Atividade Física e Excesso de Peso

Atividade Física e Excesso de Peso

(Parte 1 de 4)

2 DOUGLAS FLESCH CYGAINSKI

Trabalho de conclusão apresentado para a banca examinadora do curso de Educação Física do Centro Universitário La Salle – Unilasalle, como exigência parcial para obtenção do grau de Licenciado em Educação Física, sob orientação do Prof.Ms. Cláudio Roberto Escovar Paiva.

3 TERMO DE APROVAÇÃO

Trabalho de conclusão aprovado como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciado em Educação Física do Centro Universitário La Salle – Unilasalle, pelo avaliador:

Prof.Ms. Cláudio Roberto Escovar Paiva Unilasalle

Canoas, 01 de dezembro de 2008

O excesso de peso corporal e a inatividade física são considerados atualmente problemas centrais em saúde pública, assim sendo, o principal objetivo do presente estudo foi verificar a associação entre atividade física e excesso de peso corporal em adolescentes. Participaram do estudo 147 escolares entre 10 e 14 anos de idade, matriculados na 5a série da Escola Municipal de Ensino Fundamentar Arthur Pereira de Vargas e do Colégio Luterano Concórdia, ambas localizadas na cidade de Canoas (RS). Foram mensuradas as variáveis referentes à massa corporal e estatura, paralelamente à aplicação de um questionário com informações sobre o nível de atividade física habitual e tempo de assistência à TV. Os resultados evidenciaram que 27,9% dos adolescentes apresentaram excesso de peso corporal e 60,5% foram considerados insuficientemente ativos. No presente estudo, não se encontrou associações significativas entre o nível de atividade física e excesso de peso corporal. Palavras-chave: atividade física, excesso de peso, adolescentes

Excess body weight and physical inactivity are nowadays considered central problems in public health, therefore, the main purpose of this study was to investigate the association between physical activity and excess body weight in adolescents. Study participants were 147 schoolchildren between 10 and 14 years of age, registered in the 5th series of the Municipal School of basic Education Arthur Pereira de Vargas and the Concordia Lutheran School, both located in the city of Canoas (RS). We measured the variables related to body mass and height, and compared to application of a questionnaire with information about the habitual physical activity level and time of watching TV. The results evidenced that 27.9% of adolescents showed excess body weight and 60.5% were considered insufficiently active. In this search, there are no significant associations between the level of physical activity and excess body weight. Key words: physical activity, excessive weight, adolescents

1 INTRODUÇÃO8
1.1 Objetivo Geral9
1.2 Objetivos Específicos9
2 REVISÃO DE LITERATURA10
2.1 Histórico da Antropometria e da Composição Corporal10
2.2 Conceito e Importância da Composição Corporal12
2.3 Classificação de Sobrepeso e Obesidade13
2.4 Epidemiologia da Obesidade14
2.5 Causas da Obesidade: Sedentarismo e A.V.D.S18
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS21
3.1 População e Amostra21
3.2 Instrumentos e Coleta dos Dados2
3.3 Tratamento Estatístico24
4 RESULTADOS25
5 CONCLUSÃO31
REFERÊNCIAS32
APÊNDICE A – Versão final do questionário aplicado36

1 INTRODUÇÃO

O excesso de peso corporal e a inatividade física são considerados problemas centrais em saúde pública atualmente, tanto que inúmeros estudos nacionais e internacionais tem enfatizado e discutidos estes problemas. Da mesma maneira que se tem observado o aumento da prevalência de excesso de peso, concomitantemente observa-se também um aumento da inatividade física em todas as populações, sendo que as crianças e os adolescentes são os mais atingidos.

A Organização Mundial da Saúde e a American Heart Association enfatizam a importância da atividade física regular para a manutenção e melhoria dos níveis de saúde, tanto individualmente como coletivamente. A inatividade física é um dos principais agentes causadores do excesso de peso corporal, visto que o comportamento sedentário é uma característica dos adolescentes com excesso de peso.

A falta de atividade física pode acarretar uma série de efeitos negativos sobre a vida do indivíduo, que além do excesso de peso corporal, provoca o surgimento de problemas cardiovasculares, o aumento da taxa de diabetes, hipertensão arterial, fraturas ósseas, alguns tipos de cânceres, entre outros problemas de saúde comprovados por estudos relacionados a esta linha de abordagem.

Matsudo (2007) ressalta os benefícios que a pratica regular de atividade física proporciona para a saúde dos adolescentes: controle do peso corporal, melhora da capacidade cardiorrespiratória, melhora da saúde óssea, melhora da força e da resistência muscular, melhora da auto-estima e da auto-imagem, melhor interação social, melhora a capacidade de atenção e a performance escolar, entre outros.

Considerando que o controle do peso corporal e dos níveis de atividade física na adolescência representam um importante aliado na prevenção e manutenção da saúde individual e coletiva, desenvolveu-se este estudo.

1.1 Objetivo Geral

Verificar a associação entre atividade física e excesso de peso corporal em escolares adolescentes.

1.2 Objetivos Específicos

- Determinar o nível de atividade física em escolares entre 10 a 14 anos, alunos de duas escolas da cidade de Canoas (RS);

- Verificar a prevalência de excesso de peso corporal em adolescentes.

2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Histórico da Antropometria e da Composição Corporal

A origem das medidas corporais (Antropometria), segundo Maia e Janeira (1991), não se deu na Medicina ou na Biologia, mas nas artes, onde seus preceitos eram baseados na filosofia pitagórica da assimetria e da harmonia corporal. Ela teve inicio nas civilizações da Índia, Egito e Grécia. Conforme Hitchcock (1886) apud Petroski (1995), artistas e matemáticos do Egito e da Índia entendiam que se deveria adotar partes do corpo como referência ou padrão para todas as outras partes.

Numa proposta de Pereira Neto (1992), o povo grego possivelmente tenha sido a primeira civilização a cultuar a forma corporal como sinônimo de estética, beleza e saúde; seus deuses eram figuras compostas por formas e estruturas consideradas perfeitas, por demonstrarem modelos corporais regidos pelas lições e histórias que por eles – ou neles – eram implícitas. Protágoras, um filósofo grego do século V a.C. afirmava que ‘’o homem é a medida padrão para todas as coisas’’, nele estaria centralizado o formato das leis naturais e do mundo, uma vez que quem exercia os fenômenos eram os deuses e estes estariam relacionados à figura humana, ocorria uma troca com a natureza e a importância que se tinha do corpo humano era de completa percepção do que se entendia sobre este aspecto: o homem distingue as formas naturais através do que ele é.

Durante o período da Renascença, no século XV, onde buscava-se reproduzir os modelos vivenciados pela civilização grega, Petroski (1995) descreve a busca por moldes clássicos de beleza, o que fez ressurgir o interesse pelo conhecimento do corpo humano. Leonardo da Vinci (1452-1519) retrata esta preocupação ao elaborar um desenho do corpo humano, O Homem Vitruviano, que ficou conhecido pela sua beleza, proporção e forma, sendo utilizado posteriormente por estudiosos da proporcionalidade humana.

De acordo com Maia e Janeira (1991), o termo Antropometria foi utilizado pela primeira vez no seu sentido contemporâneo, em 1659, na tese de graduação do médico alemão Johann Sigismund Elsholtz. Seu estudo, ‘’Antropometria – da mútua proporção dos membros do corpo humano: questões atuais de harmonia, era inspirado nas leituras de Pitágoras e Platão, e da filosofia médica da sua época.

Como aparece em Petroski (1995), o trabalho realizado pelo Dr Edward

Hitchcock, que desenvolveu tabelas que demostravam os resultados médios das variáveis estatura, peso, circunferências e força de braços de estudantes. O estudo antropométrico desenvolvido por ele, em 1861, foi considerado o primeiro realizado no continente americano. Para efeitos de comparação de dados que Hitchcock exprimiu o estudo em escolares para então se ter resultados concretos de como seria o desenvolvimento e hábitos dos alunos através de suas medidas antropométricas.

A primeira tentativa de fracionamento do peso corporal foi desenvolvida por

Jindrich Matiegrka, em 1921. Guedes e Guedes (1998) descrevem os estudos de Matiegrka, que propôs um método antropométrico de fracionamento da massa corporal em quatro componentes (método tetra compartimental): massa muscular, massa adiposa, massa óssea e massa residual, sendo que o componente residual seria formado pelos órgãos, pele, sangue, tecido epitelial, sistema nervoso e demais sistemas. O interesse de Matiegrka, considerado o pai da composição corporal, era estudar a eficiência física, mais especificamente, encontrar uma relação entre força e a quantidade de massa muscular de um indivíduo.

Acrescentando ao trabalho histórico de Matiegrka da metodologia para o fracionamento da Massa do Corpo (a prova da Eficiência Física), publicado no Diário Americano de Antropologia Física, é considerado um clássico, Ross, Carr e Carter

(1999) complementam que apesar de sua importância em termos de estratégia, o estudo não teve muita repercussão entre os antropometristas na época.

Queiroga (2005) ressalta que embora a técnica antropométrica tenha evoluído constantemente e seja utilizada nos dias atuais, outros métodos também surgiram na tentativa de melhorar a predição dos componentes corporais ou facilitar a coleta dos dados. Na década de 1980, a bioimpedância elétrica se destacou com um grande número de investigações, enquanto em 1990, métodos indiretos como o DEXA (Absortometria Radiológica de Dupla Energia) surgiram com a promessa de revolucionar a estimativa de gordura corporal.

2.2 Conceito e Importância da Composição Corporal

Composição Corporal é a divisão do corpo em componentes, ou seja, na definição das partes que o compõem. Normalmente o corpo humano é dividido em dois ou quatro componentes, como nos demonstra Heyward e Stolarczyk (2000): gordura e massa livre de gordura (modelo de dois componentes) ou ainda, em massa muscular, massa óssea, massa residual e massa gorda (modelo de quatro componentes).

Petroski e Pires Neto, num de seus textos (1995), descrevem que sempre que uma pessoa pensa sobre sua saúde, sua aparência, atividade física e longevidade, ela está pensando também na sua composição corporal, especificamente no componente gordura corporal, visto que, este componente tem sido largamente usado como indicador de saúde e aptidão física na sociedade moderna. Os estudos envolvendo composição corporal vão além dos aspectos morfológicos, com preocupações abrangendo diferenças entre grupos e influências entre etnias, regiões e culturas.

Guedes e Guedes (2003) aperfeiçoam as informações associadas à composição corporal tomando-as de fundamental importância na orientação dos programas de controle do peso corporal, uma vez que, para um acompanhamento mais criterioso quanto ao aconselhamento nutricional e à prescrição de exercícios físicos, existe a necessidade de se fracionar o peso corporal em seus diferentes componentes na tentativa de analisar, em detalhes, as adaptações ocorridas nas constituições de cada um desses componentes.

Os autores Heyward e Stolarczyk (2000), além de avaliarem a quantidade total e regional de gordura corporal para identificar os riscos à saúde, definem as medidas de composição corporal como sendo importantes para:

• Estimar o peso corporal saudável e formular recomendações nutricionais e prescrição dos exercícios;

• Identificar riscos à saúde associados ao acúmulo excessivo de gordura intraabdominal;

• Proporcionar entendimento sobre os riscos à saúde, associados à falta ou ao excesso de gordura corporal;

• Monitorar o crescimento de crianças e adolescentes e identificar aqueles em risco devido à gordura abaixo ou acima do recomendado;

• Monitorar mudanças na composição corporal, associadas a certas doenças;

• Estimar o peso corporal ideal para não-atletas e para atletas de esportes cujas classificações do peso corporal servem para competições;

• Monitorar mudanças na composição corporal, associadas ao crescimento, desenvolvimento, maturação e idade.

2.3 Classificação de Sobrepeso e Obesidade

A obesidade é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), através de Soares (2003) como uma doença caracterizada pelo acúmulo excessivo de tecido gorduroso, localizado e distribuído por todo o corpo, que freqüentemente vem acompanhada de múltiplas complicações à saúde.

Uma ordem de idéias sobre o excedente de gordura e massa corpórea é elaborada por Guedes e Guedes, quando formulam existir um desencontro quanto à terminologia e à definição dos conceitos utilizados para descrever o excesso de gordura e de peso corporal, uma vez que, os problemas envolvidos com a caracterização mais clara deste e daquela não se limitam apenas ao emprego do termo obesidade em substituição a sobrepeso, e vice-versa, mas também ao desacordo verificado em relação aos pontos de corte em sua identificação:

Sobrepeso e obesidade são termos distintos, embora relacionados. Sobrepeso é tido como aumento excessivo do peso corporal total, o que pode ocorrer em conseqüência das modificações em apenas um dos seus constituintes (gordura, osso, músculo e água) ou em seu conjunto. A obesidade, porém, refere-se especialmente ao aumento na quantidade generalizada ou localizada de gordura em relação ao peso corporal. (2003)

Sugerem Robergs e Roberts (2002) que sobrepeso e obesidade podem ser definidos através do Índice de Massa Corporal (IMC), conforme tabela 1, que é a relação entre a massa corporal, em quilogramas, dividida pelo quadrado da estatura, em metros, ou através do percentual de gordura corporal (%GC), de acordo com a tabela 2.

Tabela 1: Determinação do excesso de peso e/ou sobrepeso por meio do Índice de Massa Corporal (IMC) através da Organização Mundial da Saúde (1997):

Baixo Peso <18,5

Sobrepeso 25 a 29,9 Obesidade I 30 a 34,9 Obesidade I 35 a 39,9

Obesidade mórbida I >40 Fonte: OMS (1997)

Tabela 2: Determinação da obesidade e/ou excesso de gordura corporal por meio do percentual de gordura para mulheres e homens adultos, por determinação de Lohman (1992):

Classificação Homens Mulheres

Magreza (mínimo/em risco) < 5% < 8%

Abaixo do desejado (abaixo da média) 6-14% 9-2%

Desejado (na média) 15% 23%

Excesso de gordura (acima da média) 16-24% 24-31%

2.4 Epidemiologia da Obesidade

Segundo Guedes e Guedes (2003), o controle do peso corporal constitui importante preocupação para a sociedade atual. Estudos epidemiológicos realizados recentemente apontam que cerca de 30-35% dos indivíduos acima de vinte anos e 25% das crianças e dos adolescentes que vivem em sociedades industrializadas apresentam sobrepeso ou são considerados obesos.

O rápido crescimento da prevalência de obesidade tem sido observada em inúmeros países, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção da Obesidade – CDC (2008), nos Estados Unidos, cerca de 28,4% das mulheres e 41% dos homens adultos apresentam sobrepeso (IMC>25 a <30), e, 3,2% e 29,5% das mulheres e homens, respectivamente, apresentam obesidade (IMC>30).

No estudo de Fernandes (2007), a obesidade na Europa também atingiu proporções epidêmicas e sua prevalência triplicou nas últimas duas décadas. Através da Organização Mundial da Saúde (2008), atualmente entre 30% e 80% dos adultos estão com excesso de peso na maioria dos países. Na Alemanha, em 2003, havia 61% de indivíduos com sobrepeso, e 15% obesos, entre os homens, e 40% e 12% respectivamente, entre as mulheres. Na França, numa avaliação feita em 2003, havia 34% de homens com sobrepeso e 6% obesos, enquanto as mulheres eram 21% e 8% respectivamente. Na Itália, em 2003, aqueles números eram respectivamente 42% e 9% para homens, e 26% e 9% para as mulheres. Na Espanha, em 1997, as prevalências de sobrepeso e obesidade eram de 36% e 13%, respectivamente. Na Grã-Bretanha, em 2003, havia 49% de indivíduos com sobrepeso, e 23% obesos, entre os homens, e 36% e 26% respectivamente, entre as mulheres.

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