindo-se dos seguintes dados:

laleatoriedade das ocorrências de perdas; lfreqüência das ocorrências; lvalores médios das perdas; lvalores acumulados de perdas previsíveis e esperadas; lperda máxima possível, e outros dados estatísticos.

Acidente Industrial

Acidente Industrial

Acidente Industrial Acidente com plataforma

Elementos pesquisados na Análise de Riscos lRiscos que têm maior probabilidade de ocorrência; lFreqüência de ocorrência dos riscos; lCausas e conseqüências das ocorrências; lPerdas usualmente verificadas; lProcessos de prevenção existentes que venham a inibir as ocorrências.

Acidente Ambiental

Evento inesperado e indesejável que afeta, diretamente ou indiretamente, a saúde e a segurança da população, ou que causa impactos agudos ao meio ambiente.

Conseqüências dos acidentes ambientais üPerda de vidas humanas; ü Impactos ambientais; üDanos àsaúde humana; ü Prejuízos econômicos; üEfeitos psicológicos na população; üComprometimento d imagem da indústria e do governo.

Vazamento de óleo combustível por duto -Campinas (1990).

Acidentes ambientais por dutos, registrados pela CETESB – 1980/2002

Acidentes ambientais por duto, de acordo com tipo de produto transportado (1980 a 2002)

Acidentes industriais (83/03)

Acidente com veículo de carga Vazamento de produtos

Manguezal atingido por vazamento de produto

Limpeza de poluentes

Acidente Químico

Acontecimento ou situação perigosa que resulta na liberação de uma substância ou substâncias perigosas para a saúde humana e/ou ao meio ambiente, a curto ou grande prazo.

Gestão de Riscos Gerenciamento de Riscos Industriais

Efeitos do stress no ecossistema

Acidentes maiores envolvendo substâncias químicas ü16/4/47, Cidade do Texas, EUA: barco; explosão; 552 mortos e 3000 feridos.

ü4/1/6, Feyzin, Francia: armazenagem; explosão; 18 mortos e 81 feridos.

ü21/9/72, Rio de Janeiro, Brasil: explosão/fogo; 37 mortos y 53 feridos.

ü1/6/74, Flixborough, UK: industria; explosão/fogo; 28 mortos y 104 feridos.

ü10/7/76, Seveso, Itália: industria; liberação tóxica; contaminação da região.

ü9/1/78, São Sebastião, Brasil: barco; derrame de 6000 ton de cru.

Acidentes maiores envolvendo substâncias químicas ü11/7/78, San Carlos, Espanha: caminhão; explosão; 216 mortos e 200 feridos.

ü25/2/84, Cubatão, Brasil: ducto; fogo; 93 mortos e 500 evacuados.

ü19/1/84, Cidade do México: armazenamento; explosão / fogo; 650 mortos e 6400 feridos.

ü3/12/84, Bhopal, Índia: industria; emissão tóxica; 40 mortos e 200.0 intoxicados.

ü24/3/89, Alasca, EUA: barco; derrame de 40.0 ton de cru; 100.0 pássaros mortos.

Diretrizes Internacionais ðDiretriz de Seveso, CEE; ðCAER -Community Awareness and Emergency Response, CMA, USA; ðThe Emergency Planning and Community Right-toknow, EPA, USA; ðAPELL -Awareness and Preparedness for Emergency at Local Level, UNEP; ðResponsible Care, ICCA; ðConvención 174, OIL.

Acidentes ambientais Acidentes ambientais --Gerenciamento

PrevençãoPrevenção

Identificação de perigos Avaliação dos riscos Redução dos riscos Plano de emergência

Treinamento

IntervençãoIntervenção

Avaliação do acidente

Comunicação Mobilização

Resposta Recuperação

Gerenciamento dos riscosGerenciamento dos riscos AcidenteAcidente

PrevençãoPrevenção ProteçãoProteção

Redução das freqüências

Redução das freqüências Redução das conseqüências

Redução das conseqüências

Gerenciamento dos riscos

Gerenciamento dos riscos

Acidentes ambientais Infra-estrutura wRecursos humanos: - peritos;

- Treinamento. w Recursos materiais: - comunicação;

-equipamentos de proteção;

-equipos de combate a liberações. wManutenção do sistema.

Gerenciamento de acidentes ambientaisGerenciamento de acidentes ambientais

Defesa Civil

Defesa Civil

Meio ambiente

Saúde

Bombeiros Polícia

Indústria Comunidade

Histórico de acidentes maiores

Histórico de acidentes maiores

Principais causas dos acidentes Desastre

Como prevenir?

Nível de risco / necessidade de controle

Não érequerida nenhuma ação e não é necessário conservar registros documentados

Não são requeridos controles adicionais. Devem ser feitas considerações sobre uma solução de custo mais eficaz ou melhorias que não imponham uma carga de custos adicionais. É requerido monitoramento para assegurar que os controles são mantidos

Nível de risco / necessidade de controle

Devem ser feitos esforços para reduzir o risco. Os custos de prevenção devem ser cuidadosamente medidos e limitados. As medidas para a redução do risco devem ser implementadas dentro de um período definido. Quando o risco moderado estáassociado a conseqüências altamente prejudiciais, pode ser necessária uma avaliação adicional para estabelecer mais precisamente a probabilidade do dano, como base para determinar a necessidade de melhores medidas de controle.

Nível de risco / necessidade de controle

O trabalho não deve ser iniciado atéque o risco tenha sido reduzido. Recursos consideráveis podem ter que ser alocados para reduzir o risco. Se o risco envolve trabalho em desenvolvimento, deve ser tomada uma ação urgente

O trabalho não deve ser iniciado ou continuado até que o risco tenha sido reduzido. Se não épossível reduzir o risco, mesmo com recursos ilimitados, o trabalho tem que permanecer proibido.

Custos versus Riscos Um dano pode estar associado a ...

Vazamento do navio Nordic Marita, Ubatuba, 2003

Vazamento de óleo da Baia da Guanabara

O que não tem dado certo?

Na história mundial da indústria química e petroquímica, alguns acidentes causaram a morte de milhares de pessoas e impactos de grandes dimensões ao meio ambiente. Os acidentes de Flixborough na Inglaterra em 1974, Seveso na Itália em 1976, Bhopal na Índia em 1984, México City em 1984 e Sandoz na Suíça em 1986, caracterizaram-se por extrapolar as divisas da fábrica, se projetando nas populações e meio ambiente a posteriori, com efeitos de médio e longo prazo.

Descarte de produtos

Materialização das perdas

Para que se possa quantificar ou materializar as perdas, causadas pelos danos, torna-se necessário saber como apurá-las.

Atitudes pró-ativas recomendam que o mais importante, quando se trata do risco ambiental, ése trabalhar preventivamente àocorrência dos acidentes. Para uma eficiente gestão de custos torna-se necessário conhecer os riscos envolvidos. Uma das maneiras éatravés do emprego de “ferramentas”de análise.

Ferramentas de Análise de Riscos

As ferramentas de Análise de Riscos foram criadas com o objetivo de subsidiar a tomada de decisões acerca do levantamento da freqüência, e gravidade ou severidade dos riscos, a fim de evitar o seu impacto negativo sobre pessoas, equipamentos, instalações ou processos.

Severidade dos Riscos

A Severidade, também chamada de Gravidade, indica o quanto existe de exposição ao Risco. A severidade énormalmente expressa em percentual do bem, sistema ou dispositivo perdido ou danificado com o evento ocorrido.

“O alagamento conduziu a uma perda de 70% da lavoura de trigo”

“A queda do raio provocou um incêndio de grandes proporções no parque”.

Freqüência dos Riscos

A freqüência indica a periodicidade com que o risco pode se manifestar.

“A onda centenária atinge altura de 6 metros”.

“As estatísticas demonstram que háuma morte para cada 1.0.0 de pessoas, devido a queda de raios”.

Freqüência X Severidade

O produto da freqüência pela severidade indica o Risco calculado ou assumido.

De posse do Risco, materializando-o temos como saber os custos envolvidos.

Quantificação de Riscos

Uma das maneiras de se quantificar um risco é através do emprego de “ferramentas”ou processos de mensuração. Muitas dessas informam apenas o tipo de risco. Outras informam o “tamanho”dos riscos. Finalmente existem aquelas que qualificam e quantificam os riscos. A associação da qualificação com a quantificação nos dáa idéia do tamanho do risco.

Ferramentas para a Análise de Riscos

•Série de Riscos (SR); •Série de Eventos (SE);

•Check List (CL);

•Técnica de Incidentes Críticos (TIC);

•Técnica de Entrevistas (TE);

•What If,

Ferramentas para a Análise de Riscos lAnálise de Árvore de Falha (AAF); lAnálise Preliminar de Riscos (APR); lAnálise dos Modos de Falha e Efeitos (AMFE ou FMEA); lAnálise dos Modos de Falha e Efeitos com Criticalidade (AMFEC ou FMECA); lAnálise de Procedimentos (AP); lAnálise dos Riscos de Operação (HAZOP).

Série de Riscos

A SR éuma técnica de identificação de riscos que leva em consideração, a partir de um risco inicial, todos os demais riscos associados que conduzem ao possível dano ou perda.

Série de Riscos

Tanque de alta pressão (aço carbono) + umidade = corrosão àperda de material ► explosão adanos ambientais risco inicial: umidade risco principal: ruptura do tanque risco contribuinte: corrosão Risco conseqüente: danos ambientais

Série de Riscos Exercícios

Série de Eventos

Um prédio de armazenamento de materiais encontra-se sujeito a um incêndio. No interior do prédio háum tanque de alta pressão. O incêndio pode causar explosão. Essa pode causar desabamento do prédio e, finalmente, esse pode estar associado a outro tipo de evento.

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