Informática básica

Informática básica

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Informática Básica

FORMAÇÃO TÉCNICA 3ª edição atualizada e revisada – 2008

Governo Federal

Ministério da Educação

Secretaria de Educação Básica Diretoria de Políticas de Formação, Materiais Didáticos e de Tecnologias para a Educação Básica

Universidade de Brasília(UnB)

Brasil.Ministério da Educação. Secretaria de Educação

Básica.

B823Informática básica / João Kerginaldo Firmino do

Nascimento. – Brasília : Universidade de Brasília, Centro de Educação a Distância, 2006. 136 p. – (Curso técnico de formação para os funcionários da educação. Profuncionário ; 7)

ISBN 85-86290-58-0

1. Educação. 2. Informática. I. Nascimento, João Kerginaldo Firmino do. I. Título. II. Série.

CDU 37:004 3ª edição atualizada/revisada - 2008

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Apresentação

Hoje, o computador faz parte da nossa realidade como mais uma tecnologia disponível para nos auxiliar e vai tornando-se tão usual quanto o controle remoto e o telefone celular. A informática nos dias atuais nos ajuda não só no trabalho, mas também em casa e até mesmo no exercício da cidadania. No trabalho, por meio da informática podemos, por exemplo, produzir e corrigir um texto com mais facilidade. Em casa, é possível, entre outras coisas, comunicarmo-nos por meio da internet. A informática mostra-se cada vez mais útil também no exercício da cidadania. Um exemplo disso é o voto por meio da urna eletrônica.

E é com o objetivo de mostrar a você algumas ferramentas essenciais para o uso do computador, a fim de facilitar muitas das suas atividades do dia-a-dia, além de possibilitar a ampliação de seus horizontes de conhecimento e de comunicação, que apresento este material de estudo do uso básico da informática.

Neste módulo de estudo, você conhecerá o que é um sistema operacional – que possibilita a visualização do que o computador faz –, um editor de texto – que torna a escrita de textos uma tarefa mais fácil e criativa – e um navegador – ferramenta que permite uma viagem pela grande rede mundial de computadores chamada internet. Então, mãos à obra.

Objetivo

Apresentar ao cursista, funcionários de escola, noções elementares de tecnologia da informação e de ferramentas para uso de microcomputador, capacitandoo para editar textos e utilizar os recursos da internet. Espera-se possibilitar ao cursista elementos básicos para saber utilizar o computador como ferramenta auxiliar no seu trabalho.

Ementa

Curso básico de informática. Descobertas e criações do homem na sua relação com a natureza e o trabalho. Industrialização no Brasil. O que é tecnologia. Tecnologia da informação. Internet e acesso à tecnologia da informação no Brasil. Tecnologias e mercado de trabalho. O que é informática. A informática na formação do trabalhador. Sistema operacional Windows XP. Editor de texto Word XP. Navegador Internet Explorer. Linux. Editor de texto KWord. Navegador Mozilla Firefox.

Sobre o Autor

João Kerginaldo Firmino do Nascimento

Graduado em Tecnologia de Processamento de Dados e especialista pós-graduado em redes de computadores, educação profissional e criptografia, o professor João Kerginaldo Firmino do Nascimento é mestre em Educação pela Universidade de Brasília (UnB). Cearense radicado em Brasília há 39 anos, Kerginaldo já desempenhou várias outras atividades na área de tecnologia como diretor de informática na Administração Regional de Ceilândia - cidade do Distrito Federal distante 30 km do centro de Brasília e gestor de capacitação, no mesmo órgão. Atualmente é responsável pela gestão de recursos tecnológicos do Centro de Educação Profissional de Ceilândia.

Sumário Sumário

Unidade 1 – Descobertas e criações do homem na sua relação com a natureza e o trabalho 1

Unidade 2 – Tecnologias e mercado de trabalho 27

Unidade 3 – Sistema operacional Windows XP 35

Unidade 4 – Editor de texto Word XP 5 Unidade 5 – Navegador Internet Explorer 79 Unidade 6 – Linux 93 Unidade 7 – Editor de texto KWord 115 Unidade 8 – Navegador Mozilla Firefox 125

UNID ADE 1 com a natureza e o trabalho

O homem, ao longo de toda a história, utiliza sua inteligência, criatividade e curiosidade para descobrir, inventar, transformar e aperfeiçoar ferramentas, materiais e recursos, a fim de melhorar sua vida, proteger-se e garantir sua sobrevivência.

O ser humano, em suas relações sociais, torna-se produtor de cultura e de trabalho, com inteligência, para desenvolver a sua tecnologia a partir de realizações cotidianas. Foi na Pré-História que apareceram os primeiros indícios de cultura humana, por meio da manufatura de instrumentos de pedra trabalhados de forma intencional pelo homem, para obter suas armas de caça ou de defesa.

Duas descobertas ocorridas na Pré-História foram fundamentais para o desenvolvimento do homem: o fogo e a roda. Com o domínio da utilização do fogo, o homem se protegia contra predadores, cozinhava e trabalhava outros materiais, como metais e madeira. Foi também o fogo que propiciou ao homem aproveitar melhor o meio ambiente e se locomover para outras regiões do planeta. A roda, por sua vez, revolucionou os meios de transporte e possibilitou avanços tecnológicos, como os relógios, as máquinas a vapor, a locomotiva e o automóvel.

Ainda na Pré-História, no período chamado Neolítico, o homem aprendeu a polir a pedra e, com isso, conseguiu produzir instrumentos mais eficientes e com melhor acabamento. Foi nesse período que ocorreu a Revolução Agrícola. O homem foi abandonando a vida de caçador e coletor e começou a cultivar cereais e a domesticar animais, promovendo grande desenvolvimento das forças produtivas e se libertando da dependência absoluta da natureza.

Uma das grandes invenções do período Neolítico foi a cerâmica, que permitiu a melhoria da qualidade da alimentação do homem primitivo, uma vez que se tornou possível armazenar alimentos ou cozinhá-los misturados. Também nesse período teve início a construção de casas de barro, junco ou madeira. No final do período Neolítico, o homem abandonou os instrumentos de osso e pedra e passou a utilizar os metais, iniciando a chamada Revolução ou Idade dos Metais. Nesse período, a necessidade de se defender levou o homem à formação de grupos sociais mais complexos: as tribos.

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No período final do Neolítico, a invenção do tear e a fundição de metais modificaram o cotidiano de nossas vidas. Com essas descobertas, houve grande desenvolvimento de todos os ramos de produção e da produtividade do trabalho humano, provocando aumento da produção de excedentes e separação entre o trabalho artesanal e o trabalho agrícola. Com o desenvolvimento da linguagem escrita e das ciências ligadas às técnicas de produção, as camadas dominantes da sociedade diferenciaram a sua cultura da cultura dos outros setores da população.

O surgimento da escrita marcou o fim da Pré-História. É comumente aceito, segundo Thompson1, que o primeiro sistema completo de escrita foi desenvolvido por volta do ano 3000 antes de Cristo pelos sumerianos no sul da Mesopotâmia, e, pouco tempo depois, um sistema um pouco diferente, provavelmente de maneira independente, foi desenvolvido pelos antigos egípcios. A evidência histórica mostra que as primeiras formas de escrita sumeriana consistiam de pequenas placas de argila ou rótulos que eram presos a objetos e serviam como sinal para identificação da propriedade.

Com o desenvolvimento da escrita, as tabuletas de argila foram gradualmente substituídas pelo papiro e pergaminho como meios técnicos de transmissão. De acordo com Thompson2, as folhas de papiro surgiram no Egito pelo ano 2600 antes de Cristo e eram feitas de uma planta cujas folhas eram transformadas em material de escrita ao serem amassadas com martelo de madeira e colocadas para secar. O papiro foi utilizado como o principal meio de transmissão até o desenvolvimento da técnica de produção de papel, inventado na China por volta de 105 depois de Cristo.

Por volta do ano 10 depois de Cristo, ocorreram muitas inovações na forma de utilizar os meios tradicionais de produção. No setor agrícola, por exemplo, foi fundamental o desenvolvimento de ferramentas, como a charrua, o peitoral, o uso de ferraduras e a utilização de moinhos THOMPSON, John B. IDEOLOGIA E CULTURA MODERNA. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.Idem.

UNID ADE 1 com a natureza e o trabalho d’água. Os avanços nas técnicas de arquitetura foram aplicados na construção das catedrais. Esse período da Idade Média aliou a importação de tecnologias com um aumento radical no número de invenções.

Uma seqüência de descobertas e invenções aconteceu na Idade Média, como a descoberta dos óculos, no século XIII, da prensa móvel, no século XV, o aperfeiçoamento da tecnologia da pólvora e a invenção dos relógios mecânicos. Outros avanços importantes foram em instrumentos, como a bússola e o astrolábio, que, junto com as mudanças na confecção dos mapas e com a invenção das caravelas, tornaram possível a expansão marítimo-comercial européia do início da Idade Moderna.

A tecnologia das grandes navegações permitiu posteriormente a descoberta de um número extraordinário de novas espécies de animais e plantas, além de novas formações geológicas e climáticas. Os avanços na ótica possibilitaram a fabricação de aparelhos, como o microscópio e o telescópio. Uma herança importante do período foi também o nascimento e a multiplicação das universidades, juntamente com o surgimento das primeiras sementes da metodologia científica contemporânea.

Nos séculos XVII e XVIII, o desenvolvimento das técnicas de produção possibilitou o desenvolvimento das ciências naturais. Para se expandir a produção, era preciso conhecer as propriedades da matéria, o que motivou o desenvolvimento de ciências, como a física, a química e a mecânica. Houve, nesse período, um movimento de renovação intelectual conhecido por Iluminismo, iniciado na Inglaterra, no final do século XVII. O Iluminismo colocou a razão humana como guia do conhecimento e da ação do homem. O conhecimento e o domínio da natureza eram condições básicas da liberdade humana.

A Revolução Industrial transformou a sociedade européia e a mundial no século XVIII. Iniciada na Inglaterra, em 1760, a Revolução Industrial caracterizou-se pela passagem da manufatura à indústria mecânica. A introdução de máquinas fabris multiplicou o rendimento do trabalho e aumentou a produção global. Invenções, como a máquina a vapor, a fiandeira mecânica e o tear mecânico, causaram uma revolução produtiva. As fábricas passaram a produzir em série, e surgiu a indústria pesada de aço e máquinas. A invenção dos navios e das locomotivas a vapor acelerou a circulação das mercadorias.

A fotografia surgiu com os franceses Louis Daguerre e

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Joseph Niépce, em 1826. Em 1839, Daguerre revelou à Academia Francesa de Ciências o processo que originava as fotografias. Essa tecnologia capaz de captar as imagens fez com que a perfeição das pinturas fosse substituída pela fotografia, redefinindo o papel e a expressão das artes plásticas da época. Já em 1895, surgiu em caráter oficial o cinema, quando os irmãos Louis Lumière e Auguste Lumière, dando movimento às imagens, apresentaram a primeira sessão de projeção em Paris. No início, o cinema era mudo. O som só chegou às produções cinematográficas no final da década de 1920.

A segunda fase da Revolução Industrial, no período de 1860 a 1900, foi caracterizada pela difusão dos princípios de industrialização na França, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda, Estados Unidos e Japão. Nessa fase, as principais mudanças no processo produtivo foram a utilização de novas formas de energia – a elétrica e a derivada do petróleo –, o aparecimento de novos produtos químicos e a substituição do ferro pelo aço. Toda essa revolução trouxe conseqüências sociais e econômicas. O lucro passou a se concentrar na indústria, as condições de trabalho e os salários eram desfavoráveis aos operários.

Segundo Castells3, a eletricidade foi a força central da segunda revolução, apesar de outros avanços extraordinários, como o motor de combustão interna, o telégrafo, a telefonia, além dos já citados produtos químicos e do aço. Isso porque, somente com a geração e distribuição de eletricidade, os outros campos puderam desenvolver suas aplicações e serem conectados entre si. Um caso especial citado por Castells é o telégrafo elétrico, que, utilizado experimentalmente de 1790 a 1799 e em pleno uso desde 1837, só conseguiu desenvolver-se em uma rede de comunicação mundial a partir da difusão da eletricidade.

Outra grande invenção do homem, patenteada em 1876 nos Estados Unidos por Graham Bell, foi o telefone. Em 1973, a empresa Motorola apresentou um protótipo do primeiro celular portátil, mas somente em 1981 a Motorola e a American Radio Phone iniciaram os testes com um sistema próprio de radiofone. O uso comercial do telefone celular começou em 1983, nos Estados Unidos, e a Motorola lançou o primeiro celular portátil. Hoje o uso tanto do telefone fixo quanto do celular se popularizou pelo mundo.CASTELLS, Manuel. A SOCIEDADE EM REDE. Volume I, 8ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

Saiba mais sobre a invenção do telefone na página: http://ste.mc.gov.br/ divulgação/historia.jsp

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Foi em 1888 que o físico alemão Heinrich Hertz conseguiu produzir as primeiras ondas de rádio. Entretanto, a primeira transmissão de rádio, ocorrida em 1895, denominada naquela época telegrafia sem fio, é atribuída ao italiano Guglielmo Marconi, que fundou, em julho de 1897, a primeira companhia de rádio do mundo e, em 1899, a primeira fábrica de equipamento de rádio. Características como a abrangência, a mobilidade, o baixo custo e a autonomia fazem do rádio até hoje um importante meio de comunicação.

As transmissões por ondas de rádio possibilitaram mais tarde a transmissão de imagens e a invenção do televisor. Em 1842, Alexander Bain obteve a transmissão telegráfica de uma imagem por meio do fax. O surgimento da televisão devese a grandes cientistas que foram descobrindo os elementos e componentes necessários para a transmissão de imagens e a fabricação do televisor. A primeira transmissão oficial da televisão se deu em 1935 na Alemanha. A televisão passou a exercer grande influência na sociedade, com aspectos positivos e negativos, até os dias atuais.

Na terceira fase da Revolução Industrial, a partir de 1900, surgiram os grandes complexos industriais e as empresas multinacionais. A produção passou a se caracterizar pela automação. As indústrias química e eletrônica desenvolveram-se. Os avanços da robótica e da engenharia genética também foram incorporados ao processo produtivo, que dependiam cada vez menos de mão-de-obra e cada vez mais de alta tecnologia. Nos países de economia mais desenvolvida, ocorreu o desemprego estrutural, e o mercado se globalizou, apoiado na expansão dos meios de comunicação e de transporte.4

No final do século XIX, Thomas Alva Edison desenvolveu uma lâmpada elétrica que poderia ser comercializada. Em trinta anos, as nações industrializadas geraram energia elétrica para iluminação e uso em outros sistemas. Invenções desse período, como o telefone, o rádio, o automóvel a motor e o avião, revolucionaram o modo de vida e de trabalho de milhões de pessoas. As sociedades industriais se transformaram com rapidez, devido ao aumento da mobilidade e da comunicação rápida.

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