Artista do Renascimento

  1. Michelangelo

1475-1564

Jacopino del Conte: Retrato de Michelangelo. Casa Bounorroti, Florença.

Uma das figuras-síntese do Renascimento, cuja estética, aliás, ele chegou a transcender, Michalangelo ainda hoje nos espanta como artista e pessoa humana. Apesar de ter imortalizado os papas e príncipes para quem trabalhou, sempre viveu e morou longe do luxo, em oficinas que faziam pedras vivarem e paredes se transformarem em cenas para sempre magistrais. Viveu trabalhando contínua e arduamente na sujeira, em meio a tintas, formões, lascas de pedra e formas para bronze. Foi recompensado com a eternidade, pois seu gênio iluminará o homem enquanto essa criatura existir e apreciar a beleza.

PERFIL DO ARTISTA

O Divino Michelangelo

Oriundo da Toscana, Michelangelo passou grande parte de sua vida em Roma, trabalhando para os papas. Seu extraordinário poder de criação e a diversidade de sua arte genial trouxeram-lhe a fama de “divino”.

Michelangelo di Ludovico Bounarroti Simoni (conheçido como Michelangelo) nasceu no dia de 6 de março de 1475, na pequena cidade toscana de Caprese, perto de Arezzo. A família originária de Florença, voltou para lá algumas semanas depois do nascimento de Michelangelo.

Logo após a chegada da família a Florença, o bebe foi encaminhado aos cuidados da ama-de-leite que morava na fazenda da família, em Settignano,perto de Florença. Isso parece ter exercido grande influencia sobre Michelangelo, uma vez que aquela região tinha muitas pedreiras e tanto como pai e marido de sua ama-de-leite eram pedreiros. Mais tarde, já adulto Michelangelo diria que “junto com o leite de minha ama, engoli o martelo e o formão que uso pra fazer estátuas”.

Desde muito cedo , o jovem Michalangelo foi dominado pela ambição artística. Aos 13 anos, conseguiu convencer o pai que deixasse abandonar os estudo para se tornar aprendiz do artista Domenico Ghirlandaio, um dos maiores e mais famoso artista de afrescos de Florença.

Ilustração : Verrochio: Busto de Lorenzo de Medici. Galeria Nacional de Arte, Washington.

Os dons notáveis de Michelangelo logo se tornariam evidentes, e, dentre pouco tempo mais de um ano,ele já fazia desenhos a tinta, superiores aos de seu mestre. Em 1489, Michelangelo foi enviado, a juntamento com os melhores alunos de Ghirlandaio, para a nova escola de escultura de Lorenzo de Medici, nos jardins dos Medici. Ali, entre as árvores, ficava uma das melhores coleção de estátuas clássica da Itália, e, sob a orientação cuidadosa do velho Bertoldo, Michelangelo começou a copiar e a estudar as antigas obras de arte.

A genialidadee do jovem Michelangelo, e talvez sua autonomia, logoprovocarammciumee entre colegas. Giorgio Vsari, seu amigo, e também biografo, conta que Pietro Torrigiano, outro jovem escultor, descrito como velentão, certa vez esmurrou Michelangelo no rosto, vindo a quebrar-lhe o nariz. Michelangelo ficou muito abalado com o incidente, que lhe desfigurou o rosto.

A destreza de Michelangelo atraiu a atenção pessoal de Lorenzo Medici, “O Magnifico”, que na época governava Florença. Ficou tão impressionado com uma estátua que o artista estava escupindo que o convidou para morar na casa dos Medici.

    1. Mudança de vida

Michelangelo viveu dois anos felizes na residência dos Medici , trabalhando num relevo de mármore , A Batalha dos Centauros. No entanto , com a morte de Lorenzo , em 1492 , a sorte do artista mudou e ele teve que voltar para a casam do pai. O sucessor de Lorenzo , Piero de 'Mediaci, gostava de Michelangelo , mas não nutria de dinheiro e de encomendas , Michelangelo dedicou-se , então , ao estudo detalhado da anatomia , dissecando cadáveres na Igreja do Santo Spirito – privilégio concedido pelo superior do governo em troca de um crucifixo de madeira entalhada.

Durante o governo de Piero , a vida política de Florença tornou-se cada vez mas instável , propiciando as pregações violentas . O dominicano Savonarola , muito carismático , exercia especial influência sobre a população , denunciando a corrupção em Florença e profetizando o fim da cidade do pecado . A invasão da Itália por Carlos VIII da França aumentou a intranquilidade. Apreensivo com as palavras de Savonarola , Michelangelo viajou para Veneza em outubro 1494 – foi a primeira de uma longa série de viagens.

Após algum tempo em Veneza , Michelangelo foi a Bolonha, onde permaneceu por um ano. Depois , voltou para Florença por um breve período, quando esculpiu em tamanho natural o Cupido Adormecido.

    1. Visita a Roma

Em 1496, Michelangelo foi convidado para ir a Roma. Lá esculpiu o mármore Baco, o banqueiro Jacopo Galli,e a célebre Pirtá, que atualmente se encontra na basílica de São Pedro, no vaticano. Logo Michelangelo seria aclamado como melhor escultor da Itália. Em 1501, retornou a Florença coberto de honras e lá executou a maravilhosa estátua de Davi, tornando-se ainda mais famoso.

Estátua de Davi (Michelangelo)

O renome de Michelangelo ia crescendo cada vez mais. Logo após a morte do Papa Alexandre VI, ele foi chamado a Roma para servir ao novo Papa, Júlio II, que viu no artista um “gênio raro e universal”,mas manteve com ele um relacionamento de amizade comtubarda. Júlio foi o primeiro dos sete papas para quem Michelangelo trabalhou.

Na primavera de 1505, Júlio ordenou que Michelangelo lhe fizesse o projeto de uma sepultura. Esta deveria ser um sacrário monimento com quarenta imensas estátuas à sua volta. A dimensão desse projeto agradou a Michelangelo, que ficou meses nas pedreiras a fim de extrair mármore para confeccionar. O papa, porém, começou a ficar impaciente com a falta de resultados concretos e foi gradualmente perdendo o interesse pelo projeto.

Tumulo do Papa Júlio II

A tragedia do Sepulcro

Em 1505, o Papa Júlio II contratou Michelangelo para construir um majestoso túmulo que servisse para imortalizar sua memoria. Relegado por Júlio em fator da construção da Basílica de São Pedro, o projeto foi mundificado por inúmeros papas. Michelangelo só concluiu a obra em 1547, mas o resultado foi bem mais modesto do que ele e Júlio II esperava.

Tumulo de Júlio II : (à direita) o projeto da tumba foi mundificado, que

do salão previsto para quarenta grandes esculturas restou apenas um túmulo na parede da igreja de San Pietro in Vinçoli. A obra foi terminada com auxílio de outro escultor.

    1. As Ordens do Papa

Nesta época, o Papa Júlio II já havia concebido planos ainda maiores para a completa reconstrução da Igreja de São Pedro, em Roma, e confiou o projeto a seu arquiteto preferido, Bramante. Quando Michelangelo voltou para Roma, ansioso para concretizar os planos do trabalho encomendado, o papa recusou-se a vê-lo. E destinou ás obras da igreja o mármore escalido por Michelangelo.

Michelangelo saiu de Roma furioso, exatamente um dia antes de ser assentada a primeira pedra da nova igreja. O papa, revidando a cólera do artista, intimou-o a voltar a Roma, “por bem ou mal”. Finalmente, Michelangelo sucumbiu, indo ao pontífice com uma corda em volta do pescoço – num gesto sarcástico de submissão. Júlio, por sua vez, estava de bom humor por ter conquistado Bolonha recentemente, e recompensou o artista encomendando-lhe uma imensa estátua equestre de si mesmo, moldada em bronze (a obra seria destruída mais tarde,por inimigos políticos do papa).

Michelangelo ainda sonhava em terminar a sepultura; Júlio, porem, queria agora redecorar o teto da Capela Sistina. Michelangelo acabou por aceitar o trabalho, movido, talvez, pelo desafio de Bramante, que insinuava que ele não tinha habilidade para executar tamanha tarefa. Michelangelo concebeu uma obra monumental, pintando figuras humanas escultóricas no imenso teto e contorcendo os personagens para ocupar os espaços entre as arcadas.

Com corpos frequentemente nus, Michelangelo ilustrou cenas da bíblicas como a criação do homem e da mulher, a expulsão do Paraíso e o Dilúvio. O trabalho, exaustivo, durou quatro anos, de 1508 a 1512. Quando o teto da capela foi descortinado, o efeito revelou-se estonante, sem prescindentes na historia da pintura. Multidões de pessoas acorreram de todos os lugares para apreciar a obra do “Divino”. Como sempre, Michelangelo enviou o pagamento que recebeu pelo trabalho para a família, que vivia a suas custas.

Teto da Capela Sistina.

Júlio II morreu em 1513 deixando em seu testamento dinheiro para que Michelangelo terminasse sua sepultura. Para esse grandioso projeto, o artista esculpiu o Moisés (1515/16), considerado um de seus trabalhos mais perfeitos. Mas os papas seguintes também tiveram grandes interesses em que Michelangelo os enaltece-se, encomendado-lhe trabalhos irrecusáveis. Essa ligação com o Vaticano impediu o artista de concluir o túmulo. E seu Moisés acabaria no interior da igreja de San Pietro in Vincoli, em Roma.

Em 1520, Michelangelo foi incumbido de realizar a sacristia da Igreja de San Lorenzo, em Florença, obra-prima que inclui um série de esculturas para túmulos da família Medici, lá abrigados. Em florença, Michelangelo construiu também a escada da Biblioteca Laurenziana, obra que prenuncia a estética barroca.

Em 1527, Roma foi invadida pelas tropas imperiais de Carlos V, exercito protestante cujo objetivo era destruir o Papado. Seguiu-se uma onde de terror, e o Papa Clemente VII foi preso no castelo de SantÁngelo. Os Medici foram expulsos de Florença novamente, e os republicanos esconde-o Michelangelo nas fortificações de sua cidade natal. Em setembro de 1529, temendo vingança por estar ligado ao Papado e aos Medici, Michelangelo presumidamente fugiu para Veneza. Mas logo o Papa Clemente VII ressumira o poder do Vaticano, e Michelangelo pôde voltar a Florença para termina suas obras.

    1. O Juízo Final

Em 1534,o artista foi chamado de volta a Roma, pois Clemente VII queria realizasse um projeto de pintura da parede do altar da Capela Sistina. Clemente morreu antes que a obra fosse iniciada, mas seu sucessor. Paulo III, ordenou a continuidade do trabalho. Para essa parede, Michelangelo concebeu o juízo final, iniciado em 1536 e concluído em 1541.

Juízo Final

A concepção monumental e arrojada da obra, que antecipava o Maneirismo, e o “exagero” de nus escandalizariam o Vaticano, que então estava empenhado na Contra-Reforma, marcada pelo moralismo e pela Inquisição. Júlio III e Paulo IV, sucessor de Paulo III, tiveram de conter verdadeiras rebeliões de altas altas autoridades contra a obra.

O Juízo Final quase foi destruído, sendo salvo pelo pintor Daniel Volterra, que cobriu a maior parte de sues nus.

Em 1547, o próprio Paulo III havia nomeado Michelangelo arquiteto-chefe da igreja de São Pedro. Os papas seguintes (Júlio III, Paulo IV e Pio IV) mantiveram o artista nessa função, que sustentou nos vinte últimos anos de sua vida.

Nessa época Michelangelo construiu janelas do segundo andar e a grande ante-sala do Palazzo Franese, bem como a Praça do Capitólio, ladeada pelo Palácio dos Conservadores e o dos Senadores. Entre 1561 e 1564, construiu a Igreja de Santa Maria degli Angeli, dentro das ruínas das termas de Diocleciano.

Enquanto criava essas obras, o artista dirigiu os trabalhos da Basílica de São Pedro, edificando-lhe a gigantesca cúpula. Velho e famoso, respeitado como o maior artista de seu tempo, Michelangelo pôde trabalhar com calma, interrompendo-se para realizar esculturas como a Pietá da Catedral de Florença. Morreu antes de completar as obras da Basílica de São Pedro, aos 89 anos, no dia 18 de fevereiro de 1564.

  1. Leonardo Da Vinci

1452-1519

Auto retrato Leonardo Da Vinci

Um dos maiores artistas de todos os tempos, Leonardo da Vinci foi também dos gênios mais completados que a humanidade já conheceu. Embora tenha produzido uma obra pictórica relativamente pequena, conquistou na historia da arte uma posição tão elevada que pucos conseguem equiparar-se a ele. Em bora não tenha chegado a aplicar na pratica os resultados de seus mútilas investigações nos mais diversos campos do conhecimento científico, deixou anotações de extrema valia para as gerações posteriores e concebeu inventos que só muitos séculos mais tarde encontrariam condições para concretizar-se.

PERFIL DO ARTISTA

Um Gênio Universal

Ao talento artístico somaram-se a curiosidade intelectual e a inventividade cientifica para fazerem de Leonardo a mais perfeita encarnação do espirito universal do Renascimento.

Filho ilegítimo de um obscura Caterina e de um certo Piero, abastado notário florentino, Leonardo nasceu na pequena cidade de Vinci, perto de Florença, no dia 15 de abril de 1452. Como o pai não lhe deu o nome, passou para posteridade como Leonardo da Vinci, celebrizando para sempre o vilarejo onde veio ao mundo.

Praticamente nada se sabe sobre sua infância. Parece que foi criado pelo pai (segundo alguns biógrafos, pelo avô materno), e começou a pintar e desenhar em tenra idade. Segundo relata o artista historiador de arte Giorgio Vasari, Piero ficou tão impressionado com os trabalhos do filho que um dia os mostrou a Andrea del Verrocchio, pintor, escultor e ourives florentino de grande prestigio na época. Entusiasmado, Verrocchio aceitou o jovem como um de seus muitos aprendizes, obrigando-o, em troca de lição de arte, a desempenhar tarefas tão pouco estéticas quanto varrer o chão.

Por volta dos 20 anos, Leonardo alcançou um nível mais alto na hierarquia de aprendizes e passou ajudar o mestre na realização de suas pinturas, atribuindo-se-lhe O Batismo de Cristo (c. 1472). Para Vansari, a autoria de Leonardo é indiscutível; o historiador chega a relatar que Verrocchio deixou de pintar, envergonhado por verificar que o discípulo o superava.

O batismo de Cristo

Tido já como artista “formado”, em 1472 Leonardo ingressou na Corporação dos Pintores de Florença no grau de mestre, que lhe permitia estabelecer-se como pintor independente. Contudo, preferiu continuar trabalhando com Verrocchio, possivelmente como seu assistente. Não se sabe por quanto tempo ficou na oficina do mestre, mas é certo que ainda trabalhava ali em, 1476, pois o local é citado numa acusação anônima de homossexualismo feita contra Leonardo nesse ano – e arquivada por falta de provas.

    1. O Efervescente Mundo Florentino

Florença era então uma república, independente – a Itália como país só se configurou na segunda metade do século XIX -,governada por Lorenço Medici, “O Magnifico”. Desde que assumira o poder, em 1469, Lourenço firmara alianças com Estados vizinhos, como Milão, Veneza, Ferrara, para manter a paz em seus domínios, assegurado s prosperidade econômica e o desenvolvimento das artes e das ciências.

Nesse clima de euforia cultural, é bastante provável que Leonardo tenha entrado em contato com grande parte dos homens que moldavam o pensamento renascentista na península italiana, como o matemático , físico e astrônomo Paolo Toscanelli, um dos mais celebrados eruditos locais, em cuja casa se reuniam sábios de Florença e outras cidades.

Jovem e bonito, amável e bem-humorado, inteligente e instruído, Leonardo movia-se nesse mundo de intelectuais e artistas com notável desembaraço, conquistando o afeto e admiração de quantos conheciam. No íntimo, porém, nutria profunda descrença da sociedade, tendo declarado certa vez “Sozinho, eu sou eu mesmo por inteiro; companhia, eu sou eu mesmo só pela metade”

Apesar das boas graças de que gozava nos meios florentinos e de sua obsessiva prática do desenho, Leonardo não era frenquentemente requisitado pelos mecenas locais. Ao que se sabe, depois que deixou a oficina de Verrocchio, provavelmente no final da década de 1470, executou poucas pinturas, a mais importante das quais – A Adoração dos Magos, encomendada em 1481 pelos monges de São Danoto a Scopeto, perto de Florença – ficou inacabada. Embora lhe reconhecessem o talento, os ricos senhores de Florença parece que temiam contratar seu trabalho, pois já então Leonardo tinha fama de não entregar encomendas. Tão logo resolvia o problema de uma composição ou experimentava uma técnica, geralmente perdia o interesse pela obra e procurava desafio.

O Mestre de Leonardo

Embora a fama de Andrea del Verrocchio (c. 1435-1488) tenha sido obscurecida pelo seu mais brilhante aprendiz, ele foi um grande artista, tendo-se dedicado à ourivesaria, à pintura e à escultura. Na época em que se tornou mestre de Leonardo, era o principal escultor de Florença e um dos artistas mais que-sitados da Itália.

Galeria degli Uffizi, Florença.

Retrato de Verrocchio

(à esquerda) Atribuído ao florentino Lorenzo di Credi (c. 1458-153

7), um de seus discípulos,este retrato realça o olhar penetrante de Verrocchio (nome italiano significa “Olho verdadeiro”)

    1. A Partida para Milão

Desesperançoso de ganhar a vida em Florença, por volta de 1482 Leonardo resolveu tentar a sorte no ducado de Milão e escreveu uma carta a Ludovico Sforza, “o Mouro”, oferecendo seus préstimos de arquiteto, escultor, pintor e engenheiro militar. Como sabia que o milanês planejava erigir um monumento em memoria do pai, aproveitou o ensejo para candidatar-se também a execução da escultura. “Em paz, creio que posso dar-lhe tanta satisfação, quando qualquer outro na construção de edifícios públicos e privados”, escreveu. “Posso executar esculturas em mármore, bronze ou argila, e em pintura posso fazer tanto quanto qualquer um,seja quem for. Mas, eu me encarregaria de encomenda do cavalo de bronze que preservará com glória imortal e honra eterna a auspiciosa memoria de seu pai e a ilustre casa dos Sforza”

A carta surti-o efeito, e pouco depois Leonardo encontrava-se em Milão. Embora em abril de 1483, assinou contrato com o prior da igreja de San Francesco Grande para realizar uma pintura de altar até dezembro do mesmo ano. A obra – A Virgem dos Rochedos – não foi concluída no prazo, e dela existem duas versões até hoje suscitam discussões entre estudiosos.

Mal iniciaria a pintura, Leonardo já planejava o monumento a Francesco Sfoza, pai de Lodovico. Sua ideia era ousadamente original: em lugar da usual escultura equestre empertigada e estática, pretendia elaborar um cavalo empinando-se, com o cavaleiro altivo em seu dorso. O monumento teria quase 8 m de altura e seria realizado em bronze. A tarefa não era fácil, e Leonardo demorava-se encontra soluções de ordem práticas para problemas fundamentais, como,por exemplo, o de apoiar todo o peso da enorme escultura sobre as duas patas traseiras do cavalo. Cansado de esperar, por volta de 1489 Lodovico Sforza começou a procura outro escultor.

Enquanto a busca prosseguia, Leonardo sumiu a função de “mestre de festividades” da corte milanesa, dedicando-se à criação de maquinaria teatral e brinquedos mecânicos. O tempo corria, o procurado escultor não se encontrava em parte alguma e o gênio de Vinci recebeu autorização para retomar o monumento. Em novembro de 1493 ele por fim apresentou O Grande Cavalo – sem o cavaleiro moldado em argila no tamanho definitivo. Agora cabia a Sforza providenciar as 90 toneladas de bronze necessárias para fundir a estátua.

O trabalho sofreu nova interrupção. Durante a qual Leonardo começou a executar A Ultima Ceia, imenso mural encomendado pelo mosteiro da Igreja de Santa Maria delle Grazie. Tão logo souberam do encargo, artistas e devotos da região iniciaram verdadeiras romarias ao monastério para admirar a obra ainda em andamento. Em lugar do afresco – técnica geralmente usada em murais,aplicando-se o pigmento sobre argamassa úmida – o pintor resolveu utilizar óleo sobre a superfice seca. O resultado foi desastroso, e anos depois a pintura começou a descascar irremendialmete.

    1. O Ápice da Carreira

Aos 42 anos. Leonardo havia alcançado o apogeu, apesar das experiencias malgradas e dos trabalhos inconclusos. Admirado e respeitado por muitos artistas e por mecenas, tinha a própria oficina de aprendizes e nunca esteve tão ocupado. O monumento a Francesco Sforza continuava resumido ao modelo de argila – Lodovico destinara o bronze para fabricação de canhões – e a obra já mais se concretizou. Destruído pouco depois pelos franceses, tudo aquilo que resta são magníficos desenhados de cavalos, animal de especial estima de Leonardo, que, segundo consta, projetou todo livro sobre anatomia equina enquanto trabalhava no monumento de Sforza.

O adorável Salai

Cumulado de afazeres, Leonardo não tinha tempo para lamentar mais um projeto que deixara de concretizar. Andava muito ocupado com um belo jovem conhecido como Salai, que tomara como seu protegido. Fazia anotações sobre pinturas, para um livro que jamais redigiu – a partir dessas notas, escritas em sua curiosa caligrafia invertida, legível somente no espelho organizou-se o tratado sobre Pintura, publicado pela primeira vez em1651. Estudava plantas e pássaros, movimento da água e anatomia humana – evolvendo-se cada vez mais com dissecação de cadáveres – e inventava. Desse estágio milanês data seu primeiro fluxo de invenções, que incluía até um helicóptero.

A par de tantas realizações, ainda planejava grandiosas obras de arquitetura, urbanismo e engenharia civil. Seus projetos previam, entre outras coisas, um impecável sistemas de esgotos e assombrosa construção de vias publicas em dois andares, sendo térreo para veículos e o superior para pedestres.

Ludovico, porém, demonstrava pouco interesse por tais planos, preocupado que estava com a defesa da cidade. Desde que subira ao trono da França, em 1498, Luís XII demonstrava intenções de apoderar-se de Milão, proclamando-se herdeiro dos Visconti, família que governara o ducado antes dos Sforze, Apesar de todas as precauções de Ludovico, em agosto de 1499 os exércitos franceses invadiram Milão; em fevereiro de 1500, “o Mouro” reorganizou suas forças e conseguiu rechaçá-los, mas foi novamente derrotado em abril do mesmo ano.

Antes que se consumasse a queda de Ludovico, Leonardo partiu para Veneza, acompanhado pelo belo Salai. Meses mais tarde, retornou a Florença, após dezoito anos de ausência, sendo recebido calorosamente. Durante sua segunda estada em florentina, tornou-se o maior especialista em anatomia humana de seu tempo, graças à longa série de dissecações que realizou. Mas também empreendeu pelo mesmos três grandes projetos artístico.

Provavelmente em 1503, após breve atuação como engenheirooo militar do ambicioso César Borgia, elaborou a Mona Lisa, ou La Giocone ,talvez sua obra mais famosa, começou a trabalhar em numeras versões de Sant´Ana, a Virgem e o Menino, procurando solucionar o problema de unir numa só composição duas figuras de adultos e uma ou duas crianças.

Certamente em 1503, por encomenda oficial, iniciou um mural comemorativo da vitoria dos florentinos sobre os milaneses na batalha de Anghiari, travada sessenta anos antes. Toda via, pintou apenas o grupo central, usando uma técnica experimental – aparentemente à base de cera – que logo fez a tinta escorrer pela parede. Os florentinos exigiram que ele reparasse a pintura ou devolvesse o dinheiro que já recebera. Como sempre, Leonardo ignorou as exigências e abandonou o trabalho.

    1. A morte em terra estranha

Em1506, pressionado pelas autoridades de Florença, retornou a Milão, ainda ocupada pelos franceses. Sob a proteção de Charles d´Amboise, o vice-rei estrangeiro, desenhava febrilmente, prosseguia em seus estudos de anatomia – com os quais tinha a firme convicção de presta inestimável beneficio à humanidade – e evolvia-se com o jovem Francesco Melzi, que elegeu como protegido em 1508 e mais tarde adotou como filho.

Talvez tivesse permanecido em Milão até o fim da vida se, 1513 uma aliança entre Vaticano, Veneza, Suíça, Espanha e Inglaterra não tivesse expulso os franceses e restaurado um Sforza – filho de Ludovico, “o Mouro” - no governo do ducado. Pouco à vontade sob o novo senhor, aos 61 anos de idade, Leonardo mais uma vez pegou seus pertences e, acompanhado por Salai e Malzi, partiu para Roma. Ao que parece, esperava contar com a proteção do papa Leão X, filho de Lourenço Medici, mas dele não recebeu grande atenção e menos ainda encomendas.

Sua fama, entretanto, havia trapassadoronteiras e chagando aos ouvidos de Francisco I, o novo soberano francês, que o convidou a habitar o castelo de Cloux, residência real próxima a Amboise, na província de Touriane. Sem pensar duas vezes, em 1516 ou 1517, Leonardo instou-se em seu novo lar.

Velho, debilitado, com a mão direita parcialmente paralisada por um ataque, escrevia sem cessar , como se temesse não ter tempo bastante para registar todos os seus conhecimentos. Certa vez anotou num de seus cadernos “Assim como um dia bem passado traz sono feliz”. E talvez tenha falecido feliz em 2 de maio de 1519, poucas semanas após completar 67 anos de uma existência inteiramente dedicada à arte e à ciência.

Aos imortais Maiores artistas, que suas obras sejam eternas. Aos anônimos, que toda sensibilidade deles fique no ar. “

Bibliografia: Historia da Arte, londrês Inglaterra 1984. Imagens e referencias:http://br.wikipedia.org

www.google.com reescrito por Matheus Preto de Godoy.

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