Abordagem nutricional em diabetes mellitus

Abordagem nutricional em diabetes mellitus

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A bordag em

Nutricional em Diabe t e s Mellitus

Organização Pan-Americana de Saúde Organização Mundial de Saúde

Apoio:

A bordag em Nutricional em Diabe t e

Mellitus

Brasília - 2000

© 2000. Ministério da Saúde. Tiragem: 10.0 exemplares É permitida a reprodução parcial ou total deste manual, desde que citada a fonte.

Edição, distribuição e informação: Coordenação de Doenças Crônico-Degenerativas Departamento de Gestão de Políticas Estratégicas Secretaria de Políticas de Saúde Ministério da Saúde Esplanada dos Ministérios Bloco G, Sala 637 Brasília - DF - 70058-900 Fone/Fax: (061) 225-6388

Coordenação Geral: Anelena Soccal Seyffarth, Laurenice Pereira Lima e Margarida Cardoso Leite

Elaboração: Anelena Soccal Seyffarth, Adélia Araújo Bandeira, Celeste Elvira Viggiano, Cleusa Regina Fritzen Oliva e Jane D’ arc Tavares Silva

Digitação: Carmelita Teixeira da Silva, Deuselina Pereira dos Santos (In Memorian) e Maria Gorete de Castro Lopes

Revisão Técnica e Copidesque: Eugênia de Sousa Lacerda de Carvalho Diagramação e Arte Final: Maria Célia de Souza Impresso no Brasil/Printed in Brasil

Abordagem nutricional em diabetes mellitus / Coord. :Anelena

Soccal Seyffarth, Laurenice Pereira Lima, Margarida Cardoso Leite ; Brasília : Ministério da Saúde, 2000. 155 p. ISBN: 85-334-0227-9 1. Diabetes mellitus. I. Seyffarth, Anelena Soccal. I. Lima, Laurenice Pereira. I. Leite, Margarida Cardoso.

NLM: WK810

Apresentação7
Capitulo 1 – Avaliação Nutricional9
1. Introdução9
2. Anamnese Alimentar e Pesquisa de Sinais e Sintomas Clínicos9
3. Medidas Antropométricas10
4. Determinações Bioquímicas12
Capítulo 2 – Planejamento Alimentar15
1. Introdução15
2. Objetivos do Planejamento Alimentar15
3. Necessidades Energéticas e Recomendações Nutricionais16
4. Fracionamento de Refeições20
5. Sódio21
6. Álcool21
7. Fibras2
8. Vitaminas e Minerais23
9. Hábitos e Tabus Alimentares/Padrão Econômico23
Capítulo 3 – Adoçantes e Alimentos Dietéticos25
1. Introdução25
2. Adoçantes (ou edulcorantes) Calóricos25
3. Adoçantes não Calóricos27
4. Considerações Importantes30
5. Alimentos Dietéticos30
Capítulo 4 – Alimentação da Criança e do Adolescente Diabéticos35
1. Introdução35
2. Conduta Dietoterápica Atual35

Sumário

1. Introdução41
2. Considerações Importantes41

Capítulo 5 – A Diabética Grávida e Diabetes Mellitus Gestacional/DMG.. 41 3

4. Necessidades Nutricionais43
5. Cafeína, Bebidas Alcóolicas e Produtos Dietéticos46
6. Exercício e Gravidez46
7. Gravidez na Adolescente Diabética47
Capítulo 6 – Alimentação do Idoso Diabético51
1. Introdução51
2. Alterações Metabólicas e Morfológicas51
3. Necessidades Nutricionais54
4. Fracionamento da Dieta57
5. Consumo de Produtos Dietéticos58

3. Ganho de Peso......................................................................................... 42

e o Controle do Diabetes Mellitus59
1. Introdução59
2. Respostas aos Exercícios – Pessoas não Diabéticas59
3. Exercícios e Diabetes mellitus Tipo 160
4. Exercícios e Diabetes mellitus Tipo 263
Exercícios Físicos63
6. Recomendações e Cuidados Especiais64
7. Intensidade65
8. Orientações Específicas65
9. Benefícios67
Capítulo 8 – Alimentação em Situações Especiais69
1. Complicações Agudas69
2. Escola73
3. Trabalho75
4. Viagens76
5. Festas78
6. Restaurantes79

Capítulo 7 – A Atividade Física Regular e a Prevenção 5. Riscos e Contra-Indicações para a Prática de

Dislipidemias e Hipertensão Arterial83
A – Dislipidemias83
B – Obesidade, Hipertensão e Síndrome X8

Capítulo 9 – Dietoterapia para o Diabético com 4

1. Introdução93
Estudadas no Diabetes Tipo 193
3. Recomendações Nutricionais94
Capítulo 1 – Educação Nutricional9
1. Introdução9
2. Etapas Básicas da Educação Nutricional100
3. Avaliação da Intervenção Nutricional104
Capítulo 12 – Colônias de Férias107
1. Introdução107
2. Objetivos107
3. Metas da Educação Nutricional para Acampantes107
4. Conteúdo do Programa Educativo109
5. Técnicas Didáticas que Podem Ser Utilizadas110
6. Educação Continuada1
Capítulo 13 – Hábitos Alimentares Regionais113
1. Introdução113
A – Região Sul113
B – Região Sudeste115
C – Região Centro-Oeste117
D – Região Nordeste119
E – Região Norte121
Capítulo 14 – Sugestões de Algumas Receitas Hipocalóricas123
Receitas – Doces/Bolos/Biscoitos124
Salgados132
Anexos139
Anexo 1141
Anexo 2142
Anexo 3143
Anexo 4144
Anexo 5145
Anexo 6146
Anexo 7147
Bibliografia149

Capítulo 10 – Dieta no Tratamento da Nefropatia Diabética....................... 93 2. Estágios de Nefropatia Diabética – Características mais 5

Apresentação

A ocorrência de Diabetes mellitus em um grupo populacional está ligada, principalmente, a fatores socioeconômicos e culturais, tais como: urbanização, hábitos alimentares, estilo de vida sedentário, stress e, também, à conhecida predisposição familiar.

A prevalência do Diabetes mellitus e da Intolerância à Glicose na população urbana brasileira é de 15,4%. Assim, estima-se a existência de oito milhões de brasileiros que necessitam de orientações específicas para o planejamento e mudanças de hábitos alimentares e no estilo de vida.

Ao mesmo tempo em que, no Terceiro Mundo, a desnutrição energéticoprotéica é responsável pela alta taxa de mortalidade no primeiro ano de vida e pelo comprometimento intelectual de crianças e adultos, nos grandes centros urbanos, em todo o mundo, crescem os índices de morbimortalidade por doenças ligadas à obesidade e dislipidemias.

A obesidade, por exemplo, é um dos principais fatores de risco para o

Diabetes mellitus/DM Tipo 2 e Doenças Cardiovasculares. A taxa de incidência de DM Tipo 2 está relacionada à duração e ao grau de obesidade. Ela praticamente dobra quando um aumento de peso moderado está presente e pode mais que triplicar na presença de excesso acentuado de peso.

Nas doenças crônicas, ao contrário das doenças agudas, é fundamental que as indicações da equipe de saúde sejam associadas à participação do indivíduo, como agente ativo que cuida da sua própria saúde.

A educação em Diabetes, para portadores desta disfunção, familiares e população em geral, constitui um dos pilares básicos para a eficiência da prevenção e do tratamento. Este manual foi elaborado visando contribuir para a consecução destes objetivos. Por meio da divulgação de conhecimentos da área de Nutrição, ele traz subsídios para o trabalho da equipe multiprofissional. Com isto, busca-se alcançar uma maior integração nos procedimentos, ações e cuidados relacionados à prevenção e ao controle do Diabetes mellitus. Ele também será útil para aqueles que desejam adotar um estilo de vida alimentar saudável.

Capítulo 1 Avaliação Nutricional

1 - Introdução

A avaliação nutricional tem como objetivo primário determinar o estado nutricional do indivíduo, que é uma condição que cada ser possui para responder às necessidades energéticas exigidas pelo seu metabolismo. O estado nutricional depende, basicamente, dos depósitos corpóreos de energia potencial e substratos bioquimicamente ativos, que sofrem variações de acordo com a oferta, assimilação e utilização de nutrientes exógenos essenciais.

Já está comprovada a influência do estado nutricional na manutenção da saúde e no controle de doenças. Por esse motivo, é importante identificar indivíduos portadores ou em condições de desenvolver processos de má nutrição, a fim de permitir sua correção e/ou favorecer uma recuperação eficaz.

Os métodos de avaliação do estado nutricional devem ser bem conhecidos e incluem:

- anamnese alimentar e pesquisa de sinais e sintomas clínicos; - medidas antropométricas;

- determinações hematológicas, séricas e urinárias apropriadas.

2 - Anamnese Alimentar e Pesquisa de Sinais e Sintomas Clínicos

É importante verificar na história clínica: a ocorrência de ganho ou perda de peso recente, anorexia, diarréia, disfagia, náuseas, vômitos, letargia, perda de vitalidade e diminuição da sensação de bem-estar.

A história de alteração no peso do diabético descompensado no passado recente tem especial valor, pois reflete a velocidade das alterações na composição corpórea.

No exame físico, embora em aparente bom estado, o diabético pode encontrar-se em desnutrição relativa, como resultado de processo catabólico antigo ou em andamento.

Perda ponderal inferior a 10% do peso habitual, ocorrendo em período de seis meses, provavelmente não trará conseqüências significativas. Se, no entanto, a perda de peso for superior a 15%, pode estar relacionada ao processo catabólico intenso associado a várias doenças, entre elas o Diabetes. Nas perdas de 10 a 35%, podem ocorrer sérias diminuições do poder de defesa do organismo, da capacidade de cicatrização e da sobrevida.

Ainda na anamnese, a determinação criteriosa da ingestão alimentar do diabético descompensado oferece dados relevantes, especialmente quando se correlaciona ao grau e tempo da perda de peso. Por meio da aferição cuidadosa da anamnese alimentar e exame físico meticuloso, pode-se estabelecer o grau de comprometimento do estado nutricional.

3 - Medidas Antropométricas (Adultos) 3.a - Relação Peso-Altura

A pessoa deve ser pesada regularmente, sempre no mesmo horário e nas mesmas condições, de preferência pelo mesmo examinador e em balança devidamente aferida. Os valores obtidos podem ser comparados com tabelas de referência (Anexo 1).

No entanto, considerando as dificuldades de interpretação das tabelas existentes e a carência de padrões estabelecidos para a população brasileira, recomenda-se avaliar criteriosamente a relação peso/altura contidas nas diversas tabelas.

3.b - Índice de Massa Corporal/IMC

O IMC é um dos indicadores que podem ser usados para avaliar o risco de morbimortalidade em relação ao peso corpóreo.

É calculado pela divisão do peso (em kg) pelo quadrado da altura (em metros).

IMC = Peso (kg) Altura (m)²

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