Introdução à neonatologia

Introdução à neonatologia

FUNDAÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DE OLINDAUNIÃO DE ESCOLAS SUPERIORES DA FUNESOCURSO DE BACHARELADO DE ENFERMAGEM

INTRODUÇÃO À NEONATOLOGIA

  • A Neonatologia (do latim: ne(o) - novo; nat(o) - nascimento e logia - estudo), é o ramo da Pediatria que se ocupa das crianças desde o nascimento até aos 28 dias de idade (quando as crianças deixam de ser recém-nascidos passam a ser lactentes).

  • Na atualidade são frequentes os prematuros com muito pouco peso, que ao ultrapassarem os 28 dias de vida, continuam sob o cuidado do Neonatologista, porque ainda necessitam de estar internados nas Unidades Neonatais.

  • Pierre Budin, obstetra de origem francesa é considerado o pai da Neonatologia. Foi o primeiro a escrever um livro (1892) sobre lactentes nascidos de parto prematuro e classificou as crianças em pequenas e grandes para a idade gestacional.

  • Em 1914, o Dr. Julius Hess e o Dr. Evelyn Lundeen implantaram unidades de cuidados para recém-nascidos prematuros no Michael Reese Hospital em Chicago.

  • Por volta de 1940 foram unificados os critérios para manejo dos recém-

nascidos prematuros e foram inventadas as incubadoras para que se

pudesse controlar a temperatura dessas crianças.

  • Nessa altura Budin estudou a influência da temperatura ambiente na mortalidade dos prematuros, tendo sido o primeiro a usar garrafas de vidro com água quente para termorregulação dos bebês durante o transporte neonatal.

  • Em 1953 a Dra. Virginia Apgar divulgou no meio científico a sua escala para avaliação do grau de asfixia neonatal e de adaptação á vida extra uterina (Escala de Apgar).

  • Na década de 60 começaram a ser utilizados os monitores eletrônicos, as gasimetrias arteriais tornaram-se possíveis e surgiram antibióticos apropriados para tratar as infecções neonatais.

  • Na década de 70 houve progressos importantes na nutrição, alimentação por sondas e na alimentação parenteral. Tornou-se rotina o uso de cateteres umbilicais.

  • Uma das mudanças mais importantes na Neonatologia foi a atenção intensiva para o recém-nascido prematuro e a vigilância dos problemas respiratórios, através do uso da ventilação mecânica.

  • Em 1887 Dwyer utilizou o primeiro ventilador rudimentar de pressão positiva e Egon Braun e Alexander Graham Bell introduziram a pressão negativa em 1888. Em 1953 Donald e Lord introduziram a uso do ventilador com ciclos.

  • Em 1971 Gregory, Kitterman e Phibbs introduziram a Pressão Positiva Continua nas vias aéreas (CPAP). Pouco depois Bird com a colaboração de Kirby desenvolveram o primeiro ventilador neonatal de pressão positiva, o "Baby Bird".

  • É de destacar ainda as contribuições de Downes, Anderson, Silverman, Gregory e Fujiwara com o uso de surfactante exógeno.

A Neonatologia avançou muito nos últimos tempos, conseguindo menores índices de mortalidade e de morbidade graças a uma maior compreensão das particularidades dos recém-nascidos, melhores equipamentos e medicamentos.

UNIDADE NEONATAL

  • DEFINIÇÃO:

É o setor destinado a receber e alojar recém-nascido (RN), impossibilitado de permanecer em sistema de Alojamento Conjunto (AC), por necessitar de cuidados específicos da equipe neonatal, devido a processos patológicos intrínsecos ou associados à causa materna. A unidade completo suporte vital, equipamento de reanimação e monitorização, e, ainda, serviços auxiliares de apoio, como, laboratório, RX, farmácia, dentre outros.

UNIDADE NEONATAL

  • Planta Física

  • Diante da suscetibilidade que os RNs tem à infecção, o ambiente destinado ao seu cuidado deverá seguir critérios rigorosos de assepsia e controle de infecção.

  • Deve situar-se em local específico e independente de outros setores, principalmente, daqueles destinados ao cuidado de pacientes que apresentem processos sépticos ou doenças infecto-contagiosas.

  • A Unidade Neonatal deve estar situada próxima à sala de parto e ao setor destinado ao cuidado com as puérperas, objetivando proteger o RN durante o seu transporte facilitando o acesso das mães à unidade, contribuindo para o estabelecimento e a solidificação do vínculo mãe-filho e da amamentação.

A estrutura física da Unidade deverá ser composta por:

  • Lavabo de entrada

  • Pia, em cada setor, para lavagem das mãos

  • Posto de enfermagem, centralizado

  • Sala de utilidades – local destinado ao depósito de material de consumo

  • DML – Depósito de material de limpeza

  • Expurgo

  • Sala específicas para preparo das medicações

  • Salas divididas, de acordo com o tipo de cuidado a ser prestado (cuidados intensivos e intermediários com RNs prematuros e outra, com os demais)

  • Rouparia – local reservado para a guarda de roupa limpa

  • Sala específica para limpeza e desinfecção de equipamentos.

Classificação dos berçários dentro da Unidade de Internação Neonatal

  • Unidade de cuidados intensivos – destinada a RNs que necessitem de oxigenoterapia e/ou vigilância rigorosa, independente de sua patologia e idade gestacional;

  • Unidade de cuidados intermediários – destinada a RNs que necessitem de cuidados específicos da equipe neonatal, cujo tratamento não inclui a oxigenoterapia.

Composição da Equipe da Unidade Neonatal

  • Neonatologistas

  • Fisioterapeutas

  • Fonoaudiólogos

  • Enfermeiro gerente

  • Enfermeiro Assistencial

  • Auxiliar e técnico de Enfermagem

  • Burocrata

  • Servente

Definições segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS)

  • Embrião – consiste desde a implantação do óvulo fertilizado no útero até a oitava semana de desenvolvimento

  • Feto – da oitava semana até o nascimento

  • Nascimento vivo – é a expulsão ou extração completa de um produto de concepção, do corpo da mãe, independente da duração da gravidez que, respire ou apresente qualquer outro sinal de vida, como batimentos cardíacos, pulsações do cordão umbilical ou movimentos efetivos de músculos de contração voluntária.

  • Óbito Fetal – é a morte de um produto de concepção antes da expulsão ou extração completa do corpo da mãe, independente da duração da gravidez; indica o óbito o fato de o feto, depois da separação, não respirar nem apresentar nenhum sinal de vida.

  • Peso ao nascer – é a primeira medida do peso ou recém-nascido obtida após o nascimento.

  • Baixo Peso ao nascer – menos de 2500g (até 2499g)

  • Muito baixo peso – menos de 1500g (até 1499g)

  • Peso extremamente baixo ao nascer – menos de 1000g (até 999g)

  • Idade gestacional – a duração da gestação é medida a partir do primeiro dia do último período menstrual normal

  • Período Perinatal – começa em 22 semanas completas (154 dias) de gestação (época em que o peso de nascimento é normalmente de 500g) e termina com 7 dias completos após o nascimento.

  • Período Neonatal – começa com o nascimento e termina após 28 dias completos depois do nascimento. As mortes neonatais podem ser subdivididas em mortes neonatais precoces, que ocorrem durante os primeiros 7 dias de vida, e mortes neonatais tardias, que ocorrem após o sétimo dia até os 28 dia completos.

Passos para Atendimento do RN a Termo na sala de parto (Cuidados Imediatos)

  • Recepcionar o RN em campos estéreis e previamente aquecidos

  • Colocar o RN sob fonte de calor radiante, seca-lo e remover os campos úmidos

  • Aspiração.

  • Passagem de sonda nasogástrica para verificar malformações

  • Verificar permeabilidade anal.

  • Clampeamento do coto umbilical, com clamps plásticos colocados 2 a 3 cm do abdome.

  • Credeização; uso do nitrato de prata.

  • Identificação do RN

  • Exame físico sumário

  • Administração de vitamina K

  • Colocar junto à mãe, incentivando a amamentação em sala de parto

  • Realizar pesagem e medidas antropométricas, encaminhando-o ao alojamento conjunto, berçário ou unidade neonatal.

Cuidados Mediatos

  • Berço comum, aquecido ou incubadora

  • Exame físico detalhado

  • Banho

  • Cuidados com o coto umbilical

  • Rotina alimentar

  • Eliminações e manutenção da temperatura corpórea

Boletim de APGAR

SINAL

Sinal

0

1

2

Freqüência cardíaca

Ausente

< 100bat/min

> 100bat/min

Esforço respiratório

ausente

Lento, irregular

Bom, choro forte

Tônus muscular

Flácido

Alguma flexão das extremidades

Movimentos ativos

Irritabilidade reflexa

Nenhuma reposta

Algum movimento ou careta

Choro forte ou tosse

Cor

Cianose ou palidez

Róseo, extremidades cianóticas

Completamente róseo

Exame Físico Sumário

  • Aspecto geral, fácies, choro forte, pele, vérnix caseoso, edema, milium sebáceo, hemagiomas capilares, eritema tóxico do RN, anexos, postura, atividade espontânea.

  • Cabeça, olhos, orelhas, nariz, boca, pescoço, tórax, abdome, ânus e reto, região sacrococcígea, genitais e membros.

Classificação do RN

  • Segundo a idade gestacional (OMS)

  • Pré-termo: crianças nascidas vivas antes das 37 semanas ou até 36s e 6d.

  • Termo: crianças nascidas vivas entre 37 e 41s e 6d.

  • Pós-termo: crianças nascidas vivas com 42s ou mais de IG.

C

lassificação do RN

  • Segundo a curva de Crescimento Intra-Uterino(Battaglia e Lubchenco)

  • AIG:Adequada para idade gestacional (peso entre os percentis 10 e 90)

  • PIG:Pequeno para idade gestacional (peso abaixo do percentil 10)

  • GIG:Grande para idade gestacional (peso acima do percentil 90)

Avaliação da IG pelo Método de Capurro (somático e Neurológico):

  • Formação do mamilo

  • Textura da pele

  • Forma da orelha

  • Glândula mamária

  • Pregas plantares

  • S

    inal de cachecol

  • Posição da cabeça

EXAME FÍSICO DETALHADO

Cabeça – mostra freqüentemente deformações transitórias, dependendo da apresentação ao parto. Ao nascimento o perímetro cefálico é 1 a 2cm maior que o torácico. A diferença tende a ser mais acentuada quanto mais imatura é a criança.

Fontanelas – anterior ou bregmática – varia de 1 a 4cm em qualquer direção. Posterior ou lambdóide – freqüentemente representada apenas pelas linhas de sutura.

Bossa serossanguínea – a bossa e o cefaloematoma são acidentes obstétricos comuns e que desaparecem em pouco tempo. O cefaloematoma poderá demorar semanas ou meses para ser reabsorvido totalmente.

Olhos – permanecem fechados a maior parte do tempo nos primeiros dias.

Hemorragias – as conjuntivas são sede de pequenas hemorragias. As pupilas reagem normalmente à luz. Estrabismo é comum em RN e pode persistir até cerca de 3 meses, quando se desenvolve coordenação dos movimentos oculares. Catarata pode surgir na síndrome de rubéola congênita.

Nariz – forma, tamanho e permeabilidade (na sala de parto, realiza-se a passagem do cateter pelas narinas, separadamente para afastar atresia congênita de coanas.

Boca, faringe – a visualização da orofaringe é difícil, mas muito importante para afastar malformações, incluindo a úvula. A criança pode nascer com dentes, em geral malformados – deverão ser examinados por odontólogo para avaliar a necessidade de extração.

Pavilhão auricular – observar a formação e a implantação se está a nível da linha ocular, secreções e orientar o teste do ouvidinho.

Pescoço – curto. Deve-se avaliar a mobilidade.

Aparelho respiratório – o tórax de RN é de forma aproxidamente cilíndrica. O tipo respiratório é praticamente abdominal. FR é de 30 a 60 mov/min. Deve-se fazer contagem olhando a parte superior do abdome durante 1 minuto completo.

Aparelho cardiovascular - a FC corresponde a 120 a 160bpm. A palpação de pulso femural é obrigatória em todo RN. O encontro de sopro sistólico nos RN é comum nos primeiros dias, se persistir por algumas semanas. É provável malformação congênita cardíaca. A pressão arterial do RN é de difícil determinação: PA normal 80 para sistólica, e 46 para diastólica.

Abdome – no prematuro é algo abaulado, frequentemente mostra circulação venosa. O cordão umbilical normalmente branco-gelatinoso, apresenta duas artérias e uma veia. O coto umbilical se mumifica durante a primeira semana e se destaca entre 8 e 10 dias.

Fígado – pode ser palpável, com superfície ou borda mole 1 a 2cm abaixo da arcada costal.

Ânus e reto- o orifício anal e examinada ainda na sala de parto. A eliminação de mecônio e a ausência de sinais de obstrução intestinal afastam atresia de reto.

Coluna e região sacrococcígea – observar depressões, tumores e meningoceles.

Genitais – no RN do sexo masculino os testículos podem ser encontrados na bolsa ou canais inguinais. O pênis normalmente apresenta um prepúcio com orifício estreito e aderido a glande, que desaparecem em alguns meses. Nas meninas os pequenos lábios são proeminentes, bem como o clitóris.pode aparecer nos primeiros dias uma secreção vaginal esbranquiçada, translúcida e, no final da semana, pode aparecer sangue vaginal.

Membros - observar a simetria dos membros e a movimentação. Observar as articulações coxofemurais, realizando a manobra de Ortolani.

Sistema Nervoso Central – ver a postura do RN. Pesquisar os reflexos: sucção, pontos cardeais, preensão palmar e plantar, reflexo de Moro e sinal de babinski, quando bilateral, é normal até os 18 meses.

Passos para Atendimento do RN a Termo na sala de parto

Material necessário em sala de parto:

-Fonte de calor radiante

-Caixa de material de urgência

  • Ambú com máscara para prematuro e de termo

  • Laringoscópio com lâmina reta n° 0 e 1

  • Conexão para aspiração traqueal

  • Cânulas traqueais (n° 2,5/3/3,5/4mm)

-Medicação

-Fonte de oxigênio/aspirador

-Sonda de aspiração n° 6, 8 e 10

-Sonda gástrica n°8

-Seringas (1, 3, 5, 10 e 20ml)

-Estetoscópio pediátrico ou neonatal

-Esparadrapo

-Clampe umbilical/tesoura/álcool a 70%

-Campos estéreis

-Material para cateterismo umbilical

-vidros para coleta de exames

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