NBR ISO 14001 - Frigorífico de Aves

NBR ISO 14001 - Frigorífico de Aves

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Sistema de Gestão Ambiental implementado aos moldes da ISO 14001:2004 em um frigorífico de abate de aves, no Município de Sidrolândia – Mato Grosso do Sul

Carla Dal Piva1

Vera Lúcia Ramos Bononi2

Regina Sueiro de Figueiredo3 Celso Correia de Souza4

Resumo

Uma análise crítica da implementação de um Sistema de Gestão Ambiental - SGA aos moldes da ISO 14001:2004, foi realizada em uma empresa do ramo de frigorífico de aves em Sidrolândia – Mato Grosso do Sul, no período de 2004 – 2007, ao buscar evidenciar os ganhos de cunho ambiental e de diferencial entre as empresas no atual mercado

1 Mestranda do Programa de Pós – Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal. E – mail: carladalpiva@yahoo.com.br

2 Doutora em Biologia, Professora do Programa de Pós – Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal. E-mail: vbononi@uol.com.br

3 Doutora em Educação, Professora do Programa de Pós – Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal. E – mail: rsueiro@uol.com.br

4 Doutor em Engenharia elétrica, Professor do Programa de Pós – Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal. E – mail: celsocorreia@mail.uniderp.br

6 “A BS 7750 foi elaborada para estabelecer a melhor prática gerencial em sistemas de gerenciamento ambiental, permitindo verificação de terceira parte. Também visava cumprir as exigências de padronização do sistema gerencial da Regulamentação, com exceção da exigência da declaração pública, e ser compatível com a ISO 9000, formando um conhecimento extensivo da aplicação dos sistemas de gerenciamento da qualidade” (GILBERT, 1995, p. VI).

Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional competitivo. Foi possível levantar dados históricos antes e após implementação do SGA, em que se constataram melhorias ambientais, principalmente, referentes aos aspectos de gerenciamento de resíduos sólidos, gerenciamento e tratamento de efluentes, conservação dos recursos hídricos e atendimento s legislações dos aspectos acima descritos, bem como um maior controle sobre seus aspectos significativos, alcançados por meio de monitoramento e ações preventivas e corretivas e uma maior segurança no que se refere aos possíveis impactos ambientais. A percepção ambiental dos funcionários da organização foi verificada por meio da aplicação de questionários, em que foi possível identificar aspectos culturais, de educação ambiental e de sistema de gestão ambiental que corroboram com o princípio de que a implementação de um sistema de gestão ambiental na organização influencia positivamente esses aspectos, na busca de mudanças de comportamento. Com os dados levantados também foi possível verificar que o frigorífico exporta a maioria de seus produtos e um de seus clientes mais importantes, o Japão, exige controles ambientais, impressiona-se com os gerenciamentos de seus aspectos significativos e desafia a Unidade para o contínuo processo de melhoria no desempenho ambiental. Os desafios são possíveis e atingíveis desde que a organização incorpore o Sistema de Gestão Ambiental nas atividades do seu dia-a-dia.

Palavras-chave: Sistema de Gestão Ambiental, competitividade, mudança de comportamento.

Environment Management System implementing based on the ISO 14001:2004 in the a poultry slaughterhouse located at Sidrolândia - Mato Grosso do Sul

Abstract

A critical analysis of an Environment Management System (EMS) based on the ISO 14001:2004 standards was conducted at a poultry slaughterhouse located at Sidrolândia, State of Mato Grosso do Sul, during the period of 2004 – 2007. It aimed to evidence environmental

Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional and competitive advantage gains among companies established on the current market. The field research, a case study kind, developed at the poultry slaughterhouse facilities, was able to retrieve historic data from before and after the implementation of the EMS. Several improvements were found, especially ones related to solid residues management, hydric resources conservation, effluent management and treatment and compliance with environmental laws, as well as a better control over significant elements, achieved through monitoring, set up of preventive and corrective actions and safer measures related to potential environmental impacts. Employee’s perception was assessed through questionnaires that identified cultural factors, level of environmental awareness and knowledge of the EMS, which reaffirmed the principle that by implementing an EMS a company can positively influence those attributes seeking behavioural changes. Based on the data retrieved it was also possible to verify that the plant exports the majority of their products and one of their most important customers, Japan, requires environmental controls, is impressed by management of significant factors and defies the company to maintain an environmental performance continuous improvement process. The challenges are possibly achievable as long as the company incorporates the EMS to its every day activities.

Keywords: Environmental Management System, competitiveness, behavioural changes

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Introdução

A importância dos recursos naturais é fundamental para a sobrevivência humana, principalmente ao considerar que, apesar de todo o desenvolvimento tecnológico até aqui alcançado, ainda não existem condições que possibilitem a substituição dos elementos fornecidos pela natureza.

Após a década de 70, o homem passou a tomar consciência do fato de que as raízes dos problemas ambientais deveriam ser buscadas nas modalidades de desenvolvimento econômico e tecnológico e de que não seria possível confrontá-los sem uma reflexão sobre o padrão de desenvolvimento adotado. Isso levou a humanidade a repensar a sua forma de desenvolvimento, essencialmente calcada na degradação ambiental, e fez surgir uma abordagem de desenvolvimento sob uma nova ótica, conciliatória com a preservação ambiental. Assim, surge o desenvolvimento sustentável (FIORILLO, 2006; SEIFFERT, 2006).

Weber (1999) esclarece que um dos últimos grupos a integrar a luta pela preservação do meio ambiente e, talvez, o que traga resultados mais diretos em menos tempo, é o setor empresarial. Movidos pela exigência de seus consumidores, inicialmente os europeus, as empresa começam a perceber que seus clientes estavam dispostos a pagar mais por produtos ambientalmente corretos, e mais, deixar de comprar aqueles que contribuíam para degradação do Planeta. Além disto, a pressão popular atingiu também governos, que passaram a estabelecer legislações ambientais cada vez mais rígidas, ao fazer com que empresas tenham que adequar seus processos industriais, com o uso de tecnologias mais limpas.

A norma brasileira é idêntica à norma proposta pela ISO adotada em todos os países e tem um efeito sistêmico interessante: ao enfocar a necessidade de adotar fornecedores certificados, cria-se um enlace de reforço positivo. Quanto mais empresas estiverem certificadas, mais empresas se verão obrigadas a se certificar, pois a exigência se replica a montante na rede de valor (GAVRONSKI, 2003).

Empresas existentes no mercado, como produtoras de bens e de serviços estão, hoje, em grande evidência em relação à questão ambiental. As pressões exercidas pelas comunidades, ONGs e governos, têm forçado uma postura pró-ativa na melhoria de seus processos produtivos, com geração de menor quantidade de resíduos e poluentes e menor consumo de matérias-primas e energia.

Andrade et al. (2000) esclarecem que o crescimento da atividade industrial, com a conseqüente geração de maior quantidade de resíduos e poluentes e o crescimento da demanda por produtos e

Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional serviços, tem forçado ao desenvolvimento de novas tecnologias para os processos produtivos, simultaneamente à necessidade de novas técnicas administrativas voltadas ao gerenciamento dessas atividades, com preocupação ambiental.

Moreira (2001) comenta que ao implementar um Sistema de

Gestão Ambiental - SGA como forma de gerenciamento das atividade organizacionais, deve-se lembrar que o compromisso passa a ser permanente, pois exige uma mudança definitiva da antiga cultura e das velhas práticas. Para tanto, é imprescindível a busca da melhoria contínua, princípio fundamental de um SGA.

Contudo, o gerenciamento de um processo, por meio das ferramentas de um SGA possibilita ganhos de produtividade e qualidade, além da satisfação das pessoas envolvidas diretamente no processo, pois esses aprendem que sempre é possível fazer melhor e percebem a evolução da qualidade de seus serviços. Atuar de maneira ambientalmente responsável é ainda, hoje, um diferencial entre empresas, que as destacam no competitivo mercado, quanto antes as empresas perceberem esta nova realidade maior será a chance de se manterem (ANDRADE et al., 2000).

Boog e Bizzo (1999) relatam que a Série ISO 14001 se divide em dois grupos de normas, em função do seu objetivo, conforme figura 1.

Os dois grupos são: Avaliação da Organização e Avaliação do

Produto. O grupo Avaliação da Organização será dado ênfase por ser a base deste artigo.

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25 Figura 1: Estrutura do Gerenciamento Ambiental (TC – 2007).

Grupo – Normas voltadas para a avaliação da organização.

Esse grupo dentro do gerenciamento ambiental (foco nas organizações empresariais), caracteriza-se por: Sistema de Gestão Ambiental, Desempenho Ambiental e Auditoria Ambiental.

Moreira (2001) esclarece da mesma forma que a Série ISO 9000

– Gestão Qualidade teve como base uma norma inglesa (BS-5750), a ISO 14001 – Sistema de Gestão Ambiental, baseou-se em um padrão britânico, a BS – 77506 que, por sua vez, foi influenciada pela regulação

Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional ambiental da Comunidade Européia, a EMAS – Eco Management and Audit Scheme (Gerenciamento Ecológico e Plano de Auditoria)7.

A ISO 14001, a única norma que possibilita a concessão de certificado a organização, foi emitida experimentalmente em 1992 e reeditada em 2 de janeiro de 1994 (no Brasil, em outubro de 1996), tendo como conseqüência a desativação da BS – 7750, em 1º de janeiro de 1977.

primeiramente na edição de 1996 (FALANDO DE QUALIDADE, 2004)

No decorrer do ano 2004, a NBR ISO 14001:1996 sofreu modificações não significativas, para fins de compatibilizar a norma com os padrões da série ISO 9000:2000, ao assegurar que os padrões possam ser compreendidos e utilizados por qualquer tipo de empresa ao redor do mundo, e por tornar mais claros textos publicados

As normas relacionadas com auditoria já se transformaram em

Norma Brasileira Registrada (NBR-ISO), porém muitas outras se encontram em diferentes estágios de elaboração.

Barbieri (2004) afirma que a Auditoria Ambiental e a Avaliação do Desempenho Ambiental são dois tipos de instrumentos de gestão ambiental que permite à administração avaliar o status da atuação ambiental da organização e identificar as áreas ou funções que necessitam de melhorias. A Auditoria Ambiental tratada pelas normas ISO 14.0 é uma avaliação periódica para verificar o funcionamento do SGA.

Seiffert (2006) alerta que embora todas essas normas forneçam uma base conceitual e estrutural importante para a implantação da ISO 14001 e posterior certificação, exclusivamente os requisitos da norma ISO 14001 são indispensável e auditados para a obtenção de uma certificação de SGA.

Ao estar ciente do papel e importância das normas ISO 14000, é necessário enfocar a norma ISO 14001 como um instrumento para a gestão ambiental, pois é conveniente entender como essa norma atua para levar à implantação de um sistema de gestão ambiental nas organizações.

7 “O EMAS – Sistema Comunitário de Eco-Gestão e Auditoria ou Eco-Management and Audit Scheme é um instrumento voluntário dirigido às empresas que pretendam avaliar e melhorar os seus comportamentos ambientais e informar o público e outras partes interessadas a respeito do seu desempenho e intenções ao nível do ambiente, não se limitando ao cumprimento da legislação ambiental nacional e comunitária existente” (GILBERT, 1995, p. VII).

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Implementação de sistemas de gestão ambiental (SGA) segundo a norma NBR ISO 14001:2004

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