Demência - Diagnóstico Diferencial

Demência - Diagnóstico Diferencial

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Texto de revisão Definição

Mudanças cognitivas normais para a idade Déficit cognitivo leve

Depressão Delirium - Estado Confusional Agudo

A Demência pode ser definida como uma síndrome caracterizada pelo declínio cognitivo persistente que interfere com as atividades sociais e profissionais do indivíduo e que independe de alterações do nível de consciência.

Muitas doenças podem causar o conjunto de sintomas e sinais de Demência, o que permite defini-la como uma síndrome. Estas várias patologias devem ser distinguidas, até porque algumas têm possibilidade de tratamento com reversão importante do quadro como por exemplo a deficiência de vitamina B12.

Nem todos os pacientes com queixas de perda de memória têm demência. Condições que podem levar a queixas de memória ou distúrbios cognitivos são: Demência, alteração normal para idade, depressão, delirium, isquemia cerebral, bradicinesia, abulia, excessiva sonolência diária e síndrome de amnésia.

Permanece um tópico controverso. Estudos mostram declínio na memória com a idade, principalmente a habilidade para novo aprendizado, enquanto que a capacidade de recordar permanece estável.

O declínio relacionado à idade não é evitado, mas todo paciente com queixas de memória deve ter uma avaliação cuidadosa para excluir doenças, principalmente demência.

Um dos mais importantes conceitos clínicos recentes no campo dos distúrbios cognitivos é o déficit cognitivo leve.

Ocorre em pacientes com queixas de memória e déficit objetivo da memória. Como as atividades de vida diária são normais nesses pacientes, eles não têm critério para demência. Essa condição é considerada como sendo um estágio transicional entre normal para idade e demência. A significância do déficit cognitivo leve é a identificação de pacientes com alto risco para desenvolver demência e o grande potencial de tratamento nesses pacientes para prevenir o declínio.

Pessoas com déficit cognitivo leve seguidas por 4 anos, tiveram alto risco de progressão para demência, com uma conversão anual de 6 a 25%. O ideal é que pessoas com este quadro sejam reconhecidas e monitoradas para declínio funcional e cognitivo, devido ao alto risco para desenvolver demência.

Déficit de memória é comumente associado com depressão em pacientes idosos e pode ser o único sintoma presente desse distúrbio comum e tratável. As características essenciais de depressão são tristeza persistente ou perda do interesse em atividades diárias.

Além disso, pacientes deprimidos experimentam alterações no sono e apetite, perda da energia, retardo psicomotor, sentimento de culpa ou inutilidade e idéias de morte. Tais pacientes geralmente têm déficit de recordação.

Os sintomas cognitivos e de humor podem se resolver completamente com tratamento, embora a resposta ao tratamento possa ser dificultada quando demência e depressão existem juntas. A depressão pode acelerar o desenvolvimento de demência.

É outra condição comum em idosos. Delirium é associado com uma variedade de doenças sistêmicas, infecções, distúrbios metabólicos e tóxicos. Pacientes hospitalizados em geral, particularmente em pósoperatório, são mais propensos a apresentar delirium. Achados que ajudam a diferenciar delirium de demência são:

Demência - Diagnóstico Diferencial

Por: Ddo. Juan Felipe Neves Alvarez Dr. Haroldo Coelho da Silva

1CURSO PRÓ-R a-Início abrupto b-Curta duração c-Distúrbio de consciência-Que geralmente varia entre agitação e letargia. Ilusões e alucinações podem ser vistas. A fala pode ser incoerente, sendo freqüentes os distúrbios no ritmo do sono, com a atividade psicomotora podendo ser aumentada ou diminuída.

Pacientes com demência têm risco aumentado para delirium, sendo que delirium e demência podem coexistir. Delirium requer os seguintes critérios: a-Distúrbio de consciência com reduzida habilidade para focar, sustentar ou deslocar atenção. b-Uma mudança na cognição (p.ex. déficit de memória, desorientação, distúrbios de linguagem) ou o desenvolvimento de um distúrbio de percepção que não é relacionado à condição prévia ou evolução para demência. c-O distúrbio se desenvolve em curto período (horas ou dias) e tende a flutuar durante o curso do dia.

Amnésia é definida como incapacidade para aprender nova informação e é um sinal precoce de Alzheimer. Diferentemente da Doença de Alzheimer, a síndrome de amnésia é caracterizada por amnésia isolada, sem comprometimento de outras áreas de função neuropsicológica. Tais síndromes são associadas às condições que afetam o lobo temporal. Causas de amnésia incluem síndrome de Korsakoff associada ao abuso de álcool e deficiência de Tiamina, encefalite herpética e trauma crânio-encefálico.

Distúrbios de linguagem ou afasia complicam a avaliação de alterações cognitivas. O paciente torna-se incapaz de participar de testes de memória devido à incapacidade de compreender instruções, repetir palavras, frases e ler.

Afasia é associada com disfunção do hemisfério dominante. AVC isquêmico é a causa mais comum de afasia, mas esta pode ser um achado precoce de Alzheimer ou demência degenerativa do lobo frontal.

Uma vez determinado que a perda de memória de um paciente é devido a um quadro demencial, o médico deve determinar a natureza da demência. As principais causas de demência são:

Demências degenerativas corticais Doença de Alzheimer; demência frontotemporal.

Demências Vasculares

Múltiplos infartos- infarto único; infartos lacunares; doença de Binswanger; arteriopatia cerebral autossômica dominante com infartos subcorticais e leucoencefalopatia.

Demências associadas ao Parkinsonismo

Doença de Parkinson; demência com corpúsculos de Lewy; paralisia supranuclear progressiva; atrofia multisistêmica; degeneração córtico-basal; calcificações idiopáticas dos gânglios da base.

Condições metabólicas/toxinas-Demência induzida por drogas

Demência relacionada ao álcool; exposição de metais pesados; deficiência de B12; deficiência de folato; hipo/hipertireoidismo; hipo/hiperparatireoidismo; hipo/hipercalcemia; doença de Cushing; doença de Addison; insuficiência renal; insuficiência hepática; porfiria.

Síndromes paraneoplásicas Encefalite límbica.

Distúrbios auto-imunes/inflamatórios Esclerose múltipla; LES; doença de Behçet; sarcoidose; arterite temporal.

Demência relacionada a infecções

Príons (ex: Creutzfeldt-Jakob)- neuro-sífilis; AIDS; meningite crônica (fungos, BK); doença de Lyme; encefalite viral.

Síndromes de Amnésia

Afasia Causas de Demência

2CURSO PRÓ-R

Demência relacionada a trauma TCE fechado- hematoma subdural crônico.

Miscelânea Hidrocefalia de pressão normal- tumores do SNC; esclerose do hipocampo; encefalopatia mitocondrial.

Doença de Alzheimer

É a causa mais comum de demência, correspondendo a 2/3 de todos os casos. Ainda não foi confirmado nenhum marcador biológico para Alzheimer, no entanto, a padronização de critérios clínicos tem melhorado a acurácia do diagnóstico em mais de 85%.

O início é insidioso, com progressão lenta, perdendo a capacidade de realizar tarefas costumeiras, trabalhar, etc. Distúrbios de linguagem podem ser um achado precoce, com progressão para afasia, substituição de palavras ou déficit de compreensão. Memória recente e a capacidade para aprender novas informações também são alteradas precocemente na doença de Alzheimer. Outro distúrbio comum na função cortical inclui apraxia (incapacidade de realizar atividades motoras apesar da função motora intacta), agnosia (incapacidade de reconhecer objetos apesar do sensório intacto) e alexia (incapacidade de compreender palavra escrita).

Pacientes com Alzheimer geralmente não têm conhecimento do seu problema de memória. Nas fases avançadas da doença, os pacientes podem ficar mudos, rígidos e confinados ao leito. Desilusões e alucinações são comuns. Os resultados do exame neurológico são notavelmente normais na maioria dos casos. Quando presentes inicialmente, sinais extra-piramidais sugerem um declínio mais rápido.

Em termos anátomo-patológicos, ocorre atrofia cortical difusa, com aumento secundário do sistema ventricular. Microscopicamente, notam-se placas neuríticas contendo amilóide A, emaranhados neurofibrilares e acúmulo de amilóide A nas paredes arteriais dos vasos sanguíneos.

Demência Vascular

É clinicamente reconhecida em pacientes com história prévia de AVC, sinais neurológicos focais ou infartos na imagem cerebral. O clássico início súbito com deterioração em etapas da demência vascular provavelmente ocorre em menos da metade dos casos.

Em todo paciente apresentado sinais de demência deve ser realizado um exame de imagem cerebral. Os déficits cognitivos associados com demência vascular dependem da localização e do tamanho da lesão. Infartos de grandes vasos causam déficits corticais (como afasia) e déficits locais (como hemianopsia e hemiparesia). Múltiplos infartos pequenos causam uma apresentação clínica com esquecimento e déficit de funções proeminentes.

Embora muitos critérios existam para demência vascular, o médico deve realizar uma eficaz prevenção de AVC em qualquer demência com fatores de risco cerebrovascular ou lesões vasculares na imagem cerebral.

Demência frontotemporal

É um grupo heterogêneo clinica e patológicamente de distúrbios, incluindo síndrome de Pick, que têm em comum a degeneração dos lobos frontal e temporal.

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