Manual de Expressao Oral e Escrita - J. Mattoso Camara Jr

Manual de Expressao Oral e Escrita - J. Mattoso Camara Jr

(Parte 1 de 26)

MANUAL DE EXPRESSÃO ORAL E ESCRITA

J. MATTOSO CAMARA JR.

4ª Edição

PETRÓPOLIS

EDITORA VOZES LTDA.

1977

FICHA CATALOGRÁFICA

(Preparada pelo Centro de Catalogação-na-fonte do

Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ)

Camara Júnior, Joaquim Mattoso, 1904-1970.

C1731 Manual de expressão oral e escrita /por/ J.

Mattoso Camara Jr. 4.ed. Petrópolis, Vozes, 1977.

160p.

1. Comunicação oral 2. Linguagem e línguas

I.Título.

CDD - 001.543

001.543

400

CDU - 800.852

800.855

77-0482

Sumário

Explicação Prévia .......................................... 7

Nota para a 4ª edição ...................................... 9

Capítulo I - A Boa Linguagem .............................. 11

I. A Importância da Boa Linguagem ....................1l

II. Língua Oral e Língua Escrita ..................... 15

Capítulo II - A Elocução: Função Expressiva ............... 18

I. O Tom e seu Valor Expressivo ..................... 18

II. A Mímica ......................................... 21

Capítulo III - A Elocução: Função Articulatória ........... 27

I. A Articulação em geral ........................... 27

II. A Acentuação ..................................... 33

Capítulo IV - A Elocução: Função Rítmica .................. 35

I. O Jogo das Pausas ................................ 35

II. As Pausas e as Partículas Proclíticas ............ 40

Capítulo V - A Exposição Oral ............................. 44

I. Considerações Gerais ............................. 44

II. O Plano da Exposição ............................. 45

III. Os Prolegômenos da Exposição ..................... 50

Capítulo VI - A Exposição Escrita ......................... 54

I. Caracterização ................................... 54

II. A Redação ........................................ 58

Capítulo VII - O Plano de uma Redação ..................... 61

I. Considerações .. .. .............................. 61

II. As Pesquisas e a Bibliografia .................... 63

III. A Redação Definitiva ............................. 66

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Capítulo VIII - A Estrutura da Frase ....................... 69

I. A Constituição dos Períodos ....................... 69

II. A Análise Lógica .................................. 74

Capítulo IX - A Ortografia ................................. 77

I. Considerações Gerais .............................. 77

II. Linhas Gerais da nossa Ortografia ................. 79

III. Acentuação Gráfica ................................ 83

Capítulo X - A Correção da Linguagem ....................... 88

I. Conceito de Correção . ............................ 88

II. As Discordâncias do Uso ........................... 91

Capítulo XI - A Correção nas Formas Nominais ............... 94

I. Plural dos Nomes .................................. 94

II. Gênero dos Nomes .................................. 98

Capítulo XII - A Correção nas Formas Verbais .............. 102

Capítulo XIII - A Correção nas Formas Pronominais ......... 109

I. Pronomes Pessoais ................................. 109

II. Tratamento ........................................ 112

III. Os Demonstrativos ................................. 114

Capítulo XIV - Concordância e Regência ..................... 116

I. Concordância ...................................... ll6

II. Invariabilidade ................................... 119

III. A Regência ........................................ 121

Capítulo XV - Exame de algumas supostas Incorreções ........ 123

I. Purismo e Estrangeirismo .......................... 123

II. A Rigidez Gramatical .............................. 127

Capítulo XVI - A Escolha das Palavras ...................... 132

I. Considerações Gerais .............................. l32

II. Os Sinônimos .... .... ... . ...................... l33

III. Outros aspectos na Escolha das Palavras ........... 137

Capítulo XVII - A Linguagem Figurada ....................... 141

I. Caracterização ......... .......................... 141

II. Uso da Linguagem Figurada ......................... l43

Capítulo XVIII - A Clareza e seus vários Aspectos .......... 148

Conclusão Geral ............................................ 155

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Explicação Prévia

Esta despretensiosa obra teve sua origem num curso sobre

"Expressão Oral e Escrita", que por anos consecutivos ministrei aos

Oficiais-Alunos da Escola de Comando e Estado Maior da Aeronáutica

a convite da sua Direção. Fiz a princípio "súmulas", que mais

tarde ampliei num pequeno MANUAL, impresso em multilite na Escola

para uso privativo dos Oficiais-Alunos. Posteriormente, as aulas

contidas no MANUAL foram utilizadas para o ensino de Português na

Escola Naval por iniciativa do ilustre professor Hamilton Elia; e as

cinco primeiras foram insertas em números salteados da REVISTA

DE CULTURA, a benemérita publicação cultural do saudoso Cônego

Tomás Fontes. Entretanto, muitos colegas e amigos vinham insistindo

em que eu desse ao trabalho a ampla divulgação de um livro

ao alcance do público ledor em geral. Deixei-me vencer, e faço-o

agora na esperança de ser com isso útil aos que necessitam de

escrever ou falar em público por injunções da sua vida profissional.

Rio,1961.

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Nota para a 4ª edição

As três primeiras edições foram feitas pela J. Ozon-Editor,

Rio de Janeiro (1961, 1964 e 1972).

Estando esgotada a obra e caduco o contrato, Dona Maria

Irene Ramos Camara, viúva de Joaquim Mattoso Camara Jr., nos

ofereceu o lançamento dessa nova edição do <Manual de Expressão

Oral e Escrita>.

As obras do Mestre Mattoso Gamara - pai da Lingüística no

Brasil -, ao contrário de outras, quanto mais envelhecem, mais

nelas se acentua o caráter clássico e a necessidade de consulta.

Mattoso Camara (falecido em 4-2-1970) ainda continua o nosso maior

lingüista.

Desse livro, escreveu em 1976 o Prof. Anthony Naro, professor

dos cursos de pós-graduação em Lingüística da PUC/Rio e UFRJ:

"Elocução, exposição, composição, estrutura da frase, ortografia,

correção de uso, purismo, escolha vocabular e linguagem figurada são

temas abordados nesse manual de estilo. Cada capítulo abrange uma

apresentação teórica do tema seguida de exemplos ilustrativos. Como

um guia prático para o uso da língua ele é conciso, mas apresenta

uma introdução equilibrada dos problemas referentes à clareza

na expressão oral ou escrita, especialmente destinado para um

público não especializado. Em toda a obra, Mattoso mantém-se numa

posição de equilíbrio entre o purista, para quem a língua literária

é o único modelo aceitável, e o ponto de vista de muitos lingüistas

para quem o uso só é definido pelo que ocorre no discurso. Para

Mattoso, a finalidade da língua é a comunicação, de modo que a

preocupação primordial deve ser evitar qualquer distúrbio no

processo de comunicação" (<Tendências Atuais da Lingüística e da

Filologia no Brasil>, Livraria Francisco Alves, Rio de Janeiro 1976,

p.145).

Ao reeditar este livro, a Editora VOZES tem a certeza de estar

recolocando nas mãos de professores e alunos e de quantos cultivam

a Língua Portuguesa o ainda melhor manual de expressão oral e

escrita.

CLARÊNCIO NEOTTI

agosto de 1977

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Capítulo I

A BOA LINGUAGEM

I. A IMPORTÂNCIA DA BOA LINGUAGEM

1. A linguagem e a vida social

Tem-se discutido muito sobre as funções essenciais da

linguagem humana e a hierarquia natural que há entre elas.

É fácil observar, por exemplo, que é pela posse e pelo uso

da linguagem, falando oralmente ao próximo ou mentalmente

a nós mesmos, que conseguimos organizar o nosso pensamento

e torná-lo articulado, concatenado e nítido; é assim

que, nas crianças, a partir do momento em que, rigorosamente,

adquirem o manejo da língua dos adultos e deixam para

trás o balbucio e a expressão fragmentada e difusa, surge

um novo e repentino vigor de raciocínio, que não só decorre

do desenvolvimento do cérebro, mas também da circunstância

de que o indivíduo dispõe agora da língua materna, a

serviço de todo o seu trabalho de atividade mental. Se se

inicia e desenvolve o estudo metódico dos caracteres e aplicações

desse novo e preciso instrumento, vai, concomitantemente,

aperfeiçoando-se a capacidade de pensar, da mesma sorte

que se aperfeiçoa o operário com o domínio e o conhecimento

seguro das ferramentas da sua profissão. E é este,

e não o outro, antes de tudo, o essencial proveito de tal

ensino.

Observe-se ainda, por outro lado, que é quase exclusivamente

pela linguagem que nos comunicamos uns com os outros

na vida social. Pode-se dizer que a sociedade humana,

em confronto com os aspectos rudimentares das colônias

dos animais gregários, é, na sua tremenda complexidade,

uma conseqüência da posse da linguagem. Dela depende

a permuta das idéias, como a das mercadorias pressupõe,

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para ser eficiente e irrestrita, um serviço organizado de

tráfego.

Assim, deixando de parte outras muitas funções da linguagem

na vida humana, podemos fixar-nos nestas duas

primaciais e incontestáveis:

a) possibilitar o pensamento em seu sentido lato;

b) permitir a comunicação ampla do pensamento assim elaborado.

2. A linguagem tem de ser boa

A conseqüência inevitável dessas duas verdades é que

cada um de nós tem de saber usar uma boa linguagem para

desempenhar o seu papel de indivíduo humano e de membro

de uma sociedade humana. Não se pode admitir que um

instrumento tão essencial seja mal conhecido e mal manejado;

mal utilizá-lo é colocarmo-nos na categoria dos operários

que são canhestros e insipientes no exercício de sua

profissão. Tal categoria tem, por princípio, de ser elimina-

da : ninguém tem o direito de conformar-se em ser esse

tipo de operário, nem a fábrica social se pode dar ao luxo

de aceitá-lo complacentemente em seu seio.

É, entretanto, a atitude implícita dos que fazem praça

de não se preocuparem com questões de linguagem. Há

quem assim se desculpe, quando o que diz ou escreve produz

um resultado contraproducente: homem de atividade

prática, sem aspirações oratórias ou literárias, quer agir

bem, e não falar bem. Ora, a simples circunstância do

resultado contraproducente prova que há qualquer coisa

fundamentalmente errada no princípio incluso na suposta

justificativa.

<O erro está, a rigor, numa confusão de idéias>.

A linguagem tem uma função prática imprescindível na

vida humana e social; mas, como muitas outras criações do

homem, pode ser transformada em <arte>, isto é, numa fonte

de mero gozo do espírito. Passa-se, com isto, a um plano

diverso daquele da vida diária. São duas coisas distintas o

aspecto prático e o aspecto artístico da linguagem. Neste ela

vem a constituir a literatura e deve ser boa no sentido de

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produzir em nós um alto prazer espiritual ou gozo estético.

É uma excelência em sentido estrito, que não cabe confundir

com o sentido amplo - qual se consubstancia na boa

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