Atividade pesqueira

Atividade pesqueira

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IV Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica Belém - PA - 2009

Emanoele Lima ABREU (1); Handerson Fernando Nunes MOURA (2); Danilo de Sousa LOPES (3); Aluisio Carvalho dos SANTOS (4); Flor de Maria Mendes CAMARA (5).

(1) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí, Praça da Liberdade, nº 1597, Centro,

CEP: 64000-040, Teresina-PI, Telefone: (86) 3215-5224, fax: (86) 3215-5206, e-mail: emanoele_lima@hotmail.com (2) IFPI, e-mail: handersonfernando@hotmail.com (3) IFPI, e-mail: sousa.danilo@hotmail.com (4) IFPI, e-mail: aluisiocarvalho@hotmail.com (5) IFPI, e-mail: camara01@yahoo.com.br

Desde a antiguidade, a pesca constitui para a humanidade uma fonte importante de alimentos, além de proporcionar emprego e benefícios econômicos àqueles que a ela se dedicam. O presente trabalho objetiva avaliar a importância da atividade pesqueira para a comunidade do bairro Poti Velho em Teresina - PI, através do levantamento da situação socioeconômica dos pescadores por meio de questionários e identificação das espécies economicamente relevantes, bem como as espécies exóticas. A situação socioeconômica dos pescadores foi avaliada através de entrevista com a utilização de 36 (trinta e seis) questionários, sendo que todos os entrevistados se encontravam na área de estudo, e a identificação dos peixes foi feita com aquisição dos mesmos através dos pescadores, utilizando-se um atlas especifico para a devida classificação. São identificadas as características socioeconômicas e produtivas da pesca artesanal e analisado o processo e as relações de comercialização, bem como o levantamento de espécies existentes na área estudada. A atividade pesqueira no rio Poti é realizada artesanalmente através de tarrafas e anzóis, destinada ao comércio local e a subsistência. A comercialização dos peixes, na sua maioria, é feita no próprio cais e arredores, sendo a principal fonte de renda dos pescadores.

Palavras-chave: Atividade pesqueira, peixes, cais do rio Poti, Teresina-PI.

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1INTRODUÇÃO

Teresina, capital do Piauí, está localizada entre dois rios, o Poti e o Parnaíba. A origem da cidade está diretamente ligada ao rio Poti, já que foi a partir de um povoado localizado em suas margens, que surgiu.

A capital do estado, até então, era Oeiras, ao sul do Piauí. Em 16 de agosto de 1852 ocorreu a transferência. A cidade foi de certa forma planejada, isso porque José Antônio Saraiva, Presidente da Província, estabeleceu logradouros em linhas paralelas dispostas simetricamente, todas partindo do Rio Parnaíba, indo em direção ao Poti.

Logo, a pesca sempre foi uma atividade importante para a economia local. Foi a partir dessa atividade que o comercio nessa região se estabeleceu. O Cais do Rio Poti, localizado no bairro Poti Velho, é o ponto onde a maioria dos pescadores se reune e também é local para a comercialização do pescado.

A atividade pesqueira no rio Poti é realizada artesanalmente através de tarrafas e anzóis, destinada ao comércio local e a subsistência. A comercialização dos peixes, na sua maioria, é feita no próprio cais e arredores, sendo a principal fonte de renda dos pescadores do bairro Poti Velho. Na piracema, período de desova dos peixes, os pescadores recebem uma ajuda de um salário mínimo em função da proibição legal em defesa a reprodução da ictiofauna. A piracema na bacia do rio Parnaíba começa no dia 15 de novembro e termina no dia 15 de março.

O presente trabalho objetiva avaliar a importância da atividade pesqueira para a comunidade do bairro Poti Velho, através do levantamento da situação socioeconômica dos pescadores por meio de questionários e identificação das espécies economicamente relevantes, bem como as espécies exóticas.

2FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Desde a antiguidade, a pesca constitui para a humanidade uma fonte importante de alimentos, além de proporcionar emprego e benefícios econômicos àqueles que a ela se dedicam. No passado, considerava-se que a riqueza dos recursos aquáticos era ilimitada. Contudo, o avanço do conhecimento e a evolução dinâmica das pescarias, após a Segunda Guerra Mundial têm alterado esta concepção e demonstrado que os recursos aquáticos, apesar de renováveis, são limitados e necessitam de um ordenamento adequado para contribuir com o bem estar nutricional, econômico e social (FAO, 1995).

A água é um recurso natural de extrema importância para a sobrevivência e/ou desenvolvimento de qualquer forma de vida existente no planeta. Segundo Tundisi (2005), onde não há água não há vida. As grandes civilizações do passado e do presente sempre dependeram de água doce para sua sobrevivência e desenvolvimento cultural e econômico. A água doce é, portanto, essencial à sustentação da vida, e suporta também as atividades econômicas e o desenvolvimento.

A poluição das águas, principalmente as continentais, é algo preocupante. Não só para a manutenção de um ambiente salutar, mas influencia diretamente na quantidade e qualidade dos peixes que são pescados. Sabe-se que algumas espécies são mais sensíveis às mudanças ambientais do que outras, podendo tornar-se extintas. A diminuição da quantidade de espécies economicamente importantes só agrava uma crise, no setor pesqueiro artesanal, que surgiu junto com a pesca industrial.

Os métodos usados na pesca em larga escala são muito superiores a aqueles métodos artesanais. Isso vai acarretar numa enorme diferença na quantidade de pescado, no mesmo intervalo de tempo. Essa diferença vai se refletir no preço que chegará ao consumidor final. Logo, o pescador artesanal perde espaço no mercado.

Segundo Cardoso (2001), devido às condições que os pescadores estão sujeitos, essa classe irá sumir antes mesmo da extinção de algumas espécies de peixes. Isso se deve à pressão social, física e econômica que ele está sujeito, diminuindo sua produtividade.

Alguns estudos em regiões ribeirinhas mostram que as gerações mais novas não têm interesse em continuar nessa profissão. Não só a instabilidade dessa função, mas também as pressões ambientais sofridas pelos ambientes aquáticos desestimulam essa geração (SANTOS, 2005).

Apesar de ser uma atividade primitiva e de pouca remuneração, a pesca artesanal ainda é praticada por comunidades ribeirinhas de praticamente todo o país, onde há viabilidade de pesca. Muitas dessas já foram

IV Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica Belém - PA - 2009 extintas. Não só pela extinção de espécies exploradas, mas pela própria pressão social em torno dessa atividade (CARDOSO, 2001).

“O termo agronegócio engloba todas as atividades vinculadas e decorrentes da produção agropecuária tais como: o extrativismo vegetal, silvicultura, agricultura, pesca e aqüicultura. Envolve as relações sociais, tecnológicas, produtivas e financeiras estabelecidas desde a fabricação de insumos, passando pela produção de matérias-primas e processamento, até o mercado consumidor” (SANTOS, 2005).

3METODOLOGIA
3.1Área de Estudo

O presente estudo foi realizado no Cais do Rio Poti que fica localizado no bairro Poti Velho na zona norte de Teresina-PI e na margem direita do Rio Poti próximo a sua foz onde o mesmo se desemboca no Rio Parnaíba.

Figura 1 – Localização do Cais do Rio Poti / Fonte: GOOGLE EARTH 2009.

O Rio Poti nasce da junção de dois riachos: Fundo e Cipó, a 600 metros de altitude, na serra da Jacobina, no estado do Ceará. Tem 550 quilômetros de curso, dos quais 350 km são no Piauí e 20 km na zona litigiosa. Sua declividade começa com 20m / Km e vai diminuindo até atingir 0,22m / Km (NETO, 2003).

Ao penetrar no estado do Piauí forma um verdadeiro “Cânyon”, com paredões de 40 metros de altura. Banha vários municípios. Cruza a cidade de Teresina e desemboca no rio Parnaíba à altura do bairro Poti Velho, formando o famoso encontro das águas, onde atualmente existe um parque ecológico municipal (NETO, 2003).

A bacia hidrográfica do rio Poti tem uma área de aproximadamente 52.202 Km², sendo 37.750 Km² (72,32 %) no Estado do Piauí, 12.480 Km² (23,91 %) no Estado do Ceará e 1.971 Km² (3,78 %) na área em litígio (SEMAR PI, 2004). Está localizada na porção centro-norte do Estado do Piauí e oeste do Estado do Ceará, entre 4° e 6° 50’ de latitude sul e entre 40° e 43° a oeste de Greenwich (LIMA, 1982). Compreende uma região de diferentes estruturas geológicas e tipos climáticos, variando de condições de semi-aridez a de maiores umidades, que refletem na sua diversidade de solos e cobertura vegetal (PESSOA, 2001).

O rio apresenta um regime de escoamento de semi-perene, como a maioria dos rios do nordeste brasileiro; nos períodos de estiagem ele corta, formando pequenos lagos ao longo do seu leito. No trecho do baixo curso, porém, é perene, principalmente nos últimos 50 km. O Poti é um dos grandes afluentes do rio Parnaíba. No estado do Piauí, sua bacia abrange 60 municípios, enquanto no Estado do Ceará abrange 21, perfazendo um total de 81 municípios. Ao desembocar perpendicularmente no Parnaíba em Teresina e por ser um rio de menor porte, em termos de quantidade de movimento, o Poti sofre um barramento natural em

IV Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica Belém - PA - 2009 seu leito que em épocas de estiagens (de abril a dezembro), forma um lago de cerca de 16 km de comprimento com 100 metros de largura media, profundidades variando de 2 a 0,3 metros e velocidades de fluxo muito baixas (2,0 a 0,6 m/s), às vezes até refluxo junto a foz (PESSOA, 2001).

3.2Materiais e Métodos

A situação socioeconômica dos pescadores foi avaliada através de entrevista com a utilização de 36 (trinta e seis) questionários, sendo que todos os entrevistados se encontravam na área de estudo, e a identificação dos peixes foi feita com aquisição dos mesmos através dos pescadores, utilizando-se um atlas especifico (SANTOS et al, 2004) para a devida classificação.

4ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
4.1Análise das condições sócio-econômicas dos pescadores do cais do Rio Poti.

Com os resultados encontrados, é perceptivel que 4% dos pescadores entrevistados possuem idade entre 20 e 30 anos e 72% possuem tempo de serviço superior a 10 anos. Observa-se, também, que 67% dos pescadores tem escolaridade referente apenas ao ensino fundamental incompleto.

Figura 2 – Idade dos pescadores Figura 3 – Tempo de profissão.

Figura 4 – Nível de instrução dos pescadores.

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Os dados a seguir mostram que 94% dos pescadores entrevistados possuem família com numero de pessoas acima de 3 indivíduos e 78% possuem renda mensal entre R$ 830,0 a 1.245,0.

Figura 5 – Numero de pessoas na família.

Figura 6 – Renda mensal dos pescadores.

Os graficos acima mostram que 100% dos pescadores entrevistados pescam entre 4 a 7 dias por semana, 94% pescam quantidade superior a 25 kg/dia.

Figura 7 – Quantidade de dias, por semana em que há a pescaria.

Figura 8 – Quantidade de peixes pescados por dia, em kg.

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De acordo com a perspectiva de mais da metade dos pescadores entrevistados, a quantidade e o tamanho dos peixes não sofreram alterações significativas desde o inicio de suas atividades de pescadores.

Figura 9 – Variação da quantidade de peixes em relação ao tempo de trabalho dos pescadores

Figura 10 – Variação do tamanho dos peixes em relação ao tempo de trabalho dos pescadores

Os dados mostram que 56% dos pescadores consideram que o volume d’água no Rio Poti é o mesmo em relação ao período que os pescadores iniciaram na profissão, sendo que 39% consideram que houve um aumento.

Figura 1 – Variação no volume de água do Rio Poti em relação ao tempo de trabalho dos pescadores.

Figura 12 – Percepção dos pescadores quanto à poluição do Rio Poti.

O gráfico mostra que 94% dos pescadores entrevistados consideram que o Rio Poti esta poluído, principalmente por efluentes e pelo lançamento de resíduos sólidos pela população das proximidades do rio.

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6.2 Identificação da ictinofauna do Rio Poti.

Foram coletados 19 (dezenove) indivíduos, distribuídos em cinco ordens. Houve uma redução do numero de espécies esperados, por conta do inicio da piracema de acordo com a Tabela 1.

Tabela 1 – Lista de Peixes encontrados no Cais do Rio Poti, em Teresina – PI.

Nome Vulgar Nome Científico Ordem Família Imagens

Acará Geophagus proximus Pereiformes Cichidae

Aracu-branco, Piau- de-Vara - CharaciformesAnostomidae

Arenga,

Sardinhãobranco

Pellona flavipinnis Clupeiformes Pristigasteridae

Bico-de-pato Surubim Lima Siluriformes Pimebdidae

Bodó,Corró, Cascudo Hipostumus plecostomus Siluriformes Loricaridae

Branquinha-baião Curimata inomata Characiformes Curimatidae

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Branquinhacomum Prectogaster amazônica Characiformes Curimatidae

Curimatá - CharaciformesProchilodontidae

Escamaduro, João-duro Coenotropus labejinthians

Characiformes Chilodontidae

Mandí, Mandí-serra Leoptodoras Siluriformes Doradidae

Pataca Astyanax abramis Characiformes Characidae

Pataca Tetragonopterus argenteus Characiformes Characidae

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Piabinha, Manjubinha - CharaciformesCharacidae

Piau, Aracucabeça-gorda - Characiformes Anastomidae

Piranha-branca - CharaciformesCharacidae

Sardinha Triporlheus trifurcatus Characiformes Characidae

Tucunaré Cichla monoculos Perceformes Characidae

5CONSIDERAÇÕES FINAIS

Fotos: Fonte Direta / Outubro de 2008.

Observou-se que a atividade pesqueira no cais do rio Poti é de fundamental importância para a comunidade do bairro Poti Velho, pois é a principal fonte de renda dos pescadores da região, que em sua maioria são de baixa escolaridade, mais de 10 anos de serviço e têm renda mensal de 2 a 3 salários mínimos. Tal atividade é realizada de maneira totalmente artesanal, com comercialização no próprio cais e em estabelecimentos situados no bairro.

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Os peixes mais comercializados são o Piau, Branquinha, Curimatá, Mandí e Tucunaré, todos tratados na beira do cais. Também são encontradas espécies com pouco ou nenhum valor comercial como é o caso do bodó. De acordo com os pescadores, são pescados por dia acima de 25 Kg e não houve variações significativas no tamanho dos peixes ao longo dos anos de trabalho.

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