Livro armenio

Livro armenio

(Parte 1 de 8)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

A reconstrução ecológica da agricultura / C. A.

Khatounian, C. A. Khatounian. - - Botucatu : Agroecológica, 2001.

1. Agricultura - Aspectos ambientais 2.

Agricultura orgânica 3. Ecologia agrícola I. Título.

01- 4253CDD - 631.583

Índices para catálogo sistemático:

1. Agricultura ecológica631.583

Coordenação Juliana Potério de Oliveira

Projeto gráfico Café Design

Revisão Márcia Hein e Celso Muccio

Editoração Muccio & Associado

Capa Cóbi Carvalho

Ilustração capa Yolanda Fumita Shimizu

Ilustrações internas Mônica Stein Aguiar

Impressão Gráfica Cosgraf

Instituto Agronômico do Paraná

Área de Difusão de Tecnologia

Rodovia Celso Garcia Cid, km 375

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Livraria e Editora Agroecológica

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Fone: (14) 6821-1866 editora@agroecologica.com.br w.agroecologica.com.br

ISBN 85-88581-26-4

A reconstrução ecológica da agricultura

Carlos Armênio Khatounian

O leitor é um participante temporariamente anônimo e passivo na publicação de um livro, que busca sempre convencê-lo de algum conhecimento, idéia ou valor, que o autor julga merecerem mais padrinhos. O presente livro não foge a essa regra. Ele busca transformar o leitor num entusiasta, praticante e conhecedor dos caminhos que podem levar à reconstrução ecológica da agricultura. Caminhos esses, que o autor vem trilhando nos últimos vinte anos, e pelos quais não poucas vezes se perdeu e teve afinal de voltar. De certa forma, é uma espécie de guia para o caminho mais curto e de alerta para os falsos atalhos.

Na sua própria caminhada, deparou o autor também com várias dúvidas e perguntas ainda carecendo de respostas, que muitas vezes têm de ser específicas para cada local. Assim, em todo o livro transparece uma pressa de encurtar o anonimato temporário do leitor, propondo-lhe um grande número de desafios. O objetivo último do autor é tornar o leitor o autor do seu próprio romance.

Essa necessidade de transformar o leitor em autor foi sendo evidenciada nos treinamentos em que atuamos como instrutor, sobretudo para profissionais das ciências agrárias e agricultores envolvidos na produção orgânica. Nesses treinamentos, fomos percebendo que o ponto mais importante era ensinar a pensar orgânico. Para isso, nos deparamos com freqüência com lacunas de conhecimento na formação agronômica convencional e com a necessidade de novos conceitos, que propiciassem o desenvolvimento de soluções sustentáveis para os problemas agrícolas.

Contudo, pensar orgânico envolvia muitos aspectos. Além de uma sólida formação nos aspectos materiais da agricultura (as plantas, os animais, o ambiente - o hardware), era necessário conhecer os fatores humanos (cultura, experiências, economia, organização social – o software) que definem como os elementos materiais serão administrados. Para completar, pensar orgânico implicava ainda uma atitude cidadã em relação a vários aspectos da atualidade.

Em nossa atividade junto ao movimento orgânico, tentamos sempre atender ao aspecto técnico de nossa função de pesquisador, sem descuidar porém das dimensões humanas e filosóficas que o pensar orgânico exige. Isso se refletiu neste livro: embora sendo um texto sobretudo técnico, as dimensões não técnicas dos problemas foram exploradas sempre que pareceu pertinente.

O conteúdo do presente texto e a concepção das figuras foi o resultado da compilação de informações e da reflexão ao longo de mais de duas décadas. Desse fato resultaram aspectos positivos e negativos. Do lado positivo, ele nos

A l g u m a s p a l a v r a s a o l e i t o r permitiu enxugar detalhes e particularidades não essenciais à compreensão e ao manejo de sistemas sustentáveis.

O aspecto mais negativo, é que a origem de muitas informações pontuais ficou difícil de traçar. Recuperar as referências bibliográficas de toda a informação utilizada ao longo dos anos nessa reflexão tomaria, talvez, um ou dois anos de trabalho, e as citações ocupariam uma grande parte do texto. Correríamos ainda o risco de, por esquecimento, cometer alguma injustiça em não citar fontes eventualmente utilizadas.

Além disso, para a finalidade de desenvolver o pensar orgânico, um texto enxuto seria mais agradável e atenderia a maior parte dos leitores. Assim, decidimos citar no corpo do texto os autores e obras de que mais nos valemos, que são listados na bibliografia. Os leitores interessados em recuperar alguma informação específica precisarão recorrer às bases de dados da literatura científica, hoje de fácil acesso pela internet.

O livro está organizado em sete capítulos, sendo cada um dependente da compreensão do anterior. O Capítulo I focaliza a agricultura orgânica no cenário mais amplo em que ela se insere e suas relações com algumas das principais questões da atualidade. Historia seu desenvolvimento, traça o perfil das principais escolas no Brasil, esboça um quadro da situação no Brasil e expõe o arcabouço do corpo técnico e conceitual da produção sem agrotóxicos. Discute ainda os desafios à ampliação dessa produção e sua relação com o suprimento alimentar do planeta.

O Capítulo I trata da abordagem sistêmica, que constitui o corpo metodológico mais potente para a compreensão e aprimoramento dos sistemas agrícolas rumo à sustentabilidade. É um capítulo em que se prepara o leitor para o exercício de entender e desenvolver propostas realistas de interferência nos sistemas operados pelos agricultores. Descrevem-se os conceitos e métodos usuais, bem como os problemas mais comuns na sua aplicação. Dedica-se também um segmento à compreensão da lógica específica da produção familiar, identificando problemas que lhe são freqüentes.

Os Capítulos I, IV, V e VI tratam de assuntos especificamente biológicos. Não apresentam conhecimento factual novo, os fatos agrícolas e biológicos são os mesmos tratados na agricultura convencional. Entretanto, organiza e concatena tais fatos dentro de uma lógica distinta, espelhada no funcionamento da natureza. No Capítulo I- “A natureza como modelo”, se constrói o corpo conceitual básico sobre o qual os problemas agrícolas serão analisados e suas soluções delineadas.

Nos Capítulos IV- “A fertilidade do sistema” e V- “O manejo da fertilidade do sistema”, esse corpo conceitual e factual é detalhadamente estudado sob vários aspectos e situações usuais nos sistemas agrícolas contemporâneos no Brasil. Desenvolve-se o conceito abrangente de fertilidade do sistema, em oposição à fertilidade do solo. A assimimilação e o domínio desse conceito nos parece ser a chave para a reconstrução ecológica da agricultura, na sua dimensão biológica. Estratégi- as para o aprimoramento dos sistemas são discutidas, tanto a curto quanto a longo prazo, para culturas anuais, culturas perenes, pastagens e criações.

O Capítulo VI trata da produção para consumo doméstico. Em nossa opinião, no contexto em que atualmente se insere a agricultura orgânica, essa produção é muito mais importante do que se pretende com a expressão “agricultura de subsistência”, desgastada e inadequada. Focalizam-se suas possiblidades e limitações, bem como sua estruturação e funcionamento em algumas regiões do país e do planeta. A compreensão da produção para consumo doméstico exige a mobilização do conhecimento exposto e construído ao longo do livro. Discutem-se ainda as possibilidades de seu aprimoramento nos sistemas agrícolas atuais no Brasil.

Finalmente, o Capítulo VII focaliza a conversão para a produção orgânica, o primeiro patamar concluído na reconstrução ecológica da agricultura. Para essa conversão, todo o restante do livro é necessário, tanto do ponto de vista metodológico – a abordagem sistêmica, quando do conceitual e factual – a natureza como modelo, a fertilidade do sistema e seu manejo, a produção para consumo doméstico. Por facilidade de entendimento exemplifica-se o processo com uma propriedade familiar.

Ao organizar o conjunto do texto, defrontamo-nos várias vezes com a dificuldade de isolar cada tema e tratá-lo separadamente dos demais. De fato, como a natureza funciona de maneira integrada, é difícil separar as partes sem perder a visão do conjunto. Por isso, vários assuntos são tratados pelo menos rapidamente em determinados capítulos, sendo retomados em outros para detalhamento.

Não por modéstia, mas porque é a realidade, temos de registrar que boa parte deste livro não teria sido possível sem a contribuição de nossos colegas de pesquisa do Instituto Agronômico do Paraná. Além de sua contribuição formal em vários projetos conjuntos, tivemos o acesso privilegiado a várias áreas do conhecimento em conversas de corredor e cafés tomados juntos.

Não menos importante foi a abertura e a receptividade de inúmeros agricultores e várias organizações ligadas à produção orgânica, tanto governamentais quanto não governamentais, das quais temos tido constante apoio e boa vontade. A determinação e a perseverança desses amigos têm nos mostrado que soluções são sempre possíveis, quando se quer encontrá-las.

Cumpre ainda salientar o empenho na produção deste pela Editora Agroecológica. Do agrônomo Manfred von Osterroht, tivemos sempre muito incentivo.

Embora reconhecendo as contribuições recebidas, qualquer falha no texto é naturalmente de nossa única responsabilidade. O autor

A Agricultura Orgânica vem se tornando uma opção cada vez mais importante, atendendo uma clara e crescente demanda dos consumidores, tanto em nível nacional quanto internacional, cujas exigências em relação à qualidade e segurança dos alimentos criam nichos de mercado que não podem mais ser ignorados, especialmente pelos produtores familiares que necessitam ampliar sua renda.

O Governo do Paraná, através de sua Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento vem se preocupando com essa opção no Projeto Paraná 12 Meses, acionando, para isso, o órgão oficial de pesquisa agropecuária do Estado, o IAPAR – Instituto Agronômico do Paraná.

Assim, ao definir que a Agricultura Orgânica merece um lugar de destaque nas políticas públicas para o agronegócio paranaense, o Governo Estadual tem ativado as pesquisas e a extensão pelas vinculadas Iapar e Emater, bem como a implementação das iniciativas da sociedade, consciente que essas políticas só podem ser adequadamente implementadas quando, além de um discurso coerente que sinalize as diretrizes governamentais, existam também parcerias para sua implementação e, principalmente, consistência técnica que a viabilizem dentro do sistema produtivo.

Essa consistência técnica vem sendo construída no Iapar ao longo de muitos anos de atividades do autor deste livro, pesquisador e produtor Carlos Armênio Kathounian, em conjunto com outros integrantes da equipe do Instituto. Esse trabalho implica, além de um constante monitoramento do ambiente agro-ecológico e do mercado, na captação, geração e validação de conhecimentos científicos e tecnológicos que permitem colocar à disposição dos produtores uma orientação segura para sua tomada de decisão sobre o que e como plantar.

Podem, portanto, os interessados em Agricultura Orgânica, a partir de hoje, contar com um amplo conjunto de informações e orientações técnicas, de forma que possam aplicar toda sua dedicação e profissionalismo na implementação de uma atividade que, embora de difícil gestão, certamente leva a resultados de alta importância não só para os que nela atuam, mas também para a Sociedade como um todo.

Na qualidade de Secretário recém-empossado, estou orgulhoso em poder fazer a apresentação deste trabalho, em especial pela importância dada ao tema Agricultura Orgânica no Estado do Paraná, pelo meu antecessor o ex-Secretário Antonio Leonel Poloni, que a colocou de forma prioritária na agenda da Agricultura Paranaense.

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