apicultura

apicultura

(Parte 1 de 7)

CURSO BÁSICO DE APICULTURA

SHAPE \* MERGEFORMAT

MATERIAL DIDÁTICO

SUMÁRIO

Introdução ......................................................................................02

As Castas .......................................................................................03

A Rainha, Zangões e Operárias....................................................03

Ciclo evolutivo das abelhas .........................................................08

Transporte de alimentos pelas abelhas.......................................09

Anatomia das abelhas ..................................................................09

Comunicação e orientação das abelhas .....................................12

As abelhas e a polinização............................................................13

Produtos Apícolas e comercialização ........................................13

Vestimenta e utensílios ................................................................21

Casa do Mel ..................................................................................25

A colméia .......................................................................................26

Instalação do apiário.....................................................................30

Flora Apícola..................................................................................31

Início da criação ................................................................................32

Captura do enxame ...........................................................................33

Manejo das abelhas ..........................................................................35

Inspeção das colméias .....................................................................35

Enxameação e seu controle..............................................................37

Alimentação artificial ........................................................................39

União de colméias ............................................................................42

Divisão de colméias ..........................................................................43

Identificação da rainha .....................................................................44

Novas Alternativas.............................................................................46

Bibliografia ........................................................................................47

INTRODUÇÃO

As abelhas são insetos conhecidos e explorados desde as épocas mais remotas, pelo homem primitivo para delas extrair o mel, o seu adoçante natural, o qual era até o século XVII, a única substância doce usada na cozinha. A apicultura, técnica de explorar racionalmente os produtos das abelhas existe desde o ano de 2400 antes de cristo. Os egípcios e gregos desenvolveram rudimentares técnicas de manejo que só foram aperfeiçoadas no final do século XVII.

A abelha é um inseto que pertence à ordem dos himenópteros e à família dos apídeos. São conhecidas cerca de vinte mil espécies diferentes.

No Brasil existem vários tipos de abelhas, as abelhas nativas sem ferrão que sempre viveram aqui como a jandaíra, canudo, tubiba, urussú e outras mais; e as exóticas, isto é, as que vieram de fora como a italiana, a africana e outras do gênero Apis, de onde se originou o termo apicultura.

Atualmente, em condições de campo, não existem mais abelhas africanas, italianas ou qualquer outra exótica pura em nosso país. As abelhas de origem européia, as italianas, empregadas na apicultura brasileira eram mansas e pouco adaptáveis às condições ambientais do Brasil. Por isso elas tinham uma baixa produção de mel. Assim, em 1956, foram introduzidas no Brasil pelo pesquisador Warwick Estevan Kerr, abelhas africanas, que se caracterizavam pela alta produtividade melífera e por serem muito agressivas. Pretendia-se obter híbridos das abelhas africanizadas cruzando as abelhas européias com as africanas. Em 1957, algumas abelhas Rainhas escaparam do reservatório e o cruzamento ocorreu aleatório na natureza. Foi o início da praga que se alastrou por toda América do sul devastando as apiculturas das abelhas nativas, mas que hoje nos proporcionam uma Apicultura forte, do ponto de vista econômico. Elas se cruzaram originando uma abelha altamente resistente, produtiva e bem adaptada as nossas condições, chamada de abelha africanizada ou mestiça.

Já as abelhas nativas dependem muito das matas para sobreviver, tanto para fazer seus ninhos como para se alimentar. Com o desmatamento acelerado elas vêm diminuindo suas populações. Além disso, as abelhas africanizadas por existirem em número muito maior levam vantagem na competição pelo alimento, muito embora as africanizadas prefiram flores de plantas cultivadas.

AS CASTAS

O gênero Apis é formado por abelhas que vivem num sistema de extraordinária organização. Em cada colméia existem cerca de 60 mil abelhas, havendo entre elas divisão de trabalho e separação de castas. As castas são os membros da colméia e estão divididas em três: 1 rainha, 100 a 400 zangões e 50 a 70 mil abelhas-operárias.

A Rainha

A rainha é a personagem central e mais importante da colméia, é conhecida como abelha-mãe ou abelha mestra. Afinal, é dela que depende a harmonia dos trabalhos da colônia, bem como a reprodução da espécie.

A rainha vive de 4 a 6 anos. No entanto, a partir do segundo ano a sua fecundidade decai. A sua principal função é a postura de ovos.Ela põe de 2.000 a 3.000 ovos por dia, ou duas vezes o peso do seu corpo. Além disso, a abelha rainha é a responsável pela harmonia e ordenação dos trabalhos da colônia. Ela consegue manter este estado de harmonia produzindo uma substância denominada ferormônio. Esta substância, além de informar a colônia da presença e atividade da rainha na colméia, impede o desenvolvimento dos órgãos sexuais femininos das operárias impossibilitando-as, assim, de se reproduzirem. É por essa razão que uma colônia tem sempre uma única rainha. Caso apareça outra rainha na colméia, ambas lutarão até que uma delas morra.

A rainha origina-se de um ovo fecundado, é gerada numa célula especial, que possui a forma de uma casca de um amendoim, denominada de realeira, aonde ela recebe um tratamento diferente quanto a alimentação, pois se alimenta de geléia real, enquanto as operárias só se alimentam com mel.

Ali a rainha se desenvolverá, sendo alimentada pelas operárias jovens exclusivamente com a geléia real, produto riquíssimo em proteínas, vitaminas e hormônios sexuais. É esta "superalimentação" que a tornará uma rainha diferenciando-a das operárias.

A abelha rainha leva de 15 a 16 dias para nascer e, a partir de então, é acompanhada por um verdadeiro séqüito de operárias, encarregadas de garantir sua alimentação e seu bem-estar. Após o quinto dia de vida, a rainha começa a fazer vôos de reconhecimento em torno da colméia. E a partir do nono dia, ela já esta preparada para realizar o seu vôo nupcial, quando, então, será fecundada pelos zangões. A rainha escolhe dias quentes e ensolarados, sem ventos fortes, para realizar o vôo nupcial.

Os Zangões

A única função dos zangões é a fecundação das rainhas virgens. O zangão é o único macho da colméia, não possui ferrão e, nasce de ovos não fecundados depositados pela rainha.

Os zangões nascem 24 dias após a postura do ovo e atingem a maturidade sexual aos 12 dias de vida. Vivem de 80 a 90 dias e dependem única e exclusivamente das abelhas operárias para sobreviver: são alimentados por elas, e por elas são expulsos da colméia nos períodos de falta de alimento. Quase duas vezes maiores do que as operárias, a presença de zangões numa colméia é sinal de que a colônia está em franco desenvolvimento e de que há alimento em abundância.

Apesar de não possuir órgãos de defesa ou de trabalho, o zangão é dotado de aparelhos sensitivos excepcionais: pode identificar, pelo olfato ou pela visão, rainhas virgens a dez quilômetros de distâncias.

Os zangões costumam agrupar-se em locais próximos às colméias onde ficam a espera de rainhas virgens. Durante o vôo nupcial eles as perseguem a rainha e copulam em pleno vôo, o que acontece sempre acima dos 11 metros de altura. Uma média de oito a dez zangões conseguem fecundar a rainha - exatamente os mais fortes e vigorosos. Mas eles pagam um preço alto pela proeza: após a cópula, seu órgão genital fica preso à câmara do ferrão da rainha e se rompe causando sua morte.

As Operárias

A abelha operária é responsável por todo o trabalho realizado no interior da colméia. As abelhas operárias encarregam-se da higiene da colméia, coletam água, pólen e néctar, produzem cera, com a qual constroem os favos, alimentam a rainha, os zangões e as larvas e cuidam da defesa da família.

Além destas atividades, as operárias ainda mantêm uma temperatura estável, entre 33º e 36ºc, no interior da colméia, produzem e estocam o mel que assegura a alimentação da colônia, aquecem as larvas (crias) com o próprio corpo em dias frios e elaboram a própolis, substância processada a partir de resinas vegetais, utilizadas para desinfetar favos e paredes, vedar frestas e fixar peças.

Resumidamente, as operárias respondem por todo trabalho empreendido na colméia. Elas nascem 21 dias após a postura do ovo e podem viver até seis meses, em situações excepcionais de pouca atividade. O seu ciclo de vida normal não ultrapassa os 60 dias.

Mas apesar de curta, a vida das operárias é das mais intensas. E esta atividade já começa momentos após seu nascimento, quando ela executa o trabalho de faxina, limpando alvéolos, assoalho e paredes da colméia. Daí a denominação de faxineira. A partir do quarto dia de vida, a operária começa a trabalhar na cozinha da colméia: com desenvolvimento de suas glândulas hipofaríngeas, ela passa a alimentar as larvas da colônia e sua rainha.

Chamadas neste período de sua vida, que vai do quarto ao 14º dia, de nutrizes, essas abelhas ingerem pólen, mel e água, misturando estes ingredientes em seu estômago. Em seguida, esta mistura, que passou por uma série de transformações químicas, é regurgitada nos alvéolos em que existam larvas. Esta mistura servirá de alimento às abelhas por nascer. E com o desenvolvimento das glândulas hipofaríngeas, produtoras geléia real, as operárias passam a alimentar também a rainha, que se alimenta exclusivamente desta substância. Também são chamadas de amas.

De nutrizes, as operárias são promovidas a engenheiras, a partir do desenvolvimento de suas glândulas cerígenas, o que acontece por volta do seu nono dia de vida, as abelhas engenheiras constroem os favos. Além deste trabalho, estas abelhas passam a produzir mel, transformando o néctar das flores que é trazido por suas companheiras. Até esta fase, as operárias não voam.

A partir do 21º dia de vida, as operárias passam por nova transformação: elas abandonam os trabalhos internos na colméia e se dedicam à coleta de água, néctar, pólen e própolis, e a defesa da colônia. Nesta fase, que é a última de sua existência, as operárias são conhecidas como campeiras.

 IDADE

FUNÇÕES

1 a 3 dias

FAXINEIRAS: fazem a limpeza e reforma, polindo os alvéolos.

3 a 7 dias

NUTRIZES: alimentam com mel e pólen as larvas c/ mais de 3 dias.

7 a 14 dias

AMAS: alimentam as larvas com idade inferior a 3 dias com geléia real. Também neste período, algumas cuidam da rainha.

12 a 18 dias

LIXEIRAS: Fazem limpeza do lixo da colméia.

14 a 20 dias

ENGENHEIRAS: segregam a cera e constroem os favos.

18 a 20 dias

GUARDAS: cuidam da defesa da colméia.

21 dias em diante

CAMPEIRAS: trazem néctar, pólen, água e própolis, até a morte.

VÔO NUPCIAL

Somente os zangões mais fortes e rápidos conseguem alcançá-la após detectar o ferormônio. Localizada a "princesa", dá-se início à cópula. No entanto, os vários zangões que conseguirem a façanha terão morte certa e rápida, pois seus órgãos genitais ficarão presos no corpo da rainha, que continuará a copular com quantos zangões forem necessários para encher a sua espermateca, em média a rainha é fecundada por 6 a 8 zangões. Este sêmen, coletado durante o vôo nupcial, será o mesmo durante toda sua vida.

O vôo nupcial que a rainha faz é o único em sua vida. Ela jamais sairá novamente da colméia, a não ser para acompanhar parte de um enxame que abandona uma colméia, para formar uma nova. Ao regressar de seu vôo nupcial, a rainha passará a ser tratada com atenção especial por parte das operárias, que a alimentam e cuidam de sua higiene. Se a jovem rainha é, por exemplo, devorada por um pássaro durante seu vôo nupcial, sua colméia de origem fica irremediavelmente fadada à extinção.

SUBSTITUIÇÃO NATURAL DA RAINHA VELHA

Quando as operárias percebem que a rainha já não tem a mesma energia, concluem que é hora de dar origem a uma nova rainha, iniciando assim a construção de realeiras. Tendo garantida uma ou mais princesas em formação, é necessário eliminar a velha mãe. Assim elas formam uma bola em torno da rainha velha e ali a vão sufocando até a morte. Terminada esta etapa, começam a nascer às novas princesas. Só pode haver uma rainha na colméia, e a primeira que emerge logo procura as outras realeiras para as destruir. Se duas nascem simultaneamente, lutam entre si, e vence a mais forte.

O NASCIMENTO DAS ABELHAS

Três dias depois de ser fecundada a abelha rainha começa a desovar, botando um ovo em cada alvéolo. Uma rainha pode botar cerca de três mil ovos por dia.Durante o seu ciclo, as abelhas passam por quatro etapas muito diferenciadas: ovo, larva, ninfa, pupa e adulto.

Operária →

Zangão →

Rainha →

Os ovos são formados nos ovários da rainha e, ao passarem pelo oviduto, podem ou não ser fertilizados pelos espermatozóides armazenados na espermática. Os ovos fertilizados darão origem a abelhas operárias e dos não fertilizados nascerão zangões. Este fenômeno - do nascimento dos zangões a partir de ovos não fecundados - é conhecido como partenogênese. Portanto, o zangão nasce sempre puro de raça, por originar-se de ovo não fecundado.

É interessante saber como a rainha determina quais os ovos que serão fertilizados, ou seja, darão origem a operárias, e quais os que originarão zangões. O processo se dá seguinte forma: as abelhas constroem alvéolos de dois tamanhos: um menor, destinado a criação de larvas de operárias, e outro maior, onde nascerão os zangões. Antes de ovular, a abelha rainha mede as dimensões do alvéolo com suas patas dianteiras. Constatando ser um alvéolo de operária, a rainha, ao introduzir seu abdômen para realizar a postura, comprime sua espermateca, liberando, assim, espermatozóides que irão fecundar o ovo que será depositado no alvéolo. Caso a rainha verifique que o alvéolo é destinado a zangões, ela simplesmente introduz o abdômen no alvéolo, sem comprimir sua espermática, depositando assim um ovo não fecundado.

É importante que o apicultor saiba destas diferenças porque, caso o lote de esperma presente na espermática da rainha se esgote, todas as abelhas nascerão de ovos não fecundados, dando origem a zangões unicamente. Neste caso, o apicultor deverá substituir imediatamente a rainha, para evitar que a colônia desapareça, pela falta de operárias, que garantem alimentação, higiene e demais serviços da colméia.

(Parte 1 de 7)

Comentários