Apostila Macroeconomia

Apostila Macroeconomia

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tttcPM≥−1 onde 1−tM é o estoque de moeda previamente acumulado no período t-1, tP o preço do bem e tc a quantidade do bem de consumo que será comprada no período t. A moeda nesta economia é essencial porque sem ela o consumidor não compra os bens e serviços que deseja. Como a utilidade marginal dos bens e serviços é positiva, o consumidor não desperdiça os seus recursos. Ele terá uma quantidade de moeda exatamente igual ao valor das compras, pois o custo de oportunidade da moeda é a taxa de juros que deixa de ganhar na aplicação financeira. Isto é:

tttcPM=−1

A taxa de juros nominal funciona como um imposto na compra dos bens e serviços. Com efeito, para cada real gasto na compra dos bens e serviços há um sacrifício dos juros, pois este real deve estar na forma de moeda para efetuar o pagamento da compra do bem de consumo.

Este enfoque pode ser estendido para uma economia onde existam bens e serviços que possam ser comprados a crédito e não com moeda. Neste tipo de economia, a taxa de juros afeta o preço relativo entre os dois tipos de bens, daqueles que necessitam de moeda e daqueles que podem ser comprados a crédito.

5.3. Custo de Transação

O sistema de pagamentos das economias modernas (Estados Unidos, Europa,

Brasil, Suíça, etc) tem como seu principal mecanismo o chamado Sistema de Transferência de Reservas. O STR é um sistema de transferência de fundos com Liquidação Bruta em Tempo Real (LBTR), ou seja, liquida as obrigações em tempo real, operação por operação. Neste sistema são realizados os pagamentos dos contratos efetuados nos mercados monetário, cambial e de capitais, além dos pagamentos das operações efetuadas pelo Banco Central e pelo Tesouro Nacional. Há um monitoramento, em tempo real, da conta Reservas Bancárias de cada banco, não se permitindo que a mesma tenha saldo negativo em nenhum momento do dia. Além disso, apenas o titular pode ordenar débitos em sua conta, de forma a ter controle total de seu saldo. Essas mudanças reduzem de maneira drástica os riscos dos participantes no sistema de pagamentos, mas, por outro lado, aumentam a necessidade de liquidez para a administração, ao longo do dia, da conta Reservas Bancárias de cada banco neste ambiente.

Desta forma, se antes os bancos administravam seus saldos apenas para minimizar os custos de oportunidade gerados pelo excesso de reservas no cumprimento do compulsório, no sistema STR surge outro motivo: a necessidade de liquidar seus pagamentos em tempo real. Esta seção apresenta um modelo de demanda de reservas, em um ambiente LBTR. Admita que o custo de transação para o sistema bancário gerenciar este sistema seja dado por:

TtTtc1),(−=

onde α e βsão parâmetros da função de custo, t é a taxa de giro das reservas (R é o total de pagamentos que será feito durante o período e R é o total de reservas bancárias. Nesta função admite-se que o total de pagamentos que o banco tem de fazer durante o período afeta o custo total de gerenciar estes pagamentos. Dois bancos com a mesma razão de giro podem ter custos diferentes dependendo do total de pagamentos.

Admite-se que 1≥β, 0≥αe c (1, T)=0. Não existe restrição sobre o parâmetro δ. O banco tem dois custos, a perda de juros nas reservas e o de gerenciar a conta reservas. O banco procura minimizar o total dos custos e resolve o seguinte problema:

TtrRt1min

A razão de giro ótima é dada por:

t

Quando 10<<δexistem economias de escala porque a taxa de giro aumenta quando o volume de pagamentos também aumenta. A equação de demanda de reservas é dada por:

TrR

A soma das duas elasticidades é diferente de um, a menos que o parâmetro δ seja igual a zero:

6. Mercado de Reservas Bancárias

O Banco Central executa a política monetária através do mercado de reservas bancárias. Neste mercado os bancos comerciais trocam reservas bancárias entre si, porém o total de reservas ou a taxa de juros é controlado pelo banco central.

A Figura 1.6 mostra que se o banco central fixar a taxa de juros em or o mercado absorve uma quantidade de reservas igual a 0R, e vice-versa. Todavia, os efeitos destes procedimentos não são iguais. Quando, por qualquer razão, a demanda de reservas muda, a taxa de juros flutua bastante se o banco central controla a quantidade de reservas. Por outro lado, se o banco central controla a taxa de juros o nível de reservas é que absorve as variações da curva de demanda de reservas, como indicado na Figura 1.6. Os bancos centrais preferem uma menor volatilidade da taxa de juros. Na maioria dos casos eles intervêm no mercado de reservas bancárias fixando a taxa de juros.

D0 D1 r

R2 R0 R1 R

Figura 1.6

O banco central deve fixar a taxa de juros de modo discricionário, casuístico, ou por meio de uma regra de conhecimento geral? A discussão sobre este tema é bastante antiga na literatura econômica. O argumento a favor de uma política discricionária é que o banco central teria as mãos livres para fixar, a cada momento, a taxa de juros que julgasse mais adequada. Todavia, este tipo de comportamento produziria bastante imprevisibilidade para os empresários, trabalhadores e consumidores.

reputação e a credibilidade do banco central

No caso de uma regra de política monetária, a sociedade teria informação precisa sobre as variáveis que influenciam as decisões do banco central. Ademais, o cumprimento da regra daria credibilidade e reputação ao banco central. Nestas circunstâncias, o simples anúncio da política seria suficiente para que o setor privado da economia tomasse decisões com base na política anunciada. O argumento de que ao adotar uma regra o banco central teria suas mãos atadas e não poderia agir em situações excepcionais não procede. A regra é para ser usada em situações normais. Caso ocorra um tsunami (uma onda gigantesca, causada por um maremoto) a regra seria abandonada temporariamente, até a situação se normalizar, quando ela voltaria a ser usada. A sociedade entenderia os motivos da suspensão temporária, e este fato não afetaria a

Regra de Política Monetária

Que variáveis determinam à taxa de juros fixada pelo banco central? A regra de

Taylor supõe que o banco central fixa a taxa de juro nominal do mercado de reservas bancárias em função: i) do hiato da inflação, a diferença entre a taxa de inflação e a meta da inflação que tem como objetivo alcançar, i) do hiato do produto, ii) da taxa de juros natural e iv) da taxa de inflação, de acordo com:

Somando-se e subtraindo-se a meta de inflação π a esta expressão, ela pode ser reescrita como:

A principal propriedade desta regra é de que toda vez que haja um desvio de 1%, por exemplo, da taxa de inflação com relação à meta, o banco central deve aumentar a taxa de juros de um valor maior que 1% [%)1(φ+]. Quando a inflação for igual à meta e a economia estiver em pleno emprego, a taxa de juros nominal de longo prazo será igual à soma da taxa de juros natural com a meta de inflação.

7. Curva de Phillips

A curva de Phillips pode ser deduzida a partir de diferentes hipóteses sobre o mercado de bens e serviços e o mercado de mão-de-obra. Na fixação dos preços admitese que a empresa tem poder de mercado e determina o preço adicionando uma margem (mark up) sobre o custo marginal. O empresário repassa para o preço qualquer variação no custo marginal. Este custo depende do salário e da produtividade marginal da mão de obra. No mercado de trabalho o salário depende das condições de utilização da capacidade produtiva da economia. Com estes ingredientes deduz-se a curva de Phillips tradicional.

Poder de Mercado e Determinação de Preço

A empresa defronte-se com uma curva de demanda pelo seu produto negativamente inclinada e tem uma curva de custo marginal com custo marginal crescente com a quantidade produzida. As curvas de demanda e de custo marginal estão desenhadas na Figura 1.6.

A empresa tem como objetivo maximizar lucro. O faturamento (F) da mesma é igual ao produto do preço do bem ( P ) pela quantidade vendida do mesmo (y). Isto é:

F = P y

O custo de produção da empresa (C) depende da quantidade produzida de acordo com:

O lucro é obtido subtraindo-se da receita o custo de produção:

L = Lucro = F – C

A condição de primeira ordem para maximizar o lucro implica que a receita marginal deve ser igual ao custo marginal:

0=− dydCdy dF ⇒ Rmg = Cmg

A receita marginal pode ser escrita como:

dydPP y P dP yPyP dyddy

Cmg

D preços y Rmg quantidades

Figura 1.6

A elasticidade da quantidade demandada com relação ao preço do produto é definida por:

yPdPdyyPdP

Com um pouco de álgebra a receita marginal pode ser escrita como função do preço do produto e do valor absoluto da elasticidade:

dPdyy

P PRmg

A receita marginal pode ser escrita como função do parâmetro k, a margem da empresa. Em equilíbrio, a receita marginal é igual ao custo marginal. Isto é:

Cmg k

O parâmetro k depende da elasticidade preço de acordo com:

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