A realidade do plantão do serviço social

A realidade do plantão do serviço social

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Laboratório de Estudos Contemporâneos

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Universidade do Estado do Rio de Janeiro R São Francisco Xavier, nº 524 - 2º andar, sala 60 - Maracanã - Rio de Janeiro - RJ

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Mestre em Serviço Social pela UERJ. Professora da Universidade Veiga de Almeida (UVA) em Cabo Frio/RJ. Assistente Social da Prefeitura Municipal de Armação dos Búzios/RJ

Resumo: O presente trabalho analisa a realidade do plantão do Serviço Social tendo como referência o projeto ético-político profissional do Serviço Social, expresso no Código de Ética profissional, na lei que regulamenta a profissão, bem como nas diretrizes curriculares da ABEPSS. A partir deste projeto, entendemos o plantão como um espaço de atuação desafiante para os profissionais comprometidos com a construção de práticas democráticas e coletivas, tais como a sala de espera. Assim, o objetivo do presente trabalho é o de analisar teoricamente o espaço do plantão enquanto sendo propício para o desenvolvimento de alternativas de ação, mais comprometidas com a população usuária dos serviços institucionais; buscando através das ações cotidianas efetivar os princípios e diretrizes preconizados no Código de Ética profissional

Palavras-chave: Plantão. Projeto ético-político. Sala de espera

Abstract: The present work analyses the duty reality ethical-political project of the social work, express in the professional ethics cód, in the law that regulates the profession, such as in the ABEPSS curricular guidelines. Through this project, we understand the duty as a defying space of acting to the professionals compromised with the construction of democratic and colletive pratices such as the reception room. So, the present work aim is of analyse theorically tre duty space while being favorable to the action alternatives denelop-being favorable to the action alternatives denelopment more eudangered to population usurer of the works; searching though daily deeds, to carry the principles and guidelines recommended in the professional ethics code.

Keywords: Duty. Ethical-Political Project. Reception Room

Um dos limites por nós considerado no modelo de intervenção profissional no plantão, refere-se a uma não abordagem da totalidade dos problemas sociais apresentados w.polemica.uerj.br

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CEP 24.590-013 Tels: (0xx21) 2587-7960/ 2587-7961 e-mail: laboreuerj@yahoo.com.br ao Serviço Social, ou seja, individualizava-se o problema, não considerando sua dimensão totalizante.

O Assistente Social se insere em uma realidade complexa e contraditória, encontrando em sua prática limites para uma atuação diferenciada daquela instituída tradicionalmente. Cabe ao Assistente Social refletir sobre este fazer burocrático, tendo como eixo norteador o projeto político-profissional do Serviço Social, para então vislumbrar novas alternativas profissionais.

Os grupos de sala de espera, devem objetivar romper com a rotina burocrática e imediatista dos atendimentos no plantão; ampliando a participação dos usuários nos programas e serviços institucionais, criando, assim, um novo espaço de atuação profissional alternativo na rotina do plantão.

Como podemos observar, a prática do Assistente Social no plantão tem inúmeros limites e obstáculos para um agir comprometido com os princípios e diretrizes do Código de Ética Profissional. No entanto também traz possibilidades para uma prática inovadora e diferenciada daquela tradicionalmente instituída no âmbito institucional. Marilda Iamamoto (2001) ao analisar tal questão afirma que:

“(...) um dos maiores desafios que o Assistente Social vive no presente é desenvolver sua capacidade de decifrar a realidade e construir propostas de trabalho criativas e capazes de preservar e efetivar direitos, a partir de demandas emergentes no cotidiano. Enfim, ser um profissional propositivo e não só executivo".(2001:20)

Assim o desafio do Assistente Social nos dias de hoje é desenvolver propostas de trabalho criativas e inovadoras, que sejam capazes de concretizar direitos sociais da w.polemica.uerj.br

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CEP 24.590-013 Tels: (0xx21) 2587-7960/ 2587-7961 e-mail: laboreuerj@yahoo.com.br população usuária. Dessa forma podemos dizer que nossa perspectiva de ação tinha enquanto objetivo, a busca pela efetivação dos direitos sociais dos usuários na saúde pública, visando a ampliação dos canais de participação no âmbito institucional.

Acreditamos que a quantidade dos atendimentos realizados no âmbito do plantão inviabiliza um atendimento de qualidade junto aos usuários pelos Assistentes Sociais; pois com a grande rotatividade dos usuários no plantão, o trabalho reflexivo de cunho coletivo acaba não sendo priorizado pelos profissionais. Assim, o plantão é considerado um espaço para atendimentos emergenciais das demandas no âmbito institucional.

Tal fato vai de encontro ao que preconiza o Código de Ética do Assistente Social em seu 10º princípio: “Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com o aprimoramento intelectual na perspectiva da competência profissional.”

Acreditamos que é de fundamental importância ao profissional do Serviço Social ter clareza dos seus direitos e deveres preconizados no Código de Ética Profissional. No entanto só a clareza não basta para a conquista de condições dignas de trabalho. Como ressalta o Código em seu art. 7º no que tange a relação com as instituições empregadoras: “Constituem direitos do Assistente Social: a) dispor de condições de trabalho condignas, seja em entidade pública ou privada, de forma a garantir a qualidade do exercício profissional.”

Na busca de garantir uma prática diferenciada, cabe ao profissional desenvolver no seu exercício profissional cotidiano, a prática da pesquisa junto à população usuária, para melhor conhecer o perfil dos usuários do plantão bem como melhor conhecer a realidade onde atuam; objetivando identificar os limites e possíveis alternativas ao Serviço Social nos espaços sócio-ocupacionais.

Karel Kosik ao analisar tal questão afirma que:

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“(...) a realidade não se apresenta aos homens à primeira vista, sob o aspecto de um objeto que cumpre intuir, analisar e compreender teoricamente (...) apresenta-se como o campo em que se exercita a sua atividade prático-sensível, sobre cujo fundamento surgirá a imediata intuição prática da realidade.” (1985:10)

Assim, vemos que uma análise da realidade contemporânea, identificando seus limites mas, também, as alternativas de trabalho que procurem concretizar direitos sociais, é uma condição fundamental para os Assistentes Sociais que buscam pela consolidação do Projeto ético-político nos espaços do plantão. Pois como preconiza o Código de Ética Profissional, é dever do Assistente Social nas suas relações com os usuários:

“(c) democratizar as informações e o acesso aos programas disponíveis no espaço institucional, como um dos mecanismos indispensáveis à participação dos usuários.”

Devemos ressaltar que após a criação dos grupos de sala-de-espera com os usuários do plantão, houve um aumento significativo da procura por programas e serviços institucionais; o que acarretou, por conseguinte, aumento no número de vagas nos programas institucionais, tais como: programa de aleitamento materno, da criança e do adolescente e programa de gestantes.

Com as reflexões que eram feitas no horário do plantão, buscávamos o apontamento de estratégias coletivas junto aos usuários e a direção da unidade, objetivando algumas w.polemica.uerj.br

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A falta de salas para realizar os grupos foi identificada como um dos maiores limites para a realização trabalho. Devido a ausência de espaço físico na instituição, as reuniões eram realizadas no pátio onde os usuários esperavam o momento da consulta médica, ou embaixo de uma árvore que lá havia.

No início resistimos em fazer as reuniões num espaço como aquele, realizando junto à direção várias abordagens, objetivando mostrar a importância de um trabalho como aquele. Mirian Veras Baptista (1995) traz uma importante contribuição a nossa reflexão quando afirma que:

“O problema da rotina não está portanto nela própria – ela é algo necessário – mas no fato de ela ser imposta como um fim, em detrimento do real enfrentamento das questões e do processo de criação e renovação de conhecimentos e práticas.” (1995:118)

Atualmente muitos profissionais vêem o trabalho cotidiano como um grande obstáculo que lhes impede a um exercício profissional comprometido com o projeto éticopolítico. No entanto cabe ao Assistente Social, sem a pretensão de uma postura messiânica, racionalizar esse fazer burocrático e pontual, vislumbrando alternativas de ação coletivas para o cotidiano da instituição onde se insere.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ASSISTENTE SOCIAL: ética e direitos – coletânea de leis e resoluções, CRESS, 7ª Região/RJ, junho/2006.

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Recebido: 04/05/2009 Aceito: 12/08/2009 w.polemica.uerj.br

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